sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Integridade em Tempos de Crise - EBD/ CPAD - Lição 7 - Subsídio Teológico



A sinceridade dos íntegros os guiará, mas a perversidade dos aleivosos os destruirá” (Pv 11.3)

A integridade envolve toda a pessoa: coração, mente e vontade.              
Dn 6.1-28

O relato do capítulo 6 de Daniel é uma história que obedece a organização cronológica na cabeça do escritor, por isso, os fatos dessa história acontecem dentro do segundo império depois da Babilônia, de Nabucodonosor. Assume o reino o novo império, com dois aliados da Média e da Pérsia e passou identificado como o reino medo-persa, inicialmente, com Dario, o medo, de 522 a 486 a.C. Neste tempo, Daniel não era um jovem quando iniciou-se o governo do novo reino. Já haviam se passado, aproximadamente, 60 anos e Daniel estava com mais de 80 anos de idade e ainda gozava de prestígio e confiança no novo reino.

Porém, a história do capítulo 6 é um testemunho pessoal de Daniel. É uma história que destaca o valor da integridade moral e espiritual em meio à corrupção que dominava o coração de alguns políticos do novo reino medo-persa. Daniel era um ancião respeitado, não só pela idade avançada, mas pela história de fidelidade aos demais monarcas, desde Nabucodonosor. Desde jovem, quando fora como exilado judeu para a Babilônia até o início do novo império (medo-persa) haviam se passado uns 60 anos. Durante todo esse tempo Daniel foi leal aos reis que passaram e nunca se descuidou de sua relação com o seu Deus.

Diferente dos outros homens do palácio, Daniel era um homem que tinha a lealdade como um princípio de vida. Sabia ser fiel e leal aos seus chefes sem trair seus valores morais e espirituais. Sua integridade moral chamava a atenção e causava inveja dos outros príncipes dentro do palácio. “A vida de Daniel prova que um homem pode ser íntegro tanto na adversidade como na prosperidade”, como escreveu Hernandes Dias Lopes, em seu Comentário de Daniel. O sábio Salomão citou um provérbio que retrata a pessoa de Daniel, quando diz: “A integridade dos retos os guia; mas, aos pérfidos, a sua mesma falsidade os destrói” (Pv 11.3 —ARA).

I - DANIEL, UM HOMEM ÍNTEGRO EM UM MEIO POLÍTICO DE CORRUPÇÃO (6.1-6)

Depois da conquista medo-persa, Dario, era um tipo de vice-rei de Ciro, da Pérsia. Entretanto, foi Dario, um rei sobre o reino, especialmente, sobre os caldeus. O poder de mando era maior com Ciro, da Pérsia que era rei sobre todo o império, e vários textos bíblicos comprovam esse fato (Is 44.21—45.5; 2 Cr 36.22,23; Ed1.1-4). Independente da discussão sobre quem reinava, de fato, é o nome de Dario que aparece no início do capítulo 6.

Mais de 60 anos já se haviam passado desde que Daniel e seus companheiros foram levados para o Palácio da Babilônia. Eram jovens que, naquela época, demonstraram integridade na sua crença no Deus Vivo e não se corromperam com as ofertas palacianas. Agora, com 85 a 90 anos, aproximadamente, já era um ancião experimentado que tinha ganhado a confiança dos reis que passaram por aquele reino. Estava agora, no início do segundo Império, o medo-persa, sob o comando desses dois reis, Dario, o medo e Ciro, da Pérsia. Daniel, por alguma razão especial continuou a gozar da confiança do novo rei, especialmente, na Babilônia.

Dario reorganiza o governo e delega autoridade administrativa

“Pareceu bem a Dario” (6.1). Coube a Dario a tarefa de governar o Império Babilónico que estava em crise política desde os tempos de Belsazar. Dificuldades administrativas enormes se avolumavam e Dario, inteligentemente, colocou os negócios do império nas mãos de 120 “sátrapas”, ou seja, 120 homens especiais que cuidariam de vários assuntos do império.

Esses sátrapas eram, de fato, presidentes nomeados e delegados para dirigir os negócios do reino, e Dario os submeteu à liderança de três príncipes, entre os quais, Daniel (6.2).
Logo Daniel se destacou entre todos porque Dario percebeu que havia nele “um espirito excelente” (6.3). Daniel gozava da confiança do rei e estava apto a servir os interesses do reino com lealdade. De algum modo, os outros presidentes souberam que Dario pretendia constituí-lo com autoridade sobre todo o reino (Dn 6.3). Essa possibilidade causou ciúmes e invejas dos demais que se fizeram inimigos de Daniel.

Daniel se torna alvo de uma trama política (Dn 6.4,5).

Dario, distinguiu três desses presidentes para tratarem dos negócios do reino com autoridade sobre os demais. Daniel, um dos três presidentes, se destacou entre todos pela sabedoria, prudência, fidelidade e integridade. O rei chegou a pensar em estabelecer Daniel como líder sobre todo o reino (v. 3). Essa possibilidade encheu de inveja e ciúme os demais presidentes, os quais não queriam a Daniel com tão importante posição uma vez que isso o faria superior a todos os demais e seria o representante mais próximo do Rei Dario. Aqueles homens não tinham outros motivos para afastá-lo dessa posição de destaque. Eles não tinham do que acusar a Daniel por qualquer deslize político ou moral contra o imperador. Ele não era inimigo de nenhum deles, mas era um dos poucos que viera dos antigos oficiais e logo conquistou a confiança e o respeito de Dario, e posteriormente, de Ciro, o persa.

A integridade e a lealdade de Daniel eram tão pungentes que eles não encontravam nada de que pudessem acusá-lo. Então tramaram alguma coisa que prejudicasse as relações de Daniel com o rei e com o reino. Mas o quê? Nada relacionado com dinheiro, ou com uso indevido de propriedades do reino, ou alguma desobediência às ordens do rei, nem mesmo qualquer tipo de vício (6.4).

O perigo das confabulações políticas.

“e não se achava nele nenhum vicio ou culpa” (6.4) Quando abrimos os jornais ou constatamos na mídia televisiva a realidade das confabulações mentirosas, caluniosas envolvendo nossos políticos podemos entender como é difícil a vida política. Os políticos cristãos que exercem suas atividades nas câmaras municipais, estaduais e federais, precisam estar atentos para não negociarem a fé. Por causa da fé, são desafiados com leis injustas e que afrontam os princípios divinos. Para serem fiéis a Deus, essas pessoas tornam-se alvo de calúnias, mentiras para serem prejudicadas. No mundo político, há possibilidade de confabulações que denigrem a imagem moral daqueles que lutam por justiça e moralidade.

Daniel foi alvo dessa maldade dos seus pares dentro do palácio da Babilônia. Aqueles homens se tornaram inimigos de Daniel, sem que ele tivesse ofendido a qualquer um deles. Confabularam contra Daniel buscando alguma falha moral, material e mesmo religiosa, mas foram frustrados pela integridade dele (Dn 6.4,5). Osvaldo Litz escreveu em seu livro: “A estátua e a Pedra” que “o sucesso sempre exige um tributo. Também o sucesso conseguido através da fidelidade e do esmero. A intenção do rei de promover a Daniel para o posto de maior poder no governo suscitou a inveja dos outros presidentes. Eles seriam passados para trás e um estrangeiro teria poder sobre eles”. A integridade moral e política de Daniel para com o rei eram incontestáveis. Porém, destacava-se, também, a fidelidade de Daniel para com o seu Deus que era conhecida pelos seus inimigos.

“Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus” (6.5) A armadilha preparada para que Daniel caísse deveria ser pela sua fidelidade ao seu Deus, e não por qualquer transgressão. Nossos políticos cristãos são constantemente desafiados na sua fé para fazerem concessões e desonrarem a Deus.

Uma proposta para afetar a vida religiosa de Daniel (6.6-9)

Elaboraram uma trama contra Daniel e falsamente exploraram a vaidade do Rei apresentando uma proposta. A proposta seria um decreto real que expressava o apoio unânime dos proponentes.

Naturalmente, Daniel não sabia de nada porque agiram de forma que todos os subordinados do reino, “presidentes, prefeitos, conselheiros e governadores” concordaram com a proposta levada a Dario, o rei (6.7). A falsidade desse grupo de elite do palácio, próximos do rei, explorou a vaidade e o ego do rei para que, por 30 dias, ninguém fizesse oração a outro deus que não fosse a Dario. A ideia falsa e mentirosa era o fortalecimento do poder real do rei. Ora, a ideia agradou ao rei que desejava ser a corporificação da deidade, recebendo adoração dos seus súditos. Daniel não havia sido consultado sobre o edito e sabia que o objetivo era atingir a sua vida devocional de oração e comunhão com Deus. O rei caiu na trama daqueles inimigos de Daniel ficaram na espreita para encontrá-lo orando e, desse modo, ter de que acusar a Daniel diante do Rei. Entretanto, Daniel continuou do mesmo modo, cumprindo seus deveres políticos, bem como o seu tradicional costume de orar três vezes por dia ao seu Deus (Dn 6.10).

II - DANIEL, UM HOMEM ÍNTEGRO QUE NÃO TRANSIGE COM SUA FÉ (Dn 6.10-16)

“Daniel,... três vezes no dia se punha de joelhos, e orava” (6.10). Nenhuma trama política mudaria seu hábito devocional de oração. Daniel soube do decreto do rei, mas não mudou seus hábitos cotidianos. De manhã, abria as janelas do seu quarto, voltadas para Jerusalém, e orava a Deus e pedia pela restauração do seu povo à sua terra. Daniel desde jovem entendeu que sua vida dependia da sua relação com Deus. A oração era o canal inteligente e racional pela qual ele seria guiado em suas decisões pessoais e políticas. A trama política visava neutralizar a voz de oração de Daniel. Em nossos dias, nossos políticos cristãos, comprometidos com o Senhor são desafiados a transigirem do conhecimento da Palavra de Deus para apoiarem decisões contraditórias que ferem frontalmente os princípios morais, éticos e religiosos da fé recebida em Cristo Jesus. Tão logo Daniel soube do edito real não mudou seu hábito de orar a Deus três vezes por dia. Ele não transigiria com sua fé, mesmo que lhe custasse a vida.

Três vezes por dia faz a sua oração” (6.11). Era tudo o que seus inimigos queriam: encontrar um modo para acusar Daniel diante do rei e roubar-lhe o lugar e a posição de destaque que Daniel tinha para com o Rei. Teria que ser algo que atingisse o rei. Com ousadia, Daniel, mesmo sabendo do decreto do rei, não alterou seus hábitos. Continuou a abrir as janelas do seu quarto de dormir e, três vezes por dia, orava e dava graças a Deus. Não mudou sua postura de oração ao orar de joelhos. Daniel não escondeu nenhum dos seus hábitos.

(6.12-14) Nestes versículos está escrito que aqueles homens acharam Daniel orando a Deus. Imediatamente, se apresentaram diante do Rei e fizeram a acusação contra o homem de maior confiança de Dario e exigiram que o decreto fosse cumprido e Daniel sofresse a pena na cova dos leões.

(6.14) O Rei se entristeceu por causa de Daniel e descobriu que ele fora alvo da trama dos outros príncipes. Daniel era seu conselheiro fiel, e perde-lo seria uma tragédia para o seu reino. Esforçou-se ao máximo para não cumprir o decreto e livrar Daniel da cova dos leões, mas foi pressionado por aqueles homens e teve que cumprir a pena.


III - DANIEL, UM HOMEM ÍNTEGRO MESMO QUANDO LANÇADO NO FOSSO DOS LEÕES (Dn 6.16,17)


Daniel preferia ser sacrificado do que transigir com sua integridade

Daniel não discutiu, nem questionou sua condenação com o rei. Sua convicção era de que o seu Deus o livraria se assim o quisesse. Ele não deixou de orar e de manter seu hábito devocional. Daniel foi denunciado, preso e lançado na cova dos leões. Sua integridade não o livrou da maldade e da inveja dos seus inimigos do palácio. Ele, entretanto, preferiu não confrontar seus inimigos gratuitos, porque suas orações o sustentavam em quaisquer situações. Ter o coração íntegro tinha linha direta com Deus, dando- lhe paz interior para enfrentar aquela situação. Como crentes em Cristo estaríamos dispostos a sacrificar nossa vida e até morrer pelo nome de Jesus? O próprio Jesus declarou que no final dos tempos os verdadeiros discípulos seriam odiados, atormentados e levados à morte. Teríamos novos “daniéis” em nossos tempos modernos?

A confiança do Rei no Deus de Daniel.

“O rei disse a Daniel: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará” (6.16-18). Certamente o rei já havia ouvido falar das proezas do Deus de Daniel nos anos em que Daniel esteve naquele palácio. O testemunho da grandeza do Deus de Daniel era uma realidade que aquele palácio não podia deixar de reconhecer. Mais uma vez Deus interfere numa situação que parecia impossível. Daniel era um ancião com mais de 85 anos de idade e seus inimigos não tiveram complacência. Pelo contrário, seus corações eram rancorosos e tudo o que queriam era livrar-se do velho Daniel. O Rei não conseguiu dormir, nem comer. Seu coração estava partido de tristeza. Restou-lhe um pouquinho de esperança de que o Deus de Daniel o salvaria de ser estraçalhado pelos leões naquela cova.

Nenhuma ameaça afetaria sua integridade (6.19-22). A proposta de uma lei escondia nas entrelinhas a maldade daqueles homens. A lei tinha que ser cumprida e o rei não poderia voltar atrás depois de assinada (v. 17). Dario, o rei, percebeu que havia caído na mesma armadilha que prepararam para Daniel. Viu-se forçado a cometer uma injustiça em nome do sistema da lei e da ordem. Percebeu que, os pretensos defensores da lei, ao seu redor, armaram uma situação para se cometer a pior injustiça contra um homem íntegro. Por isso, ele se empenhou até ao pôr do sol para evitar aquela injustiça contra Daniel.
Daniel nos deixou o exemplo de que é possível permanecer íntegro mesmo quando somos ameaçados e vítimas de conspiração contra nós. Foi o que aconteceu com Daniel. Seus pares no reino de Dario conspiraram contra ele buscando ocasião para acusá-lo diante do rei.

Integridade é uma palavra que significa “inteireza, ser completo, ser inteiro”. Aprendemos que uma pessoa íntegra não é dividida, não age com duplicidade, não finge, não faz de conta. As pessoas íntegras não escondem nada porque são transparentes em seus comportamentos. Daniel nunca escondeu que orava a Deus e não faria isso escondido dos olhos dos outros. Sua fé em Deus jamais seria negada ou transigida por qualquer pressão política. Os inimigos de Daniel orquestraram uma situação de injustiça em que, Daniel não poderia escapar, nem o rei retroceder.

“E chegando-se à cova, chamou por Daniel “ (6.20,21). O rei estava triste mas guardava a esperança de que o Deus de Daniel era poderoso para livrá-lo. Daniel ouviu a voz do rei e gritou de dentro da cova: “O rei, vive para sempre”, indicando que estava vivo porque o anjo do Senhor o livrou.

Daniel foi protegido da morte pelo anjo de Deus (6.22,23). Os leões podiam estraçalhar seu corpo e deixar exposto apenas o seu esqueleto. Ele não podia fechar a boca dos leões, mas estava certo de que Deus o faria pelo seu anjo. Sem trair sua fé e sua integridade, Daniel não escapou da cova dos leões, mas o anjo de Deus entrou com ele naquela cova e fechou a boca dos leões.

A firmeza da fé de Daniel estava acima de qualquer trama diabólica, por isso, Deus enviou o seu anjo que fechou a boca dos leões que não puderam devorá-lo. Sua comunhão com Deus era algo vital e inalterável na relação entre ambos. A Bíblia declara que “o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (SI 34.7). Dario, o rei estava triste, mas sabia que um milagre poderia acontecer porque o Deus de Daniel era Poderoso e poderia livrá-lo, por isso, foi à boca da cova (fosso) para constatar a possibilidade do milagre, sendo surpreendido pela sua realização.

(6.24,25) A maldição dos inimigos de Daniel caiu sobre a cabeça deles. Todos aqueles homens foram lançados na cova dos leões e estraçalhados, e não escapou nem mesmo suas famílias.


CONCLUSÃO


O Rei Dario honrou ao Deus de Daniel e os seus inimigos tiveram que enfrentar a mesma sentença que tramaram contra Daniel. Foram lançados na cova e estraçalhados pelos leões. Dario tornou público um novo edito “a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra” (Dn 6.25) que se reconhecesse como o Deus verdadeiro o Deus de Daniel. Esse foi o fruto da sua integridade em todas as situações.

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