terça-feira, 17 de março de 2015

Evangélicos se dividem entre protestos



O país vive um alvoroço político que invadiu as ruas no último dia 13 e também neste domingo, dia 15. O primeiro mobilizou gente em 23 capitais e levantou bandeiras como: Petrobrás, manutenção do mandato da presidente Dilma e defesa de direitos trabalhistas. O segundo, ocorrido ontem em todos os Estados do país, defendeu o fim da corrupção e o impeachment de Dilma, entre outros assuntos. 


Ao contrário do que poderia ocorrer no passado, muitos evangélicos se envolveram diretamente no que ocorreu nestes últimos dias. Muitos foram às ruas ou declararam suas opiniões. Se o assunto ainda não tem cadeira cativa nos espaços das igrejas locais, não podemos dizer o mesmo nos ambientes das redes sociais. O debate tem sido intenso – para o bem ou para o mal. A julgar pelas “timelines” do Facebook e frases no Twitter, os evangélicos têm lado. Mas não se engane; não há consenso. É fácil achar frases duras contra o Governo e contra o PT, mas também não é difícil encontrar evangélicos defendendo o mesmo Governo.

Um grupo espontâneo de líderes cristãos pronunciou-se na carta Um Apelo Evangélico: O caminho é mais oração, mais democracia e mais ética. O texto chama este momento de “crise e polarização política”, defende a democracia e convoca outros a orarem pelo país e a “promover justiça e paz”. Até ontem, dia 15, quase 400 pessoas haviam assinado a carta, que diz ainda:

“O nosso apelo consiste na negação tanto do ódio a quem quer que seja como na cumplicidade com qualquer tipo de erro, como sentimentos e atitudes que aniquilam o testemunho cristão e comprometem a cidadania. E, neste momento, entendemos que o caminho é mais democracia, mais transparência, mais ética e... mais oração”.

No mesmo tom pastoral, a Aliança Evangélica Brasileira publicou ontem, dia 15, um texto que convoca os evangélicos a orarem pelo país:

“O convite que a Aliança Cristã Evangélica Brasileira faz à Igreja evangélica neste momento é para a oração, não como uma forma de escapismo e nem que nela se esgote a sua atuação ante à realidade. Mas, tão somente, comecemos pela oração a nossa ação como povo de Deus!”

O pastor Antonio Carlos Costa, fundador da ONG Rio da Paz, defendeu a manutenção da presidente Dilma no cargo, "por não ser, até agora, constitucional tirá-la". No entanto, a ONG quer que a governante apresente “metas, prazos e prestação de contas”.

Já outros evangélicos defendem uma postura mais dura contra o Governo. Com hashtags como #VemPraRua, muitos evangélicos postaram fotos de suas participações em passeatas de ontem.

No dia 12, a Rede Cristã pela Justiça Pública, proponente do movimento ‪#‎IgrejaNaRua‬, publicou uma carta na internet informando “que não apoiará de forma oficial as manifestações previstas para o próximo dia 15 de março de 2015 pelo 'impeachment' da presidente Dilma Roussef”. No entanto, pondera que reconhece “a importância desta manifestação no sentido de pressionar o poder público reivindicando alguns pontos que consideramos de extrema importância para a atual conjuntura política, dentre eles:

1) o uso responsável do dinheiro público;
2) o fim da impunidade e tolerância zero à prática da corrupção;
3) o fim do aparelhamento político das instituições e empresas públicas;
4) a moralização e a reforma da democracia representativa e partidária;
5) atenção diplomática em relação à perseguição global contra cristãos;
6) o direito de vozes religiosas emitirem sua opinião sobre questões públicas, apesar da legítima laicidade do Estado”.

Outros segmentos evangélicos foram mais diretos. No fim de fevereiro, o polêmico pastor Silas Malafaia publicou uma mensagem em sua conta no Twitter, convocando os evangélicos a irem para as ruas no dia 15, com a bandeira “Fora, Dilma”.

Para o deputado estadual e médico evangélico Carlos Bezerra Jr., “as manifestações de ontem obrigam à reflexão quem teve a soberba de querer decidir que tipo de indignação é correta. Democracia não é assim”.

O mosaico de opiniões dos evangélicos é uma prova de que política não algo simples. Mas também mostra que definitivamente este assunto – e a situação do Brasil - não está mais tão distante das igrejas evangélicas brasileiras. Se não está nos púlpitos oficiais, certamente está nas plataformas que os próprios evangélicos escolheram para manifestarem-se.

Corrigido e atualizado em 16/03/2015, às 15h17.

Fonte: Ultimatoonline

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