segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cem anos das Assembléias de Deus no Brasil e o Bem sucedido Movimento Pentecostal


Centenário Assembléia de Deus
Por: Cícero Ramos


O movimento pentecostal no Brasil e no mundo caracteriza-se por uma palavra: crescimento. Não é à toa que a Assembléia de Deus constitui-se na maior igreja evangélica em nosso país. Desde os primórdios isso se torna notório por causa da compreensão das verdades pentecostais e sua aplicabilidade na vida cristã. O ardor pentecostal, o zelo evangelizador, a permanência nas verdades bíblicas fizeram com que a Assembléia de Deus crescesse extraordinariamente. Muitos brasileiros conheceram ao Senhor Jesus Cristo por causa de pioneiros como os suecos Daniel Berg, Gunnar Vingren e tantos outros que entregaram suas vidas à causa do Evangelho pelo poder do Espírito Santo.


Estes dois pioneiros mencionados chegaram a Belém do Pará em 19 de novembro de 1910. Traziam a doutrina pentecostal evidenciada no batismo no Espírito Santo com a evidência inicial de falarem em novas línguas e por causa disso, não puderam permanecer na Igreja Batista denominação a qual pertenciam nos Estados Unidos. Então, Berg, Vingren e outros irmãos que aceitaram a fé pentecostal em 18 de junho de 1911 saíram e passaram a reunir-se na casa de uma irmã por nome Celina Albuquerque e fundaram uma nova igreja com o nome de Missão da Fé Apostólica que passa mais tarde, em 18 de janeiro de 1918, por sugestão de Gunnar Vingren, a denominar-se Assembléia de Deus.

O expansionismo missionário fez com que em poucos anos a partir da década de 20, a AD pregasse o Evangelho crescendo muito no próprio estado do Pará, Amazonas, região Nordeste e por volta de 1922 chegasse à região Sudeste através de paraenses que debaixo da direção divina, mudaram para o Rio de Janeiro para implantar a fé pentecostal onde quer que o Senhor os orientasse.

A experiência pentecostal desafia a muitos que possuem alguma forma de santidade mas que negam o poder (2 Tm 3.5). Infelizmente, julgam serem desnecessárias as experiências espirituais. Não compreendem que a Igreja Primitiva aprendeu mais sobre o Espírito Santo depois que experimentou o seu poder e os dons. E mais ainda, também declaramos que as experiências com o Espírito Santo podem fazer clara diferença no conhecimento das Escrituras.

Desde seus primórdios, claramente a AD perseverou na doutrina dos apóstolos (At 2.42). Esta doutrina de forma a não deixar dúvidas, enfatizava a oração, a vida de santidade, as boas obras e o recebimento do dom do Espírito Santo (At 2.38,39). A pregação de Pedro nesta passagem deixa clara a doutrina bíblica do batismo no Espírito Santo. Ele menciona o arrependimento dos pecados, o consequente perdão dos mesmos, o batismo em águas e em seguida o recebimento do dom do Espírito. No livro de Atos vemos de forma consciente o batismo com o Espírito Santo sendo desejado, buscado e recebido. Consequentemente, entendemos que o batismo com o Espírito Santo não era um dom automaticamente concedido aos crentes em Cristo, mas deveria zelosamente ser buscado.

Sendo assim, esta gloriosa doutrina bíblica colocada em prática foi a causa do enorme crescimento da AD. Já existiam outras insígnes igrejas evangélicas no Brasil (como a própria Igreja Batista donde Berg e Vingren eram oriundos) mas que não alcançaram um tão grande número de conversões como a AD. Porque será que isto não ocorreu?

A Igreja Anglicana foi fundada em 1822. Em 1824 é fundada a Igreja Luterana. Em 1858 foi a Igreja Congregacional. Em 1862 foi a vez da Igreja Presbiteriana. Em 1871 foi a vez de metodistas e batistas fundarem suas primeiras igrejas em solo brasileiro. Note que são seis grandes denominações evangélicas diferentes (sem mencionar algumas outras menores) que já existiam muito antes da AD e que tinham um número inexpressivo de convertidos à Jesus Cristo.

Sem desmerecer nenhuma delas, o que quero apenas ressaltar é o fato de que o crescimento numérico das Assembléias de Deus no Brasil não foi por causa de estratégias humanas. Não foi porque os pastores e irmãos pioneiros adotaram uma estratégia de crescimento de igrejas baseada em estudos e pesquisas. Tudo isso tem o seu devido lugar e valor. Também não permaneceram imóveis, satisfeitos em apenas abrir uma igreja ou ponto de pregação. É certo que muitos dos cristãos evangélicos anteriores ao estabelecimento da AD no Brasil, evangelizavam e distribuíam Bíblias, esforçando-se para ganhar almas para Cristo. Mas o crescimento, as conversões, as milhares de almas salvas não pode ser atribuído a mérito humano algum, mas somente pelo poder de Deus. E foi no poder do Espírito Santo e com muita ousadia que esses crentes pioneiros pentecostais desbravaram muitas regiões de nossa pátria em busca das almas preciosas pelas quais Jesus morreu e ressuscitou.

O Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 2) por meio de Seu poder, capacitou os discípulos a pregarem o Nome de Jesus ressuscitado. Isto por si só foi a causa do crescimento exponencial dos seguidores de Cristo, note: "E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais. De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos; os quais eram todos curados" (At 5.14-16). Percebamos igualmente o cumprimento do que o Senhor Jesus falara em Mc 16.15-18 sobre os sinais que acompanhariam aos que cressem, além de falarem em novas línguas, eles também orariam ao Senhor, iriam impor as mãos sobre os enfermos e estes em o Nome de Jesus seriam curados.

Tudo isto ficou patente no século 20 com a fundação das AD no Brasil. A ênfase dada ao poder do Espírito Santo, a liberdade de ação dada à terceira Pessoa da Trindade, permitiu a repetição em nossos tempos da manifestação gloriosa de Seu poder como nos tempos apostólicos. Salvação de almas, batismo com o Espírito Santo, curas e maravilhas pelo poder de Deus demonstravam de forma gloriosa que o avivamento chegara em nossas terras para resgatar a plenitude da experiência pentecostal em nossos tempos.

As Assembléias de Deus, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, vieram à existência como resultado do reavivamento pentecostal que teve lugar em fins do século 19 e início do século 20. Era a resposta de Deus ao modernismo teológico que estava grassando entre as igrejas na América do Norte. De forma absolutamente poderosa e sobrenatural, o Espírito de Deus passou a mover-se em pequenas reuniões de crentes sinceros e perseverantes em buscar mais de Deus para suas vidas. Este reavivamento começou a partir de 1906 a expandir-se para outros lugares a partir da Rua Azusa em Los Angeles, Califórnia. O derramar do poder do Espírito alcançou muitos cristãos, dentre esses Daniel Berg e Gunnar Vingren, que, sendo obedientes à visão celestial a exemplo do apóstolo Paulo (At 26.19), procuraram cumprir sem demora a missão a que Deus lhes comissionara, lhes revelara, e partiram em um navio para a distante nação brasileira.

Entendemos sem dúvida alguma que somente pela fé na doutrina pentecostal, tão claramente vista em prática por todo livro de Atos dos Apóstolos que a AD logrou alcançar um tão grande número de almas. Foi o poder de Deus quem fez isto. O batismo com o Espírito Santo concede o poder para servir e em adição a isso proporciona a entrada para uma adoração mais profunda a Deus além de a porta dos vários ministérios espirituais chamados dons do Espírito (1 Co 12). Notemos o seguinte: O batismo no Espírito Santo era a experiência normal de todos os crentes no primeiro século da Era Cristã. E tanto esta experiência como os dons do Espírito não cessaram após a época apostólica. Aqueles crentes evangélicos que afirmam isto, ou desconhecem a história da Igreja, ou são realmente incrédulos no que tange ao poder do Espírito de Deus.

Louvamos a Deus pela comunidade pentecostal em nossa nação. Graças a Deus pela persistência dos pioneiros da AD no Brasil. Que à custa de sacrifícios e copiosas lágrimas, que em muitas e insistentes vigílias de oração, legaram-nos inúmeras bençãos quais sejam vidas transformadas por Jesus, curas de enfermidades físicas e espirituais, continuamente despojando dia-a-dia o inferno e a Satanás e suas hostes.

Acima de tudo, que o Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado nestes 100 anos da AD no Brasil. Muito acima das falhas humanas, do legalismo, denominacionalismo, formalismo ou orgulho e vaidades humanas.

Que todos pensemos em tudo o que o Senhor fez em nossa pátria nestes 100 anos por meio da pregação autenticamente pentecostal. Toda a honra e toda glória sejam dadas ao Senhor.


Um comentário:

Fábio José Lima disse...

Graça e Paz Pr. Carlos,

Parabéns pela seleção do post, recordar a história do Movimento Pentecostal é sempre bom...
Olha, já que estamos relembrando, destaco que estamos em pleno aniversário de 105 anos do movimento de Los Angeles, liderado por William J. Seymour, que teve início na Rua Bonnie Brae, com a reunião que durou três dias ininterruptos, de 09.04 até 11.04, no ano de 1906, onde o derramamento do Espírito Santo, causou alvoroço na cidade, lotação completa da casa onde a reunião acontecia, fato que desencadeou a necessidade de um lugar maior, surge então o casarão da Rua Azusa, a partir de 14.04.1906.
Lembra do post do Judson Canto, O Balido, de 26.11.2010?
Fica na Paz.

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