sábado, 13 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Política, Pastores e "Igrejas" Evangélicas - Pr. Jessé Sobral

Pr. JESSÉ SOBRAL
AD BETÂNIA - Piracicaba-sp


ELEICÕES 2012: POLITICA, PASTORES E “IGREJAS” EVANGÉLICAS

Texto de: Pr. Jessé Sobral - ADB Piracicaba

Vi nestes últimos dias muitas pessoas do nosso meio evangélico se voltar para analisar, criticar, opinar e escrever a respeito dos últimos acontecimentos que permearam a disputa politica em nosso país, principalmente nas Capitais dos Estados e principais cidades. E tudo isto, dentro do espirito de liberdade de expressão que existe no Brasil, pois se vivemos num Estado Democrático de Direito, temos o a liberdade de dizer o que pensamos, achamos ou queremos, desde que, na forma da lei, assumamos as responsabilidades por aquilo que falamos, escrevemos e sustentamos.

Houveram críticas das mais diversas linhas de opinião, mas a maioria delas criticando a postura, as atitudes e decisões dos políticos e candidatos não evangélicos, dentre eles  ex-presidentes, governadores e prefeitos. Poucos foram os corajosos e coerentes que ousaram refletir e opinar a respeito da nossa postura enquanto Igreja, Cristão e Cidadão.

Na verdade, uma boa parte (não todas) das postagens nas redes sociais foi carregada pela inocência por parte da maioria do povo evangélico, e quando por parte de alguns lideres (não todos) ficou evidente a “Síndrome do Papagaio”, ou seja, era um copiar e colar ou compartilhar sem critério de avaliação que fazia dó. Era só olhar as postagens e comparar com o estilo de vida ou com o vocabulário verbalizado por alguns no dia a dia. Mas cada um direito estava no seu “sagrado” direito de fazer o que bem entende.

Disto isto, volto-me para minha analise daquilo que vi, ouvi, presenciei e aprendi em todo este processo, e só escrevo agora, porque terminada as eleições, ninguém pode me acusar de causar guerras, desconforto e entrar indiretamente na campanha em favor de um candidato e contra outro, principalmente porque em certa cidade, um evangélico que ainda não se decidiu se é ou não pastor se aventurou (dentro do seu direito e eu respeito) a ser candidato a prefeito.

Muito embora minha opção quanto aos candidatos a prefeito e a vereador ficou claro desde o inicio deste pleito, o fiz de forma ética, limpa e aberta, sem nunca me valer da influência por ser pastor de uma igreja e muito menos por ser Presidente do Conselho de Pastores da cidade. Fiz como cidadão e nunca constrangi nenhum membro da igreja ou lideres evangélicos por mais amigos que fossem. Fiz a minha parte sim, tive um grande apoio, mas também sofri algumas incompreensões, faz parte, ninguém é unanimidade.

Em nosso meio vi a incoerência ser “santificada e abençoada”, foi gritante e assustadora a mudança de postura e de discurso de alguns pastores e lideres evangélicos. Alguns de forma vergonha e injustificável partiram para o ataque, outros preferiram o silencio, usando lideres subalternos ou família como mão de gato para “fazer o trabalho”. Só porque de alguma maneira isto poderia lhes trazer “certos ganhos” ou auferir certos benefícios, o povo ficou em segundo ou terceiros plano, apenas a vaidade e conveniência pessoal ditaram as regras.

O DISCURSO DA CONVENIÊNCIA É O DISCURSO DA INCOERÊNCIA” (JS)

Em pleno século XXI, é triste saber de atitudes deploráveis que ocorreram em nosso meio. Já não chegasse “as honrarias” que batem a nossa porta em ano eleitoral para depois sermos esquecidos nos próximos anos, cadastros com informações de membros foram colocados à disposição de candidatos, outros candidatos de moral suspeita foram colocados “nos santos púlpitos”, sim, de onde os mesmos pastores rogam de santos homens de Deus, muita vezes levando as ovelhas a se sentirem pecadoras e condenadas nas mãos de um Deus irado.

Fiquei sabendo que alguns membros, inclusive menores de idade, foram incentivados pelos próprios lideres ou seus emissários a cometerem crime eleitoral, fazer boca de urna, sujar as ruas, em troca de um lanchinho e de um dinheirinho. Igrejas viraram currais eleitorais e o voto de cabresto religioso foi defendido com base na “autoridade” espiritual do líder. Simplesmente inadmissível, pois a “autoridade espiritual” de um líder não deve sobrepujar a “autoridade moral” do individuo, tirando-lhe o seu direito de livre escolha naquilo que é de fórum intimo, decisões próprias e que nada tenha a ver com a vida da igreja. A consciência individual e a liberdade de decisões, sem retaliações, precisam ser preservadas. “O EVANGELHO LIBERTA NÃO ESCRAVIZA”.

Não sou contra a participação politica por parte dos evangélicos, jamais, somos cidadãos e temos o direito e o dever de participar da vida politica do nosso país, inclusive com candidato evangélico ou não apoiado por nós. Porem, aqui fica um esclarecimento que ensinei ao rebanho que Deus me confiou durante estes últimos dias:

A IGREJA NÃO TEM PROJETO POLITICO, APENAS POSICIONAMENTO POLITICO”. (JS)

Ou seja, o projeto da igreja enquanto organismo espiritual, esta descrito na Bíblia, com ênfase na pregação do evangelho de Cristo e no fazer missões, e, enquanto Organização Institucional, está no preambulo do Estatuto da mesma. Em nenhum dos dois casos descreve que a igreja deva ter um projeto politico. Assim, os membros da igreja enquanto cidadãos devem se posicionar em favor do candidato que melhor atender seus anseios, levando em consideração a vida do candidato, seu projeto politico, seu preparo e competência.

Lembrei-me neste período do historiador Paul Veyne quando escreveu: A HISTORIA NÃO É DRAMA É TRAMA, só não achei que um dia isto se aplicaria dentro de algumas denominações evangélicas, tanto em minha Cidade, quanto no Estado e País, não por causa da politica limpa, coerente e participativa, mas pela politicagem espúria, suja e obscura.

Para explicar este panorama que tanto nos entristece quanto nos mostra claramente sinais da volta de Cristo, deixo duas reflexões, uma filosófica e outra bíblica. Ei-las.

No século 17 já dizia John Locke: A LOGICA DO PODER É QUERER MAIS PODER, porém hoje, o “poder se cristaliza no dinheiro”. Está dito, entenda quem quiser e como quiser.

A Bíblia diz: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. DESTES AFASTA-TE”. (2 Timóteo 3:1-5, destaque meu)

Assim, não nos esqueçamos:
POLITICA PASSA, ELEIÇÃO ACABA, UNS GANHAM OUTROS PERDEM, MAS A IGREJA DE CRISTO CONTINUA”.

Pr. Jessé Gonçalves Sobral
Teólogo, Professor de história, Presidente da Assembleia de Deus Betânia em Piracicaba, Presidente do Conselho de Pastores de Piracicaba, Terceiro Secretário da COMADESPE
E-mail: prjessesobral@yahoo.com.br
Facebook: Jessé Sobral

OBSERVAÇÃO:
A imagem abaixo é apenas para rir um pouco e mostrar também que o Capitalismo é o “melhor dos piores sistemas”, nada é perfeito. Porém aguardamos novos céus e nova terra, onde Cristo reinará com justiça e paz para todo sempre.

Amem!

Sistemas Políticos - AS DUAS VACAS

Um comentário:

Jorge Antunes, Pr. disse...

"Parabéns companheiro Pr. Jessé, corroboro com sua fala na esperança que os líderes evangélicos retomem o verdadeiro compromisso com Deus e Seu Reino e não vivam iludidos com o "reino dos homens". Política de cabresto nunca mais, e isto não é só na secular não. Quem tem ouvidos ouça!"

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