terça-feira, 1 de novembro de 2016

Evangélico, deputado Roberto de Lucena pede que Brasil reconsidere voto contra Israel

Itamaraty diz que “busca equilíbrio e imparcialidade em decisão da Unesco”

Após a divulgação de que o Brasil havia votado novamente em desfavor de Israel na reunião da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em outubro, houve muitos protestos por parte de judeus e evangélicos.
Com parte da imprensa nacional fazendo uma cobertura parcial dos fatos e muita informação incorreta sendo compartilhada nas redes sociais, o assunto gerou polêmica.
Preocupado com o voto do Brasil nas últimas sessões do Conselho Executivo da UNESCO, o deputado federal Roberto de Lucena (PV/SP) cobrou explicações do Ministério das Relações Exteriores sobre esse posicionamento. “Quase um quarto da população brasileira é evangélica e Israel é a segunda casa de cada cristão. Como evangélico, cristão e deputado, não posso compactuar nem apoiar qualquer governo que aprove um texto parcial e desequilibrado, claramente prejudicial a Israel”, enfatizou o parlamentar.
O gabinete do ministro das Relações Exteriores José Serra enviou um comunicado, afirmando que o Brasil “está trabalhando para que a aprove decisão mais equilibrada e imparcial sobre a preservação do patrimônio cultural e religioso da Palestina”. Uma reunião sobre o assunto foi realizada na última quinta-feira (27) no gabinete de Lucena, na Câmara dos Deputados.
A justificativa do Itamaraty é que, para o governo brasileiro, o texto aprovado recentemente, mesmo não sendo o adequado, teve avanços em relação ao aprovado anteriormente. O Brasil entende que o novo texto reconhece os vínculos das três religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo) com a Cidade Velha de Jerusalém. Esse seria um primeiro passo para  uma abordagem mais isenta e construtiva sobre o tema.
Roberto de Lucena, que é pastor da igreja O Brasil para Cristo, anunciou que vai mobilizar as bancadas evangélica e católica no Congresso, além de chamar o Grupo de Amizade Brasil-Israel para debater o assunto. Ele espera contar com o apoio de lideranças cristãs de todo o país, bem como das entidades judaicas. “Vamos acompanhar de perto todas as ações do governo brasileiro referentes a este tema, na expectativa de que o texto continue evoluindo para o adequado e justo”, finalizou o parlamentar.
Posicionamentos conflitantes
Durante os 13 anos de governo petista, o Brasil vinha apoiando as decisões da ONU contra Israel. O não reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a recusa em receber o embaixador indicado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixaram a relação dos dois países em um impasse que não foi resolvido após Michel Temer assumir a presidência.
O Ministério das Relações Exteriores comandado por José Serra havia feito uma sinalização nesse sentido em junho, quando o Itamaraty, decidiu mudar o voto brasileiro na 199ª Sessão da Unesco, realizada em abril – Dilma ainda era presidente.
Na ocasião, foi debatido os direitos pelo patrimônio cultural nos territórios conquistados por Israel na Guerra dos Seis Dias. O texto, que era abertamente pró-palestinos, foi aprovado por 33 votos a favor (incluindo o do Brasil).
Já na 200ª sessão do Conselho Executivo da Unesco, realizada em outubro, houve nova mudança de postura na condução do tema. A moção apresentada por países árabes que apoiam a causa palestina (incluindo Egito, Marrocos, Argélia, Líbano, Omã, Catar e Sudão) nega a ligação histórica do Monte do Templo com Israel..
A representante do governo brasileiro afirma que atuou para uma revisão do texto aprovado. Apesar de ter votado com a maioria, o Brasil deixou claro que a resolução manteve problemas e linguagem incompatíveis com um tratamento equilibrado do tema, especialmente ao atribuir a Israel a responsabilidade pelo ciclo de violência na região.
Uma nova reunião do Comitê Executivo da Unesco ocorrerá no primeiro semestre de 2017. A   201ª Sessão Deliberativa voltará a tratar do tema. O Itamaraty esclarece que o Brasil está trabalhando, juntamente com outros países membros do Comitê, para que “o texto da resolução sobre a preservação do patrimônio na região evolua ainda mais, a fim de que os pontos conflitantes e mais complexos, considerados excessivos, possam ser revistos”.

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