quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A EVANGELIZAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA - EBD/ CPAD - Subsídio Teológico


A ORIGEM DAS DEFICIÊNCIAS NA JUDÉIA                                                                                                                          
Se analisarmos com cuidado os Evangelhos narrados por quatro diferentes autores (Mateus, Marcos, Lucas e João) verificaremos que havia uma crença bastante arraigada no povo judeu daquelas épocas, de que a maioria dos males que afetavam os seres humanos era consequência da interferência de maus espíritos ou de um desconhecido sistema de pagamento por pecados antigos.

Na verdade, estudiosos dos usos e costumes antigos dos povos do Oriente Médio indicam que a medicina contida tanto nos Evangelhos quanto nos Atos dos Apóstolos aceitava três tipos de causas para as muitas limitações e deficiências: o castigo pelos pecados, a interferência direta dos maus espíritos e as forças más da natureza, contra as quais apenas o poder divino era o único remédio.

O destino das pessoas com deficiência

Na Judéia antiga, dos tempos de Jesus Cristo, o destino das pessoas que tinham qualquer deficiência era esmolar para conseguir sobreviver. Os cegos, os amputados, os paralíticos pelas mais variadas causas, acabavam expostos pelos caminhos, ruas, logradouros e praças públicas. Lucas afirma: "Vai já pelas praças e pelas ruas da cidade e traze cá os pobres e os aleijados, e cegos e coxos."

JESUS E OS ENFERMOS NO EVANGELHO DE MARCOS

Os enfermos eram proibidos de conviver com o povo; marginalizados, chamados de pecadores e impuros, alguém que foi castigado por Deus! Os enfermos eram os leprosos, deficientes físicos, doentes mentais, cegos, surdos, mudos, coxos e outros… O Evangelho de Marcos é repleto de curas. Um leproso (1,43-45); um paralítico (2,1-12); o homem da mão seca (3,1-6); a filha de Jairo (5,21-14.35-43); a mulher com sangramentos (5,24b-34); o cego de Betsaida (8,22-26); o cego de Jericó (10,46-52).

Movido por compaixão, Jesus acolhia os enfermos, dava-lhes atenção, os elogiava pela fé e, em nome da fé os curava. Rompendo com a marginalização e a condenação moral das pessoas, Jesus condenava a ideia de que a doença era um castigo de Deus e o doente um amaldiçoado. Um exemplo disso é evidenciado em João, na discussão sobre o cego de nascença (Jo 9,1-41).

A compaixão é um dos sentimentos mais bonitos de Jesus de Nazaré. Ele se colocava no lugar do doente e sentia as suas dores e sofrimentos. Em Jesus, a compaixão se revela como a face mais bela do amor (Mc 8,2). Concluindo, no evangelho de Marcos, Jesus devolve à vida, a saúde, a dignidade para as pessoas e perdoa os seus pecados.

O HOMEM QUE TINHA A MÃO MIRRADA: - Marcos 3.1-6

Ao lermos a Bíblia encontramos um relato escrito nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, sobre um dia de sábado no qual Jesus, entrou em uma sinagoga para ensinar, e vendo que ali estavam os fariseus, que o seguiam afim de encontrar nele algo no qual condená-lo, sabendo o que se passava em seus corações, resolve confrontar sua religiosidade, com a verdade libertadora de seu evangelho integral.

Jesus realiza ali cura de um personagem que aparece no texto de forma rápida mas que contem uma participação fundamental e significativa para o momento.

Marcos 3:1-6 -  E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada. E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem. E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio. E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se. E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra. E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam”.

Segundo tradição histórica judaica, nos tempos de Jesus, veremos que este homem que tinha a mão mirrada, assim como qualquer um que nascesse com alguma deficiência, era mal visto pela sociedade na época, pois afirmavam que a deficiência de alguém era fruto de um pecado seu ou de seus pais, portanto, eram considerados impuros por todos.

Eles não podiam entrar no Templo de Jerusalém, devido a serem considerados impuros, restando-lhes somente as sinagogas, que como lugar de ensinamento da Toráh, as quais eram abertas a todos, portanto, o único lugar onde alguém em tais condições podia mesmo que por um pouco tempo, ouvir e aprender a Palavra de Deus. Claro que o acesso livre de pessoas com deficiência a esses lugares tinham algumas restrições, pois ficavam dentro da sinagoga porem em cantos específicos e reservados para pessoas consideradas impuras, não podendo em momento algum, se encontrar junto aos demais que ali estavam.

A CURA DE UM SURDO-MUDO

De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao Mar da Galiléia, através do território de Decápolis. Então, lhe trouxeram um surdo e  e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou na língua do homem ; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente. Mas lhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divul-gavam. Maravilhavam-se sobremaneira, dizendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem; não somente faz ouvir os surdos, como falar os mudos” (Mc 7: 31-37).

A CURA DO CEGO DE JERICÓ

Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim. E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus. E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.” (Marcos 10:46-52).

Bartimeu era cego, ou seja, tinha uma deficiência física. Não sabemos se sofreu um acidente ou se era um problema congênito, mas o interessante é que, embora fosse biologicamente cego, tinha uma visão espiritual. Mesmo não enxergando, aceitou Jesus como o “Filho de Davi” e compreendeu que poderia ser ajudado por Ele; reconheceu a sua situação sem nenhuma vergonha e sem medo algum; entendeu que poderia sair daquela vida miserável, caso fosse a vontade de Deus que alcançasse a cura. Então tomou a decisão de clamar: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim.”

O clamor de Bartimeu foi, provavelmente, a melhor decisão da sua vida. Ignorou todas as pessoas que pediam para que se calasse e deixou de lado aquelas que, ao invés de palavras de apoio, traziam mensagens de desesperança, de humilhação e de zombaria. Ouviu apenas o seu coração e continuou clamando.

O Salmo 51:17b diz: “... a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” E Jesus realmente não o desprezou.

O cego atraiu a atenção do Mestre e obedeceu a Ele. Quando o Senhor pediu para que  se levantasse, levantou-se; quando Jesus perguntou o que queria, Bartimeu respondeu. Essa obediência foi um sinal de fé daquele homem. Fé esta que deu ao cego essa percepção de que Ele estava diante dAquele que implantava neste mundo o Reino de Deus. “... E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou.”

Quantos cegos Jesus curou?

Na Bíblia Jesus aparece curando a pessoas cegas em: Mt 20,29-34, os dois cegos de Jericó, que também está em Mc 10,46-52 e Lc 18,35-43,  o cego de Betsaida; em Mt 9,27-31 a cura dos dois cegos na Galiléia e em Jo 9,1-41 a cura do cego de nascença em Jerusalém. Cada texto descreve a cura como cada comunidade o entendeu na época. Quanto à quantidade de pessoas cegas que Jesus curou os textos referem-se apenas a estas, mas não podemos nos esquecer que em Mt 11,5 diz: ”Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho”, a mesma referência aparece também em Lc 7,22. Não há quantificação, apenas o ato de fazer pessoas ver é mencionado. Também em Jo 20, 30 diz que: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro”.

A CURA DO PARALITICO DE CAFARNAUM

Quando Jesus voltou para Cafarnaum depois de sua primeira viagem missionária, as pessoas reuniram-se para vê-lo.

Naquele dia havia muitos que foram para ouvir a palavra de Deus. Queriam ouvir de bom grado, algo novo da parte de Deus. Tinham sede e fome da palavra e a guardavam em seus corações.

Havia os convidados por amigos, parentes e familiares. Eram incentivados a ouvir a palavra de Deus. Acontece nos dias de hoje ainda. Quantas pessoas só vão à uma reunião por muito esforço daqueles que os convidam. Havia aqueles que estavam ali por suas "próprias pernas". Não precisou de ninguém convidar.

"E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra." Marcos 2:2.

Mas um homem paralítico não podia se juntar à multidão, ele apenas ficou lá olhando as pessoas passarem por ele. Até que, quatro de seus amigos se importarem o suficiente para buscá-lo e trazê-lo para Jesus.

Mas, então, se depararam com um problema a multidão era tão espessa que eles não poderiam fazer o seu amigo passar através da porta. Eles poderiam se consolar, porque eles tentaram, em seguida levaria o pobre homem para casa. Mas eles estavam mais determinados do que isso. Eles o içaram para cima do telhado, abriram um buraco na palha, e baixou-o para baixo.

Muitas vezes Jesus havia realizado curas e milagres diretamente, entretanto com o paralítico de Cafarnaum, ele faz uma declaração de perdão primeiro.

E esta declaração causa um alvoroço entre os presentes. Muitos não puderam entender ao que Jesus se referia. Porque não simplesmente declarar a cura? Qual a real necessidade de primeiro perdoar pecados?

"E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filhos, perdoados estão os teus pecados" - Marcos 2:5. Primeiro de tudo, note que a fé é algo que deve ser visível.

Alguns escribas tomaram aquela declaração como provocação à sua religiosidade. "E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?" Marcos 2:6-7.

DEUS QUER QUE TODOS SEJAM SALVOS

O Evangelho não conhece fronteiras. Saiu da Palestina e do judaísmo para alcançar os samaritanos e os gentios, incluindo sucessiva e crescentemente mulheres, crianças, os escravos, os pobres, negros, índios e os povos dos "confins da terra".

Mas um grupo em especial não recebeu e nem tem recebido a atenção necessária por parte da Igreja: os portadores de deficiência. Ainda são poucas as igrejas que têm se despertado para acolher, evangelizar, ensinar e tornar as pessoas portadoras de deficiência participantes ativas dos cultos, das classes da Escola Dominical, dos ministérios e outras programações.

Diante da história de descaso com os portadores de deficiência e dos muitos desafios missionários, poucas igrejas se deram conta da necessidade de facilitar o acesso de pessoas cadeirantes (que se locomovem em cadeiras de roda).

Deus quer que essas pessoas sejam alcançadas pelo Evangelho, que sejam salvas e batizadas, que façam parte da família da fé e sejam capacitadas a serem testemunhas do amor de Deus. Mas como crerão se não conseguirmos lhes transmitir o Evangelho? Como farão parte da família se os acessos ao nosso lugar de culto e reunião lhes impede de entrar? Como permanecerão na igreja se não temos nos educado para acolhê-las, integrá-las e torná-las parte ativa e produtiva da comunidade de fé?

Deus quer que todos sejam salvos. A Igreja tem a competência de ir missionariamente ao encontro de todas as pessoas.

Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)

Assembleia de Deus Ministério do Belém em Santos - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
  • André Duarte – A Bíblia e os deficientes.
  • Marcellino D’Ambrosio - A maravilhosa cura do paralítico de Cafarnaum
  • Ronaldo Sabino de Pádua – Jesus e os enfermos do Evangelho de Marcos
  • Wesley de Sousa Câmara -  O cego de Jericó
  • Fagner P. dos Santos – O homem que tinha a mão mirrada
  • A Por Israel do Nascimento Silva - Cura do Paralítico de Cafarnaum
  • Alex Gama - Quantos cegos jesus curou?





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