sábado, 10 de outubro de 2015

A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA - LB EBD/CPAD - Subsídio Teológico



INTRODUÇÃO

Quando olhamos para os céus, a terra, as plantas, os animais, quando olhamos o universo e para o próprio homem, somos confrontados com perguntas que pairam na mente de bilhões de vidas em todo o mundo: Quem criou tudo isto? Como tudo aconteceu?

Só a Bíblia tem a resposta para esta e outras indagações que possam surgir na mente do homem. Ela nos conta como tudo começou.

"No princípio Deus Criou os Céus e a Terra". Esta afirmação do livro do Gênesis, capítulo 1.1, já foi tema de muitos debates.

Entretanto o texto é claro e enfático ao dizer que tudo o que há, visível e invisível, tem um princípio e um criador.

O binômio céu e terra indica a totalidade da criação que é obra do Pai. No símbolo niceno-constantinopolitano esse binômio é enriquecido com outras palavras: “céu e terra”, “coisas visíveis e invisíveis”. Sublinha-se assim não somente a distinção, mas também a relação que há entre o mundo terrestre e o celeste. Se a terra é o lugar da realidade material e a habitação do homem, o céu, na linguagem bíblica, além de significar o firmamento, indica a glória escatológica e a morada de Deus e dos anjos que o circundam.

Na Sagrada Escritura, a expressão «céu e terra» significam: tudo o que existe, a criação inteira. Indica também o laço que, no interior da criação, ao mesmo tempo une e distingue céu e terra: «a terra» é o mundo dos homens; «o céu» ou «os céus» pode designar o firmamento, mas também o «lugar» próprio de Deus: «Pai nosso que estais nos céus» (Mt 5,16), e, por conseguinte, também «o céu» que é a glória escatológica. Finalmente, a palavra «céu» indica o «lugar» das criaturas espirituais – os anjos – que rodeiam Deus.

Deus fez tudo o que existe. Ele é o Senhor e o Criador da terra, do céu e de tudo o que neles há.

No princípio [Hebraico בְּרֵאשִׁ֖ית bereshit] remonta a um tempo desconhecido e remoto, escondido nas eras eternas, que antecede a criação. Mas pouca informação é dada sobre essa época.

O capítulo 1 de Gênesis foca na criação do mundo físico - os céus e a terra. Deus é designado em hebraico pelo nome אֱלֹהִ֔ים Elohim, um plural que indica a majestade e a magnitude divina. O nome אֱלֹהִ֔ים Elohim acentua a sua glória e o seu poder como o Deus todo-poderoso.

A declaração original (patente) da origem de todo o mundo criado.

O livro de Gênesis já apontava para uma doutrina claramente revelada em outras partes da Bíblia, a saber, que se Deus é um, há uma pluralidade de pessoas na Divindade - Pai, Filho e Espírito Santo, que estavam engajados na obra criadora.
O verbo utilizado para descrever a criação do céu e da terra em hebraico é o termo בָּרָא bara, que está no singular e significa trazer do nada à existência e moldar sob nova forma.

O verbo בָּרָא bara tem sempre Deus como sujeito. O céu, a terra e o universo não foram formados a partir de materiais pré-existentes, mas feitos do nada. Este versículo declara a grande e importante verdade, que nada foi originado por acaso, ou da habilidade de qualquer agente inferior; mas que o universo inteiro foi produzido pelo poder criador de Deus.

Uma das mais definitivas afirmações da Bíblia encontra-se em Gênesis 1:1: "Deus criou". Negar isso é, de fato, recusar toda a Bíblia. É contradizer as afirmações e revelações do autor de todo o Velho Testamento e negar a veracidade de todos os escritores do Novo Testamento, que as citam.

Uma dessas recusas encontra-se na área da evolução natural. A pretensão é, aleatoriamente, a mutação de basicamente nada para tudo. Tal suposição não é apenas anti-bíblica, é totalmente ilógica e não científica na medida em que supõe efeito sem causa ou propósito e afirma algo de que não temos nem registros fósseis, nem observações científicas.

A trindade na criação dos céus e da terra

Na criação de todas as coisas, podemos notar O trabalho conjunto da trindade. Deus Pai foi o “arquiteto” da criação – aquele que planejou todos os detalhes. Deus Filho foi o “executor” da criação – aquele que esteve presente trabalhando em todo o processo. E Deus Espírito Santo foi o “decorador” da criação – poeticamente falando, aquele que “embelezou” os céus e a terra e tudo que nela há com a sua glória. Portanto, a criação dos céus e da terra foi um trabalho da divindade, porém com diferentes tarefas para Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. 
O ato do Espírito pairar sobre a desordem, ou, em outras palavras, sobre o caos, descrito em Gênesis 1.2, aponta que o seu trabalho era trazer à existência a vida escondida na terra ainda inabitável e inacabada, ou seja, transmitir vida à toda matéria que seria criada, como o homem, os animais, as plantas, os luminares, e outros.
No principio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). Os três atos criativos de Deus estão no capitulo 1 de Gênesis. Nesse capítulo encontramos todo ato criador de Deus que são:

a.     A criação do UNIVERSO, céus e terra ( Gênesis 1.1).
Essa maravilhosa declaração resume o ato de Deus de trazer à existência a estrutura física do cosmo: o universo tridimensional composto de tempo, espaço e matéria.

b.     A criação da vida ORGÂNICA, a vida animal ( Gênesis 1.21).
Esse versículo sintetiza o ato de Deus em trazer à existência o componente biológico do universo: a vida animal consciente.

c.     A criação do GENERO HUMANO, o homem ( Gênesis 1.26).
Aqui está o registro da criação do componente espiritual do universo, criado “a partir do nada”: a “imagem de Deus”  localizada única e exclusivamente no ser humano.

O ATO CRIATIVO ORIGINAL

Segundo as Escrituras na criação original de Deus, em Gênesis 1.1, há um principio definido, um período desconhecido e longínquo, oculto da limitada e finita mente humana, o qual vai mais além da criação de Gênesis 1.1.

A criação original fala de uma terra bela e esplendorosa. Não cremos numa terra original sem forma e vazia. “Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o Senhor Jeová: Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônia, o topázio, o diamante, a turquesa, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia em que foste criado foram preparados” (Ezequiel 28.12,13).

A TERRA COSMICA

"E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas." Gênesis 1:2

"Sem forma e vazia" [do Hebraico תֹּ֫הוּ וָבֹ֔הוּ tohu va-bohu], esta expressão passa um único conceito: O caos. As palavras trevas [do Hebraico וְחֹ֖שֶׁךְ chosher] e abismo [do Hebraico תְה֑וֹם tehom] retratam o caos, o desastre e a devastação.

Em Gênesis 1.2, vamos encontrar uma terra totalmente diferente da que foi originalmente criada. Alguma coisa aconteceu que provocou essa mudança brusca sobre a terra.                   Em Isaías 45.18, diz que Deus não criou a terra em vão. No original hebraico, é usada a mesma expressão que traduz  Gênesis 1.2. “sem forma e vazia” (Tohu e Bohu).

Façamos uma comparação com a terra de Ezequiel 28.12-16, e verá o maravilhoso que era a terra original de Gênesis 1.1. Aí aparece a figura de Lúcifer, como um querubim ungido, como um guardião da terra original.

O texto de Ezequiel 28.12.13, nos fala de uma terra original bem diferente do que vemos em Gênesis 1.2, Nos fala sobre uma terra linda com pedras preciosas, esmeraldas, etc.  Sabemos que antes da rebelião de Lúcifer, não existia o pecado, assim que, se Adão, sendo, segundo a Escritura, o primeiro homem da terra, veio a conhecer o pecado, se entende claramente que a rebelião de Lúcifer (o pai do pecado) só pode ter acontecido entre os versículos 1.1 e 1.2 de Gênesis. Como consequência dessa rebelião de Lúcifer que foi lançado sobre a terra, sobreveio o estado caótico ou sem forma e vazia da terra (Gênesis 1.2), conhecido como terra cósmica.

O Profeta Isaias nos apresenta o relato de como foi a caída de Lúcifer, logo depois de haver se rebelado contra a autoridade de Deus.

Como caíste do céu, ó Estela da manhã, filha da alva! Como fostes lançado por terra, tu que debilitava as nações! E dizia no eu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo”  (Isaías 14.12-15).

A RESTAURAÇÃO DA TERRA ORIGINAL

O livro de Gênesis 1.1 - 2.25 descrevem os sete dias da criação, bem como Elohim formou o homem e a mulher e os colocou no Jardim do Éden, o paraíso.
E o Espírito de Deus trouxe luz à escuridão. A vida e a criação começam com a luz e o nascer do dia. A escuridão pode ter durado muito tempo, mas chegava naquele momento o fim do domínio das trevas.

Como está escrito que o choro pode durar uma noite, mas alegria vem ao amanhecer, assim também este texto nos ensina que Deus tem o poder de trazer, do nada, luz e alegria às nossas vidas.

"Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." Salmos 30:5.

"Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;"Sal. 8:3 "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus."  João 1:1

SEMANA DA REORDENAÇÃO DO UNIVERSO CRIADO

1- PRIMEIRO DIA (Gênesis 1.3)

E disse Deus. Haja luz. E houve luz”.
A luz é criação de Deus, totalmente oposta às trevas.

2- SEGUNDO DIA (Gênesis 1.6)

“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas”.  Aqui, a palavra hebraica “rakia”, significa simplesmente “expansão” ou “espaço”.

O texto  se refere a esse espaço ou expansão que separa as nuvens que estão nas regiões mais altas dos mares e tudo o que está embaixo. A isto o chamamos “atmosfera”.

3- TERCEIRO DIA (Gênesis 11)

E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi”.
Aqui neste versículo, podemos considerar a origem da vida em sua forma mais baixa.

São especificadas três classes de vida vegetal:
a. A erva,
b. A erva que dá semente
c. A árvore que dá fruto.

A primeira é um organismo mais simples; a segunda já é mais complexa, tendo um ramo, e se propaga através de suas sementes; a terceira é mais complexa, pois tem ramos de madeira, e por isso pode elevar-se do chão, e dar fruto que contém a semente para sua propagação.

4- QUARTO DIA (Gênesis 1.14)

E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos”.

Notamos que no primeiro versículo de Gênesis, temos uma declaração que estabelece a criação dos céus e terra. Portanto, aqui não se refere a criação dos corpos celestes, porque não se emprega a palavra “criar”, mas indica seus ofícios de utilidades para a terra.

5- QUINTO DIA (Gênesis 1.20)

E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus.

Sabemos que a maioria das vidas está nos mares e rios. A fecundidade dos peixes é algo grandioso que o homem não pode nem imaginar. É o fiel cumprimento da Palavra de Deus.

6- SEXTO DIA (Gênesis 1.24-27)

E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie, e  répteis, e bestas feras da terra conforme a sua espécie. E assim foi...”.

A CRIAÇÃO DO HOMEM

Gênesis 1.26:  E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo  réptil que se move sobre a terra”.
No sexto dia da criação, depois de concluir sua ação criadora, Deus sentiu a necessidade de algo mais pessoal, algo inteligente e que pudesse ter comunicação direta com Ele. Aqui se deu a criação do homem.

A EXISTÊNCIA DOS ANJOS UMA VERDADE DE FÉ 

A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição.

A origem dos anjos

A época de sua criação não é indicada com precisão em parte alguma, mas é provável que tenha se dado juntamente com a criação dos céus ou pode ter sido antes (Gn. 1:1 ). Pode ser que tenham sido criados por Deus imediatamente após a criação dos céus e antes da criação da terra, pois de acordo com Jó 38:4-7, rejubilavam todos os filhos de Deus quando Ele lançava os fundamentos da terra. Que os anjos não existem desde a eternidade é mostrado pelos versículos que falam de sua criação ( Ne. 9:6 , Sl 148:2,5; Cl 1:16 ).

Segundo as Escrituras, muito antes da criação do homem Deus criou uma inumerável companhia de seres chamados anjos. Tal como os homens, eles tem personalidade, inteligência e responsabilidade moral.

Sua natureza não inclui o corpo, a não ser que entendamos que eles são corpos de uma ordem espiritual (l cor. 14.44), ainda que as vezes eles podem ser vistos em corpos e aparecer como homens (Mat. 18.128.3; Ap. 15.6;). Vemos também que eles não experimentam aumento em seu numero através do nascimento nem experiência física da morte ou cessação de existência.

Revdº. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.Th.D.;D.Hu.)
Facebook: Adayl Manancial
 
O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição é Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário, Psicanalista e Pós Graduado em Ciências Políticas; Doutor em Psicologia e em Humanidade, Diretor da Faculdade Teológica Manancial e Professor do Seminário Teológico Kerigma. 

BIBLIOGRAFIA
Adaylton de Almeida Conceição – Dispensações (Períodos Bíblicos) – 1994.
Luís Carlos Fonseca – Jesus o criador dos céus e da terra.

Leonardo Dâmaso - O Trabalho Do Espírito Santo Na Criação Dos Céus E Da Terra.

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