quarta-feira, 1 de junho de 2016

DEVERES CIVIS, MORAIS E ESPIRITUAIS - Lição 10 EBD/CPAD - Subsídio Teológico


DEVERES CIVIS, MORAIS E ESPIRITUAIS - Lição 10 EBD/CPAD - Subsídio Teológico por Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição


OBRIGAÇÃO ÀS AUTORIDADES  - ROMANOS cap. 13.

Apesar do fato que o crente não mais pertença a este mundo pela salvação em Cristo, ele ainda tem a responsabilidade ao governo. O melhor cidadão deve ser o crente.  O crente deve exercer o seu privilégio como cidadão. Grandes homens como José e Daniel tiveram ministérios espirituais e ainda trabalharam nos governos dos incrédulos. O Espírito ainda pode usar crentes dedicados para fazer só a responsabilidade de votar ou até ser presidente da república. Neste capítulo Paulo nos dá motivos para obedecer ao governo humano. 

DEVERES CIVIS

Então, Pedro e os demais Apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”. Atos 5:29 - Quando, respondendo a uma cilada dos fariseus, Jesus disse “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Lc 20:25), Jesus definiu, clara-mente, que o cristão tem responsabilidades de duas naturezas: espirituais (para com Deus) e civis (para com o Estado).

O Cristão e o Estado (13:1-7).

A relação dos cristãos quer como súditos individuais querem unidos em corpo social na vida da igreja, com as autoridades governantes, estava destinada a tornar-se especialmente crítica dentro da década seguinte à produção desta epístola.

Enquanto a igreja era, mormente composta de judeus, não faltavam problemas desta espécie, mas não eram tão graves como vieram a ser mais tarde. A posição dos judeus no Império Romano era regulamentada por uma série de editos imperiais. Na verdade, os judeus, como uma nação sujeita ao Império, gozavam de privilégios verdadeiramente excepcionais.

Sua religião estava legalmente registrada como religio licita, e suas várias práticas religiosas que os distinguia dos gentios eram-lhes autorizadas. Essas práticas podiam parecer absurdas e supersticiosas aos romanos, mas eram protegidas nada menos que por lei imperial. A política imperial proibia os sucessivos governadores da Judéia de levarem os estandartes militares, com imagens imperiais anexadas a eles, para dentro das muralhas da santa cidade de Jerusalém, pois isto era uma afronta às suscetibilidades religiosas dos judeus. Se pela lei judaica um gentio violava os átrios internos do templo de Jerusalém cometendo um sacrilégio passível de pena de morte, Roma confirmava a lei judaica sobre isso a ponto de ratificar a sentença de morte por tal violação, mesmo quando o transgressor fosse um cidadão romano.

Jesus lhes tinha firmado um precedente nesta matéria, como em muitas outras mais, pois, conquanto Suas palavras: "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mc 12:17) tenham sido ditas com referência a pagamento de impostos, expressam um princípio de aplicação mais geral.

Paulo coloca a questão toda num nível bem alto. Deus é a fonte de toda autoridade, e os que exercem autoridade na terra o fazem por delegação dele. Daí, desobedecer-lhes é desobedecer a Deus. O governo humano é ordenação divina, e os poderes de coerção e de exigência de serviços que ele exerce lhe foram confiados por Deus, para repressão do crime e incentivo à justiça. Então, os cristãos de todas as nações devem obedecer às leis, pagar as taxas e respeitar as autoridades — não porque será pior para eles se não o fizerem, mas porque é um modo de servir a Deus.

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores.

- "Toda alma esteja sujeita aos poderes superiores." "O capítulo treze da Epístola aos Romanos", diz J. W. Allen, "contém o que talvez constitua as palavras mais importantes já escritas na história do pensamento político. Contudo (prossegue ele) seria grosseiro engano supor que os homens, em alguma época, tomaram de Paulo as suas opiniões políticas.

"Toda alma" (psuchê) significa simplesmente "toda pessoa". E que dizer dos "poderes superiores"? O conceito bíblico geral é que o poder secular é exercido pelas "hostes celestes" no céu, bem como pelos "reis da terra, na terra" (Is 24:21). É igualmente certo que o plural de “exousia” ("poder") é usado livremente por Paulo no sentido de potestades angélicas, quer benignas, quer malignas (ver 8:38; Cl 1:16, 2:10, 15; Ef 1:21, 3:10, 6:12).

O ESTADO

O propósito do Estado.

O sujeitar-se às autoridades não implica em servilismo, é apenas uma obediência positiva e necessária como se fosse ao próprio Senhor. É o mesmo termo usado para a sujeição de um irmão ao outro (1 Co 16:16), da esposa ao seu marido e da Igreja a Cristo (Ef 5:24), o espírito do profeta ao profeta (1 Co 14:33) e, naturalmente, tudo no temor de Cristo (Ef 5:21).

As autoridades são como servos de Deus para trazer ordem à sociedade, ou espada, como Paulo diz. São usados por Deus para exercer justiça sobre aquele que pratica a injustiça.

Nossa consciência deve ser motivada a se sujeitar as autoridades, não por ter medo delas, mas porque elas são servas de Deus para sua justiça.

(Por mais que a autoridade não cumpra seu papel moral com a sociedade, não devemos nos rebelar contra ela, mas orar, para que Deus possa exercer sua justiça sobre aquele que praticou a injustiça, pois acima de toda autoridade esta DEUS!).

Paulo usa uma frase bem familiar com a de Jesus em (Mateus 22:21), que devemos pagar a todos o que lhe é devido; tributo, que é o imposto devido ao poder público, respeito que é sobre qualquer autoridade (pais, empregadores, professores, pastores e outros), honra, que seria uma espécie de reconhecimento ao que merece ser reconhecido.

Sem autoridades em uma sociedade, sejam elas civis, militares ou religiosas, tudo se transfor-maria em anarquia. É inimaginável viver em comunidade sem o papel das autoridades – um caos.

A IGREJA E O ESTADO

A obediência aos governantes (13:1-7)

- O crente ficou liberto de todo o principado, autoridades e poderes, por estes terem sido derrubados e destruídos. Contudo, não podemos nos envolver num fanatismo religioso transformando o Evangelho numa lei para a vida pública. Um legalismo deste tipo seria condenado. Paulo exige a submissão dos crentes às autoridades, afirmando que elas são instituídas por Deus, são servos de Deus. Resistir-lhes, será resistir ao próprio Deus, atrair o castigo das autoridades e o juízo de Deus.

O fazer o bem traz louvor, distinção honorífica, palavras lisonjeiras? Seria esta uma linguagem irônica de Paulo? (13:3). O cristão procura operar o bem para a paz de sua própria consciência. A obediência exigida é total. Desde o respeito que se atribui até o imposto que se paga. Tudo é devido.

No entanto, há de se observar que não podemos ter uma postura de subserviência, uma submissão e obediência às autoridades de modo acrítico ou cego.

Deus deu ao homem o poder de pensar, questionar e nos capacitou com um dom precioso: o discernimento. Esse nos foi dado para que, em qualquer ocasião, possamos discernir a vontade de Deus, para que possamos entender o que é certo e o que é errado, e para decidir entre o bem e o mal.
Um bom exemplo disto é sempre tomar Jesus como modelo. Nele está encarnada a soberana vontade de Deus. A velha pergunta que precisa ser feita é: Se Jesus estivesse aqui, o que faria?  Esta é uma boa forma de colocarmos na balança as autoridades.

Os impostos visam ao sustento das próprias autoridades e, portanto, à manutenção de seus serviços e ao bem geral da coletividade. Pagamos impostos e recebemos escolas, calçamento e saneamento de ruas, postos de saúde, policiamento, garantias jurídicas, proteção militar, etc… O cristão deve contribuir com seus impostos alegremente.

O COMPORTAMENTO DO CRENTE

Uma vez que o crente recebe a justificação por meio de Jesus Cristo, deve andar “de modo digno da vocação a que fostes chamados”. Isso será demonstrado através de sua conduta, o seu viver diário. A Palavra de Deus nos fornece inúmeros modelos para aplicarmos em nossa vida. Devemos ser cidadãos dignos. A conduta do crente deve refletir a de uma pessoa trans-formada, que foi lapidada pelo poder do Espírito Santo. Somente por meio da Palavra de Deus é que iremos saber se o comportamento do crente é correto ou não.

Deus introduziu governo humano, depois do dilúvio, quando determinou, "Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado" (Gênesis 9:6). Esse mandamento concedeu autoridade aos homens para fazerem julgamentos em matéria criminal e castigar os infratores.

Os crentes podem viver vitoriosamente numa democracia, numa monarquia constitucional, ou mesmo num regime totalitário. É de se notar que quando esta carta foi escrita, Nero era imperador romano e perseguia cruelmente os cristãos.

Não se deve entender, porém, que Deus tenha instituído determinadas pessoas, mas sim o princípio de governo e de autoridade cujos fins estão mencionados nos vs 3 e 4 de Romanos capítulo 13. Quando pessoas corruptas alcançam o poder, pervertem a instituição de Deus, contribuindo para a injustiça, a violência, a exploração, a desordem e a corrupção. Tornam-se, às vezes, terror para os que fazem o bem, como Nero, Domiciano, os estados a serviço da Igreja Romana, durante a Inquisição, Hitler, Saddam Hussein, os ditadores, e outros. Claro está que tais homens não merecem a aprovação de Deus e nem a nossa.

RESPONSABILIDADES CIVÍS DOS CRISTÃOS

O governo humano é fundamental para a convivência do homem na sociedade e é perfeitamente aprovado por Deus. O cristão tem como obrigação garantir o cumprindo das leis. O cristão deve se submeter às autoridades, não somente por encargo de consciência, mas também devido ao castigo que é imposto àqueles que são infratores das leis estabelecidas pelo governo. É óbvio que não se torna um bom testemunho para o cristão que é achado em falta ou em estado de insubmissão para com o governo, pois primeiramente não está sendo insubmisso para com o governo, e sim, para com Deus, que foi Quem o constituiu (Rm 12.1; 13.1,2; Dn 4.25-35; 5.21; Tt 3.1).

Nem toda autoridade é cristã. Há e certamente haverá muitos que são ímpios, tiramos, estes responderão pessoalmente a Deus (Ap 20.12). Agora, está também claro na Palavra de Deus que se a autoridade civil, legalmente constituída, for contra o que a Bíblia ensina, o cristão deve antes, obedecer a Deus do que aos homens (At 5.29).

Podemos ver, então, que a submissão do crente às autoridades manifesta-se de quatro maneiras:

a) a obediência às leis do país (ou do município).

b) o civismo: ‘fazendo bem’ como cidadãos, respeitando os direitos dos outros, não sendo desordeiros nem estragando os jardins, os parques e as outras propriedades públicas (Rm 13.3).

c) o pagamento de impostos e taxas legais; (Rm 13.4-7).

d) a honra (ou respeito) para com os oficiais do governo, conforme a sua posição (Rm 13.7). Para que uma pessoa tenha uma vida bem sucedida nos dias de hoje, é fator importante verificar qual é a sua capacidade em verificar a mão de Deus nas atitudes, nas ações, bem como nas reações daqueles que estão investidos de autoridade sobre a nossa vida.

DEVERES MORAIS

As dívidas morais: são dívidas que surgem em vista de nosso relacionamento pessoal com outras pessoas, por exemplo, promessas, o dever de proclamar o Evangelho ao mundo perdido.

A única dívida permitida é “o amor com que vos ameis uns aos outros”. Devemos estar sempre pagando esta dívida, mas ela nunca nos será quitada. É o amor que Jesus Cristo nos mostrou: profundo, altruísta, sacrificial, indiferente ao valor ou merecimento de quem é o seu objeto. Não é emotivo, mas prático. Todos os crentes devem este tipo de amor uns aos outros, sendo o cumprimento do grande mandamento: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” Alguns exemplos do não cumprimento deste mandamento são dados no versículo 9.

O cristão deve ser um cidadão exemplar.

- Reconhecido que o princípio de governo e da autoridade provém de Deus, fica estabelecido que os cristãos, ao invés de insubordinarem-se devem ser, ao contrário, os melhores cidadãos. E quais são seus deveres?

01). Responsabilidade de sujeição (Rm 13:1-5). O cristão deve obediência às autoridades de sua pátria. Essa obediência não se deve originar do temor a elas, mas sim da própria consciência, que reconhece ser a obediência a elas da vontade de Deus. Essa mesma verdade está também registrada em Tito 3:1 e I Pe 2:13,14.

02). Responsabilidade de honrar (Rm 13:7). A honra que se deve às autoridades é o respeito, a dignificação, o enobrecimento das autoridades por todos os cristãos. É pecado o trato desdenhoso, zombeteiro, de deboche e de desprestígio para com as autoridades, mesmo que elas não sejam de correntes políticas de nosso agrado.

03). Responsabilidade de pagar impostos (Rm 13:7).

As dívidas do crente

- O versículo 8 compreende um mandamento singular, pois o ensino em toda a Bíblia visa o comportamento dos credores, com respeito à compaixão que devem ter para com os seus devedores. Este abrange o cumprimento de todas as obrigações do crente como devedor, sejam elas civis, morais, financeiras ou de qualquer outra espécie, em consonância com os versículos precedentes (as obrigações civis) e o restante do versículo (a obrigação moral).

Como exemplo, vejamos três espécies de dívidas:

- As dívidas civis: como já vimos acima, o cumprimento das leis do país em que vive é uma obrigação de todo o crente (desde que não firam os mandamentos de Deus). A quem temor, temor, a quem honra, honra (Romanos 13:7). A regularização dos seus documentos, os serviços diversos como o militar, a participação em júri, eleições, e outros mais, são obrigações civis no Brasil que o crente precisa cumprir.

As dívidas financeiras: As obrigações financeiras exigem muita atenção, pois o seu cumprimento é geralmente uma das principais medidas para se avaliar a honestidade e integridade de uma pessoa. Empréstimos são parte da economia doméstica, geralmente necessários para se obter casa própria e aquisição de bens mediante cartão de crédito, bem como aos comerciantes, fazendeiros, produtores, etc, para desenvolverem as suas atividades. Não é pecado contrair um empréstimo, pois consiste em trocar um compromisso por um benefício, mas é a falta do pagamento na data contratada que o tornará “devedor” no sentido deste mandamento.

DEVERES ESPIRITUAIS

Consciência da salvação.

- "A nossa salvação está mais próxima do que quando cremos" (verso 11c). - A nossa salvação está mais próxima porque já passamos o tempo em que ela se manifestou como justificação, que foi quando cremos em Jesus Cristo como Salvador. Estamos no tempo da santificação e chegará o tempo da glorificação. A salvação mais próxima, referida pelo apóstolo Paulo, é a salvação-glorificação. Alguns poderiam pensar que a salvação depende daquilo que fazemos, mas ela depende tão só da graça de Deus. A salvação-justificação já aconteceu. Nunca mais seremos condenados, porque já fomos absolvidos

Conhecendo o tempo - Romanos 13.11-14

- Existem muitas coisas e fatores na vida humana para os quais precisamos nos despertar a fim de então poder enxergá-los, e não obstante temos o dever de considerá-los, para que não venhamos a inutilizar ou até perder nossas realizações, ou ainda até a destruir a nós mesmos através do descaso a esses fatores, ou da falta de conhecimento deles.

A Escritura Sagrada fala com propriedade sobre o tempo e sua alocação para cada ato nele. É preciso estar atentos a ele enquanto o calendário escorre os seus numerais. Não devemos jamais subestimar o fator tempo na dimensão espiritual, olhando para nós mesmos sem visão de espectro, sob pena de com isso limitarmos e restringirmos a preeminência do anúncio do Evangelho da graça de Deus aos homens.

Conhecendo o tempo, é preciso saber como anunciar a “tessalonicenses”, mas também é necessário saber como fortalecer a “bereanos”. É preciso saber discernir o momento de singrar as grandes terras dos “macedônios”, todavia também se faz necessário não desprezar as oportunidades das terras “licaônicas”. É preciso saber como acessar os procônsules, entretanto também é necessário saber como repreender e rejeitar os magos encantadores.

Conhecendo o tempo, é preciso saber como chegar aos empreendedorismos das “Lídias”, mas também é necessário saber não desprezar a simplicidade das “Dorcas”. É preciso saber como lidar com os açoites das varas, porém é necessário também não deixar passar o momento do impacto aos muitos “carcereiros filipenses” pedintes de luz.

Conhecendo o tempo, é preciso ter o senso, a certeza e a consciência dos efeitos e resultados das curas e milagres de restauração na vida de muitos coxos, porém é necessário saber como chegar diante dos sacerdotes e capitães dos templos para dar contas às respostas de revanches-mos e levantes.

CONCLUSÃO.

- Busquemos cumprir, eficientemente, a nossa responsabilidade de “fiéis testemunhas” do Evangelho, perante o mundo, pelo nosso viver, na vontade soberana do Senhor. Vejamos, prudentemente, como andamos, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus (Efésios 5:15).

Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.;Th.M.;Th.D.;D.Hu.)
Assembleia  de Deus - Ministério do Belém em Santos  - São Paulo.

O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição, foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exer-ceu seu ministério na Republica Argentina; é Licenciado, Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia,  e Diretor da Faculdade Teológica Manancial.

Facebook: adayl manancial

Bibliografia:
  • Adaylton de Almeida Conceição – Carta aos Romanos
  • F. F . Bruce – Romanos – Introdução e comentário
  • Ibi Batista – O Cristão e as Autoridades
  • Pr Cléverson – Nossa Conduta nos últimos dias
  • R David Jones – O Comportamento do crente

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