terça-feira, 22 de agosto de 2017

Fundador da Hillsong diz que religião não é desculpa para discurso de ódio


Brian Houston diverge dos demais pastores sobre aprovação do casamento gay na Austrália

O fundador da Hillsong, pastor Brian Houston, decidiu se manifestar sobre o plebiscito que ocorre na Austrália sobre a legalização do casamento gay. Enquanto diferentes arcebispos católicos condenaram com veemência, Houston preferiu dizer que cada um deve votar "segundo sua consciência".
Conhecido internacionalmente, o líder da Hillsong publicou uma declaração oficial no site da igreja, onde reitera que o ensinamento bíblico é "o casamento entre um homem e uma mulher", mas diz que existem "muitas ramificações" quando se trata da definição do que é  casamento.
"Para os cristãos", disse ele, "essa também é uma questão de fé e de ensino bíblico, algo que nunca deve ser ridicularizado ou minimizado por aqueles com visões opostas".
Embora o casamento homoafetivo não seja legal na Austrália, isso deverá mudar após o plebiscito que ocorrerá no próximo mês.  Pesquisas indicam que 62% da população é favorável à medida.
Segundo Houston, cada australiano deve votar de acordo com sua consciência. Ele escreveu: "Ao longo de todo esse debate, pessoas dos dois lados não conseguiram entender e respeitar os pontos de vista dos outros. Alguns dos que defendem a mudança na definição de casamento confunde suas convicções de fé com o fanatismo".
O pastor não poupou aqueles que iniciaram campanhas na internet e também com outdoors pelo país, condenando a prática e dizendo que ela viola a "liberdade religiosa".
Muitos cristãos australianos estão sendo acusados de propagar "discurso de ódio", por classificarem o casamento gay de “abominação” e lembrarem aos seus praticantes sobe "o fogo do inferno". A maioria dos pastores se pronunciou contrário e estão fazendo campanhas para que a proposta seja rejeitada.
Para Houston, essa postura é equivocada: "Infelizmente, alguns usam o cristianismo para excluir e até mesmo condenar aqueles que são homossexuais e ignorar o desejo deles de buscarem a felicidade. Como pastor cristão, sempre ensinei e preguei de acordo com a Escritura e minhas convicções pessoais, mas não posso fazer as escolhas das outras pessoas por elas. Deus criou a humanidade com livre arbítrio, e eu me importo com todas as pessoas, incluindo aqueles que acreditam de maneira diferente para mim".

Líderes católicos sentem-se ameaçados

O debate nacional sobre o assunto acabou se radicalizando quando o arcebispo de Melbourne, Denis Hart, advertiu aos 180 mil funcionários ligados a instituições católicas, incluindo funcionários de escolas e hospitais mantidos pela igreja, seriam demitidos caso casassem com parceiro do mesmo sexo.
"Eu quero deixar muito claro que nossas escolas, nossas paróquias existem para ensinar a visão católica do casamento”, disse Hart. “Qualquer palavra ou ação que contrarie isso seria algo muito sério".
O arcebispo de Sydney, Anthony Fisher, advertiu que em todos os países do mundo onde o casamento gay foi legalizado, "aqueles que defendem o casamento tradicional foram assediados ou forçados a engolir essa nova visão do casamento. Seria extremamente ingênuo pensar que isso não vai acontecer aqui".
Sugerindo que a liberdade religiosa estava em jogo na votação, Fisher questiona: "Quais proteções serão oferecidas às pessoas que trabalham para instituições dirigidas pela igreja, como escolas, hospitais e universidades? Os professores serão livres para ensinar o que a igreja defende sobre o casamento ou serão forçados a ensinar um currículo mais politicamente correto?".
Com informações Christian Today

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