sábado, 9 de maio de 2026

CRITÉRIOS BÍBLICOS PARA SABER EM QUEM VOTAR




CRITÉRIOS BÍBLICOS PARA SABER EM QUEM VOTAR




Num primeiro momento, antes de adentrarmos ao tema central, é necessário que nos conscientizemos de alguns pontos de suma importância.

O mundo vive grande crise de polarização política, uma divisão ideológica que invadiu casamentos, famílias, grupos de amigos e até mesmo igrejas locais, provocando cisões e inimizades entre irmãos biológicos e de fé.

A bem da verdade, durante muitos anos a máxima de que "crente não se envolve com política" ou "política é coisa do diabo", fez que a maioria dos cristãos evangélicos atuais crescessem com uma visão superficial sobre a política e atingissem apenas uma filiação religiosa sobre o tema, com um histórico de a igreja não discutir política com profundidade.

Consequentemente, essa atitude formou um público evangélico que, em geral, não é bem-informado sobre o tema em foco, de maneira a ficar alienado. Entretanto, por conta da obrigatoriedade, muitos votam de forma errada ou de forma descompromissada com nossos princípios e valores. Isso nos obriga a ter que aceitar que, se o cristianismo tem pouco a argumentar sobre política, por conseguinte, também tem pouco a contribuir com ela, o que não é verdade.

Por outro lado, uma visão teocrática para a política atual onde se apela a usar o Estado para obrigar pessoas à fé cristã, não se evidencia no mundo real. Da mesma forma, silenciar e se omitir de falar da fé cristã na esfera pública curvando-se à ideologias, não se constitui um elemento hermenêutico político correto para a igreja escolher.

Igualmente, demonizar a política aferindo a ela uma posição de igualdade com qualquer coisa má, não produz benefícios à igreja e nem contribui para um crescimento politizado de seus fiéis.

Em tese, a Igreja como organismo realmente não precisa da política, ela está alicerçada e firmada em Jesus, nosso Senhor, pois ele mesmo disse: "Também eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". - Mateus 16:18.

A Igreja de Cristo é aquela que não renuncia aos princípios éticos exarados nas Sagradas Escrituras e, para tanto, seguirá e servirá ao Senhor independente das circunstâncias, tempo e/ou adversidades.

Nessa perspectiva, quando falamos da igreja local, como organização, essa deve estar estabelecida de acordo com a legislação e normas vigentes do país onde está sediada, e se submeter às autoridades constituídas, cuja autoridade governamental é exercida pelos políticos.

Sobre isso a Bíblia diz: "¹Que todos estejam sujeitos às autoridades superiores. Porque não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas. ² Assim, aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. ³ Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Você quer viver sem medo da autoridade? Faça o bem e você terá louvor dela, ⁴ pois a autoridade é ministro de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, então tenha medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal. ⁵ Portanto, é necessário que vocês se sujeitem à autoridade, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. ⁶ É por isso também que vocês pagam impostos, porque as autoridades são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. ⁷ Paguem a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra". - Romanos 13:1-7

Nessa ótica, quando o apóstolo Paulo fala sobre sujeição à autoridade, não está se referindo simplesmente a homens como pessoas físicas, mas à responsabilidade outorgada aos tais. Na velha aliança, tais funções eram outorgadas pelo próprio Deus, mas hoje, no caso do poder público, são delegadas pelos eleitores através do voto. O voto do cidadão é a procuração para que os político governem durante a gestão do seu mandato.

UM RELATO

Em 22.02.2013, a Assembleia de Deus realizou o 1º Fórum para Prefeitos e Vereadores do Projeto Cidadania AD Brasil. Participaram do evento, membros da Comissão Política da CGADB, além de vereadores e prefeitos pertencentes à igreja em todo o país.

Naquele evento, este articulista na condição de membro da comissão, defendeu que, "muito embora a igreja não precise da política, à medida em que é uma instituição formada por cidadãos e, para o exercício de suas atividades, requer a construção de templos para o exercício das suas atividades, plantas, alvarás de licença, CNPJ, contabilidade, liberdade religiosa e de expressão. Para tanto, deve exercer a cidadania por meio de representação política. Salientou ainda que a igreja precisa ter representantes para defendê-la não como organismo vivo de Cristo, mas como instituição jurídica devidamente estabelecida na nação".

Temos a impressão de que a partir daí, por falta de conscientização e/ou de uma doutrinação mais abrangente, alguns cristãos entraram na política com motivações espúrias ou duvidosas, o que proporcionou escândalos, vergonha e desestímulo nos eleitores. Em outros, a abstinência política por décadas, gerou sede desenfreada pelo poder e, por último, a polarização ideológica já aqui citada, levou muitos a exageros e até mesmo à certa idolatria.

Em que pese tenhamos a necessidade de nos posicionarmos como cidadãos, não podemos nos esquecer que a igreja não é curral eleitoral, o púlpito não é palanque e não temos votos de cabresto. Num sentido mais amplo, o que precisamos focar e ensinar a tempo e fora de tempo é que a Igreja trabalha com princípios e valores:

1. Cremos na família tradicional e somos a favor da valorização do casamento à luz das Escrituras Sagradas – Gênesis 2:24;
2. Somos contra a relativização dos valores éticos e morais, somos a favor da verdade absoluta, somos criacionistas e contra a ideologia de gênero – Gênesis 1:27;
3. Somos a favor da vida e contra o aborto – Salmos 139:13-15.

A partir desses princípios e valores estabelecidos por Deus através da sua inerrante Palavra constante na Bíblia Sagrada, nossa regra de fé e prática, começamos a revelar o espectro do pensamento ideológico daqueles em quem devemos votar.

Na esteira das grandes transformações que caracterizam o mundo atual, a Igreja precisa crescer na graça e no conhecimento de Deus, para que tenha sabedoria e discernimento na hora da escolha dos seus candidatos.

Infelizmente, há cristãos que pelos seus interesses políticos, como facilidade de legenda, quociente eleitoral e outros, se filiam a partidos que negam e trabalham contra o princípio da fé que dizem professar, e portanto, quando ganham a eleição, se esquecem do eleitorado que o elegeu, e se tornam reféns do partido que lhe proporcionou espaço e legenda.

É importante que os crentes procurem tomar conhecimento sobre o que pensam tais candidatos sobre esses e outros temas de tamanha relevância para nós. Ter aparência, vestir-se e dar "A Paz do Senhor" como um evangélico, não garante se tal candidato pensa como nós ou, em chegando lá, defenderá nossos princípios e valores.

As motivações políticas do candidato, assim como a do eleitor, não podem ser baseadas em seus interesses particulares e ou congregacionais (tipo emprego, material de construção, etc...) afinal de contas, o foco é o interesse público e nossos valores e princípios, e não de locupletação.

O início dessa jornada pode parecer lucrativo, mas o final será trágico, e é o que temos visto. A Bíblia diz: "⁸ Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio; a paciência é melhor do que a arrogância". - Eclesiastes 7:8

Não há dúvida que é melhor e producente quando um justo governa: "² Quando os justos se multiplicam, o povo se alegra; quando o ímpio domina, então o povo lamenta". - Provérbios 29:2. A questão é saber se esse termo “justo” se aplica ao candidato escolhido.

Quando não analisamos esses fatores e votamos em candidatos que não pensam como nós e muitas vezes nem acreditam na forma como professamos, assinamos uma procuração para que sejam contra nós durante sua gestão.

Outra postura que deve ser exigida em quem pretende nos representar, é firmeza em suas convicções.

Alguns ícones da história bíblica são citados nas campanhas eleitorais, como servos do Senhor que se tornaram exemplos na vida pública, como forma de justificar a participação dos evangélicos atualmente. José como governador no Egito é um dos favoritos, mas vejamos que ele honrou a Deus nas circunstâncias mais adversas da vida, portanto: "O Senhor era com ele" – como mordomo na casa de Potifar - Gênesis 39:2-4; na prisão - Gênesis 39:21-23; na tentação - Gênesis 39:8-10

Muitos citam também os jovens hebreus, como exemplos de participação na vida pública, mas se esquecem que eles não se venderam pelas facilidades da Babilônia, senão vejamos:

"¹ No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou. ² O Senhor entregou nas mãos dele Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da Casa de Deus. Nabucodonosor levou esses utensílios para a terra de Sinar, para o templo do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus. ³ Depois, o rei ordenou a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, ⁴ jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, sábios, instruídos, versados no conhecimento e que fossem competentes para servirem no palácio real. E que Aspenaz lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. ⁵ O rei determinou que eles recebessem uma alimentação diária tirada das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia. Os jovens deveriam ser educados ao longo de três anos e, ao final desse período, passariam a servir o rei. ⁶ Entre eles, se achavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, que eram da tribo de Judá. ⁷ O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego. ⁸ Daniel resolveu não se contaminar com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; por isso, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. ⁹ E Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos". - Daniel 1:1-9

Daniel em função privilegiada e praticamente já com 80 anos de idade, não abriu mão de orar a Deus três vezes ao dia da janela do seu quarto sendo levado à cova dos leões, mas não abriu mão da sua fé. Deus não o livrou da cova, mas o livrou da boca dos famintos leões. Seus amigos, Hananias, Mizael e Azarias, não se prostraram diante da estátua do rei Nabucodonosor, colocando em risco seus cargos e a própria vida, e portanto foram lançados na fornalha. Deus não os livrou da fornalha do rei aquecida sete vezes mais, no entanto os livrou dentro da fornalha, apagando a força do fogo., cumprindo-se aí a Palavra de Deus quando diz: "² Quando você passar pelas águas, eu estarei com você; quando passar pelos rios, eles não o submergirão; quando passar pelo fogo, você não se queimará; as chamas não o atingirão". – Isaías 43:2.

Outro caso, já no Novo Testamento, citado como exemplo, foi o senador José de Arimatéia, "⁵⁷ Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. ⁵⁸ Este foi até Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse entregue. ⁵⁹ E José, levando o corpo, envolveu-o num lençol limpo de linho ⁶⁰ e o depositou no seu túmulo novo, que ele tinha mandado abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do túmulo, foi embora". - Mateus 27:57-60

José de Arimatéia colocou sua imunidade parlamentar a serviço de Reino, e o que fez não foi às despensas do poder público, tanto o linho que envolveu o corpo do Senhor, como o túmulo cedido, foram frutos da sua generosidade.

Porventura os candidatos que citam tais passagens bíblicas para embasar seu pedido de voto à igreja, teriam postura e firmeza suficiente para defender sua fé nesse nível, ou se venderiam, trocando suas convicções por quaisquer benesses, envergonhando assim o evangelho e a igreja do Senhor?

Por outro lado, as fragilidades verificadas em nosso meio na atualidade, também não podem nos desencorajar a cumprir a nossa missão de "sal da terra" e "luz do mundo" em todos os seguimentos da sociedade, e isso sem dúvida alguma inclui a política.

Somos hoje milhões de cristãos nesta nação e, portanto, é necessário que tenhamos gente com base sólida e doutrinária para nos representar sem promover vexame ao nome de Jesus.

Se os justos negligenciarem, haverá ímpios suficientes que assumirão a missão. Portanto, necessário se faz colocar representantes nas esferas públicas políticas, para isso alguns critérios devem ser estabelecidos pelo eleitor:

1. Considerar o qual é a filosofia do partido do candidato;
2. Pesquisar a história política do candidato, desde o início de sua carreira política, para saber de seu pensamento sobre política e compromisso com o eleitor;
3. Averiguar os seus feitos em favor da sociedade desde sua primeira eleição;
4. Ler com atenção seu programa de governo executivo ou legislativo e detectar se ele se aproxima dos princípios e valores cristãos.

A parábola de Jotão exemplifica bem essa situação:

"⁸ Certa vez as árvores foram ungir para si um rei. Disseram à oliveira: Reine sobre nós. ⁹ Porém a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu óleo, apreciado por Deus e pelos homens, para dominar sobre as árvores ¹⁰ Então as árvores disseram à figueira: Venha você e reine sobre nós. ¹¹ Porém a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para dominar sobre as árvores? ¹² Então as árvores disseram à videira: Venha você e reine sobre nós. ¹³ Porém a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, para dominar sobre as árvores? ¹⁴ Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Venha você e reine sobre nós. ¹⁵ E o espinheiro respondeu às árvores: Se é verdade que querem me ungir rei sobre vocês, venham e se refugiem debaixo de minha sombra. Mas, se não, que do espinheiro saia fogo que consuma os cedros do Líbano". - Juízes 9:8-15

Creio que devemos enfrentar o desafio de não falharmos no ensino do nosso povo sobre tema de tamanha relevância. Salomão diz: "¹⁴ Não havendo direção sábia, o povo fracassa; com muitos conselheiros, há segurança". - Provérbios 11:14.

Se a igreja for devidamente esclarecida à luz das Sagradas Escrituras, não precisaremos transformá-la em curral eleitoral, nem determinarmos em quem votar, pois naturalmente ela terá discernimento, e não votará em candidatos e/ou partidos que sejam contra nossos princípios e valores. 

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus". - Mateus 7:21


Pr. Carlos Roberto Silva
• Líder da AD Ministério de Cubatão SP
• Presidente da COMADESPE – Convenção dos
Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São
Paulo e Outros
• Secretário do Conselho de doutrina da CGADB





Artigo publicado originalmente na Revista Obreiro Aprovado - Edição Ano 49 - número 113 da CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Edição Especial sob o tem "A IGREJA E A POLÍTICA"

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Pastor Carlos Roberto Silva
Point Rhema

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