sábado, 7 de maio de 2016

A Lei, a Carne e o Espírito - Lição 6 - EBD/CPAD - Subsídio Teológico


LIBERDADE DO PODER DO PECADO

Este capítulo é o último da parte de santificação (cap. 6-8), e aqui encontramos a resposta das perguntas sobre a lei e a carne. O ensino aqui é do Espírito Santo, porque é pelo Espírito que vencemos a carne e vivemos uma vida cristã agradável a Deus.

No final do capítulo 7, Paulo disse que Jesus Cristo é a resposta à necessidade mais urgente do homem: a libertação da morte espiritual (7:24-25). O capítulo 8 afirma que Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) trabalha para a salvação dos fiéis. É um capítulo que consola todos que lutam contra o pecado no serviço ao Senhor.

Paulo começa a mostrar como escapar do problema do pecado. Ele diz que o cristão não está casado com a Lei. Como uma pessoa que morreu e, por isto está livre do compromisso com o seu cônjuge. No que diz respeito à lei, ele morreu, e agora é um com Cristo. E ele reforça o que já tinha mostrado em Rom. 6:4 – "Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida."

Para deixar mais claro a maneira correta de obter a paz e a certeza da salvação, Paulo mostra primeiro a maneira errada em Romanos 7. Este capítulo é conhecido como o capítulo do "eu".

Este é um dos capítulos de maior complexidade para se interpretar de toda a bíblia. Ao longo dos séculos o capítulo sete da carta aos Romanos tem desafiado inúmeros teólogos e estudiosos quanto à sua real interpretação.

Uma correta interpretação deste capítulo é essencial à compreensão de toda carta, e, para interpretá-lo, precisaremos de todos os elementos que foram realçados através das análises feitas nos capítulos anteriores.

NÃO sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive? Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido”. ( Rm 7:1 - 3).

Após demonstrar que todos os cristãos foram batizados em Cristo, ou seja, tornaram-se participantes da Sua morte, e que, por estarem mortos, não havia como viverem no pecado, Paulo convoca os seus interlocutores ao raciocínio.

Se os cristãos em Roma desconheciam que todos que foram batizados em Cristo (Rm 6:3), destruíram de uma vez por todas o corpo do pecado (Rm 6:6), e que não mais serviam ao pecado, este ponto em específico foi esclarecido no capítulo seis. Porém, caso alguém permanecesse agarrado à ignorância, Paulo propõe os mesmos argumentos aos seus leitores, só que agora, através de figuras.

Tendo provado que o crente morreu para o pecado (capítulo 6), Paulo agora vai explicar a forma pela qual o crente se torna morto para a lei. É compreensível a necessidade de sermos libertos do pecado, contudo, por que é que Paulo estava tão preocupado com que nos libertássemos da lei? Afinal, a lei é a lei de Deus! Ela proíbe o pecado e prescreve a justiça. Os homens de Deus, do povo de Israel, amavam completamente esta lei: Grande paz tem os que amam a tua lei. Para eles não há tropeço (Sl. 119:165); Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia (Sl. 119:97); Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas de tua lei” (Sl 119:18); “A lei do Senhor é perfeita, e restaura a alma”. (Sl. 19:7).

Precisamos entender que na lei de Deus não existe falha nenhuma. Como o próprio Paulo vai afirmar no verso doze: “a lei é santa; e o mandamento santo, e justo e bom. O problema aqui é a ideia equivocada de que o homem é salvo através do cumprimento desta lei. Por-tanto, o problema está no homem e não na lei do Senhor. O problema é a interpretação que o homem faz da lei, e não a lei em si. O que precisa ser mortificado não são as normas do bom viver que a lei prescreve, o que precisa ser cancelado é a exigência de que se viva segundo os padrões da lei para se salvar. Não é necessária uma perfeição absoluta para alcançar a salvação, o cumprimento da lei não é pré-requisito para a salvação.

Esta é a ideia que Paulo está defendendo aqui. Muitas pessoas às quais esta carta foi endereçada pensavam ser necessário o cumprimento da lei para a salvação. O jovem rico que se aproximou de Jesus nutria esta ideia: Tudo isto tenho observado desde a minha juventude. (Lc. 18:21). Ele realmente guardava a lei desde os seus primeiros dias! O próprio Paulo em Filipenses nos diz que: “quanto à justiça que há na lei, irrepreensível”. Ou seja, ele buscava com muito zelo guardar o que a lei prescrevia, contudo, ao encontrar a Cristo, ele afirmou: E ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé”. (Fp. 3:9).

Paulo descobriu que a guarda da lei é incapaz de nos justificar diante de Deus. Foi por isto que ele afirmou em 6:14: “Não estais debaixo da lei, e, sim, da graça. Aqui no capítulo sete, ele vai trabalhar melhor esta ideia de que não podemos viver como se fosse necessário o cumprimento da lei para sermos salvos.

A ILUSTRAÇÃO DA ANALOGIA DO CASAMENTO

Para esclarecer melhor esta questão, Paulo nos conta uma ilustração (v. 2,3). A ilustração do matrimônio expõe com muita clareza a ideia de se entrar numa nova relação. A morte do primeiro marido pôs fim ao primeiro contrato, e a mulher está agora livre. Embora esteja casada com outro homem, não se pode dizer que ela é adúltera. Ela tem o direito de casar-se novamente, não há nada de errado nisso. O que ela fez é legal e certo. A lei está sendo respeitada porque a morte do primeiro marido a liberou.

Paulo utiliza-se desta ilustração para mostrar que passamos de uma relação espiritual com Deus para outra. No capítulo 6 ele utilizou-se da ilustração do escravo. Aquela ilustração foi útil para mostrar que fomos comprados por Jesus. Trocamos de Senhor e não podemos mais servir ao antigo senhor chamado pecado. Aqui a questão é outra. Não se trata de compra e venda, a questão aqui é de morte. Somente a morte para a lei pode nos levar a “casar com Jesus”. É preciso que a primeira relação seja dissolvida para entrarmos na segunda relação. Assim como a morte desfaz o laço que une marido e mulher, a morte do crente com Cristo desfaz o laço que o prendia ao jugo da lei.

Segundo o apóstolo, estamos casados com a lei, assim como a mulher está ligada pelo casa-mento ao seu marido. Não podemos ser libertos da lei enquanto não morremos para a lei, à semelhança da esposa, que só fica livre do casamento diante do falecimento de seu esposo. Portanto, na ilustração (v.2,3), quem morre é o marido e a mulher fica viva. Se o marido é quem morre, nós deduzimos que quem deveria morrer é a lei e nós permanecermos vivos. Ou seja, a lei seria o marido e os cristãos a esposa. Até porque o cristão vai “Pertencer a outro”. Então ele deveria assumir o papel da esposa na ilustração, a figura daquele que fica vivo.

Contudo, não é isto o que Paulo diz! Ele afirma o seguinte: Vós morrestes relativamente à lei”. Na ilustração ele não fala nada sobre a morte da mulher, apenas da morte do marido! A aplicação não corresponde aos termos da ilustração! O que acontece é que não devemos esperar no verso 4 (aplicação), algo que corresponda exatamente à morte do marido na ilustração (v.2,3). O que Paulo quer nos mostrar é que somente pela morte do marido a mulher está liberta do casamento. Da mesma forma, somente através de uma morte podemos nos tornar livres da obrigação da lei. Ou seja, Paulo quer nos mostrar como seremos libertos da lei.

Se dissermos que nessa ilustração o marido indica a lei, e a mulher indica o crente, chegamos a um beco sem saída. Neste caso a lei teria que morrer para que o crente pudesse ser livre. Em parte alguma Paulo ensina que a lei perdeu o vigor, morreu ou desapareceu. Somos nós, e não a lei, que morremos: “Vós morrestes relativamente à lei” (v.4); “Libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos (v.7); “Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus”. (Gl. 2:19).

A verdade que Paulo descobriu

Paulo confessou, “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei” (Romanos 7:7). Ele não conheceria a cobiça se a Lei não dissesse, “Não cobiçarás”. Paulo explicou a relação entre a Lei e o pecado, dizendo, “Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência”.

Nestes dois versos Paulo vai nos explicar o porque da necessidade de morrermos para o nosso casamento com a lei e casar-nos com Cristo. Como vimos anteriormente, (v.2-4), o apóstolo mostrou que aquele que foi justificado, morreu para as exigências da lei como requisito para a salvação e casou-se com Cristo. Aqui nos versos cinco e seis, o apóstolo vai adicionar um problema à tentativa do homem de cumprir a lei. Paulo vai afirmar que a exigência do cumprimento da lei prejudica o homem ao invés de abençoá-lo.

Enquanto o ensino literal da lei estiver em vigor e dominar sem qualquer conexão com o Espírito Santo, a concupiscência da carne não será refreada, pelo contrário, crescerá cada vez mais! Ou seja, se o homem buscar a santificação tentando cumprir a lei com suas próprias forças, além de não conseguir abandonar o pecado, ele cairá neste pecado, estimulado pela própria lei!

Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: não cobiçarás”. (v.7) Depois de enfatizar que a lei era incapaz de livrar o homem do pecado, que o objetivo da lei é mostrar ao homem o seu pecado, que precisamos nos livrar da lei para servir a Deus em novidade de vida, que existem “paixões pecaminosas estimuladas pela lei” (7:5), e que a graça é muito superior à lei; depois do apóstolo realçar todas estas verdades, não seria natural as pessoas entenderem que a lei em si mesma é má? Esta foi a conclusão que os romanos e judeus chegaram diante das palavras de Paulo. E tem mais um detalhe. Paulo se regozijava no fato de que não estava mais debaixo da lei, da mesma maneira que se regozijava de que não estava mais debaixo do pecado. Logo, pecado e lei só podem ser sinônimos! “Não deve existir nenhuma diferença entre eles”, poderia afirma alguém.
Ao perceber esta conclusão equivocada dos romanos, Paulo usa sua negativa habitual: “De jeito nenhum!”. O apóstolo mostra aos seus questionadores que o seu ensinamento é o oposto daquilo que eles estão sugerindo. Ele demonstra isto através da seguinte afirmação: Eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei”.

Para mostrar que a conclusão daquelas pessoas acerca de seus ensinamentos estava equivocada, Paulo apela para a sua própria experiência. Do verso sete ao verso treze ele vai fazer dez referências pessoais. Paulo descreve como a lei levou o conhecimento do pecado ao fundo do seu coração. Ele percebeu a cobiça no seu coração devido ao mandamento: “não cobiçarás”.

Paulo está dizendo o seguinte: A lei longe de ser pecaminosa, ela é “santa, justa e boa”. (v.12). O problema está no homem e não na lei! O pecado encontra-se no desejo corrupto do homem. A lei apenas revela ao homem o que ele não consegue enxergar. Isto não significa que ela seja má! Não podemos responsabilizar a lei pelo nosso insucesso em cumpri-la. A lei, longe de ser pecaminosa, nos leva a conhecer os nossos pecados mais profundos!

A LEI REVELA O PECADO (Rm 7.7-8)

Eu não teria conhecido o pecado (má concupiscência ou cobiça) se a lei não dissera (7). Se não houvesse lei, não teríamos consciência da força do pecado, e assim estaríamos desapercebidos de sua existência.

O pecado, como qualquer estrategista militar, fez da lei uma espécie de “base de operações”. É este o sentido literal da palavra grega ‘aphorme’ quando aplicada a operações militares. Significa “ponto de partida” e, assim, metaforicamente, “ocasião”, “incentivo”, “oportunidade” (cfr. 2Co 11.12; Gl 5.13).

Paulo não poderia dizer que a lei morreu, porque isto nunca aconteceu! Em vários momentos no Novo Testamento vemos Deus convocando seu povo a cumprir à Sua lei: “Na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei”. (Hb. 8:10). Jesus disse: Não vim destruir a lei ou os profetas”; “Qualquer que violar um destes mandamentos, será chamado o menor no reino dos céus; “Aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”. (Mt. 5:17-19).

A Lei que Deus deu para a humanidade tem a função de revelar o pecado no coração das pessoas. Ele não nos deu a Lei para que nós pudéssemos guardá-la e segui-la; pelo contrário, a Lei nos foi dada para revelar os nossos pecados e, portanto, nos tornar pecadores. Todos nós pereceremos se não formos até Jesus Cristo e crermos na justiça de Deus que é encontrada no batismo que Jesus recebeu de João e no sangue que Ele derramou na Cruz. Nós devemos ter em mente que o papel da Lei é nos trazer até Cristo e nos ajudar a crer na justiça de Deus através Dele.

É por isso que o Apóstolo Paulo testifica, Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado(Romanos 7:8). Através da Lei de Deus, o Apóstolo Paulo nos mostrou quais são os fundamentos básicos do pecado. Ele confessou que no início ele era um pecador, mas que alcançou a vida eterna crendo na justiça de Deus dada por Jesus Cristo.

Havia originalmente duas leis dadas por Deus: a lei do pecado e da morte e a do Espírito da vida. A lei do Espírito da vida salvou Paulo da lei do pecado e da morte. Isso significa que pela crença no batismo de Jesus e Sua morte na Cruz, que levou todos os seus pecados, ele se uniu com Jesus e foi salvo de todos os pecados. Nós todos devemos ter a fé que nos uni com o batismo do Senhor e com a Sua morte na Cruz.

A ANALOGIA DA SOLIDARIEDADE DA RAÇA, ILUSTRADA EM ADÃO

O pecado é "iniquidade" ou o pecado é a "transgressão da lei"?

Ora, inferimos de Rm 2:12 que é plenamente possível pecar mesmo sem lei. Bem antes da lei de Moisés a morte reinou sobre todos os homens ( Rm 5:13 ). Desde Adão até Moisés a morte reinou sobre os homens o que significa que todos pecaram ( Rm 5:14 ). Daí, vale destacar que, o pecado impera aparte da lei mosaica.

Como? Um homem pecou, todos pecaram (Rm 5:18 ). Ora, se um só homem pecou e todos pecaram, segue-se que o pecado que subjugou a humanidade não decorre da desobediência à lei de Moisés, visto que, após a desobediência de Adão, Deus não instituiu de imediato leis, porém, mesmo assim, todos morreram, o que demonstra que todos estavam em pecado.

O homem peca porque foi vendido como escravo ao pecado, e isto através da ofensa de Adão. Jesus é claro ao afirmar: "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado" ( Jo 8:34 ). O homem peca porque é escravo do pecado, e não porque transgride a lei de Moisés.

O que é pecado?

"Pecado" diz da condição da criatura quando divorciada do Criador. Quando a criatura se distancia do Criador, a condição "em pecado" se manifesta. Ou seja, pecado é o mesmo que estar destituído da glória de Deus (morto para Deus e vivo para o mundo).

Se pecado fosse a transgressão da lei de Moisés (1Jo 3:4 ), não haveria como o homem ser formado em iniquidade e nem gerado em pecado, pois como poderia alguém transgredir no ventre materno? ( Sl 51:5 ).

Verifica-se nas Escrituras que um homem transgrediu e que todos transgrediram. Um pecou e todos veem ao mundo separados de Deus, destituído da Sua Glória, porque todos pecaram pelo simples fato de serem descendentes de Adão.

O que toda humanidade passou a compartilhar após a ofensa de Adão? A mesma condenação! Como o apóstolo Paulo demonstrou que através da lei o ‘eu’ ‘conheceu’.

Se soubéssemos o que temos perdido por causa do pecado, odiaríamos o pecado como Paulo odiava. "Somos criaturas indiferentes, que brincam com bebidas, sexo e ambição, enquanto o gozo infinito é nos oferecido; como uma criança ignorante que deseja continuar brincando na lama de uma favela, porque não imagina o que significa o oferecimento de um feriado na praia. Satisfazemo-nos com coisas pequenas demais". (C.S. Lewis)

Paulo ansiava ardentemente pelo dia em que ele ficaria livre do pecado! Todos aqueles que verdadeiramente amam a Deus, odeiam os seus pecados! Isto pode ser percebido de forma clara na agonia de Jesus no Getsêmani. Por que é que Jesus suou sangue, angustiou-se até a morte e sofreu demasiadamente naquele Jardim? Jesus teve estes sentimentos por dois motivos.

Primeiro. Aquilo que Ele mais odiava (o pecado) tomaria conta completamente do seu ser. Ele, que era a verdade, iria se tornar o mentiroso mais inveterado do mundo. Ele, que era demasiadamente puro para olhar para uma mulher com luxúria, tornar-se-ia o adúltero mais promíscuo da história. O único homem que sempre amou com altruísmo puro, tornar-se-ia no vilão mais desprezível do universo de Deus. Na cruz, Jesus transformou-se num assassino, bisbilhoteiro, difamador, ladrão, tirano.

Além disso, ali na cruz, a comunhão do Filho com o Pai seria completamente rompida: "Deus meu, Deus meu por que me desamparastes". Somente aqui, em todo o evangelho, Jesus se dirige ao Pai como “Deus”. Essa mudança de tratamento significa quebra de comunhão entre o Pai e o Filho. Naquele momento, o Pai não parecia estar agindo como um Pai. Com o pecado do mundo esmagando sua alma, Jesus procurou pelo Pai. Aquele com quem Jesus havia gozado de intimidade eterna e amor indescritível, este não foi encontrado para confortá-lo! Deus virou sua face de ira em direção ao seu Filho que estava sangrando e morrendo. O Pai o fez beber do cálice da rejeição até a última gota. Este sem dúvida foi o maior sofrimento de Cristo.

A razão pela qual Jesus estremeceu ao pensar na crucificação teve pouco a ver com a tortura física. No final das contas, não era o escárnio dos homens ou o julgamento de Roma que Jesus temia. O que atribulava a Sua alma era o pecado e a comunhão com o Pai que seria interrompida.

Quem desfruta de verdadeira comunhão com Deus, odeia o seu pecado! É por isto que Paulo gritou em agonia: "Miserável homem que sou". É por isto que Paulo aguardava ansiosamente o dia em que ele ficaria livre daquele corpo de pecado.

A Malignidade da carne e a velha natureza

O clímax do capítulo 7 está nos versículos 24 e 25. Paulo escreveu, “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado”.

Em Romano capítulo 6, Paulo falava sobre a fé que nos leva a sermos enterrados e ressuscitados juntamente com Cristo. Pela nossa união com o Seu batismo e a Sua morte na Cruz, nós podemos alcançar esta fé.

Paulo percebeu que ele era um homem desventurado, cuja carne era tão insuficiente que quebrou a Lei de Deus não apenas antes de encontrar a Jesus, mas também continuou quebrando mesmo após o encontro com Jesus. Ele lamentava, Quem me livrará do corpo desta morte?. Então concluiu que ele podia ser liberto do corpo desta morte crendo na justiça de Deus, dizendo: Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor”. Paulo estava livre dos pecados da carne e mente pela crença na justiça de Deus através de Cristo, unindo-se a Ele.

A confissão final de Paulo foi, “De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.(Romanos 7:25). E no início do capítulo 8, ele confessou, Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.  Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte (Romanos 8:1-2).

O TERMO "CARNAL"

O termo “carnal” ou “desejo da carne” é usado nas epístolas de Paulo para denotar a natureza pecadora de Adão, isto que dizer a natureza que ele deixou como o resultado da queda. Outro termo que é usado para descrever essa natureza é “velho homem”. Essa natureza, natureza de Adão, é a única natureza que alguém tem antes de crer no Senhor Jesus, em Sua ressurreição e a única natureza que estava disponível na época da lei. Contudo, hoje em dia devido ao sacrifício de Jesus, quando alguém O confessa como Senhor e crê em seu coração que Deus o ressuscitou dos mortos (Romanos 10:8-9) ele nasce de novo e recebe uma nova natureza. Essa nova natureza é chamada nas epístolas de Paulo de “novo homem” (como oposto de “velho homem”), “espírito” (como oposto de “carne”) e “espiritual” (como oposto de “carnal”). Os artigos: “Corpo, alma e espírito” e “Pentecostes e o novo nascimento” discutem isso em muitos detalhes.

Deus nos comissionou a vencer a carne; e podemos fazê-lo!

Em Cristo, Deus fez o que a lei não podia fazer (3-4). Jesus veio na carne para fazer o que a lei não fez por causa da fraqueza da carne. Deus, através de Jesus, condenou o pecado. Assim ele cumpre o propósito da lei em nós. A lei era oposta ao pecado (condenou o pecado), mas não venceu o pecado. As pessoas sujeitas à lei ainda andavam na carne, sujeitas à morte. Em Jesus, Deus condenou e venceu o pecado. Aqueles que participam dessa vitória andam segundo o Espírito, não segundo a carne.///  

Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.;D.Hu.)
Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.

(O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição, foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina; é Licenciado, Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Doutor em Psicologia e em Humanidade, Escritor, Professor Universitário, Pós-graduado em Psicanálise e em Ciências Políticas, Juiz Arbitral do Tribunal de Justiça Arbitral-RJ, membro da Academia de Letras Machado de Assis de Brasília e Diretor da Faculdade Teológica Manancial).

Facebook: adayl manancial
Email: adayl.alm@hotmail.com

BIBLIOGRAFIA
  • Adaylton de Almeida Conceição – Introdução à Carta aos Romanos
  • Anastasios Kioulachoglou – Miseravel homem que sou
  • Jeferson Antonio Quimelli- A Carta de Paulo aos Romanos e a certeza da salvação

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