quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

UMA GERAÇÃO SEM HERÓIS - Rev. Paulo Cesar Lima

Rev. Paulo César Lima


UMA GERAÇÃO SEM HERÓIS - Rev. Paulo César Lima

Vivemos hoje na Igreja o vazio de uma geração sem heróis, sem modelos de vida consagrada em liderança madura e ética.”


Olhando para o cenário macro do Brasil e, sobretudo, vendo as coisas com as quais convivemos este ano, das quais fomos alvos, contra as quais não pudemos lutar e em meio às quais nos envolvemos, o resumo da ópera é que, de novo, não conseguimos alcançar as nossas metas e muito menos atingimos as propostas de Jesus contidas na Palavra. Aliás, tivemos muito pouca manifestação do Reino de Deus entre nós, muito pouca denúncia profética, muito pouca confrontação com os sistemas de morte que nos rodeiam e nos submetem, além da escassez de resultados transformadores no campo social, que reduzam as terríveis desigualdades sociais e regionais encontradas entre nós.

Como numa arquibancada, vimos o governo Lula mantendo os privilégios das elites, cooptando o sindicalismo, esvaziando os movimentos populares e estatizando o clientelismo, enfraquecendo a cidadania à base do pão e do circo e acendendo velas para Deus, o diabo, todos os santos e todos os orixás. E nós o que fizemos? Absolutamente nada.

Por conta da nossa omissão, fomos debulhados, achincalhados, parodiados, mediocri- zados, assinalados como corruptos e corruptores. Por outro lado, o nosso discurso rígido, de moral aparente convive, hoje, com uma moral subterrânea, clandestina, dentro das igrejas. É um dualismo doentio e hipócrita.

O que vivemos hoje é o vazio de uma geração sem heróis, sem modelos de vida consagrada em liderança madura e ética. Alguns antigos líderes entraram em crise e até renegaram o seu passado, causando muito sofrimento. Por outro lado, vemos uma promoção de lideranças artificiais e caudilhescas, o que é muito pior.

Para nós assembleianos, este ano foi o ano dos desencontros denominacionais, das mostragens dantescas de hipocrisia, fisiologismos comprometedores, cinismos despudorados. Podemos dizer também que este ano foi o ano das revelações mesquinhas e mercantilistas da fé cristã, cimentadas na corrompida ideia de prosperidade; foi o ano das propostas desavergonhadas dos charlatões da fé, com vendas inescrupulosas de toalhas, redinhas, chaves do sucesso, cajados de Moisés, acompanhadas de mensagens espúrias de auto-ajuda que têm como objetivo arregimentar bons e consagrados colaboradores na compra de aviõezinhos para mostrar o sucesso do tele-evangelista e a “bênção” de Deus sobre sua vida. Foi o ano dos acertos políticos, do jogo de poder, do dinheiro escuso nas cuecas, nas calças, meias e nas contas.

Sob a estandartização da fé ultrapassamos os limites da tolerância divina com os nossos mal feitos; com isso, ameaçamos o porvir, destruímos referenciais e acabamos por criar uma geração cínica e apóstata.

Infelizmente, nós não cumprimos os desideratos de Jesus nem de longe. Precisamos – e muito – pedir perdão a Deus com a mais pura consciência a fim de ganharmos tempo para desfazermos os nós que criamos na história da igreja brasileira. Precisamos – e como – conseguir cumprir os alvos pretendidos por Jesus, uma vez que há muito não os atingimos. Urge que nós, evangélicos brasileiros, endireitemos o caminho do Senhor com o nosso arrependimento, derramando sobre o altar divino nossas lágrimas a fim de alcançarmos o Seu perdão. E que Deus tenha piedade de nós!

Feliz Natal e um Próspero Ano de 2011

Presidente da Catedral da
Assembleia de Deus em Jardim Primavera.

7 comentários:

Lucas Marim Santos disse...

Precisamos todos nos chegarmos ao Senhor.

Saber que Ele é a nossa Rocha em tudo que fazemos, saber que na há coisa que não podemos colocar diante dele, desde as mais simples e as mais "profissionais", crer com simplicidade num Deus que É o Senhor de nossas vidas, e que invocamos sobre nós o Seu Reino todos os dias, que servi-lo, sendo acima disso amigos dEle, é nossa alegria, alegria nEle que só será completa quando chegar o que esperamos, o Céu, quando estivermos, pela imensa graça, com Ele.

Adriano Lima disse...

Querido Pastor Carlos Roberto,

muito bom o artigo do Pastor Paulo César. Que em 2011, possamos reavaliar nossos valores e fazer mais para o reino do Eterno.

passe lá no blog e veja o presente do presidente Lula para os evangélicos.


Adriano Lima

Daladier Lima disse...

É uma pena termos chegado aonde chegamos. Mas a coisa não aconteceu do dia pra noite, foi devargar e progressiva, até que a prostração nos alcance. Deus tenha misericórdia de nós.

Vicente de Paulo disse...

Graça e Paz Pr Carlos, Parabens pela publicação desse artigo. Essa uma realidade que muitos não querem ver. Os herois de Cazuza morreram todos de overdose química,porém, nós só não ficamos sem herois, porque os teremos sempre nas páginas da Bíblia, a exemplo de Hb cap. 11. Todavia, concordo que a nossa geração está perdendo as referências, admiramos determinadas lideranças somente até o momento que os conhecemos de perto. Nossos heróis estão morrendo de overdose da obsessão pelo poder eclesiástico político e econômico, da overdose do legalismo hípócrita e do liberalismo apóstata.

Pr. Jessé Sobral disse...

Caro Pr. Carlos Roberto.

A constatação é triste porem verdadeira, só nos resta fazer a nossa parte.

"Tivemos muito pouco do Reino de Deus entre nós" realmente. Mas como te-lo entre nós se ele não estiver em nós!!! A ideia da manisfestação deste Reino deve ser precedida do entendimento do que ele realmente é e representa para nós, igreja, e para o mundo.

Enfim, teremos o Reino de Deus quando abrirmos mão do nosso, se é que temos algo. Assim o que asssistimos é lideres e pastores "usando" o Reino de Deus como meio para ampliar o "seu" reino, para não dizer imperio. Deus nós guarde!

Como ter voz profetica quando não estamos dispostos a pagar o preço! Queremos ter a veemencia de Elias, mas sem deixar de saborear o vinho da vinha de Nabote espremido pelas mãos de Jezabeel.

Queremos o poder denunciativo de João Batista, sem correr o risco de peder a cabeça ou ao mesmo se queimar com esse ou aquele; quando não, participarmos dos banquetes oferecidos por aqueles que nós mesmos denunciamos e sabemos que lideram de forma corrupta e coptativa. Tudo em nome do equilibrio e do politicamente correto.

Em meio a tudo isto fica a pergunta do Salmista: "O que poderá fazer o justo"!!!

Pr. Jessé Sobral

Gilson disse...

O grande desastre é que homens antes tementes a Deus, ao ver esses desvios, ao invés de atacá-los (as heresias) absorveram-nas e acharam que seria a descoberta da pólvora para seus mini-estéreis (não digitei errado, foi proposital) e enfiaram o pé (alguns mergulharam de cabeça) na lama. Tudo em nome do ganho fácil da grana dos sem entendimento (que no caso de nossa "igreja brasileira" é um verdadeiro achado) para obterem mais poder e serem mais vistos na mídia.

Pr.Dirceu Almeida disse...

Amado Pastor Carlos Roberto
è sempre um prazer quando tiramos um tempo para entrar em seu blog e mergulhar nos temas postados.
Realmente essa postagem em especial é forte, porem nescessária para reflexão de todos leitores, o ano 2010 fizemos pouco, mas o ano 2011 chegou ainda estamos no começo, e como chegaremos em dezembro, será que nos ramentando e concordando com mensagems verdadeiras como essa, o que famos fazer pra reverter tudo isso? Nossos projetos tem que sair do papel, todos alias quase todos tem boas idéias e projetos o que precisamos é sair do armário, abacar com nosso medo e colocalos em pratica. Grande abraço.

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