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segunda-feira, 10 de julho de 2023

Arcebispo anglicano diz que “Pai Nosso” pode ser “problemático” por ser patriarcal



“O arcebispo de Iorque está dizendo que Jesus estava errado?", atacou um cônego tradicionalista.


O arcebispo anglicano de Iorque, no Reino Unido, considera que as palavras iniciais do Pai Nosso — a mais conhecida das orações cristãs — podem ser "problemáticas" por terem uma conotação patriarcal, noticia o jornal britânico The Guardian.

Retirada dos textos dos evangelhos segundo São Mateus e São Lucas, o Pai Nosso é desde as origens do Cristianismo a mais clássica oração cristã, recitada por praticamente todas as denominações, incluindo católicos, protestantes e ortodoxos.

Dentro do Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra, o órgão máximo daquela denominação no epicentro da Comunhão Anglicana (com origem na Reforma Anglicana, no século XVI, contexto da Reforma Protestante, no continente europeu), dividem-se as opiniões sobre a adequação da expressão patriarcal aos tempos modernos.

"Eu sei que a palavra 'pai' é problemática para aqueles cuja experiência de pais terrenos é destrutiva e abusiva, e para todos que têm enfrentado um controle opressivo e patriarcal na vida", disse recentemente o arcebispo de Iorque, Stephen Cottrell, durante uma reunião do Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra.

A Igreja de Inglaterra — que admite mulheres como presbíteras e, mais recentemente, bispas — tem sido palco de profundos debates, bastante divisivos, em torno de vários tópicos fraturantes no contexto do Cristianismo. Em fevereiro, o Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra aprovou a bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo e, de modo especialmente controverso, ponderou passar a usar pronomes neutros para se referir a Deus.

Apoio e críticas ao bispo

Christina Rees, uma presbítera que esteve envolvida na campanha pelo direito à ordenação episcopal das mulheres, defendeu a posição do arcebispo de Iorque, sublinhando que o prelado "pôs o dedo num assunto que é realmente um assunto vivo para os cristãos e tem sido desde há muitos anos".

"A grande questão é: acreditamos realmente que Deus acredita que os seres humanos masculinos testemunham a sua imagem de modo mais completo e rigoroso do que as mulheres? A resposta é que decididamente não", salientou Christina Rees.

Segundo o jornal The Guardian, o discurso do arcebispo Cottrell causou fortes divisões na assembleia. O conservador Chris Sugden, cónego que lidera a ala mais tradicionalista, questionou: "O arcebispo de Iorque está dizendo que Jesus estava errado? Ou que Jesus não tinha consciência pastoral? Parece emblemático da abordagem de alguns líderes eclesiásticos buscar inspiração na cultura em vez da escritura."


Fonte: Observador via Folha Gospel

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Ministério Público recomenda fim do Pai Nosso em escola após queixa de professora



A Promotoria acatou a queixa de uma professora e recomendou o fim das orações em uma escola de Rifaina (SP).


O Ministério Público recomendou que uma escola municipal de Rifaina (SP) deixe de realizar atividades religiosas após uma queixa apresentada por uma professora.

Em uma representação, a docente relata que os alunos da EMEB João Etchebehere, de 5 a 10 anos, são chamados a orar o Pai Nosso com as professoras antes do início das aulas.

A autora da representação alegou que a escola se trata de um espaço público, que deve ser laico.

O MP acatou a queixa e recomendou o fim das orações na escola, sob a justificativa de que, embora ela seja alegadamente facultativa, é realizada com crianças, ou seja, sem plena capacidade de discernimento, informa o g1.

"É vedado aos entes federativos e seus órgãos estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança", argumentou o promotor de Justiça Alex Facciolo Pires.

A docente enviou um vídeo à Promotoria mostrando estudantes com as mãos em sinal de devoção e orando com as professoras.

Ela alegou ainda que houve constrangimento entre alunos de outras religiões. "Presenciei dois alunos serem expostos perante os demais por seus docentes justamente por expressarem que não compartilham da mesma fé", diz.

A professora também alega que apresentou sua queixa aos gestores da escola, mas foi informada de que esta tem sido uma prática da escola há muitos anos.

"Busquei expor a situação quanto à laicidade do espaço público para a secretária da educação, e como resposta recebi a informação que essa prática ocorre há muitos anos e não mudariam, e caso necessário fariam uma intervenção com os pais (abaixo assinado ou autorização)."

Promotoria recomenda o fim das orações

Com a denúncia da professora, o Ministério Público enviou um ofício à escola.

Por sua vez, a instituição de ensino confirmou que a oração do Pai Nosso com os alunos acontece desde sua fundação, há mais de 25 anos, mas sempre de forma facultativa. Além disso, nenhum pai reclamou da prática.

No entanto, a Promotoria reforçou que "as instituições públicas devem adotar uma posição neutra no campo religioso, buscar a imparcialidade nesses assuntos e não apoiar ou discriminar qualquer religião."

"O fato de nenhum pai ou mãe de aluno ter reclamado do posicionamento da escola é irrelevante", disse o promotor, em despacho emitido em 8 de dezembro.

A promotoria deu prazo de 15 dias para a escola se manifestar e recomendou o fim de todas as atividades ou elementos religiosos entre os alunos da rede municipal.

Fonte: Guia-me com informações de G1 via Folha Gospel

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Ministério Público solicita fim da oração do “Pai Nosso” em escola do Paraná

A promotora ainda ressalta a importância de não atrelar orientações comportamentais dos alunos à religião.

O Brasil é um Estado laico desde 1890; o que significa ter como princípio a imparcialidade em assuntos religiosos, sem apoiar ou discriminar nenhuma religião. Desta forma, a liberdade religiosa a todos os seus cidadãos é garantida, e a interferência de correntes religiosas em matérias sociopolíticas e culturais não é permitida.

Mas, apesar do laicismo, os símbolos da igreja católica como crucifixos, ainda são encontrados comumente em edifícios públicos e, em anos recentes, têm sido questionados (e retirados), uma vez que o país é, na teoria, laico.

A oração do 'Pai Nosso' é um dos ritos presentes em igrejas cristãs. A oração, ou reza, foi alvo de denúncia recebida pelo Ministério Público do Paraná, por meio da 1ª Promotoria de Justiça, em Matinhos, pois, segundo documento a que o JB Litoral teve acesso, alunos estariam sendo obrigados a rezarem quando estavam em fila.

Reincidente

No ofício assinado pela promotora de justiça Cláudia Luíza da Rosa Tomelin, destinado ao secretário de Educação do município, Mário Braga, são citadas a Constituição Federal e três leis que versam sobre o assunto (7347/1985, 625/1993, 85/1999), que embasam a solicitação para a suspensão de qualquer tipo de oração ou reza no ambiente escolar. A promotora relata que não acata a justificativa da secretaria municipal de Educação e Cultura, de que a oração ‘Pai Nosso’ é realizada pelos alunos na formação das filas.

"Considerando a denúncia recebida por esta Promotora, vem novamente solicitar que suspenda quaisquer tipos de orações ou rezas em ambiente escolar, bem como a prática de qualquer ato que possa constranger alunos a participarem de atos religiosos adversos das suas crenças, considerando que não faz parte do currículo escolar promover ‘orações’ e ‘rezas’ com os alunos", diz trecho do ofício em que a promotora expõe que já foi solicitado anteriormente que a Prefeitura de Matinhos suspendesse as manifestações religiosas nas escolas.

Liberdade religiosa

A promotora ainda ressalta a importância de respeitar a liberdade religiosa e não atrelar orientações comportamentais dos alunos à religião.

"Frisa-se a necessidade de suspender tais atividades, considerando que a liberdade religiosa consiste em qualquer sujeito escolher a sua crença ou ausência de qualquer crença, bem como que momentos de ‘orientação e reflexão sobre condutas indesejadas’ não necessitam que sejam realizados com qualquer referência religiosa", conclui o ofício.

Fonte: Comunhão com informações de JB Litoral via Folha Gospel

sábado, 14 de outubro de 2017

Barra Mansa determina Pai Nosso em escolas e cria polêmica



Alunos que se recusarem devem levar declaração assinada pelos responsáveis e serão separados do restante, diz comunicado da prefeitura


Uma ordem assinada pelo secretário de Educação de Barra Mansa (RJ), Vantoil de Souza Júnior, determinou, no início do mês, que todos os alunos da rede municipal de ensino devem rezar o Pai Nosso antes das aulas. O documento determina que a oração seja feita logo depois da entoação dos hinos cívicos.

A medida é justificada pelo fato de que a oração é aceita pela maioria das manifestações religiosas. "Os alunos que não desejarem fazer deverão declarar por escrito através dos seus responsáveis. Eles serão colocados em fila apartada e após o hino encaminhados à sala de aula", diz a ordem.

Para Jeihcio Francis, representante da Associação Ateísta do Sul Fluminense, é preciso levar em consideração o risco de as crianças se sentirem constrangidas ao serem obrigadas a orar. "Quando estão todos orando e você não ora também, acaba se tornando uma falta de respeito e isso pode acabar se tornando um problema social. A escola deve ensinar a diversidade cultural e não ajudar a fortalecer um problema, que é o preconceito religioso".

A pedagoga Fátima Troina pede que "a abordagem seja muito bem norteada para não ferir as diferenças". "Precisamos exercitar o respeito à diversidade. É preciso ter atenção para não ferir o respeito às diferenças. Submeter uma criança ou adolescente a algo que naturalmente não pertence à religião dela pode se tornar confuso".

Sobre os hinos cívicos, foi montado um cronograma que estabelece que o hino nacional é entoado na segunda-feira; o hino de Barra Mansa na terça; e na quarta o da Independência; quinta é cantado o hino da Bandeira e sexta-feira é o da Proclamação da República.



Na vizinha Resende, projeto discute OSPB e EMC

Em Resende, tramita na Câmara Municipal um projeto de lei que prevê a regulamentação e inclusão nas escolas da rede municipal de projetos interdisciplinares das disciplinas de Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Educação Moral e Cívica (EMC).

Segundo o vereador Caio Sampaio (Rede), o objetivo é formar cidadãos com visão ampliada e crítica do meio onde vivem. "Nós queremos voltar a formar cidadãos. É preciso voltar a cantar o hino nacional, sem pregar qualquer tipo de ideologia. Deixando claro que não queremos criar novas matérias neste tema, até porque não temos autonomia, isso é prerrogativa da União. Nosso objetivo é instituir projetos interdisciplinares, que fomentem na mente das crianças algo voltado para a cidadania e responsabilidade social", disse.

Para a socióloga Ana Paula Perrota, o projeto "resgata o nome de disciplinas do período da ditadura e que hoje não existem mais. Fica anacrônico associar esses conteúdos a algo moderno". "Nos dias de hoje está sendo disseminada uma noção do que seria o 'cidadão de bem'. Valores morais em torno desse cidadão de bem estão se constituindo a partir de ideias conservadoras e religiosas. Isso reflete em algo distante do que as teorias pedagógicas e sobre educação entendem sobre a formação do pensamento crítico", analisou.

Fonte: CPAD News


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Lei obriga “Pai Nosso” antes da aula em Aparecida de Goiânia

OAB de Goiás diz que a legislação é inconstitucional

As escolas municipais de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que normalmente iniciavam as aulas orando o Pai Nosso, recentemente foram proibidas de fazê-lo por recomendação do Ministério Público Estadual.
Já no estado vizinho de Goiás, a situação pode se inverter. Em Aparecida de Goiânia, a Lei 3.316/16, proposta pelo vereador Francisco Gaguinho (PSC), estabelece que a oração do Pai Nosso deve ser feita em todas as salas de aula das escolas públicas, antes do início de cada turno.
Aprovada pela Câmara Municipal, deve começar a vigorar no dia 17 de julho. Contudo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ainda irá avaliar a constitucionalidade da lei. O diretor da OAB Goiás, Roberto Serra, entende que a legislação fere a Constituição.
“A meu ver, a matéria é totalmente inconstitucional, violando diretamente o inciso VI do Artigo 5, que garante a liberdade religiosa das pessoas. Várias comissões na OAB já estão se mobilizando para deliberar sobre o assunto”, defende.
O vereador Gaguinho acredita que existe um cunho educacional na lei, que proporcionará aos alunos “fundamento histórico”. “Nós vivemos em um país em que 95% das pessoas são cristãs”, asseverou.
O diretor da OAB-GO, além de questionar o fundamento, acredita que está mal fundamentada. “O que vai acontecer com quem não fizer a oração? Os cidadãos não podem, em hipótese alguma, terem sua liberdade de crença tolhida sob pena de represália”, insiste Serra.
Essa não é a primeira lei do tipo. Em 2012, em Ilhéus na Bahia, foi criada a “Lei do Pai Nosso” (Lei nº 3.589/2011), projeto do vereador evangélico Alzimário Belmonte (PP-BA) De modo semelhante, obrigava que a oração fosse feita nas escolas.
Após cerca de quatro meses, o Ministério Público a revogou, alegando inconstitucionalidade.
Com informações de Estadão via Gospel Prime

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Comercial com “Pai Nosso” é proibido e chamado de “ofensivo”


A Igreja da Inglaterra tem experimentado um constante declínio em assistência nas últimas décadas. Religião oficial do Reino Unido, também chamada de episcopal anglicana, a Igreja possui uma orientação liberal e deve fechar nos próximos meses cerca de dois mil templos.
Decidida a se tornar mais “atraente” para os jovens, está lançando uma campanha que tem como tema “Just Pray” [Simplesmente ore], com uma linguagem mais moderna, colocou um site no ar para estimular pessoas a compartilharem seus pedidos de oração e oraram uns pelos outros.
Um vídeo de menos de um minuto foi criado para divulgar a ideia. Segundo o jornal Independent, além da internet, o material seria divulgado em salas de cinema do Reino Unido. Contudo, o material foi considerado ‘potencialmente ofensivo’. O vídeo mostra apenas pessoas fazendo a oração do “Pai Nosso”, são homens, mulheres e crianças, de diferentes idades, dizendo as frases da conhecida oração ensinada por Jesus.
A direção da Igreja afirmou ter ficado “desnorteada” com a decisão das redes de cinema controladas pela empresa Digital Cinema Media. O comercial da Igreja da Inglaterra seria exibido antes do filme Star Wars: o Despertar da Força, que estreia perto do Natal.
Em nota, a empresa, uma das maiores do Reino Unido em sua área, afirmou que aceita divulgar material de conotação política ou religiosa em seus cinemas. O motivo seria não ferir as crenças individuais de seus telespectadores.
O Arcebispo Justin Welby, principal líder da denominação, disse ter ficado decepcionado por não poderem estimular as pessoas a oraram mais “na semana antes do Natal, quando celebramos o nascimento de Jesus Cristo”. O pastor Arun Arora, diretor de comunicações da Igreja da Inglaterra, foi mais contundente classificando a decisão da rede de cinema de “simplesmente idiota”, os acusando de “limitar a liberdade de expressão “.
Fonte: Gospel Prime
Assista:
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