quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Assembleia de Deus - 100 anos - Mantendo o equilíbrio entre identidade e contextualização


Pr. Jessé Sobral - AD Piracicaba - SP



Centenário das Assembleias de Deus - Tema defendido pelo Pr. Jessé Sobral - 3o. Secretário da COMADESPE, durante a 78a. AGO realizada em São Lourenço - MG.

Irmão Presidente, distinta Mesa Diretora,  irmãos convencionais, a paz do Senhor.

Foi me dado o desafio para discorrer sobre o item 4 do nosso Temário:  AD 100 anos – Buscando o equilíbrio entre identidade e contextualização, apontando para isto dois caminhos. O primeiro é o de manter os pilares da fé pentecostal, e o segundo, fazer uma avaliação do crescimento quantitativo e qualitativo.

Dito isto amados irmãos e versando sobre o assunto desejo elencar alguns pontos que destaco:

O primeiro e o que mais me saltou aos olhos é a palavra EQUILIBRIO, pois remete-nos a um desafio de vigilância constante e importante, a fim de evitarmos todo e qualquer tipo de fundamentalismo denominacional, radicalismo descontextualizado e extremismos descabidos, que violentam a consciência do ser,  que adoecem, ferem e até matam ovelhas do rebanho do Sumo Pastor.

Equilíbrio para manter a IDENTIDADE denominacional sem se desconectar da realidade, sem fechar os olhos para necessidades humanas de um mundo em crise e sem Cristo; sem obstruir os ouvidos para os gemidos do rebanho que quer continuar assembleiano, porem vive num mundo globalizado, no qual mudanças ocorrem a cada segundo.

É o mundo da velocidade, da competição, da comunicação, da informática, da nanotecnologia, das célula tronco, embrionárias ou não, das múltiplas possibilidades de engravidamento de mulheres, da clonagem, da inclusão social, dos diretos das minorias, da atenção a criança, aos idosos e aos portadores de necessidades especiais, da valorização da mulher, da chamada produção independente, da criação de filhos por apenas mãe ou o pai, ou até adotados por casais homossexuais. É o mundo do supérfluo, do superficial, do ter, da aparência, do fazer de conta, enfim da incoerência. Isto é apenas parte do nosso contexto; e como nós, Assembleias de Deus, comemorando o nosso centenário, responderemos a isto sem perder a nossa identidade?

Identidade que não podemos nos esquecer como bons assembleianos que foi marcada por quatro colunas que durante décadas tanto se destacou quanto em alguns casos se engessou, senão vejamos:

 1º) Usos e costumes, uma identidade visual que marcou gerações e que hoje tem sido renovado com equilíbrio em muitas das nossas igrejas. Neste quesito não há hoje nas ADs no Brasil um padrão nacional, comprovando que padrão por imposição e controle não funciona mais, e que só pelo ensino da Palavra e pela graça de Deus as pessoas se submeterão as questões que tocam a sua privacidade e a sua vida fora dos templos.

2º) Sistema de governo ou de administração, formado apenas por homens. Hoje temos atentado não só para o serviço prestado pelas abnegadas irmãs de nossas igrejas, mas, também, para o valor do trabalho feminino e muito mais para as mulheres como ser humano e ser pensante. Alem de Bispados que surgidos em nosso meio, tem marcado uma forma de governo vertical e centralizador. Aqui também há muita divergência principalmente de região para região, pois o Brasil é um país continental.

3º) Liturgia do culto. Marcada apenas pelos hinos da harpa cristã e apresentação de grupos de crianças, jovens, irmãs e corais clássicos que na mesma medida que louvavam a Deus e embelezavam um culto, obrigam o pastor a franquear oportunidade todo domingo, sob pena do mesmo arrumar uma dor de cabeça se assim não o fizessem. Hoje já temos os hinos da HC tocados por boas orquestras, big bands, conjuntos musicais de qualidade, quartetos tem se levantado, proliferam-se o numero de cantores com CDs gravados, grupos de gestos já são aceitos em muitos lugares, adolescentes já participam como adolescentes quando antes ou eram crianças ou jovens. Os hinos ganham em musicalidade quanto perdem em poesia, pois na maioria dos casos não dá pra falar em teologia.  Porem em muitos lugares houve renovação sem abandonar os hinos da harpa cristã e sem sufocar os grupos que outrora cantavam. Mas isto de varia de região, igreja, pastor etc, não há um padrão.

4º) Teologia da fé pentescostal . Aqui se destaca a luta pela manutenção dos ensinos basilares que marcam a nossa fé, e isto vemos pela revistas da EBD, que em todo o país é a mesma, ainda que não somente de uma única editora. Em regras gerais, todas advogam a manutenção do pilares da fé pentecostal. Ao menos aqui, parece que ainda buscamos manter a nossa identidade, pois hoje, fazer frente ao NEOPENTECOSTALISMO é uma questão de sobrevivência ao PENTECOSTALISMO CLASSICO, crido e praticado pelas ADs no Brasil.
Alias, senão por uma aplicação sociológica, NEOPENTECOSTALISMO não existe, pelo menos bíblica e teologicamente, pois o Espírito Santo desceu uma vez só e aqui ficou e assim será ate que Cristo venha buscar a sua Igreja.

Porem, temos que nos atentarmos para esta avalanche de inovações e aberrações teológicas, advinda da chamada TEOLOGIA DA PROSPERIDADE, que cultuam mais a criatura do que o criador, que ensinam vir ao culto para buscar as mãos de Deus e não adorar a sua face, que iludem com um TRIUNFALISMO EXARBERADO, no qual deixamos de SER MAIS QUE VENCEDORES para sermos VENCEDORES DEMAIS.

E os pontos de contatos como tal “profeta da nação” que disse na TV : “na 4ª f eu estarei distribuindo o perfume do amor de Deus, para os casais, na 6ª f o sabonete da limpeza espiritual, para limpar todo mal, no domingo darei o cálice da benção e a medalhinha comigo ninguém pode, para tirar mau olhado. Venham, porque eu garanto a sua vitoria”.

Manter os pilares da fé pentecostal, exige de nós antes da luta, reflexão, pois antes de mantermos  esses pilares é preciso entender o que é essa fé.

FÉ antes de ser pentecostal é FÉ. FÉ que antes do pentecostes nasce na cruz, nasce pelo convencimento do Espírito Santo de que somos pecadores e que apontando para cruz nós dá o caminho para a redenção em Cristo Jesus. No pentecostes, só é aquecida, revestida, para que no decorrer da historia não perca a sua força transformadora. Não se pode e não se deve dissociar, separar o calvário do pentecostes.

Não é fé na fé, não é fé nos dons, não é no batismo com o Espírito Santo, não é fé na cura, não é fé nos milagres nas evidencias, mas sim fé no Cristo redivivo que salva, cura, liberta, batiza com Espírito Santo, distribui dons e serviços, chama, capacita, envia e sustenta os seus escolhidos.

Daí os pilares da fé pentecostal ser: Jesus Cristo Salva, Cura, Batiza com Espírito Santo e Breve Voltará.

Finalizando, precisamos também avaliar o nosso crescimento, tanto quantitativo quanto qualitativo, pois os dois são importantes.

O primeiro, quantitativo, nos leva a refletir na nossa missão evangelizadora. O que temos feito quanto a evangelização do Brasil e do mundo? Olhar para fora dos templos, ver o campos brancos para ceifa a partir de onde moramos, estudamos e trabalhamos. Que métodos estamos usando? Pois se princípios não se mudam, métodos sim, são transitórios, regionais, locais, adaptados ao tempo, local e circunstancias. Que lugar a evangelização toma em nós e em nossas estruturas?

O segundo, ou seja, crescimento qualitativo, nos faz pensar no discipulado, em como estamos crescendo, a partir do que se dá este crescimento? Estamos ganhando almas pregando um evangelho genuíno e discipulando esses bebes espirituais, preparando-os para ganhar outros para Cristo, ou estamos adaptando a mensagem salvadora as necessidades fúteis dos nossos ouvintes, a fim de agradá-los e mante-los como fieis seguidores e mantenedores das despesas da igreja?

Como estamos crescendo, que princípios estamos usando. Crescendo só por transferência de membros? O meu êxito ministerial está significando a dor, a perda, a derrota de um companheiro, de outra igreja, ainda que outra denominação, estamos crescendo a partir da divisão do corpo de Cristo? Crescendo ou inchando? Vale a pena crescer a qualquer custo? Este crescimento esta significando mudança de vidas, lares restaurados, casamentos reatados, ou apenas mais um freqüentador na igreja aos domingos?

Quantidade é importante sim, mas não a qualquer custo, pois existem campos de futebol lotados, centros espíritas e de umbanda lotados, catedrais pseudocrístão lotadas, mequistas mulçumanas abarrotadas de gente, mas não podemos dizer que é de Deus.

Crescimento não deve ser avaliado apenas pelas entradas financeiras e pela freqüência nos cultos, mas, sobretudo pelo comprometimento dos membros da igreja com o projeto de Deus na terra. Só assim poderemos orar como Jesus nos ensinou: “Venha o teu reino”, pois o Deus que amou este mundo de tal maneira também disse “sede santos como Eu Sou santo” (separado, diferente, consagrando).

Parafraseando um autor que o nome me escapa agora, e, sintetizando o que penso sobre identidade e contextualização, concluo:

“Temos que valorizar a tradição sem permitir que ela mate a renovação. A tradição é como um tronco fortemente enraizado, mas há de se ter os galhos; dependentes, mas diferentes, mais frágeis, mas necessários, pois neles nascem as folhas que boa sombra nos dão e os frutos que nos alimentarão”.

No ano do centenário das ADs, que o Senhor continue nos dando da sua graça, pela qual poderemos com equilíbrio, manter o deve ser mantido, mudar o deve ser mudado, avaliar e refletir sobre as nossas motivações e praticas e crescer não só aos olhos dos homens, mas também sob a ótica dos céus.

Pr. Jessé Sobral
Piracicaba - SP
3º Secretario da COMADESPE
prjessesobral@yahoo.com.br

8 comentários:

Anônimo disse...

Texto muito bom.
Que o SENHOR JESUS nos ensine a vivermos dessa maneira equilibrada em todos os sentidos da nossa vida.

Um grande abraço Pr Carlos.

Juninho.

Anônimo disse...

Texto muito bom.
Que o SENHOR JESUS nos ensine a vivermos dessa maneira equilibrada em todos os sentidos da nossa vida.

Um grande abraço Pr Carlos.

Juninho.

Patricia Galis disse...

Parabéns a todos os irmãos da Assembleia de Deus pelo centenario.

edna disse...

Edna Maria disse...

Muito bom este TEMA.
Falou muito ao meu coração.
Mim deu uma visão ou uma lente
bifocal, olhar dos dois ânglo,
ter uma vida equilibrada, nem mais e nem menos, "JESUS" é nosso alvo.

Obrigoda Pr. Carlos Alberto.
Um grande abraço a tds ADS centenario.

Ildefonso Máximo disse...

Maravilha,Glória a DEUS!!!

Via Facebook

Isael de Arau disse...

Parabéns, pastor Jessé, pela bela reflexão sobre a nossa querida igreja.
Trabalhos como o seu, sem dúvida, são valiosos para orientar a geração sobre o que somos e o que podemos ser.
Pr. Isael de Araujo
Autor do Dicionário do Movimento Pentecostal e 100 mulheres que fizeram a história das Assembleias de Deus no Brasil

Pb Uilton disse...

A Paz do Senhor

é um grande desafio para a nossa geração de Assembleianos.


Um Abraço


Em Cristo


Pb Uilton

Anônimo disse...

Saudações no senhor!, concordo com otexto, o único problema é que muitos ministérios da AD estão engessados nos usos e costumes, só faltam ensinar que tomar banho e usar perfume é pecado.
Muitos líderes não sabem nem o que significa a palavra contextualização, por isso acho que a CGADB deveria participar mais, tornando pública seu parecer sobre isso. Mas ninguém fala nada, por isso os radicais xiitas continuam a ensinar bobagens em nosso meio.

Abraços - Pb. João Eduardo Silva - AD Min. Belém - SP.

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