domingo, 27 de setembro de 2015

GÊNESIS, O LIVRO DA CRIAÇÃO DIVINA - EBD/ CPAD - Lição 01 - 4o. Trim/2015 - Subsídio Teológico


GÊNESIS - O PRIMEIRO LIVRO DA BÍBLIA por Prof. Adaylton de Almeida conceição


Gênesis é o primeiro livro da Bíblia, o qual narra tanto o princípio do mundo e da humanidade quanto a pré-história de Israel. Gênesis é, de fato, o livro de “começos” que prepara o terreno para toda a história entre Deus e sua criação que segue.

É o livro de Princípios. "No princípio", 1:1. É isto que a palavra Gênesis significa; Princípios. Neste livro tem o princípio de: Universo, Matéria, Animais, Plantas, Homem, Tempo, Pecado, Sofrimento e Tristeza, Casamento, Família, Governo, Línguas, Trabalho, Religião Divina e Falsa, Nações, Roupa, Dízimo, Sábado, Música, Guerra, Nascimento, Assassino e Promessa Messiânica.

Gênesis é por excelência o livro da introdução maravilhosa a toda a Bíblia. Trata do começo de todas as coisas: dos céus e da terra, das plantas e dos animais e do gênero humano e de todas as instituições e relações humanas. É tipicamente a “sementeira” de toda a Bíblia, pois nele encontra-se o “embrião” de todas as doutrinas referentes a Deus, ao homem, ao pecado e à salvação.

Título do Livro

O título “Gênesis”, que significa literalmente “começo” e vem da palavra grega “γενέσις”. Esse título foi dado ao livro pela tradução grega do Velho Testamento, chamada Septuaginta. O título hebraico para esse livro é retirado das primeiras palavras do livro: “berēshith” e significa “no princípio”. Esse título é certamente apropriado, pois além de demonstrar o princípio do universo, do homem e do povo de Deus, Gênesis também “prepara o terreno para a plena compreensão da fé bíblica".

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ  - Eretz ha ve-et Hashamaim et Elohim Bará Bereshit - “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Gênesis 1:1)

Se quisermos entender verdadeiramente a revelação de Deus, temos de iniciar nosso estudo no primeiro livro da Bíblia. É essencial compreender o conteúdo e a mensagem deste livro para estudar o restante da Bíblia. Ele não é um livro de ciências, embora os cientistas estejam corretos em investigar suas afirmações. Não é uma obra de biografias, apesar de aprendermos muito com a vida dos homens e mulheres descritos em suas páginas. Não é um compêndio de história, embora siga o caminho da história. É um livro de teologia, apesar de não ser organizado sistematicamente.

O Autor do Livro

Não resta dúvida quanto a quem escreveu Gênesis. “O livro da lei de Moisés” e referências similares aos cinco primeiros livros da Bíblia, dos quais Gênesis é um, são encontra-das muitas vezes a partir dos dias de Josué, sucessor de Moisés. De fato, há cerca de 200 referências a Moisés em 27 dos livros posteriores da Bíblia. Nunca os judeus contestaram que Moisés fosse o escritor. As Escrituras Gregas Cristãs mencionam freqüentemente Moisés como sendo o escritor da “lei”, sendo o testemunho culminante o de Jesus Cristo. Moisés escreveu sob ordem direta de Deus e sob Sua inspiração. Êxo. 17:14; 34:27; Jos. 8:31; Dan. 9:13; Luc. 24:27, 44. 

Evidências para isso tem-se encontrado:


No Novo Testamento normalmente atribui Gênesis a Moisés: indicação desse fato é que em Jo.7.23 Jesus afirma que a circuncisão, que é apresentada em Gn.17.12, faz parte da Lei de Moisés. Mais comum ainda no NT é a declaração do Pentateuco como livro de Moisés
Citações no Novo Testamento: Mt.8.5; 19.19.4-8; Mc.1.44; 7.10; 12.19, 26; Lc.2.22; 5,14; 20.37; Jo.1.17, 45; 7.19, 22-24; 8.5; Atos: At.3.22; 7.44; 13.39; 15.5; 28.23; Rm.10.5; 10.19; 1Co.9.9; Hb.9.19; 10.28.

Quando foi escrito

O livro de Gênesis não afirma quando foi escrito. A data de sua autoria é provavelmente entre 1440 e 1500 AC, entre o tempo quando Moisés conduziu os israelitas para fora do Egito e a sua morte.

Propósito 

Foi escrito como base para toda a Bíblia. Tirando O livro de Gênesis da Bíblia, esta fica como um edifício sem alicerces, toda a revelação ruiria. Tem sido chamado o “Viveiro” das gerações da Bíblia pelo fato de nele se encontrarem todos os começos das grandes doutrinas referentes a Deus, ao homem, ao pecado e a salvação. (Gênesis 3:15).  O livro relata como se tornou necessária a redenção, devido o homem ter pecado e caído nas trevas; e como Deus escolheu uma nação a fim que levasse a luz da verdade divina as demais nações.

O livro de Gênesis também tem sido chamado de “semente-enredo” de toda a Bíblia. A maioria das principais doutrinas da Bíblia é introduzida de forma “semente” no livro de Gênesis. As doutrinas da criação, imputação do pecado, justificação, expiação, depravação, ira, graça, soberania, responsabilidade e muitas outras são abordadas neste livro de origens chamado Gênesis.

O registro de Gênesis cobre pelo menos dois mil anos. Não é inteiramente história; é uma interpretação espiritual da História. Muitas origens são registradas nos 11 primeiros capítulos: o Universo natural, a vida humana, o pecado, a morte, a redenção, a civilização, as nações e as línguas. O restante do livro, a partir do capítulo 12, trata do começo da raça hebraica, primeiro sua formação por meio de Abraão, depois seu desenvolvimento subsequente e sua história mediante as figuras importantes de Isaque, Jacó e José.

Os primeiros capítulos do livro têm estado continuamente sob fogo da crítica moderna, mas os fatos que apresentam, quando corretamente interpretados e entendidos, jamais têm sido negados. Não é propósito do autor de Gênesis dar um relato detalhado da criação. Ele dedica somente um capítulo a esse tema (só um esboço contendo alguns fatos fundamentais), enquanto dedica trinta e oito capítulos à história do povo escolhido.
Gênesis inicia com a formação do sistema solar, os preparativos para a terra, para a sua habitação e a criação da vida. A criação teve oito atos e foram executados em seis dias.
           
Com tal beleza, majestade e simplicidade começa o relato da Criação em Gênesis. Porém, uma análise do capítulo 1 de Gênesis não é tão simples e direta como uma leitura casual do texto bíblico poderia sugerir.

Caraterísticas Literárias de Gênesis

Gênesis claramente possui duas divisões principais: (1) a história primeva nos capítulos 1–11, e (2) a história dos patriarcas nos capítulos 12–50.

Dividindo o livro de Gênesis em duas seções teremos : História Primitiva e História Patriarcal. A História Primitiva registra (1) Criação (Gênesis 1-2), (2) a Queda do homem (Gênesis 3-5), (3) o Dilúvio (Gênesis 6-9) e (4) a Dispersão (Gênesis capítulos 10-11). A História Patriarcal registra as vidas de quatro grandes homens: (1) Abraão (Gênesis 12-25:8), (2) Isaque (Gênesis 21:1-35-29); (3) Jacó (Gênesis 25:21-50: 14) e (4) José (Gênesis 30:22-50:26).

Em comparação com a história primeva, a história dos patriarcas é mais definida geográfica e historicamente, vinculando-se diretamente à cultura do antigo oriente médio e tratando explicitamente dos antepassados de Israel. Esta divisão é obviamente composta de três blocos de material: (a) a história de Abraão e Sara (Gn 11.27–25.18), (b) a história de Isaque e Jacó (Gn. 25.19–36.43), e (c) a história de José e seus irmãos (Gn 37-50).

Estrutura e Conteúdo do Livro

Uma das características marcantes do livro é a forma como esse livro foi estruturado. Do ponto de vista da história, duas categorias são claramente reconhecidas na estrutura do livro: (1) Nos capítulos de 1.1-11.26 encontramos a história das origens de modo geral e (2) de 11.27-50.26 lemos a história da origem do povo judeu – a história dos patriarcas. Sobre essa estrutura John Hartley diz: “Gênesis 1-11 é um prefácio à história da salvação, tratando da origem do mundo, da humanidade e do pecado. Gênesis 12-50 reconta as origens da história da redenção no ato de Deus escolher os patriarcas, juntamente com as promessas da terra, posteridade e aliança”.

CONTEÚDO DE GÊNESIS 

Gênesis inicia com a formação do sistema solar, os preparativos da terra para sua habitação, e a criação da vida sobre a terra. Todos os oito atos da criação foram executados em seis dias.

A criação dos céus e da terra, e a preparação da terra para habitação humana (Gênesis 1:1-2:25). Gênesis começa com impressionante simplicidade: “No princípio Deus criou os céus e a terra.”  Significativamente, esta sentença inicial identifica a Deus como sendo o Criador e sua criação material como sendo os céus e a terra. Com palavras majestosas e bem-escolhidas, o primeiro capítulo passa a fazer um relato geral sobre a obra criativa no tocante à terra. Isto se realiza em seis períodos, chamados de dias, cada qual começando com noitinha, quando a obra criativa daquele período é indefinida, e terminando no brilho da manhã, quando a glória da obra criativa torna-se claramente manifesta. Em “dias” sucessivos aparecem a luz, a expansão da atmosfera, a terra seca e a vegetação, os luzeiros para separar o dia e a noite, os peixes e as aves, os animais terrestres e, por fim, o homem. Deus dá a conhecer aqui a sua lei que governa as espécies, a barreira intransponível que impossibilita uma espécie evoluir em outra. Tendo feito o homem à Sua própria imagem, Deus anuncia seu propósito triplo para com o homem na terra: enchê-la de uma prole justa, subjugá-la e ter em sujeição a criação animal. O sétimo “dia” é abençoado e declarado as-grado por Deus, que passa então a ‘descansar de todas as suas obras que tem feito’. A seguir o relato fornece uma vista de perto, ou ampliada, da obra criativa de Deus relativa ao homem. Descreve o jardim do Éden e sua localização, declara a lei de Deus sobre a árvore proibida, fala sobre Adão dar nome aos animais e daí a respeito de Deus providenciar o primeiro casamento, formando uma esposa do próprio corpo de Adão e trazendo-a a este. 

Os capítulos seguintes explicam as origens de muitas qualidades misteriosas da vida: a sexualidade humana, o matrimônio, o pecado, a doença, as dores do parto, a morte, a ira de Deus, a inimizade do ser humano contra o próprio ser humano e as dispersão das raças e línguas sobre toda a terra.

Iniciando no cap. 12, Gênesis relata o chamado de Abraão e a inauguração do concerto de Deus com ele, um concerto glorioso e eterno que foi renovado com Isaque e Jacó. Gênesis é impressionante pela forma característica da sua narrativa, realçada pelo relato inspirador de José e pela multiplicação do povo de Deus no Egito. Trata-se de uma lição na eleição divina, conforme encontrado por Paulo em Rm 9.

Gênesis antecipa o NT de muitas maneiras: o próprio Deus pessoal, a Trindade, a instituição do matrimônio, a seriedade do pecado, o julgamento divino e a justificação pela fé. A Árvore da Vida, perdida em Gênesis, é restaurada em Ap 22.

Gênesis conclui com a bênção de Jacó sobre Judá, de cuja tribo viria o Messias: “O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos” (49.10). Muitos séculos e muitas lutas seguir-se-ão antes que esta profecia encontre o seu cumprimento em Jesus.

Temos sete características em Gênesis.

1. Foi o primeiro livro da Bíblia a ser escrito (com a possível exceção de Jó) e registra o começo da história da humanidade, do pecado, do povo hebreu e da redenção.

2. A história contida em Gênesis abrange um período de tempo maior do que todo o restante da Bíblia, e começa com o primeiro casal humano; dilata-se, abrangendo o mundo antediluviano, e a seguir limita-se à história do povo hebreu, o qual semelhante a uma torrente, conduz à redenção até o final do AT.

3. Gênesis revela que o universo material e a vida na terra são categoricamente obra de Deus, e não um processo independente da natureza. Cinqüenta vezes nos caps. 1 e 2, Deus é o sujeito de verbos que demonstram o que Ele fez como Criador.

4. Gênesis é o livro das primeiras coisas — o primeiro casamento, a primeira família, o primeiro nascimento, o primeiro pecado, o primeiro homicídio, o primeiro polígamo, os primeiros instrumentos musicais, a primeira promessa de redenção, e assim por diante.

5. O concerto de Deus com Abraão, que começou com a chamada deste (12.1 a 3), foi formalizado no cap. 15, e ratificado no cap. 17, e é da máxima importância em toda a Bíblia.

6. Somente Gênesis explica a origem das doze tribos de Israel.

7. Revela como os descendentes de Abraão, por fim, se fixam no Egito (durante 430 anos) e assim preparam o caminho para o êxodo, o evento redentor central do AT.


A Concepção de Deus em Gênesis.

Sem dúvida alguma, Deus é a personagem principal do livro, como as seguintes estatísticas mostram. Ele é mencionado como El (Deus) 16 vezes, Adon (Senhor) 40 vezes, Elohim (Deus) 194 vezes, Iahweh (o Senhor) 167 vezes. Em outras palavras, sem mencionar as centenas de pronomes para se referir a Deus em Gênesis, Ele é nomeado mais de 400 vezes neste livro! Absolutamente nenhuma outra personagem chega perto deste número de ocorrências. Por exemplo, o nome “Adão” aparece apenas 18 vezes em Gn. O ser humano mais nomeado no livro é “Abraão” (130 vezes).3 Se Deus é a personagem central, quais são seus atributos nesta narrativa?

O Deus de Gênesis é uma “pessoa,” ao invés de uma força impessoal; por causa disso, o livro atribui a Ele tanto caraterísticas psíquicas (Ele sente, ama, pensa, decide, planeja, etc.) como ações sociais em relação aos seres que Ele mesmo cria (Ele os vê, escolha, abençoa, castiga, etc.). Contudo, o Deus de Gênesis é uma Pessoa Transcendente, isto é, uma que não se confunde com a sua criação (nos livros subseqüentes do Pentateuco, este atributo será chamado de “santidade”).5

O Deus de Gênesis é um Deus que age, ao invés de ser um ídolo morto ou eremita
imutavelmente isolado dos outros. Existindo sozinho, Ele decide criar o universo e os todos outros seres como a expressão de seu plano e propósito (Gn 1 e 2).

O Deus de Gênesis é um Deus que ama, isto é, Ele atua em benefício do outro, ainda que o outro não mereça seu apoio. Mesmo depois da queda, Deus protege o homem rebelde (Gn 3.21; 4.15), procura comunhão com ele (3.8ss; 5.21-24; 6.18) e manifesta seu grande projeto de abençoar todos os povos da terra por meio de seu servo eleito, Abraão (12.1-3).

O Deus de Gênesis é um Juiz justo, a saber, o Juiz que sempre exige o que é reto e julga
corretamente e de acordo com a natureza da criatura que está sendo julgada (e que Ele mesmo criou!).

O Deus de Gênesis é um Deus que procura o homem desviado a fim de salvá-lo.

Em nenhum lugar em Gênesis é Deus explicitamente chamado de “Salvador” ou “Redentor,” mas mesmo assim Ele recusa ser um Deus-sem-homem. Pelo contrário, quando o homem peca, este Deus vai atrás do pecador, indagando-o (3.7ss), renovando suas relações com ele (9.8ss), fazendo os preparativos necessários para abençoar todos as nações do mundo por meio de seu povo escolhido (12.1ss).

TEOLOGIA DE GÊNESIS

Como temos dito que esse livro é uma Auto-Revelação de Deus para o povo de Israel, não poderíamos deixar de falar de Sua Pessoa como apresentada por ele. Sobre isso, House diz:

“Certamente tornou-se visível um retrato nítido de Deus. Ele é a única divindade que atua nesses relatos. Só Deus cria, de maneira que só Ele julga o pecado, chama, dirige e abençoa Abraão e seus descendentes, e proteje e livra em todas as circunstâncias o povo agora chamado Israel. Esse Deus comunica-se com o povo alternadamente emanando ordens, fazendo promessas e dando orientação, Ele trabalha para tirar o pecado que atribula toda a raça humana. Esse Deus não tem qualquer começo, rival, limites de tempo ou espaço, falha moral, ou interesses ocultos”.

Deveras, o relato de Gênesis é proveitoso para edificar a fé, apresentando tais exemplos magníficos de fé, essa qualidade provada da fé que procura alcançar a cidade edificada e criada por Deus, Seu governo do Reino, que há muito Deus começou a preparar mediante aquele que seria sua Semente da promessa, o principal santificador do grande nome de Deus. Heb. 11:8, 10, 16.////////

Pastor Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.Th.D.;D.Hu.)
Facebook: Adayl Manancial
Email:  adayl.alm@hotmail.com
 
O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição é Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário, Psicanalista pela Escola Superior de Psicanálise de São Paulo (Turma 1981) e Pós Graduado em Psicanálise (Sexólogo) pela Faculdade Darwin e pelo IRS/DF, Pós graduado em Ciências Políticas; Doutor HC em Psicologia e em Humanidade. Diretor da Faculdade Teológica Manancial, e Professor do Seminário Teológico Kerigma.

BIBLIOGRAFIA

  • Filipe Sunaway - Introdução ao Livro de Gênesis.
  • Richard M. Davidson - Como interpretar Genesis 1
  • HOUSE, Paul, Teologia do Antigo Testamento. pp.76.
  • LASOR, Willian, HUBBARD, David, BUSH, Frederic, Introdução ao Antigo Testamento. pp.24
  • J. Dias - estudo do Livro de Gênesis
  • Marcos Roberto Nunes Costa - A Teoria da Criação, segundo Santo Agostinho

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...