terça-feira, 26 de maio de 2015

As Limitações dos Discípulos LB Adultos EBD/CPAD- Lição 9 - 2º Trim./ 2015 - Subsídio Teológico


A LIMITAÇÃO DOS DISCÍPULOS por Prof. Adaylton de Almeida Conceição


INTRODUÇÃO: 

"... Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.” “...A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou a realizar a sua obra...” (Jo. 4:19-38).

Os discípulos não conheciam essa “comida” espiritual que Jesus tinha para comer: levar vidas à salvação através da pregação da palavra! (Jo. 4:32). Quando deixamos o lugar do egoísmo, da murmuração e da desonra, passamos a entrar no lugar da vontade de Deus.

Os discípulos de Cristo demonstraram, em certos momentos da vida, exclusivismo, egoísmo, imaturidade, bairrismo, etc. Eles erraram quando se esperava que acertassem (Lc 9.40,41). 

Jesus censurou tais comportamentos e corrigiu o grupo, mas não abandonou os discípulos. 

JESUS PREPARA SEUS DISCIPULOS PARA SEUS ULTIMOS MOMENTOS AQUI.

Marcos 10,32-45. Naquele tempo, os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. 

Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará”. Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: 

“Mestre. queremos que faças por nós o que vamos pedir”. Ele perguntou: “Que quereis que eu vos faça?” Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Jesus então lhes disse: ‘Vos não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. E para aqueles a quem. foi reservado”. Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João, Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo: e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos.”

JESUS, O HOMEM PERFEITO E A INSUFICIENCIA DOS SEUS DISCIPULOS

- Lucas mostra Nosso Senhor e Salvador como sendo o homem perfeito, o último Adão, aquele homem sem pecado que veio restaurar a comunhão entre a humanidade pecadora e Deus.

- Ao mesmo tempo, Lucas mostra como sendo um homem compassivo, que veio ao encontro do homem a fim de restaurar-lhe a dignidade perdida com o pecado (Lc.1:52-54,74,75)

- Jesus veio, com Seu exemplo e vida, abrir um caminho para a salvação do homem, salvação 

que é poderosa (Lc.1:69), mas que é oferecida a homens débeis e frágeis, que precisam reconhecer a sua debilidade e fragilidade e, assim, atender ao chamado divino, alcançando a restauração da dignidade espiritual perdida.

- Ao longo de seu relato, Lucas mostra claramente que os que se acham autossuficientes, os que acreditam não necessitar de qualquer ajuda, não alcançam a salvação. O Senhor veio dissipar os pensamentos dos corações dos soberbos (Lc.1:51) e envergonhar aqueles que se envergonhassem de Suas palavras (Lc.9:26).

- Lucas não esconde as limitações dos discípulos de Jesus, a fim de mostrar não só a singularidade da perfeição de Cristo, mas também para comprovar a compaixão e a misericórdia do Senhor em apontar e suprir as carências e necessidades apresentadas pelos Seus discípulos.

- Outra conseqüência da falta de abnegação dos discípulos de Cristo é o sectarismo, ou seja, a atitude de excluir todos quantos não fazem parte de nosso grupo, de se distanciar da sociedade onde vivemos, achando-nos superiores aos demais.

- Os discípulos do Mestre adotaram uma atitude sectarista logo após terem discutido entre si quem era o maior, proibindo que alguém fora do grupo expulsasse demônios em nome de Jesus (Lc.9:49,50).

- A dimensão do reino de Deus extrapola as organizações humanas que são criadas para pregar o Evangelho e fazer a obra do Senhor. Não podemos sobrepor nosso grupo ao reino de Deus.

- Quando renunciamos a nós mesmos, não temos este tipo de orgulho que é nefasto e só contribui para criar embaraços à obra de Deus.

- Mas há um outro fator que limitava os discípulos e que, de certo modo, é também um efeito do egocentrismo: a falta de longanimidade, a falta de misericórdia, a falta de amor para com o próximo. 

- Ao contrário do Senhor Jesus, que se compadecia de todos os homens, a ponto de perdoá-los e resolver morrer em seu lugar, os discípulos tinham imensa dificuldade em perdoar e em ser longânimos para com o próximo.

- Ao passar por Samaria, Jesus não foi bem recebido pelos samaritanos (Lc.9:52,53).

- Diante desta atitude, Tiago e João quiseram descer do fogo do céu para destruir os samaritanos, sendo duramente repreendidos pelo Senhor, que disse que não viera para matar, mas, sim, para salvar (Lc.9:54-56).

INSUFICIENCIA DOS DISCIPULOS - FALTANDO COM O AMOR (Lc 9:49 e 50)

O apóstolo João veio até Jesus com o seguinte testemunho: Mestre, vimos um homem que em teu nome expulsava demônios, e lho proibimos, porque não segue conosco. (v. 49).  No mínimo, João e os que com ele estavam foram intolerantes para com o tal homem que expulsava demônios em nome de Jesus.  A intolerância é sintoma de falta de amor. Neste engano corremos o risco de tratarmos um aliado como um adversário, simplesmente porque ele não comunga no nosso grupo! Observe a resposta de Jesus: Não lho proibais; porque quem não é contra vós é por vós (v. 50). 

O mesmo João, que depois veio a se destacar pelo amor, protagonizou outro vexame.  Os versos 54 e 55 expõem uma lamentável falta de amor aos perdidos samaritanos: Vendo isto os discípulos Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir como Elias também fez? 

INSUFICIENCIA DOS DISCIPULOS - O ERRO DE ENTRAR NA BATALHA SEM O DEVIDO PREPARO (Lc  9:37-45)

O texto bíblico descreve que ao retornar do monte da transfiguração Jesus encontrou seus discípulos numa grande dificuldade.  Um pai e seu único filho estavam em meio a uma multidão que procurava benefícios em Jesus.  O problema que assolava aquele menino é descrito no verso 39: um espírito se apodera dele, fazendo-o gritar subitamente, convulsiona-o até escumar e, mesmo depois de o ter quebrantado, dificilmente o larga.  Em Marcos 9:21 e 22 temos um relato ainda mais dramático da situação daquele menino: E perguntou Jesus ao pai dele: Há quanto tempo sucede-lhe isto? Respondeu ele: desde a infância; e muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir...

A dificuldade dos discípulos de Jesus consistir em não conseguir lidar com aquele tipo de demônio. Observe no verso 40 de Lc 9 que o pai do menino conta a Jesus: e roguei aos teus discípulos que o expulsassem, mas não puderam.

JESUS ANDANDO SOBRE O MAR E A INCREDULIDADE DOS DISCIPULOS

A passagem bíblica que relata Jesus andando sobre as águas está relatada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e João.

De acordo com as escrituras, Jesus havia ordenado aos seus discípulos que entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto ele se despedia a multidão. Após ter concluído a sua obra com aquele povo, ele subiu ao monte para orar, à parte, e já era muito tarde quando ainda estava só naquele local. Consta que o barco estava já no meio do mar, e era açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário; mas Jesus dirigiu-se para eles andando por cima do mar.

Neste momento os discípulos viram Jesus andando sobre o mar, mas se assustaram, pensando ser um fantasma, de tão extraordinária aquela visão. Pois não tinham compreendido o milagre dos pães e o coração deles estava ainda endurecido. Chegaram a ficar com medo e gritar que era mesmo um fantasma. Jesus, porém, percebendo a reação deles, os acalmou dizendo “Tende bom ânimo, sou eu, não temais” (Mt 14:27). 

PEDRO E OS CONTRASTES DOS DISCIPULOS DE JESUS

Pedro foi um discípulo de Jesus de grandes contrastes, de altas e baixas, de grandes acertos e grandes mancadas. Mas, uma coisa que temos que admirar em Pedro – apesar das suas falhas e tropeços, ele sempre continuou crescendo, amadurecendo e progredindo. Tudo isso se deu em sua vida porque ele continuava com Jesus. 

Na ocasião em que Jesus perguntou aos discípulos quem “os outros” diziam que ele era, Mateus registra que pelo menos alguns deles falaram. “Eles responderam” diz Mateus. Ou seja, pelo menos dois ou três ou mais comentaram. 

O que se percebe pelos comentários dos discípulos é que havia uma certa confusão a respeito da pessoa de Jesus. O povo estava dividido. Uns diziam uma coisa, outros outra. A situação naquela época é parecida com o mundo de hoje. Há quem diga que Jesus era um grande homem, até um profeta. Outros grupos dizem que ele era um espírito elevado, no último estágio de desenvolvimento. 

Outros afirmam que ele nada mais era que um ser humano comum, só que super-dotado de inteligência e carisma. 

Mas, quando Jesus pergunta aos discípulos quem eles diziam que Jesus era, logo Pedro se destaca com a resposta. Note que a pergunta foi dirigida ao grupo “E vocês”? Jesus pergunta. Mas, Pedro responde logo, como se fosse por todos. A resposta de Pedro, talvez precipitada, contudo é certeira – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. 

Mas, logo em seguida, vemos Pedro mais uma vez falando, só que desta vez para sua própria vergonha. 

“Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: ‘Nunca, Senhor! Isso nunca te acontecerá!’ Jesus virou-se e disse a Pedro: ‘Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens’.” Mateus 16:21-23 

OS DISCIPULOS E  A DIFICULDADE DE ENTENDEREM A MISSÃO DE JESUS.

Decidido a subir a Jerusalém para morrer, Jesus pede aos discípulos que sigam na frente. 

“Indo estes, entraram num povoado samaritano para lhe fazer os preparativos; mas o povo dali não o recebeu porque se notava em seu semblante que ele ia para Jerusalém. Ao verem isso, os discípulos Tiago e João perguntaram: ‘Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los?’ Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: ‘Vocês não sabem de que espécie de espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los’; e foram para outro povoado” (Lc 9:51-56).

Veja a seqüência de falhas no comportamento dos discípulos. Primeiro, no monte da transfiguração, Pedro sugeriu igualar Jesus com Moisés e Elias, fazendo uma tenda para cada um. Enquanto isso, os discípulos que ficaram ao pé do monte não conseguiam libertar um menino possesso, por lhes faltar a oração e o jejum. Em seguida eles passaram a discutir qual seria o maior no reino e queriam proibir um homem de expulsar demônios em nome de Jesus, por não andar com eles. Agora Tiago e João querem matar os samaritanos que se recusam a receber Jesus.

OS DISCIPULOS NO CAMINHO DE EMAÚS - Lucas 24:13–35. 

Dois discípulos estavam indo de Jerusalém para uma aldeia chamada Emaús. Esta caminhada não estava sendo fácil porque Jesus havia morrido e, sem saber da ressurreição do Mestre, estavam tomados de tristeza e angústia, fato que estava tornando os onze quilômetros que separavam Jerusalém de Emaús uma caminhada extremamente difícil.

Neste texto bíblico aprendemos uma verdade importante: esses discípulos estavam tristes e angustiados.

O versículo quinze do texto nos informa que, enquanto conversavam, Jesus se aproximou deles. Jesus pergunta e insiste em saber qual o motivo da tristeza dos discípulos. É evidente que Jesus sabia, exatamente, porque estavam tristes, mas queria ouvir deles. Deus sabe de tudo o que nos cerca, de tudo o que necessitamos, mas Ele quer ouvir de nós.

A ESPERANÇA DESFEITA

Ao responder a pergunta de Jesus, os discípulos disseram: “...nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel ”. (V. 21). 

Logo depois de dizerem que Jesus era um profeta poderoso em obras e em palavras, os discípulos revelam que a esperança deles havia se desfeito. Não tinham mais esperança porque não compreendiam quem era Jesus. 

Os discípulos estavam procurando algo que ainda lhes desse esperança, pois relataram o discurso das mulheres que tinham ido ao túmulo e disseram que Jesus havia ressuscitado, mas olhando para Jesus, afirmavam: “ninguém o viu”. (V. 24).

O que mais chama atenção no texto é o fato deles , sendo discípulos de Jesus, tendo convivido com Ele, não O reconhecerem.

Por que eles demoram tanto a reconhecer Jesus? Porque estavam preocupados, aflitos, descrentes, amedrontados. A crucificação havia acabado com a fé deles. A esperança do Messias Salvador, tinha se esvaído, como fumaça. Eles foram capazes de descrever para Jesus todos os últimos acontecimentos de Jerusalém, da conversa sobre ressurreição, mas o coração estava endurecido. Para eles, tudo já não passava de uma fábula, um engano. Se Jesus fosse mesmo o Messias teria triunfado em vida, sobre a morte. E Jesus repreende os dois: “ Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Por ventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E Jesus lhes contou sobre as Escrituras” Lc 24:25-27. 

CONCLUSÃO.

Notamos que os discípulos  escolhidos por Jesus não eram perfeitos, eram pessoas comuns como nós.  Por isso é que o Mestre lhes disse: "Vinde após mim e aprendei de mim". Os discípulos não nasceram discípulos, mas na escola do discipulado, dos Evangelhos.

O mesmo que Jesus fez com aqueles homens rudes e sem noção do que seria o cristianismo, também pode e deseja fazer conosco.

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)
BLOG:       www.adayltonalm.spaceblog.com.br
Facebook:  Adayl Manancial
Email: adayl.almEhotmail.com

REFERENCIAS

Leonardo Nascimento - A difícil caminhada para Emaús.
Mozart Correia Lima - A pedra de construção e de tropeço.
Claudio van Balen - Discípulos de Emaús.
Alaine Silva - Jesus anda sobre o mar.
Wilma Rejane - Jesus e os discípulos a caminho de Emaús.

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