sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A FIDELIDADE DOS OBREIROS DO SENHOR - EBD/CPAD - Subsídio Teológico - Por Altair Germano



A fidelidade dos obreiros do Senhor - Por Pr. Altair Germano


Tratando-se de igreja evangélica no Brasil (e mais especificamente da Assembleia de Deus), vivemos um momento bastante crítico em termos de ministério pastoral. Todos os dias centenas de pessoas, pelos mais diversos meios e formas recebem uma credencial ou uma ordenação de pastor. Qual o compromisso com Deus daqueles que ordenam e que são ordenados ao ministério pastoral? Quais são as suas reais intenções? 

Como podemos ser pastores aprovados por Deus? Como podemos identificar pastores sérios, íntegros e verdadeiros? Certamente, neste espaço não dá para responder todas estas questões, mas, pelo menos poderemos promover a reflexão e o debate.O que é um pastor? Um pastor é um cuidador de ovelhas. Alguém que protege, alimenta, guia e procura de todas as maneiras possíveis o bem maior para o rebanho e para cada ovelha. Ele cuida de todas e de cada uma.

SER PASTOR NOS DIAS ATUAIS

Não deveria haver diferença entre o ser pastor nos tempos bíblicos do A.T. e N.T., com o ser pastor na atualidade. A atividade pastoral, em muitos lugares está distante do ideal bíblico. Como já escrevi, as ovelhas estão sendo trocadas pelas coisas. Mesmo que as coisas sejam para o bem das ovelhas, o contato pessoal, a visitação, o aconselhamento, a pregação e o ensino não podem ser banidos das atividades cotidianas de um pastor.

O ministério pastoral é um ministério de contato pessoal, e não de gerenciamento à distância. O perfil do pastor bíblico é o de alguém que entra no aprisco, e não que manda outro em seu lugar (Jo 10.2), as ovelhas reconhecem a sua voz (Jo 10.3), chama as ovelhas pelo nome (Jo 10.2b), as conduz com responsabilidade (Jo 10.2v), dá a vida pelas ovelhas (Jo 10.11), conhece as ovelhas, ou seja, goza de amizade e intimidade com elas e por elas é conhecido (Jo 10.14).

Com o advento da Revolução Industrial (séc. XVIII), com o modelo capitalista de economia, e com as modernas teorias de administração, alguns segmentos da igreja, inseridos neste contexto cultural, como sempre aconteceu, pois a igreja não está isenta da influência externa, adotaram o modelo "piramidal" e "departamental" de administração. Por "piramidal" entenda-se uma forte ênfase administrativa na hierarquia e um distância crescente de quem está no topo da pirâmide (pastores) dos que estão na base (membros e congregados). No meio da pirâmide ficaram os evangelistas, presbíteros, diáconos e líderes em geral.

Por "departamental" trato da criação de departamentos (como nas fábricas, lojas, comércio e indústria). Dessa forma temos o departamento infantil, juvenil, de senhores, de senhoras, de evangelização, de educação, de música etc. O modelo de igreja família e comunidade doméstica, típico do Novo Testamento, ao longo dos anos dissiparam-se. O atual modelo pode ser aproveitado? Acredito que algumas coisas sim, desde que norteadas pelos princípios bíblicos. O argumento de que a igreja cresceu, não significa necessariamente que cresceu com saúde. Não são apenas modelos que fazem a igreja crescer, antes, é o próprio Deus que faz a sua igreja crescer nas mais diferentes circunstâncias ou situações (At 2.47; 1 Co 3.6).

No sentido de chamar a atenção para o extremo desvio da função pastoral, escrevi um texto intitulado "Gestor ou Pastor?" que pode ser lido clickando AQUI.

Além de todas as questões já citadas, ainda temos a política eclesiástica, que acaba afastando alguns pastores de sua cidade, Estado ou região. Alguns, em períodos de eleições convencionais privam a igreja de sua presença partindo em busca de apoio e votos para cargos que não mais produzem o que já produziram (alguns não produzem nada). Tempo e dinheiro são na atualidade gastos em vão. 

Outro fenômeno que resulta da política eclesiástica atual é a ordenação do que defino como “pastor miojo”, ou seja, são obreiros (eleitores) formados “instantaneamente”, apenas com o propósito de votar durantes as assembleias convencionais naqueles que os ordenaram (seus "padrinhos" ministeriais).

Entendo que uma análise séria e profunda da situação poderia mudar o quadro, para que o ministério pastoral retomasse o seu real propósito:

"Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas." (Atos 6.2).

Apenas pastores ministerialmente saudáveis poderão conduzir de maneira saudável o rebanho do Senhor:

"Tenho, porém contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas". (Ap 2.4-5)

OS FALSOS PASTORES 

Para agravar a situação, além de pastores que não cumprem o seu ministério como deveriam, temos os falsos pastores que fingem cumprir e ter um ministério "autêntico". Falo dos pilantras, dos vigaristas, dos mercenários e bandidos de plantão e em ação.

Sem delongas, segue abaixo algumas características dos falsos pastores:

- São apascentadores de si mesmos, ou seja, ministram em causa própria (Ez 34.2);

- São exploradores das ovelhas. Vivem no luxo absurdo e exagerado à custa dos dízimos e das ofertas dos simples "fiéis. Confundem sustentação com ostentação. (Ez 34.3);

- São duros, implacáveis e descompromissados com o cuidado e a saúde integral das ovelhas (Ez 34.4-6);

OS PASTORES E A FORMAÇÃO DAS NOVAS LIDERANÇAS

Cooperar na formação de novos líderes e pastores faz parte da atividade ministerial. Infelizmente há aqueles que além de não trabalharem neste sentido, adoecem e morrem com o cajado na mão. Que os honrados pastores possam discernir e perceber o tempo de passar adiante o cuidado do rebanho. Saber sair é tão importante quanto saber chegar.

Formar novos líderes e obreiros não é algo apenas feito com cursos e discursos, é preciso ser exemplo (1 Co 11.1; Fp 4.9; 1 Tm 4.12).

Para os jovens obreiros, sugiro a leitura do texto publicado no link abaixo, também escrito em meu livro “Uma Liderança com Saúde”, que expressa um pouco do meu desejo, ao mesmo tempo em que alerto para algumas realidades vivenciadas no contexto atual do ministério pastoral:



Sugiro ainda que assistam o vídeo abaixo:


Que na condição de pastores sejamos fiéis ao nosso chamado. Dessa maneira seremos fiéis àquele que nos chamou, Jesus, o Supremo Pastor (1 Pe 5.1-4).

Fonte: Blog do Pr. ALTAIR GERMANO

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