sábado, 9 de julho de 2016

Deus, o Primeiro Evangelista - Lição 2 - EBD/CPAD - Subsídio Teológico


Deus, o Primeiro Evangelista - Lição 2 - EBD/CPAD - Subsídio Teológico por Pr. Adaylton Conceição de Almeida

Se lermos atentamente a Bíblia Sagrada, constataremos que, quando o universo ainda não existia, o Plano da Salvação já estava esboçado no espírito de Deus.

Em Apocalipse, o Espírito Santo revela a João que o Senhor Jesus, para redimir-nos, não morreu apenas no tempo. Na presciência divina, o Cordeiro de Deus já estava morto antes mesmo dos eventos registrados em Gênesis (Ap 13.8).

Nossa redenção, por esse motivo, transcende o tempo e os eventos da criação; é eterna (Hb. 9.12). Portanto, quando ainda não havia pecado, ou pecadores, o amoroso Deus já tinha estabelecido as bases da nossa salvação.

A morte do Cordeiro, na presciência de Deus, foi a primeira nota evangélica da História Sagrada. Se Cristo morreu na eternidade, na eternidade também fomos eleitos (1 Pe. 1.2).
Na sentença sobre o pecado, anuncia a redenção do pecador (Gn 3.15). Antecipadamente, prega o evangelho do Unigênito à humanidade, representada, ali, no primeiro ser humano. Antes mesmo que houvesse tempo, proclamou a salvação eterna. Era como se Deus, num tabernáculo vazio, chamasse os pecadores, que ainda não existiam, ao arrependimento.

DEUS DÁ A ORIGEM AO EVANGELHO

Tudo o que sabemos sobre o Evangelho e o seu significado, encontramos de forma explicita na Bíblia, a Palavra de Deus. Mas, numa visão, ou melhor, num contexto mais abrangente desde os primórdios vemos que o evangelho teve a princípio o seu fundamento antes mesmo que fosse pregado entre os apóstolos e com o próprio Cristo o Filho de Deus.

Gen. 3.15...”E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar...”. Neste texto, vemos a origem do evangelho que por sua vez foi o ápice de Deus em resolver o problema do homem caído, ou seja, quando este estava desprovido de qualquer escape – Rom 3.23.

O sentido da essência do evangelho, não está no que atualmente se ver por ai, ou seja, onde alguns se dizendo que estão pregando o evangelho, e com isto se aproveitando da situação para cometerem fatos que não existem. Podemos dizer que, o evangelho só tem sentido de acordo com os conceitos de Cristo, se houver a “Cruz”. Se não há cruz, não existe anunciação, ou seja, não existe a pregação verdadeira do sentido evangelho, pelo contrário, alguns estão se omitindo quanto as verdades da Bíblia.

Abraão, nosso percussor no evangelismo

Quando Deus decide formar uma nação chama a Abraão, o envia a uma nova terra e lhe faz as seguintes promessas: 1) de ti farei uma grande nação, 2) e te abençoarei, 3) e te engrandecerei o nome. (lhe dá um mandamento) Sê tu uma benção (Gn 12:2). Assim Deus deixa claro o seu propósito de formar uma nação para si. Mas isto não é simplesmente para que exclusivamente este povo seja abençoado e sim para que este novo povo fosse uma benção aos outros povos da Terra.

Depois de dar a Abrão o imperativo de ser uma benção, dá a ele a dimensão de tal imperativo: "em ti serão benditas (abençoadas) todas as famílias da terra" (Verso 3).

O que temos aqui? Deus prometeu a Abraão uma grande descendência, uma bênção e um grande nome. Então lhe diz que nele todas as famílias da terra deveriam ser abençoadas. Ficam, então, duas perguntas muito importante: como Abraão abençoaria todas as famílias da Terra e que benção é esta a qual Deus se refere?

Vejamos o que diz Gálatas 3 sobre isto:

Verso 7 - "Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão" (então a benção vai além do parentesco carnal, e é espiritual).

Verso 8 - "...em ti serão abençoados todos os povos" (então esta benção espiritual é extensiva a todos os povos).

Verso 9 - "De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão" (ou seja, a fé é o modo de todos os povos da terra serem atingidos pela benção prometida a Abraão).
  
Verso 14 - "para que a benção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos pela fé o Espírito prometido" (concluímos que a benção prometida a Abraão é a benção da Salvação em Cristo Jesus, Justificação, Verso 8, e habitação do Espírito Santo, Verso 14).

Entendemos que quando Deus chamou a Abraão, chamou-o para que, através dele e da sua "descendência", (Gn 22:17-18) todos os povos da Terra sejam abençoados com a Salvação em Jesus Cristo. Agora preste bastante atenção, pois isto trará, a você e a sua igreja local, uma tremenda responsabilidade diante de Deus: nós, os salvos por Jesus são esta descendência! Assim sendo, pesa inteiramente sobre nós a responsabilidade de levar o evangelho a todos os povos espalhados pela face da Terra!

O EVANGELHO DE CRISTO A ABRAÃO

De Adão, o primeiro homem, a Abraão, o primeiro patriarca dos hebreus tem um interregno de aproximadamente dois mil anos. Nesse período, o Reino de Deus parecia engolido pelo império de Satanás.
Todavia, o Evangelista Eterno estava apenas preparando o caminho de seu Filho que, decorridos mais dois milênios, haveria de nascer em Belém de Judá.

A BENÇÃO DO EVANGELHO SE ESTENDE DESDE ABRAÃO

Far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te–ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma benção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoares; em ti serão benditas todas as famílias da terra...– Gen. 12.2-3.

Aqui estão escritos por divina revelação o que Deus pode fazer por aqueles que estão debaixo de suas promessas. Ou seja, não é preciso se criar ou formular pensamentos filosóficos para que seja entendido de como Deus foi misericordioso para com aqueles que creem em sua Palavra. Todavia, Abraão creu, ou melhor, foi capaz de externar o seu sentimento a Deus que o criou e lhe deu o direito dele escolher “entre o crer ou não em sua Pessoa”. Ou seja, a Fé falou mais alto no coração do patriarca Abraão, portanto, ele foi capaz de crer naquilo que não viu e isto foi o suficiente para que Deus honrasse a sua fé. Conquanto que, se tornou o pai de uma grande multidão, porque creu no invisível e por esperança enxergou a sua concretude – Jo 3.16; Rom 5.8; Deus fez promessa de benção a Abraão, porque teve de sua parte o amou que se externou naquele que seria o primeiro crente a crer e anunciar o evangelho que veio por divina revelação aos homens. Portanto, é dessa forma que conhecemos Abraão como o primeiro crente na fé, e dele se estendeu a benção de sua promessa. Então, todos os povos e tribos, recebemos por herança em Cristo a benção de Abraão – Gal 4.4-5.

Não é coincidência que as três principais religiões do mundo – judaísmo, cristianismo e islamismo – sejam às vezes chamadas de “religiões abraâmicas”. Isso ocorre porque as três, de uma forma ou de outra, reconhecem suas raízes nesse grande homem de Deus.

Deus teve para com Abraão e sua família depois dele (ver Gl 3:29) um triplo propósito: (1) que fossem os recebedores e guardiões da verdade a respeito do reino de Deus, que havia sido perdida na história anterior da humanidade; (2) que fossem o canal por meio do qual o Redentor entraria na História; e (3) que fossem, como fiéis servos de Deus, uma luz para as nações e para aqueles que precisavam conhecer o Senhor.

O evangelista Abraão
Já evan­gelizado, Abraão faz-se evangelista e sai a apregoar o conhecimento divino. Entre os gentios, era o profeta do Senhor (Gn 20.7). Dessa forma, implantou a genuína fé naquela região, levando os seus descendentes a adorar ao Único e Verdadeiro Deus. Eis por que, na genea­logia de Cristo, Mateus designa-o como o principal ascendente do Messias (Mt 1.1).

O evangelho de Deus a Abraão.
Se nos detivermos a analisar a vocação do patriarca hebreu, encontraremos a mais bela síntese da mensagem cristã. Em primeiro lugar, Deus individualiza a chamada de Abraão, a fim de universalizar a convocação de todas as nações a crer em Jesus Cristo.

a) Uma chamada que transcende a nacionalidade.
Deus, em primeiro lugar, intima Abraão a deixar a sua nacionalidade: “Sai-te da tua terra”.
A fé no Deus Único e Verdadeiro não pode circunscrever-se a uma nacionalidade. Seu caráter reivindica seja ela proclamada a todos, em todo o tempo e lugar, por todos os meios.

Israel jamais poderia ter restringido a sua fé a um território, a uma cidade, a um santuário e a um objeto sagrado. Infelizmente, foi o que aconteceu. Embora fundassem uma terra santa, não foram suficientemente zelosos para santificar os povos além de suas fronteiras. Ao elegerem Jerusalém como a cidade santa por excelência, não saíram, a partir dela, a proclamar a Palavra de Deus até aos confins da terra como fez o profeta Jonas. Quanto ao Santo Templo, achavam que Deus estava restrito àquela casa e que, de lá, jamais sairia. E, para completar o seu exclusivismo religioso, fizeram da arca sagrada um totem. Supunham que, tendo-a por perto, nenhum mal viria a alcançá-los.

O Senhor mostrou-lhes, porém, que aquele objeto tão belo e tão cobiçado viria a perder-se um dia (Jr 3.16). Enfim, os israelitas, ao contrário de Abraão, não conseguiram transcender a própria nacionalidade na divulgação da verdadeira fé. Logo, o Deus de Israel é também o Deus de todos os povos, porque sua é a terra e a sua plenitude.

b) Uma chamada que transcende a etnia.
Deus ordenou também a Abraão que deixasse a sua parentela, pois o chamava a ser o pai de todos os que creem. Então, como haveria ele de confinar-se à etnia hebreia, se o mais ilustre de seus descendentes haveria de morrer por todos os povos? Os israelitas, porém, ignorando a natureza de sua chamada universal, isolam-se nacionalmente.

c) Uma chamada que transcende a família.
Abraão foi chamado ainda a deixar a casa de seu pai, pois a família que dele sairia não se fundaria em laços de sangue, mas numa aliança espiritual. É claro que, aos olhos de Deus, a família é muito importante.
Precedendo o Estado e até mesmo a Igreja, ela é a base tanto daquele quanto desta. Mas, pela fé em Jesus Cristo, filho de Abraão, surge um povo mais forte que a própria família.

A família, para Abraão, teria um fundamento mais forte que o sanguíneo. A fé no Deus Único e Verdadeiro seria capaz de unir, num mesmo corpo, em Jesus Cristo, todos os povos da Terra. Todos os que o aceitam, portanto, são chamados para fora de sua nacionalidade, etnia e família, a fim de formar um só organismo espiritual.

A missão da Igreja
Quando pensamos porque a igreja existe, logo nos vem ao pensamento a palavra de Pedro: "a fim de proclamardes as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pe. 2.9). A primeira frase diz o propósito de Deus para nós. “Afim de” significa finalidade, objetivo, razão de existir.

O Evangelho é o agente transformador do caráter do ser humano, por isso Deus comissionou à Igreja fazer a evangelização a todos os povos e etnias (Mc 16:15) no afã de possibilitar a restauração do ser humano ao status quo da criação: imagem e semelhança de Deus (quanto ao caráter), dignidade, plena felicidade, comunhão com Deus e vida eterna.

Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.;D.Hu.)
Assembleia de Deus Ministério do Belém em Santos - São Paulo.

O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição, foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina; é Licenciado, Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia e Diretor da Faculdade Teológica Manancial

Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
  • Claudionor de Andrade - O desafio da Evangelização
  • Jabesmar A. Guimarães - O Nosso Chamado Missionário em Abraão

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