terça-feira, 31 de março de 2015

O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - Lições Bíblicas EBD/CPAD - Lição 1- 2o. Trim. - Subsídio Teológico

O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS por Prof. Adaylton de Almeida Conceição

Introdução:

A lição deste trimestre nos traz de volta à mensagem "cristocêntrica" (um pouco ausente de nossos púlpitos). Creio que as lições do trimestre baterá de frente com os mensageiros egocêntricos, os quais tem retirado Cristo de suas mensagens e colocado muito intelectualismo, exibicionismo, religiosidade e menos cristianismo. 

O Novo Testamento é a fé literária da Boa Nova de Cristo e os quatro Evangelhos traz, as cartas dos apóstolos às primeiras comunidades cristãs. 

OS EVANGELHOS.

O que é o Evangelho? Evangelho quer dizer “boas-novas”. As boas-novas a respeito de Jesus Cristo, o Filho de Deus, nos são apresentadas por quatro autores: Mateus, Marcos, Lucas e João, embora exista só um Evangelho, a bela história da salvação por Jesus Cristo, Nosso Senhor. A palavra “Evangelho” nunca é usada no Novo Testamento para referir-se a um livro. Significa sempre “boas-novas”. Os quatro evangelistas contaram a mesma história, cada qual a seu modo. Entretanto, desde os tempos antigos o termo “evangelho” tem sido usado com referência a cada uma das quatro narrativas da vida de Cristo.

Por que Deus deu-nos quatro Evangelhos?

Por que quatro Evangelhos, se Cristo é o tema glorioso de todos eles? É que cada autor está absorvido com algum aspecto da pessoa e obra de Cristo e o desenvolve com poder convincente. E é o desdobramento dessa visão particular da obra de Cristo que marca o propósito de cada livro.

Aqui estão algumas razões porque Deus nos deu quatro Evangelhos, em vez de um: 

(1) Para fornecer uma descrição mais completa de Cristo. Apesar de toda a Bíblia é inspirada por Deus (2 Timóteo 3:16), Ele usou autores humanos com diferentes formações e personalidades para cumprir Seus propósitos através de seus escritos.  

Cada um dos escritores do Evangelho tinha um propósito diferente após o Evangelho, e para cumprir esses propósitos, cada enfatizou aspectos diferentes da pessoa e ministério de Jesus Cristo. 

Mateus estava escrevendo para uma audiência em hebraico, e um único propósito de seu Evangelho era mostrar através da genealogia de Jesus e o cumprimento das profecias do Antigo Testamento que Ele era o Messias esperado e, portanto, deve ser acreditado.  

A ênfase de Mateus está em Jesus como o Rei prometido, o "Filho de Davi" que se sentava sempre no trono de Israel (Mateus 9:27, 21:9). 

Marcos, um sobrinho de Barnabé (Colossenses 4:10), foi uma testemunha ocular dos acontecimentos na vida de Cristo, tendo sido um amigo do apóstolo Pedro.

Marcos escreveu para uma audiência de gentios, como mostrado por seu fracasso para incluir informações importantes para os leitores judeus (genealogias, as disputas entre Cristo e os líderes judeus de Seus dias, as frequentes referências ao Antigo Testamento, etc...). 

Marcos enfatiza Cristo como o Servo Sofredor, Aquele que veio não para ser servido mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos (Marcos 10:45).

O evangelista Lucas, o "médico amado" (Colossenses 4:14) e companheiro do apóstolo Paulo, escreveu o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos.  

Lucas é o único autor gentio do Novo Testamento.  

Como historiador, ele declara sua intenção de escrever uma vida ordenada de Cristo com base nos relatórios daqueles que foram testemunhas oculares (Lc 1,1-4).  

Como ele escreveu especificamente para o benefício de Teófilo, aparentemente uma pessoa de um certo nível, seu Evangelho foi escrito tendo em mente a um público gentio, ...e se destina a mostrar que a fé cristã é baseada em confiança e verificáveis ​​eventos históricos.  

Muitas vezes, Lucas se refere a Jesus como "Filho do Homem", enfatizando sua humanidade e compartilha muitos detalhes não encontrados nos relatos dos Evangelhos outros. 

Muitas vezes nos referimos a Mateus, Marcos e Lucas como "Evangelhos Sinópticos" por causa de seu conteúdo semelhante e estilo, e porque eles oferecem uma visão geral da vida de Cristo.  

O Evangelho de João, escrito por João, o apóstolo, é diferente dos outros três Evangelhos e tem um grande conteúdo teológico sobre a pessoa de Cristo eo significado da fé.  

O Evangelho de João começa, não com o nascimento de Jesus ou de seu ministério terreno, mas a atividade e as características do Filho de Deus antes que ele tivesse feito homem (João 1:14).  

O Evangelho de João enfatiza a divindade de Cristo, como visto em seu uso de frases como "O Verbo era Deus" (João 1:1), "o Salvador do mundo" (João 4:42), "Filho de Deus" (usado repetidamente), e "Senhor e Deus"(João 20:28), para descrever Jesus.  

João  brinda explicação sobre o seu principal objetivo ao escrever este  seu Evangelho: 

"Jesus fez muitos outros sinais na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro.  Mas estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, crendo, tenhais vida em seu nome." (João 20:30-31). 

Assim se apresentam os Evangelhos:Mateus ocupa-se com a vinda de um Salvador Prometido.

Marcos ocupa-se com a vida de um Salvador Poderoso.

Lucas ocupa-se com a graça de um Salvador Perfeito.

João ocupa-se com a posse de um Salvador Pessoal.

QUEM FOI LUCAS

Homem crente, cheio do Espírito do Senhor, com ampla visão da necessidade da obra, Lucas empregou seus dons ligados à palavra escrita para proclamar o que sabia a respeito de Jesus Cristo. Ele fora evangelista, pastor e chamado de “médico amado”:

1) O médico amado - Esse é o tratamento afetivo que lhe dispensa Paulo em Cl. 4:14. Seus pais eram de origem grega. Lucas não fora discípulo de Jesus, em seu ministério. Provavelmente converteu-se com a pregação de Paulo. Por ter amplo vocabulário e dom da comunicação, ao escrever o terceiro Evangelho e Atos, Lucas oferece-nos maior quantidade de informações históricas do que qualquer outro autor do Novo Testamento.

2) Evangelista e pastor - Lucas foi companheiro nas viagens missionárias do apóstolo Paulo, permanecendo com ele até sua morte, Cl. 4:14; 2Tm. 4:11 e Fm. 24. Lucas ficou em Filipos, na segunda viagem missionária de Paulo, a fim de ajudar a estabilizar a nova igreja ali, At. 16: 40; 17: 1. Seu evangelho é o único que narra os acontecimentos da infância de Jesus, e ele inspirou os pintores mais famosos de representar em imagens para cenas agradáveis. 

O LIVRO DE LUCAS

O livro de Lucas é o evangelho mais detalhado, mais minucioso, que narra tudo desde o princípio revelações mais profundas dAquele que é desde o Princípio Jesus.

Desde os primeiros cânones da Bíblia Sagrada, como o Cânon Muratório (170-180 d.C.), que é uma das listas mais antigas que se conhece do Novo Testamento, que o terceiro Evangelho é reconhecido como de autoria de Lucas. Irineu, um dos pais da Igreja, já citava o Evangelho Segundo Lucas em seus escritos, por volta do ano 180 d.C.

Esse Evangelho forma um par com o livro de Atos dos Apóstolos, a linguagem e a estrutura desses livros mostram que ambos foram escritos pela mesma pessoa. São endereçados ao mesmo indivíduo, Teófilo, e a segunda obra faz referência à primeira (At 1.1).

DATA E OCASIÃO

Lucas pode ter sido escrito por volta de 63. Alguns intérpretes argumentam a favor de uma data entre 75 e 85 d.C., afirmando que algumas passagens de Lucas pressupõem a destruição de Jerusalém, fato ocorrido em 70 d.C. (ex. 19.43; 21.20, 24). Mas essas passagens falam daquilo que era costumeiro quando um exército sitiava uma cidade da época, e não se podem acrescentar novas conclusões além daquilo que foi profetizado por Jesus. Jesus profetizou que as políticas em vigência levariam à ruína da nação no devido tempo. Alguns poucos críticos argumentam a favor de uma data no século II, mas parece não haver boas razões para isso. Com as informações que dispomos a data mais razoável é no inicio dos anos 60.

FONTES

Lucas usa 70% do material em Marcos e têm suas próprias fontes, além única para a Fonte Q, tradições orais e da pousada.  bem, para escrever seu relato da infância de Jesus, provavelmente a fonte era a mesma Virgem Maria, como parece ser percebido pela leitura do texto.  Estudiosos chamam essa fonte original de Luke "L Source" e é provavelmente a mais antiga fonte de todos os envolvidos na composição dos Evangelhos, não sabemos se foi fontes orais ou escritas. 

A chave do livro de Lucas  

O autor diz, na introdução, 1:1-4, que muitos contemporâneos haviam empreendido a mesma tarefa, o que nos leva a concluir que havia, ao tempo do escritor, várias obras que continham relatos de partes da vida e obra de Jesus;

a. Os autores dessas narrações tinham tentado um arranjo sistemático das fontes disponíveis, 1: 1;

b. estes fatos eram bem conhecidos no mundo cristão; o autor sentia-se tão bem informado e capaz como os outros para escrever sua própria narrativa;

c.  dirigia sua obra a uma pessoa de alta categoria, a quem trata de “excelentíssimo”. Teófilo provavelmente havia sido informado oralmente a respeito de Cristo, mas precisava de mais conhecimentos que o firmassem e o convencessem da verdade.

Parábolas 

Das 35 parábolas registradas no NT, 19 são encontradas no Evangelho de Lucas, entre elas: a da figueira estéril, 13; a da grande ceia, da dracma perdida, 15; do administrador infiel, 16; do fariseu e do publicano, 18. 

A linguagem 

O Evangelho de Lucas é o mais literário de todos. Contém no início quatro belos hinos:  o cântico de Maria, 1:46-55, quando foi visitar Isabel;  o cântico de Zacarias, uma palavra profética do pai de João Batista, 1:67-79;  o cântico dos anjos, 2:14, quando Jesus nasceu e o cântico de Simeão, em 2:28-32, ao tomar o menino Jesus nos braços. 

DESTINATÁRIO E PROPÓSITO

Esse Evangelho tem um destinatário específico, Teófilo (1.3). Esse nome se refere a uma pessoa e o emprego do adjetivo “excelentíssimo” junto com o nome, revela que se trata de alguém de posição importante. Teófilo era possivelmente o patrocinador de Lucas, responsável por mandar copiar e distribuir seus escritos. Dedicatórias como essa da abertura do livro de Lucas eram comuns naquela época.

Teófilo, no entanto, era mais que um patrocinador. A mensagem desse Evangelho visava à instrução não só daqueles entre os quais o livro iria circular, mas também ao próprio Teófilo (1.4). O fato desse Evangelho ter sido inicialmente dirigido a Teófilo não reduz nem limita o seu propósito. Foi escrito para fortalecer a fé de todos os crentes e para reagir aos ataques dos incrédulos contra Jesus. O Evangelho de Lucas foi apresentado para substituir relatórios desconexos e infundados a respeito de Jesus. Lucas queria demonstrar que o lugar ocupado pelo gentio convertido ao Reino de Deus baseia-se nos ensinos de Cristo. Queria recomendar a pregação do Evangelho ao mundo inteiro, não apenas aos judeus.

PARA QUEM FOI ESCRITO

O Evangelho de Lucas foi escrito para os gregos, por isso Jesus é apresentado como o Homem Perfeito, já que os gregos sempre buscaram a perfeição. Os gregos inventaram a matemática, a ciência e a filosofia; foram os primeiros a escrever histórias em lugar de meros anais; especularam livremente sobre a natureza do mundo e as finalidades da vida, sem que se achassem acorrentados a qualquer ortodoxia herdada. Foi para esses intelectuais que Lucas descreveu a vida e a obra de Cristo, o Homem e o Salvador Perfeito. Lucas o descreveu como um homem cheio de simpatia para com toda a humanidade, Salvador de todos os homens, sem distinção de qualquer espécie.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O LIVRO

a) Lucas apresenta Jesus como O Homem, O Filho dO Homem; então quando lermos o livro devemos ver em Jesus o homem, sujeito a tudo em que toso homem está, porém, vencendo a carne, para ser perfeito e ser oferecido sem pecado, para o perdão da humanidade. Quando o Adão peca, trouxe sobre sua cabeça o juízo de morte que estava decretado, mas Jesus se oferece para morrer em seu lugar, para que o homem não morresse pecador, então Ele sendo Deus, se faz homem, porém sem pecado, para morrer sem pecado em lugar de Adão, e assim vencer a morte. E foi o que fez.

b) O livro por apresentar Jesus como homem, como ser humano, traz a sua genealogia no capítulo 3:23-38;

c) O livro foi escrito aos gregos. Um povo terrivelmente idólatra, mas muito estudioso e quando foi-lhes apresentado O Jesus Salvador, buscava nas escrituras para saber se era realmente verdade tudo o que ouviam. Paulo fala que os que fazem isto são mais excelentes. 

Os gregos cultuavam os homens, a sabedoria... toda a mitologia que ainda hoje se ouve falar é de origem grega. Por esse motivo, também, Jesus é apresentado como homem, porém filho dO Homem (Deus);

A UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO

A historia da salvação. A história da Salvação no terceiro Evangelho é revelada em seu aspecto particular e universal. Sem dúvida a ênfase maior está na universalidade da Salvação. Jesus veio para os judeus, mas não somente para estes, ele veio também para os gentios. A Salvação é para todos! Esse princípio teológico de Lucas fica em evidência quando se observa o lugar que os excluídos ocupam nos seus registros. No anúncio do nascimento de Jesus feito pelos anjos aos camponeses foi dito: “Vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2.10).

A SALVAÇÃO EM SEU ASPECTO UNIVERSAL.

Todo o povo, e não apenas os judeus, era objeto da graça de Deus. E inegável a atenção que se dá aos pobres, excluídos e marginalizados no Evangelho de Lucas. O Espírito Santo estava sobre Jesus para “evangelizar os pobres” (Lc 4.18). É interessante observarmos que a palavra grega ptochoi, traduzida como pobres, significa alguém que possui alguma carência. 

E exatamente esses carentes que Jesus irá priorizar em seu ministério. Ele dará grande atenção aos publicanos, pecadores, mulheres e aos samaritanos que eram discriminados naquela cultura (Lc 5.32; 7.34-39;9.51-56; 10.3; 15.1; 17.16; 18.13; 19.10).

JESUS, O HOMEM PERFEITO

Em seu livro “As Duas Naturezas do Redentor”, Héber Campos ensina que Jesus não é um homem que possui certas qualidades divinas dentro de si, nem o Deus que possui algumas qualidades humanas: Jesus é 100% homem e 100% Deus. Deixando claro que na humanidade de Jesus não existe qualquer concessão ou menção ao pecado (Jo 1:29), analisemos as expressões humanas do Filho de Deus que iluminam a nossa humanidade.

Trechos bíblicos revelam que a humanidade de Jesus é como a nossa. Para ficar só em Hebreus: 2:14, 17, 18; 4:15; 5:1, 2, 7-10. Em sua vida física, Jesus sentia frio e calor (Jo 10:22, Lc 12:55); ficava cansado e tinha sede e sono (Jo 4:6 e7; Mc 4:38); chorou ao ver um amigo morto (Jo 11:35); ficava indignado e condoído com a dureza do coração (Mc 3:5); repreendeu educadamente o não entendimento das repetidas lições de amor (Lc 9:55).

A paixão do Salvador, 18: 31-23: 56 - É interessante observar como Lucas, ao relatar os dias finais de Jesus, dá um toque característico de linguagem à última ceia, ao aviso de Jesus a Pedro, ao episódio de suor com sangue, à disposição dos acontecimentos em casa de Caifás, ao comparecimento de Jesus perante Herodes, ao discurso de Jesus às mulheres de Jerusalém, 23:27-31, ao ladrão arrependido, sem alterar a sua marcha nem o seu significado. 

As simpatias e os sofrimentos humanos foram postos em relevo por Lucas, ao mostrar como o Filho do Homem sofria na cruz em obediência ao Pai.

Um artista desenhou o quadro de um crepúsculo invernal – as árvores cobertas de neve, e uma casa sombria solitária e desabitada no meio da tempestade. Era um quadro triste. 

Depois, com uma rápida pincelada de cor amarela, ele colocou uma luz numa janela. O efeito foi magnífico. Todo o cenário ficou transformado com o vislumbre de conforto e aconchego. A vinda de Cristo foi uma luz assim num mundo tenebroso.- (C. H. Mackintosh).

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)

(O Revdº. Dr. Adaylton de A. Conceição, é Bacharel, Licenciado, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário)

BIBLIOGRAFIA

-Adaylton de Almeida Conceição - Cristologia - Ed Manantial.
-Alessandro Silva - O Evangelho segundo Lucas.
-Bíblia de Estudos de Genebra – Editora Cultura .Cristã 
-História Eclesiástica – Eusébio de Cesaréia – Editora Paulus.
-José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito. Ed. CPAD.
-J. DIAS - Estudo no Evangelho de Lucas.
-Renato Bromochenkel - Jesus o homem perfeito.

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