quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Augustus Nicodemus fala de “êxodo pentecostal” para as igrejas reformadas e gera polêmica

Teólogo reformado pede que pastores se preparem para receber centenas de fieis pentecostais e neopentecostais que estão saindo de suas igrejas

O teólogo presbiteriano Reverendo Augustus Nicodemus Lopes publicou um post em seu perfil do twitter na tarde do último domingo (02) que gerou uma repercussão muito grande. A fala do pastor reformado foi sobre a saída de centenas de pentecostais e neopentecostais de suas igrejas para as igrejas de teologia reformada após estes conhecerem a teologia pregadas por estas últimas.
Nicodemus alerta os líderes reformados que se preparem para receber esses irmãos vindos do pentecostalismo e do neopentencostalismo, pois se preocupa com a possibilidade deles se decepcionarem caso não encontrem em seu destino uma comunidade preparada para lidar com seus anseios.
"Os reformados precisam se preparar para receber as centenas e centenas de irmãos pentecostais e neopentecostais que descobriram a fé reformada pela internet e estão vindo cheios de expectativa e esperança para as suas igrejas. Senão a desilusão deles será grande", escreveu Nicodemus.
O post do reverendo rapidamente gerou uma onda de comentários. Alguns de apoio ao seu alerta, outros de testemunhos desses membros que migraram das demais correntes teológicas para o reformismo e, por fim, de outros líderes e teólogos que não gostaram das palavras do líder presbiteriano.
Críticas
O pastor Robson Aguiar chamou de "prepotência" as palavras de Nicodemus. Para ele, ao assim se manifestar, o reverendo estaria fazendo "proselitismo calvinista."
"A decepção será grande. Essas pessoas saem do movimento pentecostal pensando em encontrar uma igreja perfeita, e não encontraram. E o motivo deles irem e por ouvir suas pregações, as do Hernandes e Héber Campos, mas nem todos os pastores possuem esse nível.", escreveu outro internauta.
Para outro fiel, o desejo do pastor deveria ser "que as igrejas pentecostais e neopentecostais que julga estarem em desacordo com a doutrina bíblica corrigissem seus erros, não que fossem esvaziadas."
Pentecostais comentam
Líderes pentecostais comentaram a fala de Nicodemus. O pastor e escritor José Gonçalves, teólogo, escritor assembleiano e Membro da Comissão de Apologética da CGADB, diz que o post traz "de forma subliminar a supremacia da teologia reformada e a 'problemática' da práxis pentecostal".
"Em que sentido os reformados precisam se “preparar” para receber pentecostais? Somente se enxergamos os pentecostais como um grupo inferior ao reformado ou ate mesmo subalterno. A imagem é de imigrantes, pessoas desorientadas, confusas e sem rumo em busca de asilo. Seriam os reformados, que se consideram o primeiro mundo da teologia protestante, o porto seguro dos pobres advindos do terceiro mundo, os pentecostais? Se este for o caso seria bom lembrar que a teologia protestante, da qual os reformados se acham os legítimos herdeiros e, por isso mesmo parecem querer patenteá-la, não é e nunca foi cem por cento pura. Nem mesmo cem por cento bíblica! Se há problemas dentro da comunidade pentecostal, da mesma forma dentro do arraial reformado", alertou Gonçalves. Confira o texto na íntegra (aqui)
Ele ainda mostra que mesmo com a polêmica provocada pelas palavras de Augustus Nicodemus, é necessário uma autocrítica pelos líderes pentecostais, pois tal "êxodo" não acontece por acaso.
"O texto demonstra consciência do arrefecimento da experiência pentecostal. Há um pentecostalismo sem pentecostes. Em muitos contextos pentecostais a experiência se sobrepõe a palavra de Deus e não apenas a teologia. A Bíblia é usada para justificar práticas bizarras. Muitos líderes são mestres em inventar modismos para prender os incautos."
Um alerta "profetizado"
O comentário de Augustus Nicodemus é o resultado de algo que já tem se notado nos últimos anos e preocupado alguns pastores de vertente pentecostal, pois realmente muitos fieis estão tomando conta da teologia reformada, principalmente pela internet, e com isso tendo um sentimento de que suas comunidades estão aquém no quesito da exposição e interpretação bíblica.
O teólogo assembleiano Gutierres Siqueira comentou, ainda no início de novembro, sobre esse problema gerado por esse suposto "conhecimento" adquirido por estes fieis, o qual ele chamou de "novo gnosticismo".
"Fico incomodado quando vejo alguns jovens usando uma linguagem de conversão ao abraçarem a chamada Teologia Reformada. Alguns dizem: ‘Saí das trevas!' Outros dizem: 'Encontrei a luz!'. Ou ainda: 'Finalmente fui liberto!'": , alertou Siqueira.
Gutierres diz fez ainda outro alerta para estes que se dizem impactados ao tomarem conhecimento das doutrinas da graça ensinadas pela fé reformada.


Teólogo pentecostal Gutierres Siqueira alerta para “novo gnosticismo” provocado por alguns jovens que dizem que fé reformada ‘mudou suas vidas’. Foto: Reprodução

É bem provável que esses jovens sejam hoje apenas pessoas que sabem explicar melhor a doutrina da justificação ou a doutrina da santificação, mas a salvação, vale destacar, não é um assentimento intelectual. Muitos ignorantes da doutrina da justificação serão justificados, outros conhecedores profundos dessa mesma doutrina nunca serão. Vamos tomar cuidado com esse novo gnosticismo que diz acreditar na suficiência de Cristo, mas no fundo se acredita justificado pela informação doutrinária que detém.", finalizou.
Confira o post do reverendo Augustus Nicodemus:

Os reformados precisam se preparar para receber as centenas e centenas de irmãos pentecostais e neopentecostais que descobriram a fé reformada pela internet e estão vindo cheios de expectativa e esperança para as suas igrejas. Senão a desilusão deles será grande.


275 pessoas estão falando sobre isso


Confira o post do escritor Gutierres Siqueira:
Fonte: JM Notícia

5 comentários:

Marcelo disse...

A "polêmica" é boa porque nos faz pensar. Mas vejo nas palavras de Augustus Nicodemus preocupação com sua própria igreja. Há relatos, batistas, de pentecostais que, saindo de suas igrejas (normalmente por pecado ou desavença com o pastor) acabam "seduzindo" os membros da igreja tradicional (reformada e batista) e causando divisões. Os presbiterianos e batistas querem, mesmo, é os pentecostais em suas igrejas.

Eliseu Antonio Gomes disse...

Olá, Pastor Carlos Roberto.

Perto de minha casa, existe um templo da Igreja Presbiteriana do Brasil desde a minha infância. Talvez congreguem ali cerca de 20 famílias, o que deve somar 60 pessoas. E esta situação se arrasta por 40 e poucos anos.

Eu me pego tentando me lembrar de outro templo desta denominação. E não consigo, porque não existe. Tenho conhecimento da minha região, que é a zona oeste da Capital de São Paulo, não faço suposição sobre isso.. Mas se puxar pela memória e contar quantos templos da Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, Batistas Renovadas e neopentecostais existem, o número ultrapassa a casa numérica de três dígitos, para um raio circular de 10 quilômetros.
Não acredito que esta realidade seja diferente em outras partes da cidade, no estado paulista e em outros estados do Brasil.

Então, para mim, com todo respeito à pessoa de Augustus Nicodemus, eu entendo suas "previsões", sobre esta questão de pentecostais (arminianos) migrarem para as reformadas, como declaração impensada. Para mim, o que ele declara deve ser fruto de sonho utópico. Uma e outra pessoa trocar a Assembleia por uma Presbiteriana é coisa provável, lembrando que o inverso também acontece. Mas acreditar que a mudança poderá se transformar em um movimento de massa, me faz pensar em lhe oferecer um termômetro para descobrir se está febril e delirante.

Abraço.

E.A.G. | https://belverede.blogspot.com.br

Robson Aguiar disse...

Faço minhas as palavras de Eliseu Antônio Gomes.

Existe sim assembleano que migra para igrejas calvinistas, como vice-versa.

Para mim essa história de êxodo em massa de pentecostais para igrejas reformadas não passa de alucinações e delírios "nicodemicos" sonhando acordado com um avivamento as avessas na igreja que ele faz parte.

R.A

Anônimo disse...

Acho que esse Augustus Nicodemus esta ou é um pescador de aquário, porque não vai ganhar almas nas ruas?

Anônimo disse...

1. A acusação de "presbiteriano pescar no aquário dos outros" é até boba. Eles mal "pescam". O fato é: teologia sadia atrai cristãos sinceros.
2. A acusação de pentecostal pescar em aquàrio reformado é pífia. Onde é que um pentecostal vai convencer um reformado a virar "reteté", a expulsar demônio caseiro, a orar mais de UM minuto na hora do culto?
3. "Migração em massa de pentecostais para a igreja reformada". Cara, esse debate só tem relevância dentro de um grupo que tem acesso a livros, congressos e Internet. O crente médio não tá nem aí pra essa briga de torcida. A migração existe, mas não estou certo se é massiva; se é de pentecostais sadios ou feridos pela igreja; se estão aderindo à Reforma ou à "reformodinha".
4 Pentecostal migrando para as igrejas Reformadas: não é apenas uma nova doutrina. É uma nova cultura. É japonês mudando pra Bahia. É sair de uma liturgia aberta para uma engessada; é abandonar as viagens missionárias de curto prazo para evangelizar apenas o pai, a mãe e a tia; é ter que consultar 5 comitês antes de trocar uma lâmpada; é não bater palmas na hora do louvor; é achar que os Vencedores por Cristo são os únicos que fazem boa música cristã; é não poder decorar a igreja porque atrapalha o sermão... putzgrile...
* A não ser que, como eu, você seja pentecostal e frequente uma igreja reformada por questão de mudança de endereço ou pra manter a unidade familiar, ser pentecostal e se tornar reformado só tem um nome: suicídio cultural.
5 Quando penso nas primeiras igrejas que visitei, que eram neopentecostais, lembro do filme Hotel Transilvânia - um festival de aberrações. E, sobre minha atual igreja, reformada, alguém comentou que "se virar posto de gasolina não faz diferença". É isso que a Assembléia de Deus e a Presbiteriana vão se tornar se não estiverem dispostas a aprender uma com a outra.
6 Infelizmente, o que vemos é acusações, escárnio e desinformação entre pentecostais e presbiterianos. Essa seria uma boa hora para líderes pentecostais e reformados discutirem os pontos fortes e fracos de suas igrejas, e criarem um plano de ação. Que deveria incluir a unidade cristã como ponto principal.
7 Sabe qual é a pior parte da história? É nunca ser aceito como reformado e passar a ser malvisto entre os pentecostais.
Q.

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