quarta-feira, 29 de abril de 2015

Pr. Samuel Câmara descarta possível candidatura a presidência da CGADB: "Eu mesmo não construirei nada"

Foto: Ricardo Costa - JM Notícias

Ricardo Costa do JM Notícias entrevista Pr. Samuel Câmara em Fortaleza-CE


A 42ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB em Fortaleza (CE), terminou um dia antes do prazo marcado. Encerrada no dia 23, o evento assembleiano reuniu cerca de 1600 membros, ao contrário dos cerca de três mil que estavam inscritos. 

Presente desde o início da AGO, o JM Noticia acompanhou os bastidores dos trabalhos convencionais e teve a oportunidade de entrevistar alguns líderes ali presentes.

No encerramento da AGO conversamos com o pastor Samuel Câmara, líder da Assembleia de Deus em Belém, que participou do evento, via liminar, e nos falou sobre o que achou da AGO e também quais suas perspectivas quanto ao seu futuro na CGADB.


Uma análise do evento

“Acho que todo conglomerado de pastores ele tem um aspecto de reciclagem, tem o aspecto fraternal isso e isso é extraordinário”, disse o pastor Samuel referindo-se ao ambiente festivo dos primeiros dias da AGO. Entretanto, o líder da Igreja Mãe queixou-se de que no primeiro dia “a aprovação dos relatórios lamentavelmente não foi submetido à apreciação” e com isso, segundo ele, a “assembleia foi privada de se esclarecer para poder votar melhor”. 
Mas são circunstâncias. A Assembleia de Deus é maior que tudo isso e sempre ultrapassará essas dificuldades”, lamentou o pastor.

Questionado se ainda acha ser possível construir o nome para poder disputar as eleições de 2017 com o pastor José Wellington Junior, o pastor Samuel acha que seria melhor para este momento um nome desconstruído e ele se sente, atualmente, “triturado em todo processo”, eu mesmo não vou construir nada não, porque eu já percebi que os interesses são outros".




Samuel Câmara ainda citou a Bíblia para ilustrar que essa “trituração” de seu nome pode fazer crescer novos interessados a concorrerem nas próximas eleições: “A Bíblia diz que se a semente cair na terra e não morrer ficará só, mas se morrer dá muitos frutos”. O líder assembleiano, apesar de tudo, mostrou-se ainda esperançoso quanto à possibilidade de um dia ser o escolhido para assumir o comando da CGADB: “Deus é capaz de pegar alguém lá do fundo e se essa pessoa for eu, estarei pronto!” exclamou.

Crítica a “antecipação da corrida eleitoral”

Esclarecendo questionamentos sobre se seu nome poderia ser colocado em pauta ou não, pastor Samuel Câmara respondeu o seguinte: “Não sei se viverei. Eu diria como Tiago, há muitos que fazem planos, e dizem assim: eu farei isso, farei aquilo. Eu diria como Tiago: Se Deus quiser, não só viverei como estarei disponível nos planos de Deus.

Câmara aproveitou ainda para criticar o que ele chamou de “promoção pessoal de nomes”.


A crítica refere-se ao fato de o nome do pastor José Wellington Junior, filho do atual presidente da CGADB, que comanda a entidade há quase três décadas, já ter sido aclamado em algumas convenções como pré-candidato à presidência da Convenção Geral. "Deus terá que trabalhar muito para desfazer todas estas engenharias que estão sendo feitas, não só de promoção pessoal de nomes, dois anos antes, como também de um arcabouço legal para privilegiar situações”, disparou o pastor Samuel.

CPAD - “Galinha dos ovos de ouro”

O pastor ainda falou sobre o que ele acha da opinião de alguns ministros que dizem que a CPAD tem sido usada em benefício próprio pela atual gestão. Para ele, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus sempre foi usada, pois, segundo afirmou, “ela é do sistema”.

Câmara disse que “ela é tida como a galinha dos ovos de ouro, daqueles que dela se utilizam para isso”. Porém, para ele, defendeu-se, “ela nunca foi galinha de ovos de ouro” e disse que a CPAD tem muito para crescer, pois tem um débito muito grande com a nação brasileira: “Nós somos uma denominação dita de 15 a 20 milhões de pessoas e tivemos aí uma prestação de relatórios, onde a maior publicação dela é a revista da Escola Dominical e é de 1,8 milhão, ou seja, ela serve a apenas dez por cento da denominação” argumentou o pastor.


“Nas mãos de Deus”

O pastor Samuel Câmara findou a entrevista mostrando que entrega o futuro nas mãos de Deus e que está “pronto” caso o Senhor queira usá-lo para ser o novo líder da maior Convenção de igrejas do país.

Vamos orar a Deus para que tudo vá bem. Seja quem Deus quiser. Eu continuo, mesmo contra a vontade dos lideres, eu continuo como membro. Eu sei que as pessoas querem me ver pelas costas na Convenção Geral, mas Deus é Deus.

"A Assembleia de Deus em Belém, Igreja mãe, e a honra de pastorea-lá já deveriam ser suficientes para que todas as pessoas, em respeito a Deus e a história dela, respeitassem também o pastor que lhe serve, neste caso, eu. Mas eu acho que tem hora em que tudo isso é esquecido. Mas não se surpreenda não se Deus disser: ‘ei é você’. "E na hora que ele disser eu estou pronto.
” Samuel Câmara

Candidaturas

Em 2013, o pastor José Wellington foi reeleito presidente da Assembleia de Deus, com 9.003 votos, contra 7.407 votos de Samuel Câmara, de Belém do Pará. Na época, pastor José Wellington, já acumulava 22 anos à frente da CGADB, que é considerada atualmente, a maior convenção evangélica do país, com cerca de 80 mil ministros filiados. Pastor Samuel Câmara já disputou o posto pela terceira vez.

Fonte: JM Notícias

MEU COMENTÁRIO:

Excelente entrevista concedida ao Jornalista Ricardo Costa do portal JM Notícias, no entanto, no meu entender, a frase do nobre Pr. Samuel Câmara que dá título à matéria, trata-se muito mais do registro ou exposição da sua decepção, quando compara suas convicções tão veementemente explicitadas nas campanhas, com o resultado das três últimas eleições, quando concorreu ao cargo de Presidente da CGADB.

Suas teses, bem como as insatisfações manifestadas por muitos ministros, como ele mesmo diz, para com a CGADB e a CPAD, a Editora assembleiana, mostra que o espírito da campanha já está na rua, tanto quanto a "campanha antecipada" da situação.

Por outro lado, entendo que, se as questões ligadas à política eclesiástica fossem colocadas em segundo plano após as eleições, o número de exemplares das Lições Bíblicas publicadas pela CPAD, e efetivamente colocado nas mãos dos assembleianos, seria muito superior.

O problema, é que o povo adquire a revista colocada à disposição pelos líderes das Igrejas onde congregam, e muitos deses, salvo raras excessões, por questões políticas preferem as Lições Bíblicas de outras editoras como forma de protesto. Isso é direito, legal e democrático, porém, do ponto de vista da unidade denominacional é simplesmente lamentável.

Bem, Lições da EBD à parte, apenas um lance da entrevista e não o foco principal, entendo que a política na CGADB continua polarizada e, salvo engano deste blogueiro iniciante, analisando friamente todo o conteúdo da entrevista, não consigo enxergar "tão descartada assim" a candidatura do Pr. Samuel Câmara.

Enfim, como estamos divagando no campo das idéias, isso é só um pensamento, vamos aguardar... 

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