segunda-feira, 16 de março de 2015

Não Cobiçarás - Lições Bíblicas EBD/ CPAD - Lição 12 - Subsídio Teológico


NÃO COBIÇARAS por Prof. Adaylton de Almeida Conceição


Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” Êxodo 20:17.

O Decálogo conclui com um mandamento que proíbe o desejo ilícito, a cobiça sem sugestão alguma de ato, pois diz respeito primariamente à motivação, e não à ação concreta. A cobiça é um mal devastador muito comum ainda hoje em nossa cultura ocidental materialista. 

Trata-se de uma atitude de natureza interna que pode expressar-se em ato real. Toda ação boa ou ruim começa no pensamento. Os outros mandamentos proíbem atos; aqui, a proibição diz respeito ao desejo, não ao desejo em si, mas ao desejo daquilo que pertence a outro. Não é pecado desejar bens e conforto, as coisas boas de que necessitamos na vida.

O décimo mandamento aborda a responsabilidade do israelita sobre o pecado do pensamento. É um recurso divino que Deus proveu para habilitar o israelita a obedecer os mandamentos anteriores. A cobiça é um dos piores pecados, o pecado que não se vê. Essa é a sua característica distintiva em relação aos outros, pois não é possível ser conhecido. Isso mostra que o Legislador divino é onisciente, pois ele conhece o mais íntimo do coração humano, nossos desejos e intenções (1 Rs 8.39; 1 Cr 28.9; Jr 17.10; At 1.24). Deus se interessa não só pelos corretos atos concretos, não apenas pelo cerimonialismo na adoração, mas principalmente pela pureza de um coração sincero. Isso mostra o lado espiritual do Decálogo; nem tudo é apenas jurídico. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao outro.

Quando olhamos para o 10º Mandamento, a primeira característica que podemos notar é que este mandamento representa uma ação e origem no coração ou na mente do ser humano. Em todos os outros mandamentos encontra-se algum tipo de atividade física ou verbal. Este mandamento no entanto é diferente! Embora não haja evidência física ou verbal, como há na mentira, no roubo, adultério, homicídio, desobediência aos pais, uso do nome de Deus em vão, confecção de imagens de escultura, violação do descanso ou no uso de falsos deuses. Na cobiça porém, há muito pouca ou mesmo nenhuma evidência física ou verbal por parte do cobiçante, como resultado disso, este é um pecado que raramente as pessoas confessam a Deus. Na verdade, se fossemos realmente honestos, teríamos que admitir que alguma vez na vida já tivemos um desejo avarento e cobiçoso.

O QUE É A "COBIÇA"?

O que é cobiça? É o desejo sôfrego, veemente, de possuir a qualquer custo bens materiais. É a avidez, a ambição desmedida de ter a qualquer custo qualquer coisa. É um desejo descontrolado de ter.

O desejo de possuir não é mau, pois quem coloca o querer em nossa vida é Deus, quem coloca o desejo de crescer em nossa vida é Deus. Não estou falando de um desejo equilibrado, bíblico, espiritual, verdadeiro, que Deus coloca, mas sim, do desejo sôfrego, ávido, descontrolado.

Existem cinco efeitos quando a pessoa não tem controle, e cobiça.

1) A fadiga, o cansaço e o estresse.

Há pessoas que, no desejo sôfrego de ter, cansam-se, destroem-se. Eclesiastes 5:12 “Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir". As pessoas, às vezes, têm o suficiente para viver, mas elas querem mais, mais e mais. Tudo bem, quando é Deus a colocar o objetivo, quando é Deus a colocar o sonho, o desejo. Está certo! Mas quando é um desejo sôfrego e desenfreado, é negativo.

2) Dívidas.

Muitas vezes, nessa cobiça, a pessoa fica totalmente quebrada por causa de dívidas. Eclesiastes 5:11 “Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os verem com seus olhos?” Ou seja, quanto mais a pessoa tem, mais despesas ela adquire.

3) Grandes preocupações.

Em Eclesiastes 5:14 ensina: “E, se tais riquezas se perdem por qualquer má aventura, ao filho que gerou nada lhe fica na mão.” Quantas vezes a pessoa ganha e perde tudo? Perde, porque não tem a benção de Deus.

4) Conflitos.

Tiago 4:1 “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” Existem estatísticas que mostram que mais de 75% dos divórcios no nosso país são em função do dinheiro. Quando vem uma crise financeira, a primeira coisa que dizem é: “Vou me divorciar!” Como se o casamento não valesse nada, como se os valores morais de Deus, numa união, não valessem nada.

5) Insatisfação de vida.

O cobiçoso não se satisfaz. Eclesiastes 5:10 “Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade.” O indivíduo tem dez, mas quer ter mil. Tem mil, mas quer ter cinco mil. 


OS  MALES ARRASTADOS PELA COBIÇA- Êxodo 20.17

  1. A cobiça está por trás dos nove mandamentos anteriores.
  2. A cobiça leva uma pessoa ter deuses além de Deus, mas deuses que possam lhe dar coisas.
  3. A cobiça leva uma pessoa a fazer ídolos, sobre quem possam exercer o seu poder.
  4. A cobiça leva uma pessoa a vender sua alma ao diabo, em lugar de levar a sério o nome de Deus.
  5. A cobiça leva uma pessoa a trabalhar sete dias na semana e não apenas seis.
  6. A cobiça leva uma pessoa a desonrar seus pais, se estes atrapalharem seus planos ambiciosos.
  7. A cobiça leva uma pessoa a matar outra, se sentir alguma ameaça.
  8. A cobiça leva uma pessoa a adulterar, manchando seu leito e o de outra família.
  9. A cobiça leva uma pessoa a tirar do outro o que não lhe pertence.
  10. A cobiça leva uma pessoa a prejudicar outra, com falso testemunho, para benefício próprio.

EXEGESE DO DÉCIMO MANDAMENTO  


O verbo hebraico hãmad, "desejar, ter prazer em, cobiçar, ter concupiscência de", aparece 14 vezes no Antigo Testamento. O termo em si é neutro e se aplica também a coisas boas (SI 19.10 [11]; 68.16 [17]). Essa palavra é repetida no décimo mandamento no texto de Êxodo 20.17 e uma só vez no registro do Decálogo, em Deuteronômio 5.21: "E não cobiçarás a mulher do teu próximo". Na segunda cláusula, "e não desejarás a casa do teu próximo", aparece outro verbo ’ãwãh,' "desejar ardentemente, ansiar, cobiçar, anelar". Ambos os verbos aparecem como sinônimos no relato da tentação do Éden: "agradável aos olhos... e desejável para dar entendimento" (Gn 3.6). A (Septuaginta traduz pelo verbo epithyméõ, literalmente “fixar desejo sobre”, da preposição epí,) "sobre", e do substantivo thymós, "paixão, ira, furor". 

Esse verbo grego aparece no Novo Testamento para se referir ao décimo mandamento (Rm 7.7; 13.9) e também para expressar desejo por tudo o que é proibido (Mt 5.28; 1 Co 10.6). O substantivo derivado dele, epithymia, é usado para "concupiscência" em 1 João 2.16: "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo". Concupiscência é desejo desordenado; trata- -se do "forte e continuado desejo de fazer ou de ter o que Deus não quer que façamos ou tenhamos" (KASCHEL & ZIMMER, 2006, p. 45). Mas todos esses termos, hebraicos e gregos, são neutros, podendo se referir a coisas boas ou a coisas más, dependendo do contexto (Mt5.28; 13.17). 

O formato textual do décimo mandamento de Êxodo 20.17 é diferente do registro de Deuteronômio 5.21, mas não divergente: 

"Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17). 

"E não cobiçarás a mulher do teu próximo; e não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Dt 5.21).

Em 1937 o escritor e filólogo britânico J. R. R. Tolkien escreveu um livro fantástico chamado “The Lord of the Rings”, ou “O Senhor dos Anéis”. O livro virou filme, e ganhou muitos prêmios. Todo o enredo daquela história gira em torno de um anel poderoso, e da cobiça de todos que querem esse anel. Penso que a história de Tolkien revela na verdade, o que todos os homens são em essência - cobiçosos! 

Somos pessoas ambiciosas. Vivemos numa sociedade que estimula essa nossa ambição natural e, freqüentemente, nos diz: “que somos o que temos”, ou que “valemos o que temos”, daí a nossa busca desenfreada por status e poder. Por exemplo, o que fazemos quando compramos um carro novo? Geralmente vamos mostrá-lo a alguém, como se não houvesse graça consegui-lo se não existir alguém para cobiçá-lo.

O que faz uma pessoa enfrentar uma longa fila numa casa lotérica para apostar na mega sena? Ou, o que faz alguém apostar tudo quanto possui (não se importando com o futuro da sua família), o que essa pessoa tem em vista? Até mesmo no âmbito religioso, o que faz alguém doar todo o seu dinheiro em uma igreja que promete que o sujeito que faz assim ganhará o dobro?

AS ESCRITURAS E A COBIÇA

Vejamos o que as escrituras ensinam de modo geral sobre esse assunto:

a) A seriedade da cobiça se vê no fato de que foi a causa da queda (Gn 3:6).

E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela”.

b) É a cobiça que gera o desprezo pela virtude (Sl 37:1,7) e o pecado (Tg 1:14,15).

Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. Descansa no SENHOR, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos”. “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria cobiça. Depois, havendo a cobiça concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte."

c) A cobiça gera a quebra dos demais mandamentos (I Tm 6:10).

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

d) A cobiça revela quem é o seu verdadeiro “deus” (Mt 19:21,22).

Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades”.

O ESPIRITO SANTO, O CRISTÃO E A COBIÇA

O que o Espírito Santo está dizendo? Que nós, evangélicos, devemos ter respeito com o que é dos outros. Isso se aplica a atos, a sentimentos e a intenções do coração. Deus proíbe desejar, erradamente. E queria dizer que, às vezes, as pessoas têm atitudes emocionais e mentais e se esquecem do que a Bíblia fala sobre a cobiça. Mateus 5:27 e 28: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher (e peço permissão ao Espírito Santo: ou a um homem) com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”

Grande parte dos problemas que acabam em divórcio, além da questão financeira, é a questão do descumprimento das regras de vida bíblica, quanto à vida conjugal.

Precisamos entender que Deus tem razão quando disse: “Qualquer um que olhar para uma mulher ou para um homem com intenções impuras, já adulterou.” Quem adultera tem grandes responsabilidades diante de Deus. A pessoa que tem a ousadia de quebrar uma relação de casamento no Senhor, não tem nenhuma justificativa para fazer isso. Nenhuma!

Como fazemos para não cobiçar? Vejamos o que Paulo diz em 2ª Coríntios 10:5: “e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.

Nada do que pertença a outra pessoa pode ser desejado. Nada! Atos 20:33 “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes;”. Lê 1ª Timóteo 6:9.

Quantas pessoas afogadas em ruína e perdição porque querem ficar ricas. Não é só ficar rico, é querer a mulher do próximo, o marido da próxima, o carro do próximo, a casa do próximo.

Qual o antídoto? Qual o contrário da cobiça?

Devemos aprender a viver felizes, conforme diz a Bíblia Sagrada. Filipenses 4:11 a 13 “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.”

O que Paulo diz no versículo 11? “Eu aprendi a viver contente.” Isso significa o quê? Viver feliz é algo que se aprende. Não é natural, não é automático, é um processo de educação. E onde está essa educação? Na obra de Deus. É na prática da Palavra de Deus que se aprende.

Cobiça! Um poço sem fundo...

Quando uma pessoa se entrega à cobiça, e é possuído pelo calor avarento, nunca estará satisfeito com o que tem, haverá sempre um poderoso impulso para sempre querer mais. É interessante notar que segundo alguns dicionários a palavra cobiçar significa: O desejo imoderado e inconfessável de possuir 'o que, geralmente, não se merece'. (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).

A COBIÇA E AS TRAGÉDIAS HUMANA

O décimo mandamento se refere a três objetos de desejo que estão na raiz da tragédia humana: dinheiro, sexo e poder.

Desejar a casa do próximo trata da subserviência ao desejo de ter dinheiro como valor maior de uma vida.

Desejar a mulher do próximo trata da subserviência  ao desejo do sexo fora do casamento como o prazer máximo.

Desejar os servos do próximo se aproxima da subserviência de exercer o poder como forma de dominação sobre o outro.

Dinheiro, sexo e poder são três dimensões da realidade humana. Não são em si condenáveis.

DINHEIRO - Desejar ter dinheiro, para satisfazer as necessidades satisfazíveis com o dinheiro, não é condenável. O condenável é o apego ao dinheiro como valor máximo de uma vida. "Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1Timóteo 6.9-10).

O amor ao dinheiro se torna uma idolatria. Como disse Jesus: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mateus 6.24). O dinheiro é algo do qual nos servimos e não é feito para servirmos a ele. Para nada adianta ganharmos o mundo inteiro e perdermos a nossa alma (Mateus 16.26).

O apego ao dinheiro derruba toda a ética, como o demonstra o comportamento de Ananias e Safira (Atos 5). [O caso Gugu x entrevista forjada].

SEXO - Desejar realizar-se sexualmente no amor pleno não é condenável. O condenável é o sexo fora do casamento, obtido pela sedução, pela mentira, pelo engano, na irresponsabilidade. Todos nós somos seres sexuais, fomos feitos para o prazer sexual. Quando, no entanto, o prazer sexual se torna um valor maior para nós, acabamos subordinando nossas vidas à realização deste desejo. Ficamos então cegos e não sossegamos até consumá-lo.

O caso de Davi o demonstra. Ali temos a anatomia do pecado sexual. Ele desejou muito ter uma relação sexual com Bate-Seba. Não contendo seu desejo, nascido do olhar, tramou para tê-la. Enfrentou perigos para tê-la. Pôs sua vida e seu reino em perigo para tê-la. Mentiu para tê-la. Matou para tê-la.

PODER - Toda a sociedade precisa de um líder, precisa de alguém que a comande. O exercício do poder em si não é pecado. Se visto como um serviço ao próximo, não é pecado. 

Quando exercido apenas para o bem próprio, torna-se uma deformação, com prejuízo para o indivíduo e para a sociedade. 

O desejo de poder está na gênese da experiência humana. A cobiça foi o primeiro dos pecados. Adão e Eva cobiçaram o poder de saber tanto quanto o próprio Deus.

O poder é uma tentação. Quando tentou Jesus no deserto, o diabo tentou despertar n'Ele precisamente a cobiça. 

OS FATOS BÍBLICOS 

Os relatos bíblicos estão repletos de cobiças destruidoras, a começar pelo primeiro casal. "E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela" (Gn 3.6). Aqui se expressa exatamente o que afirma o Novo Testamento: "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida" (1 Jo 2.16). 

Os irmãos de José desejavam a posição dele no coração de seu pai, Jacó (Gn 37.4). A cobiça causou a ruína de Acã: "Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata e, uma cunha de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, debaixo dela" Os 7.21). O verbo "cobiçar" aqui é hãmad, o mesmo usado no Decálogo (Êx 20.17; Dt 5.21). Acã cobiçou e se apropriou dos despojos de Jericó, objetos que não lhes pertencia (Js 6.19).

O rei Acabe cobiçou vinha de Nabote e isso resultou num escândalo nacional que levou à ruína a casa real (1 Rs 21.1-16). Ele e sua esposa, Jezabel, violaram o sexto mandamento: "Não matarás"; o oitavo: "Não furtarás"; o nono: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo"; e o décimo: "Não cobiçarás". Dois outros casos de cobiça aconteceram na casa de Davi: seu filho Amnom violentou a própria irmã, Tamar, movido pela lascívia (2 Sm 13.15), e Absalão desejou ocupar o trono de seu pai enquanto Davi ainda era vivo e reinava em Israel (2 Sm 15.16). 

No Novo Testamento, encontramos Ananias e Safira, que desejavam prestígio na Igreja, mas tentaram consegui-lo de maneira pecaminosa (At 5.1-11). Simão Mago, de Samaria, tentou comprar os dons de Deus com dinheiro, pois almejava poderes sobrenaturais para ostentação pessoal (At 8.18). Diótrefes, personagem desconhecida, cuja única menção no Novo Testamento é desabonadora, já que ele procurava ter o primado na Igreja (3 Jo 9).

O DÉCIMO MANDAMENTO NO NOVO TESTAMENTO 

O mandamento "Não cobiçarás..." se distingue dos outros nove por se tratar da motivação, e não do ato. Assim, é possível violar esse preceito sem que haja comprovação concreta. É o décimo mandamento que golpeia a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. O Senhor Jesus disse que é do mais íntimo do ser humano que procede todo o tipo de pecado: "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" (Mc 7.21 -23). A lista de Mateus é mais curta (Mt 15.19). 

Essas palavras mostram a dura realidade: o que o ser humano realmente é, isso afeta o que ele diz (Mt 12.34, 35). Toda ação humana começa no seu coração (Tg 1.14, 15).

O décimo mandamento era o recurso divino para o israelita se proteger de não violar nenhum dos mandamentos do Decálogo. Mas, na graça, somos guiados pelo Espírito Santo, o qual controla os nossos desejos. Assim, o preceito aqui em foco foi adaptado pela graça. 

Cabe a cada um vigiar e orar para não entrar pelo caminho da cobiça. Jesus disse: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12.15). A avareza é o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, é o desejo de adquirir e acumular riquezas. Desse modo, os bens materiais se transformam em deus para os tais avarentos. A Bíblia afirma que a avareza é idolatria: "Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria" (Cl 3.5).

A avareza e a cobiça caminham juntas. Ambas são impróprias para quem busca o reino de Deus (1 Tm 6.9, 10). Essas coisas são próprias para quem teme o futuro, desconfia de Deus e da sua providência. Não somente a avareza, mas também a inveja, pertence a esse grupo de pecados. A inveja é o "sentimento de pesar pelo bem e pela felicidade de outra pessoa, junto com o desejo de ter isso para si" (KASCHEL & ZIMMER, 2006, p. 90). Todas essas coisas envolvem a cobiça, e a Palavra de Deus afirma com todas as letras que a cobiça é pecado. 

Devemos suplicar a Jesus Cristo para que Ele nos assista nas nossas fraquezas, nos dando entendimento da Lei de Deus, para que possamos amá-la e praticá-la com prazer e temor; com o auxílio do Espírito Santo é que conseguiremos evitar que a cobiça prevaleça em nós! 


Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)
Facebook: Adayl Manancial


O Revdº. Dr. Adaylton de A. Conceição, é Bacharel, Licenciado, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário)

BIBLIOGRAFIA
  • Comentarista do trimestre: Rev. Dr. Esequias Soares
  • José Carlos Costa – Não Cobiçarás
  • Padre Léo - Não cobiçar as coisas alheias.

2 comentários:

Fatima Gomes disse...

Muito bom os comentários, todos pertinentes, e com base bíblica, realmente uma meditação edificante.
vou dar aula e foi ótimo subsídio.

Fatima Gomes disse...

Muito bons os comentários, todos pertinentes, e com base bíblica, realmente uma meditação edificante.
vou dar aula e foi ótimo subsídio.

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