sábado, 19 de dezembro de 2015

ISAQUE, O SORRISO DE UMA PROMESSA - LB 12 - EBD/CPAD - Subsídio Teológico

ISAQUE, O SORRISO DE UMA PROMESSA por Adaylton Almeida Conceição  


Embora Abraão tenha tido um filho (Ismael) com a serva Agar (Egípcia), encontramos em Gênesis 22.15-16 uma alusão a um único filho, assim como, também, o autor do livro de hebreus se refere a Isaque como o filho unigênito, que significa único filho gerado por seus pais (Hebreus 11.17).

É interessante notar, ainda, que a vida de Isaque se situa no meio da história de dois patriarcas mais famosos: Abraão tem 287 referencias na Bíblia, Jacó tem 365 e Isaque tem 131. Embora não tenha sido tão proeminente quanto seu pai e seu filho na narrativa de Gênesis, Isaque foi fundamental no desenvolvimento da nação de Israel e no cumprimento da aliança de Deus com Abraão e seus descendentes.

Filho da promessa

Sabemos da história de Abraão. Ele recebeu a promessa do próprio Deus; porém, não conseguiu esperar com paciência. O tempo foi passando e então, procurou fazer um filho por si mesmo. Seus próprios desejos, sua própria vontade, à parte de Deus. Então veio Ismael que, segundo o apóstolo Paulo, foi um filho da carne. Ismael não foi o filho da promessa. Este episódio está registrado em Gênesis 16. Havia passado dez anos desde que o Senhor havia dado a promessa de um herdeiro. Aos 85 anos Abraão, impacientemente proveu um filho da carne. Houve um silêncio de Deus por 15 anos, até que o Deus da promessa reaparece e lhe reafirma a promessa. Em seguida, no tempo determinado de Deus a promessa se cumpre. Gênesis 21:1-3 – Visitou o Senhor a Sara, como lhe dissera, e o Senhor cumpriu o que lhe havia prometido. Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara. Ao filho que lhe nasceu que Sara lhe dera à luz, pôs Abraão o nome de Isaque.

O nascimento de Isaque ocorreu sob circunstâncias bem incomuns. Tanto o pai como a mãe dele já eram bem idosos, já tendo há muito cessado a menstruação de sua mãe. (Gn 18:11) Assim, quando Deus disse a Abraão que Sara daria à luz um filho, ele se riu dessa perspectiva, perguntando: “Nascerá um filho a um homem de cem anos de idade, e dará à luz Sara, sim, uma mulher de noventa anos de idade?” (Gênesis 17:17) Ao saber o que ocorreria, Sara também riu. Daí, “no tempo designado” do ano seguinte, nasceu o menino, provando que nada é ‘extraordinário demais para Deus’. (Gênesis 18:9-15).

Isaque é o filho da promessa, apesar das circunstâncias humanas, pois Sara era estéril e foi mãe aos 90 anos de idade, e Abraão, pai aos 100 anos (Gênesis 17:17). Deus cumpriu Sua Palavra com o nascimento de Isaque.

Filhos segundo a carne e filhos da promessa

Em Romanos capítulo 9 é ilustrado claramente que há uma grande diferença entre os filhos da carne e os filhos da promessa. "Isto é: Não são os filhos segundo a carne que são os filhos de Deus, mas sim os filhos segundo a promessa é que são contados como descendentes" (Romanos 9:8). Ambos têm, humanamente falando, os mesmos pais, entretanto, para Deus uns são filhos e os outros não. E isto se refere aos três maiores patriarcas, quer dizer, a Abraão, Isaque e Jacó, e aos filhos que eles tiveram.

Abraão teve dois filhos: um segundo a carne, Ismael, e um segundo a promessa, Isaque. ("nem por ser descendentes de Abraão, são todos filhos, mas sim: Em Isaque será chamada a tua descendência", 9:7). Isaque teve dois filhos: um segundo a carne, Esaú, e um segundo a promessa, Jacó ("como está escrito: amei a Jacó, mas a Esaú aborreci", 9:13). Assim também, Jacó teve filhos segundo a carne e filhos segundo a promessa ("nem todos os que descendem de Israel são israelitas", 9:6).

Pertencendo à casa de Abraão, e sendo o herdeiro das promessas, Isaque foi devidamente circuncidado, no oitavo dia. - Gênesis 17:9-14.

Isaque foi desmamado com cerca de 5 anos; quase que foi oferecido como sacrifício, quando tinha talvez 20 a 25 anos; casou-se aos 40; tornou-se pai de gêmeos aos 60 e morreu com 180 anos. - Gênesis 21:2-8; 22:2; 25:20, 26; 35:28.

Quando Deus promete

Aprendemos muito com o nascimento de Isaque e o início da sua vida, precisamos crer e confiar plenamente em Deus, pois nenhuma das suas Palavras hão de falhar, ainda que aos nossos olhos estejam demorando, ou seja, impossíveis devidos às circunstâncias, entretanto, Deus certamente cumprirá a sua Palavra, ele apenas mostra que não depende de nosso querer, mas do seu poder!

Se Abraão tivesse um filho no vigor da sua idade, poderia se gloriar, mas a maravilha está justamente no fato do seu filho ter nascido sem nenhuma possibilidade humana!

O irmão mais velho

Quando Isaque chegou, já encontrou Ismael, fruto de Abraão e Agar, a escrava egípcia. O filho de Sara estava em aparente desvantagem. A primogenitura já tinha dono. De acordo com os costumes da época, o primeiro filho tinha posição de honra na família. Quando crescesse teria autoridade sobre os irmãos e herdaria a maior parte dos bens. Isaque saberia de tudo isso, o que não lhe seria agradável. Talvez ele se sentisse inferior e prejudicado. Teria nascido tarde demais? Muitos temores e questionamentos podem ter surgido em sua mente. Entretanto, Isaque era o filho da promessa, nascido no tempo de Deus. Sobre ele estavam os propósitos divinos referentes à formação de Israel. A aliança do Senhor seria com Isaque (Gn.17.21). As promessas, os bens e as honras seriam dele, mas a realidade imediata parecia contrária. Ele precisou crescer e aprender muito, tomando consciência de sua identidade e da palavra de Deus a seu respeito. Assim, seus temores seriam dissipados.

Ismael zombava de Isaque e isso desagradou Sara e ela resolveu que seu filho não dividiria a rica herança de Abraão com o filho da escrava, então Sara pressionou Abraão para mandar embora Agar e seu filho. Era uma decisão difícil para Abraão, afinal o garoto era seu filho e aquelas palavras de Sara pareceram mal a ele, então Abraão consultou ao Senhor sobre o assunto e Ele disse: “Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua descendência.” (Gênesis 21:12-13).

A responsabilidade dos pais.

Ter um filho é um privilégio, uma dádiva divina, mas representa também uma responsabilidade muito grande, pois cabe aos pais o dever de ensinar aos pequenos o caminho da justiça, o caminho de Deus (Pv.22.6). Ismael foi influenciado pela mãe egípcia (Gn.21.21). Isaque, porém, foi ensinado por Abraão. Antes de tudo, os pais precisam ter experiência pessoal com Deus. Abraão e Sara tinham muitas. O exemplo é a melhor forma de ensino. Isaque cresceu vendo Abraão edificar altares, fazer sacrifícios e invocar o nome do Senhor. O testemunho vivo dos pais é assistido pelos filhos, servindo-lhes como modelo.

ALTAR NO MONTE MORIÁ - O SACRIFÍCIO DE FÉ

Um dia, Deus mandou que Isaque fosse sacrificado em uma das montanhas de Moriá (Gênesis 22). Aquela ordem era muito estranha. Deduzimos que, no entendimento de Abraão, o sacrifício humano poderia ser aceitável diante de Deus, como se fazia entre os povos da época, embora o patriarca sempre oferecesse animais. Mas, por que Deus pediria Isaque? Não poderia ser Ismael? Entretanto, Deus quer o melhor.

Abraão, que havia recebido tantas bênçãos, também precisava estar disposto a dar ao Senhor o que ele pedisse, renunciando a tudo em obediência. Abraão morava em Berseba. Por quê o sacrifício não poderia ser feito ali mesmo? Precisava viajar tanto, três dias, para realizá-lo? Abraão não fez tais perguntas.

Abraão acordou muito cedo para dirigir-se ao lugar do sacrifício. Saiu de casa levando Isaque consigo. É possível que o menino já estivesse acostumado a acompanhar o pai em seus momentos de culto ao Senhor, mas aquele seria muito diferente. Tudo foi ficando muito estranho, a começar pela viagem de três dias. Chegando ao monte, Isaque subiu carregando a lenha que seria usada para o holocausto. Imediatamente, o menino notou que algo estava faltando. Afinal, ele já sabia muito bem quais eram os itens necessários para o sacrifício. Perguntou então: "Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto"? (Gênesis 22.7). Abraão não tinha a resposta específica. Ele não sabia dizer onde estava o animal, mas sua afirmação foi perfeita: "Deus proverá para si o cordeiro" (Gênesis 22.8). Contudo, o tempo foi passando e o cordeiro não aparecia. Certamente, o menino foi ficando apreensivo, enquanto ajudava o pai a edificar o altar. Em seguida, Abraão pega o filho e o amarra com uma corda. Isaque deve ter ficado apavorado. A bíblia não nos informa quais foram seus sentimentos, palavras e pensamentos, mas acho natural que alguns questionamentos surgissem: Não haveria um cordeiro? O pai teria mentido? Ele seria morto e queimado sobre o altar? Sua mãe não poderia ajudá-lo. Será que ela também sabia? Nunca mais tornaria a vê-la? Isaque teria sido traído pelas pessoas que ele mais amava? O pai estaria contra ele? Deus também estaria contra ele? Deus o havia abandonado? Ninguém o amava de verdade?...

Quando Abraão ergueu o cutelo, o anjo de Jeová deteve a sua mão. A fé demonstrada por Abraão não fora depositada erroneamente; Deus forneceu um carneiro, que estava preso ali, numa moita daquele monte, para que pudesse ser apresentado como oferta queimada em lugar de Isaque. (Gênesis 22:9-14) Abraão, portanto, reconhecendo “que Deus era capaz de levantá-lo até mesmo dentre os mortos”, deveras recebeu Isaque “em sentido ilustrativo” de volta de entre os mortos. Deus havia dito que através de Isaque ele teria muitos descendentes (Hebreus 11.17-19).

De todos os altares que edificou nenhum, porém, foi mais importante do que o edificado sobre o monte Moriá.

Este episódio dramático provava a fé e a obediência não só de Abraão, mas também de seu filho, Isaque. A tradição judaica, registrada por Josefo, diz que Isaque tinha 25 anos naquela época. Seja como for, ele tinha idade e força suficientes para carregar, montanha acima, considerável quantidade de lenha. De modo que podia ter resistido a seu pai, de 125 anos, quando chegou a hora para ser amarrado, caso tivesse preferido rebelar-se contra os mandamentos de Deus. (Jewish Antiquities [Antiguidades Judaicas], I, 227 [xiii, 2]).

Afinal, quem é o Deus de Isaque?

Experiência dramática com o pai no Monte Moriá (Gênesis 22.7-10) – sempre se fala da obediência de Abraão, mas Isaque também foi obediente. Já adolescente ou possivelmente jovem adulto, ele ajudou nos preparativos para o sacrifício e permitiu que seu pai o amarrasse e o colocasse sobre a lenha no altar. Nada indica que ele protestou ou resistiu... e ele não tinha lido Gênesis 22 para saber o que aconteceria!

O casamento com Rebeca

Por meio do casamento de Isaque, a continuação da linhagem da promessa seria mantida, por isso Abraão se preocupava em tomar uma esposa da sua parentela para o seu filho.
A história do encontro entre Isaque e Rebeca e o casamento deles está escrita em Gn 24.1-67.

Podemos resumir citando alguns detalhes desta passagem riquíssima da seguinte forma: Assim como o mordomo separou a noiva para Isaque e a enfeitou para o encontro, o Espírito Santo separa a Igreja e adorna a noiva para o encontro com o seu noivo.

Rebeca aceitou ir com o mordomo, embora nunca tivesse visto Isaque face a face, entretanto, não se decepcionou, ao contrário, o encontro com o noivo foi melhor do que ela poderia imaginar e ele a amou, diz a Palavra de Deus. Do mesmo modo, pela fé nós cremos em Jesus, e, mesmo sem ter visto ao Senhor face a face, o amamos e confiamos no seu infinito amor. Certamente ele virá ao nosso encontro e o Espírito nos conduzirá a Cristo nos ares. Sem dúvida ele é muito mais maravilhoso do que possamos imaginar! Nós o veremos e contemplaremos a sua glória!

Isaque, o patriarca das promessas cumpridas.

Isaque ocupa posição central na aliança entre Deus e os patriarcas. Em Gênesis 12.1-3 Deus fala com Abraão e promete fazer dele uma grande nação e bênção para todos os povos da terra. Abraão obedece a Deus, deixa Ur, sua cidade natal, e segue de mudança para a terra de Canaã. O tema da promessa de Deus e da obediência de Abraão continua em Gênesis 17: Deus expande o assunto da aliança, acrescentando “a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara lhe dará no ano que vem, por esta época” (17.21). O supremo ato de fé e obediência está no sacrifício de Isaque relatado no capítulo 22. O resultado é a ratificação enfática das promessas de Deus (22.15-18). A mensagem central é que a aliança inclui tanto a promessa de Deus quanto a obediência do homem.

A descendência de Isaque

A exemplo de seu pai, Isaque também tinha um problema: Sua esposa era estéril! Como poderia se cumprir a promessa de Deus sem um filho? Além de Rebeca ser estéril, o tempo estava passando...

No capítulo 25 de Gênesis, versículos 19-21, vemos Isaque orando ao Senhor, pois sua esposa Rebeca era estéril. O casamento de Isaque e Rebeca fazia parte do plano de Deus pois nele novamente se percebe que as bênçãos do Senhor não dependem do esforço humano, mas sim do poder e da graça do Senhor. O único meio de Rebeca engravidar seria com a intervenção de Deus.

A gravidez de Rebeca foi um milagre, haja vista ela ter permanecido estéril por vinte anos (compare Gn 25.20 com Gn 25.26).

Outra vez a Graça de Deus é ressaltada!

Vemos o mesmo milagre que ocorreu na vida de Sara, agora se repetindo na vida de Rebeca, e, pela 2ª vez, uma estéril engravida.

Isaque agora daria continuidade à linhagem do seu pai e as promessas do Senhor permanecem vivas; dois filhos estavam no ventre de Rebeca, entretanto somente um foi escolhido por Deus; e o mais velho serviria ao mais novo (Gn 25.21-26). O mais novo seria Jacó, o terceiro e último patriarca que daria origem as doze tribos de Israel.

Isaque mostra que Deus cumpre as promessas que faz.

Os quatro elementos da promessa feita a Abraão (12.1-3) começam a cumprir-se em Isaque: 1) terra - ele permanece em Canaã após a morte de seu pai aprofundando ali as raízes familiares em obediência a Deus; 2) descendentes – continua a linhagem através de Jacó, após o qual a multiplicação de descendentes acelerou; 3) relacionamento especial com Deus - foi temente a Deus e por ele grandemente abençoado; d) bênção às nações – durante o tempo que Isaque morou em Gerar, já aparecem pequenos sinais de bênção para as nações.

Enfim, embora não tão proeminente quanto seu pai ou seu filho na narrativa de Gênesis, Isaque foi um elo fundamental no desenvolvimento da nação de Israel e no cumprimento da aliança de Deus com Abraão e seus descendentes. Sua história tem muito a nos ensinar.

Significado de Outras Referências Feitas a Isaque

Por toda a Bíblia, Isaque é mencionado dezenas de vezes na conhecida expressão “Abraão, Isaque e Jacó”. Às vezes, o ponto que se quer frisar relaciona-se com Jeová, como sendo o Deus a quem estes patriarcas adoravam e serviam. (Êx 3:6, 16; 4:5; Mt 22:32; At 3:13) Outras vezes, a referência é ao pacto que Deus fizera com eles. (Êx 2:24; De 29:13; 2Rs 13:23) Jesus também empregou esta expressão de modo ilustrativo. (Mt 8:11) Em certo caso, Isaque, o antepassado patriarcal, é mencionado num paralelismo hebraico, junto com seus descendentes, a nação de Israel. — Amós 7:9, 16.

Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.Th.D.;D.Hu.)

(O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina, é Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário, Psicanalista e Pós Graduado em Ciências Políticas e em Psicanálise, Doutor em Psicologia e em Humanidade, Diretor da Faculdade Teológica Manancial e Professor do Seminário Teológico Kerigma). 

Facebook: Adayl Manancial

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