quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Fé ou crendice popular?



por Eliel de Souza


Tenho observado um crescente número de programações evangélicas através das redes de televisão e rádio, bem como a divulgação de tudo o que está acontecendo nas reuniões das igrejas por meio das redes sociais.

Razão pela qual tomei a iniciativa de escrever esta postagem, onde escolhi descrever e citar algumas situações:

  1. Em um “canal evangélico” um pastor desafiava as pessoas terem uma atitude de fé ao propor o seguinte: ele estaria colocando dentro de um vaso quatro elementos (ouro em pó; prata; óleo e diamante em pó) que simbolicamente representariam a prosperidade na vida das pessoas. Esses materiais seriam misturados e depois “consagrados” em Israel. Ele reafirmava que sendo Israel Terra Santa, a terra da promessa, assim, poderia declarar que todas as coisas provenientes de lá são “santas” e consequentemente “poderosas”. Portanto após consagrarem estes elementos, aquele líder religioso teria em mãos o “óleo da prosperidade”, difundindo a crença de que, todo aquele que após ser ungido com o tal óleo evidentemente prosperaria.

  1. Numa ocasião fui procurado por uma determinada senhora pedindo que eu orasse por sua vida, pois ela havia sido levada a acreditar que estava vivendo debaixo de uma maldição. Perguntei a ela por qual razão ela acreditava que estava debaixo de maldição? Então me respondeu dizendo que estava frequentando uma igreja onde realizaram uma campanha intitulada a “rosa ungida”,  é que o pastor lhes disse para levarem a rosa para casa, se porventura a rosa desabrochasse, era um sinal que eles estariam vivendo debaixo da benção, do contrário,  estariam vivendo debaixo de maldição, e foi exatamente o que aconteceu com ela, a sua não desabrochou.

  1. Outra situação inusitada chamou-me atenção, uma determinada igreja fez uma campanha da “vassoura ungida”. Onde seus líderes encheram o altar da igreja de vassouras, e antes que distribuíssem as vassouras aos fiéis, os obreiros deitaram sobre elas e as “consagraram”, assim, após derramarem o óleo sobre as vassouras, eles acreditavam que seriam capazes de varrer todo o mal, e todos que utilizasse a vassoura com fé seriam capazes de varrer para fora tudo aquilo que lhes causavam dano.

Na realidade, estas são apenas algumas situações que eu pude narrar, porém existem muitas outras aberrações que demandaria maior para espaço enumerá-las. A preocupação vigente é que estes movimentos estão  em pleno crescimento no meio evangélico, trazendo em sua bagagem muita confusão e escândalos em nome da fé.

O que na verdade está acontecendo é uma mistura da fé com as crendices populares, é fato que estão confundindo a fé com as crendices.

Será que a “vassoura ungida” tem mesmo o poder de varrer o mal? Ou a rosa “ungida” o poder de determinar a bênção ou a maldição sobre a vida de alguém? Será que o óleo de Israel é mais poderoso? Será que pegar uma marreta e quebrar uma parede de lajotas, e pessoas passarem por cima do monturo dançando e sapateando, irá mesmo significar passar por cima de todas as barreiras?

Para a nossa tristeza, multidões têm sido enganadas e atraídas por este pseudo evangelho. Que ocupa-se em consubstanciar a fé por meio de objetos, elementos e figuras. Levando as pessoas sentirem a necessidade de apegar-se a tudo aquilo que foi “ungido” e “consagrado” como meio de receber a bênção e o milagre.

Não! Isto não é fé autêntica, não pode ser verdadeira.  Os que se alimentam de tais práticas, desta mistura de fé com crendices, justifica-se afirmando que o que fazem está funcionando, está dando resultado. Nem ao menos se perguntam se o que fazem é certo. É o evangelho pragmático, se funciona é bom, se está dando resultado eu posso fazer.

O evangelho verdadeiro não se sustenta e nem se fundamenta naquilo que da certo, porém naquilo que é certo, não se sustenta no misticismo popular, mas na verdade da palavra de Deus. Ele não é pragmático. A fé verdadeira que nasce pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus, não têm como objetivo conduzi-lo a conquistas de coisas, ou de milagres. O objetivo da fé é conduzi-lo a Cristo, revelar o Cristo e levá-lo a um encontro verdadeiro com ele.

A fé legítima tem como propósito maior justificar e reconciliar o homem com Deus “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”; Romanos 5.1.

Um dos pontos centrais da fé verdadeira é fazer de você um filho de Deus, isto é suficiente, sublime, é o maior bem alcançado, a maior herança adquirida. Não temos necessidade alguma de abraçar esses modismos em nome da fé, que na verdade tem exposto muitas pessoas ao ridículo, e que de uma forma subliminar se escondem através dos famosos “atos proféticos”; “revelações proféticas”; “manifestações proféticas” “aparições do anjo”; entre tantos.

Não podemos ser movidos por estes ventos de doutrinas. Tudo quanto precisamos e necessitamos está em Cristo. Ele é suficiente, ele é a razão da nossa fé. Não precisamos de amuletos e nem de objetos para manifestar a nossa fé, a fé em Cristo é “o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova daquilo que não se vê”. Hb 11.1

Que nos apeguemos única e exclusivamente à palavra de Deus, nela encontramos toda a fonte onde podemos saciar a nossa sede de plenitude de vida.

Fonte: Seara News

Um comentário:

Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

Neste momento triste da igreja sinto nojo dos que possuem a ignorância de dar risadas diante de tamanha descaracterização da Palavra de Deus e o aumento das heresias.

Maranata!

O menor

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...