terça-feira, 27 de outubro de 2015

Caim era do maligno - EBD/ CPAD - LB 4o. Trimestre/2015 - Subsídio Teológico


A humanidade foi criada num lugar perfeito, mas pecou e foi expulsa, vivendo agora "em trabalhos e fadigas numa terra que o Senhor amaldiçoou" (Gênesis 5:29). E assim começa a saga da humanidade na terra.

O capítulo 4 de Gênesis apresenta a triste história do primeiro homicídio da Terra. Caim, o primeiro homem nascido de mulher, matou o próprio irmão depois que teve sua oferta recusada por Deus. O que deveria ser uma ocasião de ações de graças enlutou a família de Adão. Caim demonstrou, dessa forma, que era do maligno, que tinha um coração e atitudes que desagradavam a Deus.

O primeiro bebê.

“Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim...” (Gn 4.1). Isto parece mais um telegrama. Todavia, quanto está envolvido! Pela primeira vez na história da humanidade homem e mulher relacionaram-se sexualmente... e a mulher concebeu. A gravidez e o parto poderiam ser somente prazer e alegria, mas por causa do pecado foram muito sofridos. O parto foi natural, sem parteira, sem médico, sem ninguém, exceto Adão, Eva e Deus. Era um menino! Adão fez o melhor que pôde para limpá-lo e o colocou nos braços da mãe. Esta, aliviada, suspirou e disse: “Adquiri um varão com o auxílio do Senhor...” (Gn 4.1). Não se sabe o exato significado do nome Caim, mas aproxima-se disto: “adquirido do Senhor”.

Gn 4.1-7 – Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim, disse: Alcancei do Senhor um varão. Tornou a dar à luz a um filho, chamado Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? e por que está descaído o teu semblante? Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar.

CAIM E ABEL

Adão foi criado diretamente por Deus, e Eva foi criada a partir de uma costela de Adão. Caim foi a primeira pessoa que nasceu no mundo como fruto da união do homem com a sua mulher. Com o nascimento de Abel foram ambos, os primeiros irmãos no mundo.
Caim (hebr. qayin, "artífice, ferreiro"). Primeiro filho de Adão e Eva (Gn 4, 1), epônimo antepassado dos quenitas. Há um jogo de palavras em seu nome que, provavelmente, explica-se com Kanîti'ish "Tive um filho homem".

Abel (hebr. hebel, nome que significa "vaidade", "nulidade"; com toda probabilidade, deriva do acádico aplu, "filho", origem do nome indicaria uma origem mesopotâmica da narrativa). Abel era o segundo filho de Adão e Eva.

Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo (Gn 4, 2). Passado o tempo, Caim apresentou produtos do solo em oferenda a Deus; (Gn 4, 3) Abel, por sua vez, também ofereceu as primícias e a gordura de seu rebanho. Ambos ofereciam a Deus sacrifícios do fruto de seus trabalhos: Caim, os frutos da terra; Abel, os primogênitos dos seus rebanhos.

Caim é citado 4 vezes nas Escrituras. No princípio da sua história, em Gênesis capítulo 4, do verso 1 ao 25. Em Hebreus 11.4 onde se refere sobre o mesmo episódio. Em I João 3.12 e neste verso de Judas. Estes versos nos dão uma ideia clara do que Judas está dizendo acerca desses homens ímpios, que estavam dissolvendo a graça, isto é, tornando a graça misturada, corrompida com outras coisas, e negando o único soberano Senhor. Tirando do Senhor e trazendo para o homem o poder e a justiça.

Aprendendo com Abel

Abel tinha como ocupação a atividade de pastorear ovelhas ao passo que seu irmão Caim era lavrador. Alguns pontos chamam nossa atenção em sua vida:

A oferta de Abel

Qual foi o diferencial da oferta de Abel? Por que Deus não atentou para a oferta de Caim? Essas perguntas já foram palco de inúmeros debates e teorias. Alguns dizem que a oferta de Abel era melhor que a de Caim porque este havia ofertado frutos estragados. Outros dizem que sua oferta foi rejeitada porque havia entregue do fruto da terra e já que esta fora amaldiçoada, Deus não aceitaria (Gn 3.17). Outros defendem ainda que o correto seria uma oferta que derramasse sangue, pois sem derramamento de sangue não há remissão (Hb 9.22b).  Embora as duas últimas teorias possuam grande lógica, a Bíblia não deixa isso explícito. Podemos ler em Hb 11.4 que foi pela fé que “Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício que Caim” (Hb 11.4). O mesmo autor da carta aos hebreus declara que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6), motivo pelo qual Caim não conseguiu.

Se olharmos com cuidado vamos notar que o que Deus aceitou e não aceitou não foi somente a oferta de Caim, mas o próprio Caim: "Mas para Caim e para a sua oferta não atentou" Gênesis 4.5. A oferta foi resultado do coração e da mente de Caim. Tanto Caim como Abel estavam na mesma situação: como pecadores. Ambos nasceram e herdaram dos seus pais uma natureza caída e num estado de rebeldia e inimizade contra Deus (Col. 1.20). Nenhum deles era inocente. Os dois estavam destinados à perdição eterna, e só a graça de Deus e o poder justificador de Deus poderiam tirá-los daquela miserável situação.

AS OBRAS DE CAIM

Talvez pensemos que Caim matou seu irmão por inveja, porque Deus não olhou com agrado para a oferta dele. No entanto Deus vê mais profundamente. Caim era um homem inteiramente do maligno, por isso “suas obras eram más”, em contraste com as obras justas de Abel. Esse foi o motivo que o levou ao fratricídio. No fundo, teve de reconhecer que Deus tinha razão quando “não atentou” na oferta que ele ofereceu (Gênesis 4:5). Ela não servia porque era a visível expressão de seu estado interior.

Por meio de Adão “entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12). Todos nós somos pecadores, sem exceção, temos pecado; isso é inerente à nossa natureza caída.

“Não há homem que não peque” (1 Reis 8:46). Por isso todos fomos entregues à morte.
Aqui está a resposta a quem hoje pergunta: Que culpa eu tenho de ter nascido pecador? Você não tem culpa, mas os seus pecados são fruto de sua natureza pecaminosa. Ele julgará você pelas obras pecaminosas que você cometeu e não se arrependeu. Mas todos os que crêem na obra expiatória de Cristo têm os pecados perdoados. “O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7).

O caminho de Caim

Este é o caminho de Caim. O caminho dos homens ímpios que dissolvem a graça e negam o poder do único Senhor e soberano Jesus Cristo. Essa graça dissolvida leva a uma justiça própria e a um estado de pensar que estão vivos, estando mortos; tendo nome de que vivem, mas estão mortos para Deus (Apoc. 3.1). O caminho de Caim leva o evangelho da cura, da prosperidade, isto é, um outro evangelho, que não é outro, senão um anátema, pregado em lugar do evangelho da graça.

Mas não somente isto. Caim é a figura dos que se dizem cristãos, mas são segundo a carne; que perseguem os seus irmãos que são segundo o espírito, como também Ismael a Isaque, Esaú a Jacó e muitos outros depois de Caim (Gál. 4.29). João pelo Espírito escreve: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" I João 3.14-15.

DEUS COLOCA UM SINAL EM CAIM

Há muito tempo que a história do primeiro homicídio narrada em Gênesis 4 desperta nos leitores da Bíblia, uma curiosidade sobre o sinal que Deus pôs em Caim após o assassínio de seu irmão. Uma marca distinta posta talvez na carne ou talvez na alma de Caim para que ninguém o ferisse ao encontrá-lo. Muitas foram as conjecturas sobre este sinal, mas a famosa marca, apesar de toda especulação, permanece obscura.

Como está escrito em Deuteronômio 29:29 - "As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei".

A Bíblia apesar de não especificar qual, ou o que era o sinal posto no primeiro homicida da história, ela nos dá alguns subsídios para que possamos compreender como ele a herdou.

O cap. 6 de Gênesis faz uma distinção entre os filhos dos homens e os filhos de Deus, depois da multiplicação por sobre a terra dos descendentes de Caim e de Sete. Podemos perceber que na descendência de Adão não consta mais o nome do seu primogênito (Caim), mas apenas o nome de Sete (Gênesis 5:3), isto porque Caim era do maligno, por causa das suas obras que eram más (1 João 3:12). Adão e Eva pensavam que no primeiro filho se cumpriria a promessa divina de esmagar a cabeça da serpente, por isso deram o seu nome de Caim (alcançado, possuído, dádiva). Mais tarde reconheceram o quanto estavam errados porque, quando nasceu Sete (nomeado, reposição) Eva disse: "Deus me deu outro filho em lugar de Abel (vapor, névoa, transitório, vaidade ou nada); porquanto Caim o matou" (Gênesis 4:25).

O FRUTO DISTINGUE A ÁRVORE.

"Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos"? Mateus 7:16.

Caim disse: "a minha maldade é imperdoável, da terra sou expulso, esconder-me-ei da Tua face, serei fugitivo e vagabundo e quem me encontrar me matará" (Gênesis 4:13-14). Eis o "sinal" de Caim: ignorar o perdão de Deus, amar àquilo do qual foi expulso - o mundo; fugir e esconder-se da presença do Criador, viver sem compromisso e irresponsavelmente - vagabundo e fugitivo; ter medo do seus semelhantes.

É certo que a descendência de Sete - os filhos de Deus - não fariam as mesmas obras que os filhos de Caim, visto que, sendo uma geração piedosa, não comungariam com os malignos, tanto que depois do nascimento de Enos eles começaram a invocar o nome do Senhor (Gênesis 4:25-26).

"Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno" (1 João 5:19). E tudo o que há no mundo, não vem de Deus (1 João 2:16). Partindo deste raciocínio, nós podemos concluir que todas as coisas deste mundo são do diabo, pois ele mesmo as ofereceu aos que prostrados o adorassem (Mateus 4:9). Paulo nos orienta que, como já vivemos o fim dos tempos, de agora em diante os que choram, como se não chorassem; os que folgam, como se não folgassem; os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência do mundo é vaidade (1 Coríntios 7:29-31).

POR QUE CAIM MATOU ABEL?

Partindo do pressuposto que o melhor comentário da Bíblia é a própria Bíblia, encontramos a resposta nas Escrituras. O Novo Testamento lança luz sobre o Antigo Testamento e revela a razão pela qual Caim matou o seu irmão. “O motivo íntimo do desumano ato de Caim é revelado em 1 João 3.12”.

Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas (1 Jo 3.11-12).

O apóstolo João interpreta a narrativa de Gênesis e afirma que o motivo principal do crime era a natureza pecaminosa de Caim, cujo coração era maligno e perverso. João é categórico ao dizer que Caim era do Maligno e suas obras eram más. Tendo em vista que nada incomoda mais as trevas do que a luz, Caim nutria uma diabólica animosidade para com Abel, homem de fé (Hb 11.4) e justo (Mt 23.35).

“Os atos de Caim era malignos, e os de seu irmão eram justos. Esses dois adjetivos oferecem contraste. A palavra grega para maligno é a mesma que João usa para descrever Satanás (2.13,14; 5.18,19). Em resumo, João revela que as obras de Caim tiveram sua origem em Satanás. Em outras palavras, Caim pertencia a Satanás e Abel pertencia a Deus”.

Lição da história de Caim e do primeiro crime do mundo.

O principal propósito da revelação com a história de Caim é nos apresentar o primeiro homem que permaneceu como amigo da serpente, o diabo, sendo contado na sua descendência, por sua semelhança moral com ele, dando-se assim início ao cumprimento da maldição que Deus proferiu contra Satanás, que ele teria também uma descendência que se oporia e seria inimiga daqueles que seriam contados como descendência daquele que descenderia da mulher no futuro e que esmagaria a cabeça do diabo, a saber, nosso Senhor Jesus Cristo.

Caim se tornou o modelo, o protótipo de todos aqueles que permanecem como inimigos de Deus para sempre, como lemos na epístola de Judas, verso 11: “Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim...”.

E em I João 3.12: "Caim que era do maligno e assassinou a seu irmão; e porque assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas”.

A pergunta de Deus a Caim no verso 6:

Por que te iraste e por que está descaído o teu semblante?

Ele não estava procurando ser informado, porque Ele nunca precisa de qualquer informação, pois tudo sabe e conhece, até o mais recôndito dos nossos pensamentos. Com a pergunta feita Ele queria simplesmente incitar Caim ao diálogo. Ele veio a Caim para que Ele avaliasse as motivações do seu coração, e ponderasse acerca da sua ira contra Deus e seu irmão. Deus lhe revelou que apesar de toda aquela ira injustificada havia esperança de cura para os seus sentimentos. Havia aquela fonte de graça para ser apropriada pela fé, a saber, a cobertura do sangue de Jesus, tipificado naquela oferta que Caim se recusava a apresentar, e que apontava para o único meio que pode reconciliar qualquer pecador com Deus.

Ao afirmar que qualquer que matasse Caim seria vingado sete vezes, Deus quis indicar que faria com que a morte de Caim fosse vingada perfeitamente caso alguém o matasse. Com isto Ele demonstra o quanto é contra o crime de assassinato e que todo o que matar pela espada (violência) pela espada será morto.

Isto e um principio de justiça em Deus, a quem pertence a vingança.

Com isto, Deus não estava instituindo um privilégio para o assassino, como se estivesse abençoando e protegendo Caim, mas para mostrar um princípio pelo qual tinha em vista especialmente preservar a raça humana da destruição pela violência, de forma que pelo temor do juízo e da maldição de Deus, os homens evitassem praticar o mal contra o seu próximo.

Existem milhões de "Cains" que oferecem o melhor para o mundo e reserva o resto para Nosso Senhor. Quanta ingratidão!

Na parábola do trigo e do joio, o que os semeadores saíram a semear foi gente. Um semeou filhos de Deus, e o outro filhos do diabo. Estas são as únicas duas classes de pessoas que há no mundo. As podemos subdividir de muitas maneiras, porém não são mais que dois grupos; e ambos grupos tem sido religiosos desde o princípio. Porém recorde; trigo, sempre tem sido trigo; joio, sempre tem sido joio. A religiosidade não tem mudado sua natureza. Olha o que o Senhor disse: “Ao tempo da ceifa eu direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo recolhei no meu celeiro”.(Mateus 13:30).

Todos os atos de intolerância religiosa tem tido sua origem no princípio, e os autores deles nem se quer sabe quem é o seu pai, antes em seu zelo religioso perseguem, caluniam, difamem e até matam, crendo que nesta forma estão fazendo um serviço a Deus, ou colaborando com sua obra. Estão cheios de ódio, e não sabem amar nem perdoar. Eles confessam que são de Deus, porém suas ações e palavras demonstram quem é seu verdadeiro pai.

Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.Th.D.;D.Hu.)

Facebook: Adayl Manancial
 
(O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina, é Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário, Psicanalista e Pós Graduado em Ciências Políticas e em Psicanálise, Doutor HC em Psicologia e em Humanidade, Diretor da Faculdade Teológica Manancial e Professor do Seminário Teológico Kerigma).


BIBLIOGRAFIA
Adaylton de Almeida Conceição - Dispensações
Silvio Dutra – A história de Caim
L.M.S. – O sinal de Caim
Pr Vinicius Couto – Caim e Abel

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