terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Reflexões a partir da tragédia na boate KISS em Santa Maria (RS)

Reflexão Pr. Jessé Sobral sobre a tragédia

REFLEXÕES A PARTIR DE UMA TRAGEDIA


Por: Pr. Jessé Sobral - ADB - Piracicaba-SP

Inicio minhas palavras me condoendo com as familias das vitimas, amigos, parentes e conhecidos, pois è chocante e aterrorizante a forma como tudo aconteceu. Dormi a noite passada pedindo a Deus consolo e conforto a nós todos, principalmente as mães que, como Raquel, choram a morte de seus filhos e os pais que, como Jacó, choram a perda de seu preferido.



Fica aquí também a minha concordância com o alerta feito pelo Pr. Carlos Roberto Silva que em seu Blog Point Rhema, às igrejas, com relação à segurança dos templos evangélicos, pois ainda que resguardada as devidas proporções quanto a espaço, propósito e natureza das diferentes reuniões, incidente, acidente e tragédia podem tanto acontecerem quanto serem evitadas.



Registro veementemente a minha reprovação as tantas asneiras e besteiras que vi por aquí, quando pessoas insensíveis tentam colocar a religião acima do amor, suas convicções acima da dor, e, de forma rasteira, acabaram “dizendo” insanidades e perdendo uma oportunidade de se calarem diante de tamanha tragédia. Dito isto, analiso a tragédia a partir de nós, como nós vemos, tragédia.



Primeiro, analisamos tragédia pelas proporções, ou seja, numero de mortos e feridos, destruição deixada ou o foco que a mídia dá através dos noticiarios e reportagens.



Parece-me que o que nos choca não é a morte, mas o numero de mortos. Pois mortes trágicas acontecem todo dia e “aos montes”, porem nem sempre é noticiada de forma devida. Policiais mortos as dezenas em 2012 deixaram mulher e filhos inconsolados. Crianças, adolescentes e jovens que foram assassinados, vítimas do tráfico e consumo de drogas, (claro que na sua maioria negros e pobres) deixaram pais destruidos. No Brasil o trânsito mata mais que muitas guerras, sem contar as trágicas mortes que acontecem diariamente e silenciosamente por falta de atendimento médico a uma população que está a mercê de um péssimo sistema de saúde publica, com raras excessões. 


Mas como tudo isto acontece num espaço de tempo que pode ser ate segundos ou em lugares diferentes, porem nem sempre distantes, não chamamos de tragédia, chamamos de fatalidade ou destino. Não nos chocamos, não nos revoltamos, não queremos nem saber quem foi o culpado, não requeremos das autoridades, postura e posicionamento para investigar, descobrir, julgar e punir os responsáveis. Afinal, não foi na minha casa, na minha familia ou entre meus conhecidos.

Segundo, vejo em tudo isto a efemeridade da vida, mesmo da juventude. Como tudo pode acabar num instante e de forma trágica como vimos. Como doí ver a dor de quem fica, impotente, extasiado, não querendo acreditar que o filho saiu, mas não voltou, tendo apenas o corpo inerte para ser sepultado.

Daí, não podemos nos esquecer da nossa responsabilidade de falar de Cristo às pessoas, pois não sabemos o que pode acontecer daqui a um segundo. Assim, ao falarmos do evangelho de Cristo, não garantimos que quem o aceite está livre de ser vítima de uma tragédia, porém, uma vez atingido, ainda que isto resulte na sua morte física e com a mesma dor para quem fica, a vida eterna lhe está assegurada, e isto faz toda diferença, afinal, estamos tratando da eternidade da alma e não da passagem da vida.

Terceiro, me perguntei: será que não tinha entre estes jovens alguns que eram cristãos, ou filhos de pais crentes em Jesus, ou que foram criados na Igreja, mas uma vez longe da casa dos pais ou mesmo sofrendo a influência do mundo sucumbiram ao convite de um amigo e acabou morto?

A reflexão aquí não diminui a nossa solidariedade para com as famílias enlutadas que perderam seus filhos, muito pelo contrário, traz um alerta a todos nós, pais e filhos, principalmente quando adolescentes e jovens cristãos ingressam no ensino superior, participando da comunidade universitaria em todas as suas atividades, tendo sua fé e seus valores testados e confrontados pelo mundo.

Muitas vezes o despreparo, fruto da falta de orientação por parte dos próprios pais e até da igreja em como conviver neste “habitat” ou a sedução e os apelos pelo novo e diferente, podem levar estes jovens a um envolvimento perigoso e a um distanciamento de Deus que resulta não só em tragédia coletiva como vimos, mas também em “vida trágica”, longe dos padrões e da vontade de Deus.

Que o Deus de toda consolação conforte o coração de nós todos pelo seu Espirito Santo.

Boa noite...fiquem com Deus...

Postado autorizado
- Publicado originalmente no perfil do autor no Facebook

Pr. Jessé Gonçalves Sobral
  • Pastor Presidente da Assembleia de Deus Betânia - Piracicaba-SP
  • Presidente do Conselho de Pastores de Piracicaba-SP
  • Terceiro Secretário da COMADESPE

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