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quinta-feira, 4 de junho de 2026

O FUNDO DO POÇO - Uma receita para evitá-lo




Receita para evitar o Fundo do Poço



Eu já me senti no fundo do poço. Conheci, pela amarga experiência da fraqueza humana, quão profundo pode ser o abatimento da alma quando o homem se vê diante de sua própria miséria, impotência e pecado. Contudo, hoje, pela graça irresistível de Deus, não apenas fui alcançado por Sua misericórdia, mas também pude compreender que a nossa segurança não está na força da nossa vontade, nem na firmeza dos nossos sentimentos, mas na fidelidade daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

Se um dia estive no fundo do poço, não foi a minha mão que me resgatou, mas a mão soberana do Senhor. E se hoje permaneço de pé, não é porque em mim haja poder suficiente para perseverar, mas porque Deus, que começou a boa obra, é fiel para completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

Por isso, aprendi que não basta apenas desejar não cair novamente; é necessário, pela graça de Deus, cercar esse poço com os meios que o próprio Senhor ordenou para a preservação dos seus santos.

O primeiro passo é cercá-lo com a leitura diligente da Palavra de Deus. A Escritura não é apenas um livro de conselhos religiosos, mas a revelação santa, suficiente e infalível do Deus vivo. Por meio dela, o Senhor ilumina os nossos passos, corrige os nossos caminhos, consola a nossa alma e nos conduz em santidade. A Palavra nos mostra quem Deus é, quem nós somos diante dele, a gravidade do nosso pecado e a suficiência perfeita de Cristo como nosso Redentor. “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos.” Salmo 119.105 Quando a alma se aproxima novamente das bordas do abismo, a Palavra de Deus ergue cercas de verdade ao redor do coração. Ela nos lembra que não pertencemos mais a nós mesmos, mas fomos comprados por bom preço. Ela nos adverte contra o engano do pecado, fortalece a fé, alimenta a esperança e nos faz contemplar a beleza de Cristo. O crente sabe que a Escritura é um dos principais meios de graça, pelo qual Deus sustenta os seus eleitos no caminho da perseverança.

O segundo passo é cercar o poço com oração constante e humilde. A oração não é um instrumento pelo qual dobramos a vontade de Deus à nossa, mas o santo exercício pelo qual Deus inclina o nosso coração à sua vontade eterna, sábia e boa. Orar sem cessar é viver em dependência contínua do Pai, reconhecendo que nada podemos fazer separados de Cristo. “Mas, na verdade, Deus me ouviu; atendeu à voz da minha oração. Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.” Salmo 66.19–20. A oração cerca o poço porque mantém a alma consciente de sua dependência. Quem ora confessa que é fraco, necessitado e incapaz de guardar a si mesmo. Mas também confessa que Deus é poderoso, misericordioso e fiel para guardar os seus. A oração não contradiz a soberania de Deus; antes, descansa nela. Oramos porque Deus ordenou a oração como meio pelo qual Ele realiza os seus santos propósitos em nós e por meio de nós.

O terceiro passo é cercar o poço com cânticos de louvor ao Senhor. O cântico santo não é mero alívio emocional, mas uma resposta reverente da alma redimida diante da glória de Deus. Quando cantamos ao Senhor com entendimento e fé, nossa mente é instruída, nosso coração é elevado e nossas afeições são ordenadas segundo a verdade divina. “Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; pois tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia.” Salmo 59.16 Cantar ao Senhor cerca o poço porque desloca os olhos da alma de suas angústias para a fidelidade do Deus da aliança. O cântico bíblico nos faz recordar que o Senhor é refúgio, fortaleza, pastor, rocha e libertador. Ele nos ajuda a pregar a verdade ao nosso próprio coração, especialmente quando os sentimentos tentam nos conduzir de volta à escuridão. O louvor piedoso não nega a dor, mas a submete ao governo soberano de Deus.

O quarto passo é cercar o poço com a comunhão da família, de bons amigos e dos irmãos em Cristo. Deus não nos chamou para uma caminhada isolada, mas nos inseriu no corpo de Cristo. A comunhão dos santos é também um meio de graça, pelo qual somos exortados, consolados, corrigidos e encorajados a permanecer firmes na fé. “Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.” Eclesiastes 4.10 Irmãos piedosos são instrumentos nas mãos de Deus para nos afastar das bordas perigosas do poço. Eles nos lembram das promessas do Senhor quando nossa memória espiritual enfraquece. Eles nos admoestam quando nos desviamos, oram conosco quando não temos forças, choram conosco quando sofremos e nos apontam novamente para Cristo quando nossos olhos se voltam demais para nós mesmos.

Por isso, cercar o poço não significa confiar em uma fórmula humana, mas apegar-se aos meios ordinários pelos quais Deus, em sua soberania e graça, preserva os seus filhos.

A leitura da Palavra, a oração, os cânticos espirituais e a comunhão dos santos não são obras pelas quais merecemos o favor divino, mas dádivas misericordiosas pelas quais o Senhor nos mantém junto de si.

A nossa esperança final não está em jamais sentirmos fraqueza, tristeza ou tentações, mas em saber que pertencemos a um Salvador forte, perfeito e fiel.

Cristo desceu ao mais profundo da humilhação para resgatar o seu povo. Ele venceu o pecado, a morte e o inferno. E agora, assentado à direita do Pai, intercede por nós, para que nenhum daqueles que o Pai lhe deu se perca.

Que Deus nos ajude, por sua graça soberana, a permanecermos firmes nesse santo propósito: fugir do mal, vigiar contra o pecado, usar com reverência os meios de graça e descansar na certeza de que aquele que nos guarda não dormita nem dorme.

Que o Senhor nos livre do mal inesperado, preserve nossos pés em seus caminhos e nos mantenha, pela sua graça, perseverantes até o fim.


Texto escrito a 4 mãos pelo Rev. Milton Ribeiro e pelo Diac. Carlos Lauretti - Igreja Presbiteriana Jardim de Oração em Santos - SP.



sábado, 9 de maio de 2026

CRITÉRIOS BÍBLICOS PARA SABER EM QUEM VOTAR




CRITÉRIOS BÍBLICOS PARA SABER EM QUEM VOTAR




Num primeiro momento, antes de adentrarmos ao tema central, é necessário que nos conscientizemos de alguns pontos de suma importância.

O mundo vive grande crise de polarização política, uma divisão ideológica que invadiu casamentos, famílias, grupos de amigos e até mesmo igrejas locais, provocando cisões e inimizades entre irmãos biológicos e de fé.

A bem da verdade, durante muitos anos a máxima de que "crente não se envolve com política" ou "política é coisa do diabo", fez que a maioria dos cristãos evangélicos atuais crescessem com uma visão superficial sobre a política e atingissem apenas uma filiação religiosa sobre o tema, com um histórico de a igreja não discutir política com profundidade.

Consequentemente, essa atitude formou um público evangélico que, em geral, não é bem-informado sobre o tema em foco, de maneira a ficar alienado. Entretanto, por conta da obrigatoriedade, muitos votam de forma errada ou de forma descompromissada com nossos princípios e valores. Isso nos obriga a ter que aceitar que, se o cristianismo tem pouco a argumentar sobre política, por conseguinte, também tem pouco a contribuir com ela, o que não é verdade.

Por outro lado, uma visão teocrática para a política atual onde se apela a usar o Estado para obrigar pessoas à fé cristã, não se evidencia no mundo real. Da mesma forma, silenciar e se omitir de falar da fé cristã na esfera pública curvando-se à ideologias, não se constitui um elemento hermenêutico político correto para a igreja escolher.

Igualmente, demonizar a política aferindo a ela uma posição de igualdade com qualquer coisa má, não produz benefícios à igreja e nem contribui para um crescimento politizado de seus fiéis.

Em tese, a Igreja como organismo realmente não precisa da política, ela está alicerçada e firmada em Jesus, nosso Senhor, pois ele mesmo disse: "Também eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". - Mateus 16:18.

A Igreja de Cristo é aquela que não renuncia aos princípios éticos exarados nas Sagradas Escrituras e, para tanto, seguirá e servirá ao Senhor independente das circunstâncias, tempo e/ou adversidades.

Nessa perspectiva, quando falamos da igreja local, como organização, essa deve estar estabelecida de acordo com a legislação e normas vigentes do país onde está sediada, e se submeter às autoridades constituídas, cuja autoridade governamental é exercida pelos políticos.

Sobre isso a Bíblia diz: "¹Que todos estejam sujeitos às autoridades superiores. Porque não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas. ² Assim, aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. ³ Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Você quer viver sem medo da autoridade? Faça o bem e você terá louvor dela, ⁴ pois a autoridade é ministro de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, então tenha medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal. ⁵ Portanto, é necessário que vocês se sujeitem à autoridade, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. ⁶ É por isso também que vocês pagam impostos, porque as autoridades são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. ⁷ Paguem a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra". - Romanos 13:1-7

Nessa ótica, quando o apóstolo Paulo fala sobre sujeição à autoridade, não está se referindo simplesmente a homens como pessoas físicas, mas à responsabilidade outorgada aos tais. Na velha aliança, tais funções eram outorgadas pelo próprio Deus, mas hoje, no caso do poder público, são delegadas pelos eleitores através do voto. O voto do cidadão é a procuração para que os político governem durante a gestão do seu mandato.

UM RELATO

Em 22.02.2013, a Assembleia de Deus realizou o 1º Fórum para Prefeitos e Vereadores do Projeto Cidadania AD Brasil. Participaram do evento, membros da Comissão Política da CGADB, além de vereadores e prefeitos pertencentes à igreja em todo o país.

Naquele evento, este articulista na condição de membro da comissão, defendeu que, "muito embora a igreja não precise da política, à medida em que é uma instituição formada por cidadãos e, para o exercício de suas atividades, requer a construção de templos para o exercício das suas atividades, plantas, alvarás de licença, CNPJ, contabilidade, liberdade religiosa e de expressão. Para tanto, deve exercer a cidadania por meio de representação política. Salientou ainda que a igreja precisa ter representantes para defendê-la não como organismo vivo de Cristo, mas como instituição jurídica devidamente estabelecida na nação".

Temos a impressão de que a partir daí, por falta de conscientização e/ou de uma doutrinação mais abrangente, alguns cristãos entraram na política com motivações espúrias ou duvidosas, o que proporcionou escândalos, vergonha e desestímulo nos eleitores. Em outros, a abstinência política por décadas, gerou sede desenfreada pelo poder e, por último, a polarização ideológica já aqui citada, levou muitos a exageros e até mesmo à certa idolatria.

Em que pese tenhamos a necessidade de nos posicionarmos como cidadãos, não podemos nos esquecer que a igreja não é curral eleitoral, o púlpito não é palanque e não temos votos de cabresto. Num sentido mais amplo, o que precisamos focar e ensinar a tempo e fora de tempo é que a Igreja trabalha com princípios e valores:

1. Cremos na família tradicional e somos a favor da valorização do casamento à luz das Escrituras Sagradas – Gênesis 2:24;
2. Somos contra a relativização dos valores éticos e morais, somos a favor da verdade absoluta, somos criacionistas e contra a ideologia de gênero – Gênesis 1:27;
3. Somos a favor da vida e contra o aborto – Salmos 139:13-15.

A partir desses princípios e valores estabelecidos por Deus através da sua inerrante Palavra constante na Bíblia Sagrada, nossa regra de fé e prática, começamos a revelar o espectro do pensamento ideológico daqueles em quem devemos votar.

Na esteira das grandes transformações que caracterizam o mundo atual, a Igreja precisa crescer na graça e no conhecimento de Deus, para que tenha sabedoria e discernimento na hora da escolha dos seus candidatos.

Infelizmente, há cristãos que pelos seus interesses políticos, como facilidade de legenda, quociente eleitoral e outros, se filiam a partidos que negam e trabalham contra o princípio da fé que dizem professar, e portanto, quando ganham a eleição, se esquecem do eleitorado que o elegeu, e se tornam reféns do partido que lhe proporcionou espaço e legenda.

É importante que os crentes procurem tomar conhecimento sobre o que pensam tais candidatos sobre esses e outros temas de tamanha relevância para nós. Ter aparência, vestir-se e dar "A Paz do Senhor" como um evangélico, não garante se tal candidato pensa como nós ou, em chegando lá, defenderá nossos princípios e valores.

As motivações políticas do candidato, assim como a do eleitor, não podem ser baseadas em seus interesses particulares e ou congregacionais (tipo emprego, material de construção, etc...) afinal de contas, o foco é o interesse público e nossos valores e princípios, e não de locupletação.

O início dessa jornada pode parecer lucrativo, mas o final será trágico, e é o que temos visto. A Bíblia diz: "⁸ Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio; a paciência é melhor do que a arrogância". - Eclesiastes 7:8

Não há dúvida que é melhor e producente quando um justo governa: "² Quando os justos se multiplicam, o povo se alegra; quando o ímpio domina, então o povo lamenta". - Provérbios 29:2. A questão é saber se esse termo “justo” se aplica ao candidato escolhido.

Quando não analisamos esses fatores e votamos em candidatos que não pensam como nós e muitas vezes nem acreditam na forma como professamos, assinamos uma procuração para que sejam contra nós durante sua gestão.

Outra postura que deve ser exigida em quem pretende nos representar, é firmeza em suas convicções.

Alguns ícones da história bíblica são citados nas campanhas eleitorais, como servos do Senhor que se tornaram exemplos na vida pública, como forma de justificar a participação dos evangélicos atualmente. José como governador no Egito é um dos favoritos, mas vejamos que ele honrou a Deus nas circunstâncias mais adversas da vida, portanto: "O Senhor era com ele" – como mordomo na casa de Potifar - Gênesis 39:2-4; na prisão - Gênesis 39:21-23; na tentação - Gênesis 39:8-10

Muitos citam também os jovens hebreus, como exemplos de participação na vida pública, mas se esquecem que eles não se venderam pelas facilidades da Babilônia, senão vejamos:

"¹ No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou. ² O Senhor entregou nas mãos dele Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da Casa de Deus. Nabucodonosor levou esses utensílios para a terra de Sinar, para o templo do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus. ³ Depois, o rei ordenou a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, ⁴ jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, sábios, instruídos, versados no conhecimento e que fossem competentes para servirem no palácio real. E que Aspenaz lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. ⁵ O rei determinou que eles recebessem uma alimentação diária tirada das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia. Os jovens deveriam ser educados ao longo de três anos e, ao final desse período, passariam a servir o rei. ⁶ Entre eles, se achavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, que eram da tribo de Judá. ⁷ O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego. ⁸ Daniel resolveu não se contaminar com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; por isso, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. ⁹ E Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos". - Daniel 1:1-9

Daniel em função privilegiada e praticamente já com 80 anos de idade, não abriu mão de orar a Deus três vezes ao dia da janela do seu quarto sendo levado à cova dos leões, mas não abriu mão da sua fé. Deus não o livrou da cova, mas o livrou da boca dos famintos leões. Seus amigos, Hananias, Mizael e Azarias, não se prostraram diante da estátua do rei Nabucodonosor, colocando em risco seus cargos e a própria vida, e portanto foram lançados na fornalha. Deus não os livrou da fornalha do rei aquecida sete vezes mais, no entanto os livrou dentro da fornalha, apagando a força do fogo., cumprindo-se aí a Palavra de Deus quando diz: "² Quando você passar pelas águas, eu estarei com você; quando passar pelos rios, eles não o submergirão; quando passar pelo fogo, você não se queimará; as chamas não o atingirão". – Isaías 43:2.

Outro caso, já no Novo Testamento, citado como exemplo, foi o senador José de Arimatéia, "⁵⁷ Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. ⁵⁸ Este foi até Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse entregue. ⁵⁹ E José, levando o corpo, envolveu-o num lençol limpo de linho ⁶⁰ e o depositou no seu túmulo novo, que ele tinha mandado abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do túmulo, foi embora". - Mateus 27:57-60

José de Arimatéia colocou sua imunidade parlamentar a serviço de Reino, e o que fez não foi às despensas do poder público, tanto o linho que envolveu o corpo do Senhor, como o túmulo cedido, foram frutos da sua generosidade.

Porventura os candidatos que citam tais passagens bíblicas para embasar seu pedido de voto à igreja, teriam postura e firmeza suficiente para defender sua fé nesse nível, ou se venderiam, trocando suas convicções por quaisquer benesses, envergonhando assim o evangelho e a igreja do Senhor?

Por outro lado, as fragilidades verificadas em nosso meio na atualidade, também não podem nos desencorajar a cumprir a nossa missão de "sal da terra" e "luz do mundo" em todos os seguimentos da sociedade, e isso sem dúvida alguma inclui a política.

Somos hoje milhões de cristãos nesta nação e, portanto, é necessário que tenhamos gente com base sólida e doutrinária para nos representar sem promover vexame ao nome de Jesus.

Se os justos negligenciarem, haverá ímpios suficientes que assumirão a missão. Portanto, necessário se faz colocar representantes nas esferas públicas políticas, para isso alguns critérios devem ser estabelecidos pelo eleitor:

1. Considerar o qual é a filosofia do partido do candidato;
2. Pesquisar a história política do candidato, desde o início de sua carreira política, para saber de seu pensamento sobre política e compromisso com o eleitor;
3. Averiguar os seus feitos em favor da sociedade desde sua primeira eleição;
4. Ler com atenção seu programa de governo executivo ou legislativo e detectar se ele se aproxima dos princípios e valores cristãos.

A parábola de Jotão exemplifica bem essa situação:

"⁸ Certa vez as árvores foram ungir para si um rei. Disseram à oliveira: Reine sobre nós. ⁹ Porém a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu óleo, apreciado por Deus e pelos homens, para dominar sobre as árvores ¹⁰ Então as árvores disseram à figueira: Venha você e reine sobre nós. ¹¹ Porém a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para dominar sobre as árvores? ¹² Então as árvores disseram à videira: Venha você e reine sobre nós. ¹³ Porém a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, para dominar sobre as árvores? ¹⁴ Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Venha você e reine sobre nós. ¹⁵ E o espinheiro respondeu às árvores: Se é verdade que querem me ungir rei sobre vocês, venham e se refugiem debaixo de minha sombra. Mas, se não, que do espinheiro saia fogo que consuma os cedros do Líbano". - Juízes 9:8-15

Creio que devemos enfrentar o desafio de não falharmos no ensino do nosso povo sobre tema de tamanha relevância. Salomão diz: "¹⁴ Não havendo direção sábia, o povo fracassa; com muitos conselheiros, há segurança". - Provérbios 11:14.

Se a igreja for devidamente esclarecida à luz das Sagradas Escrituras, não precisaremos transformá-la em curral eleitoral, nem determinarmos em quem votar, pois naturalmente ela terá discernimento, e não votará em candidatos e/ou partidos que sejam contra nossos princípios e valores. 

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus". - Mateus 7:21


Pr. Carlos Roberto Silva
• Líder da AD Ministério de Cubatão SP
• Presidente da COMADESPE – Convenção dos
Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São
Paulo e Outros
• Secretário do Conselho de doutrina da CGADB





Artigo publicado originalmente na Revista Obreiro Aprovado - Edição Ano 49 - número 113 da CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Edição Especial sob o tem "A IGREJA E A POLÍTICA"

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

A IMPORTÂNCIA DA INFLUÊNCIA PASTORAL NA TEOLOGIA PÚBLICA



A IMPORTÂNCIA DA INFLUÊNCIA PASTORAL NA TEOLOGIA PÚBLICA - Por Pr. José Verneques Santos



"Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus". (1Co. 4.1)


     Num primeiro momento, é preciso frisar que a Igreja é detentora de um patrimônio histórico vivenciado, cujo fundamento bíblico/teológico precisa ser compartilhado com a sociedade a qual está inserida. Dentre esse patrimônio está o saber teológico-pedagógico-pastoral, e este saber também deve estar a serviço da sociedade, posto que sem essa atitude a práxis pastoral pode cair na armadilha de soar apenas como um discurso tautológico diante dos ouvidos do mundo. De forma alarmante, sair dos intramuros eclesiais ainda é um desafio para muitos pastores da comunidade cristã destes dias e, ainda que muitos deles deem um passo à frente empenhando-se em inovar, grande parte dos que se dispuseram a fazê-lo não conseguem fazer mais do que apresentar trabalhos triviais, desconexos da realidade.

     Nessa perspectiva, o pastor em sendo o responsável para promover mudanças relevantes, precisa deixar o espaço privado da comunidade eclesial para interessar-se pelo bem comum da sociedade como um todo, sem, contanto, perder de vista sua vocacionalidade. Por conseguinte, é necessário que se entrelace a possibilidade de ele pensar numa participação de sua vida pastoral com base em um universo d’além da realidade eclesial interna, mas isso só pode tornar-se possível a partir da sua disposição na irrupção desses muros, isso deve ser considerado como algo de grande sensibilidade.

     No discurso pastoral é preciso haver elementos de esperança tão atingíveis ao indivíduo de dentro da comunidade, como ao indivíduo de fora dela, isso de forma integral. O pastor não pode perder da memória o fato de que Deus, ao se encarnar no homem Jesus, assume a dimensão humana integralmente e ela se torna pública. Outrossim, o fio condutor está na transmissão proposta de como e o quanto a comunidade eclesial se interessa pelo bem-estar da sociedade à medida de suas ações para com ela. Essas ações despertam a sociedade fazendo-a enxergar o quanto temos de Deus em nós. Nas palavras de Rubem Alves:

"Deus é um grande e inominável mistério e o que podemos dizer se refere apenas àquilo que acontece em mim [...]. Teologia é antropologia: falar de Deus é falar de nós mesmos." (Rubem Alves)

     Nessa ótica, a experiência de fé adquirida na práxis pastoral é apresentada ao mundo que cerca a Igreja, maiormente acima de uma forma de publicização da experiência religiosa em si, é sim, verdadeiramente, o modo pelo qual essa fé que se revela de forma concreta se manifesta ao mundo. Na esteira das grandes transformações que caracterizam o mundo de hoje, negar-se a ouvir o clamor pelo diálogo da pastoralidade com a cultura é decidir-se pela ilusão de que nossa sociedade não mudou seus costumes, a questão é: como se dará esse diálogo e qual deve ser o teor do mesmo?

     Num sentido mais amplo, não discernir a pastoral em tempos de crises moral e espiritual é desconhecer as potencialidades exponenciais em que a sociedade atual caminha. Nessa ótica, se propor a discutir teologia pública é ter disposição para dialogar com diferentes áreas de construção do conhecimento e, de forma inevitável, o pastor será levado a um choque cultural, considerando sua visão eclesiástica interna. Se olharmos para a história, veremos o reformador João Calvino se manifestando com relação à forma de administração política, apoiando-se na teologia bíblica:

"Ora, ainda que o teor desta consideração pareça ser em natureza distinto da doutrina espiritual da fé, o qual me propus haver de tratar, contudo o andamento da matéria mostrará que com razão tenho que enfrentá-la, mais ainda, sou impelido pela necessidade a fazer isso, especialmente porque, de uma parte, homens dementes e bárbaros tentam furiosamente subverter esta ordem divinamente estabelecida; de outra, porém, os aduladores dos príncipes, exaltando-lhes desmedidamente o poder, não duvidam opô-la ao domínio do próprio Deus"  (CALVINO, 2006, p. 451)

     Nessas linhas, Calvino justifica a sua iniciativa enquanto teólogo, de tratar da forma como a administração política estava incorrendo, em contraponto especificamente a dois opositores: "A Tradição Política do Cristianismo Medieval e a Radicalidade de Setores da Reforma". Seu esforço é para entender o verdadeiro papel que a Igreja deve ter na transformação de uma sociedade mergulhada no pecado, para uma sociedade justa e piedosa, que refletisse como um espelho a genuína vontade divina naquilo que se entendia como os principais problemas sociais e as injustiças praticadas pelos atores políticos.

     Tomando a ação do reformador como exemplo, percebe-se que a presentificação do passado é algo extremamente necessário em diversas esferas da sociedade de nosso tempo, essa percepção torna-se mais clara quando há uma honesta intencionalidade em que o exercício pastoral assuma uma forma de se colocar a serviço dessa necessidade para contribuição da mesma. Isso diz respeito à vocacionalidade do pastor. Assim sendo, teologar em público não pode e nem deve ser algo que cause pânico ao representante de Deus, contrariamente a isso, deve ser algo corriqueiro em sua vida pública.

     Diante deste cenário e frente aos desafios de nossa sociedade e possibilidades multiformes de manifestação da fé aliançada na contribuição pastoral, a premissa de que a fé cristã que se apresenta ou que se configura como ideia, se torna, com frequência, em uma fé ideologizada, fundamentalista e subjetivista, não sobrevive à realidade da igreja cristã atual, considerando que essa igreja manifesta cotidianamente sua contribuição eclesial e o faz segurada nos ensinos de Jesus e na doutrina bíblica apostólica. Ademais, a comunidade cristã tem dado provas constante quanto a expor seu pensamento diante dos desafios sociais que se colocam diante dela, aliás, ela tem sido duramente criticada e, porque não dizer, bastante perseguida por conta desse seu modo de pensar.

     Frente a isso, detecta-se que as divergências expostas ora apontada pela atual sociedade que acusa a comunidade eclesial como sendo preconceituosa e principiante da discussão, não se evidencia no mundo real. Comumente vale a pena lembrar que tais divergências surgem dantes, pelo Iluminismo corporificado na Revolução Industrial, quando o mesmo conscientemente assumiu vias que geraram inúmeras barreiras e preconceitos, que acabaram por distanciar mais ainda uma junção entre fé e razão. Nessa ótica, constata-se que barreiras e preconceitos estão sendo colocadas exatamente pelo lado contrário, ou seja, o lado que acusa a Igreja de principiar esse debate.

    Por fim, reconhece-se de forma honesta que a atuação pastoral indo ao encontro das necessidades da sociedade fora dos intramuros da igreja local a qual sua denominação está inserida ainda é comezinha. No entanto, percebe-se uma mudança gradual nessas tendências quando se pode constatar o esforço de determinados líderes evangélicos que, em cumprimento à sua vocacionalidade pastoral, se propõem em dialogar com o diferente, sem medo de se contaminar ou de se embriagar no percurso do diálogo.

Enfim, numa linguagem metafórica, essa tessitura não é tão fácil de ser construída, todavia, a comunidade eclesial não pode mais se dar ao luxo de evitá-la. Com efeito, a dimensão da confessionalidade implica na preservação de princípios bíblicos estabelecidos inegociáveis pela pastoral.

SOLI DEO GLÓRIA


Pr. José Verneques Santos
  • Presidente da AD - Ministério Paulista
  • Primeiro Secretário da COMADESPE
  • Graduado em Teologia IBAD/FABAD
  • Pós-graduado em Ciências da Religião FATEMIG/IBEMIG
  • Pós-graduando em Educação Especial e Inclusiva (TDH)
Autor dos Livros:
  • .Jornada Ministerial
  • .A Suficiência do Evangelho de Cristo para Sua Igreja
  • .Igreja e Política, Caminhos Paralelos Para Alvos Diferentes
  • .Por um Discipulado Segundo Jesus Cristo
  • .O Deus Homem, A Incomparável História de Jesus Cristo

quinta-feira, 10 de julho de 2025

DIÓTREFES - Uma liderança pautada na vaidade

 


"Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos recebe." (3 João 9).



Diótrefes era líder. Mas era um líder doente. O nome dele, de origem grega, significa "filho adotivo de Leus'. E essa simbologia já diz muito: Diótrefes carrega, em sua postura, o modelo de uma liderança que não nasceu do céu mas da vaidade. Enquanto João, o apóstolo do amor, escreve com cuidado pastoral, instruindo e exortando com o peso de quem andou com Jesus, Diotrefes intercepta a carta e bloqueia a comunhão. Ele não apenas ignora João ele o rejeita conscientemente. Porque onde o ego governa, a verdade incomoda.


Diótrefes é descrito como alguém que "gosta de exercer a primazia". Ele respirava o topo E qualquer pessoa que ameaçasse seu domínio, ainda que fosse o próprio João, era vista como inimigo. Mas observe: ele não liderava com heresia. Ele liderava com competição.


Diótrefes não está em escândalo sexual ou moral. Está em escândalo de governo. Ele governa a igreja como quem defende um território, não como quem serve um corpo. E isso é ainda mais perigoso. Porque o controle não grita. Ele se mascara de zelo. E o mais grave: ele não apenas fechava a porta para João, ele também impedia os outros de abrir. E se alguém ousasse oferecer hospedagem a um missionário itinerante, era expulso da igreja.


Diótrefes representa todo líder que transforma a igreja num castelo e se senta no trono como rei. Ele não vê irmãos, vê rivais. Não reconhece dons, sente ameaça. Não celebra o avanço, sente pânico com o crescimento alheio. E o que João faz diante disso? Não começa uma guerra. Mas diz: "Se eu for, trarei à memória o que ele tem feito."


A maior ameaça à liderança de Diótrefes não era uma reunião. Era a memória apostólica. Talvez você conheça alguém com esse perfil. Talvez já tenha sido barrado por um Diótrefes. Ou com sinceridade! talvez precise confrontar um Diótrefes dentro de si. Será que você fecharia a porta para João? Ou abriria espaço, ainda que isso custasse a sua posição? Porque há homens de Deus tentando entrar. Homens de palavra, de vida, de verdade. Mas barrados por Diótrefes que transformaram o ministério em propriedade.


Autor: Pr. Elidiel Marques

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Princípios Bíblicos para a Família



ASSEMBLEIA DE DEUS MINISTÉRIO DE CUBATÃO 
Dia "D" da Família – 01.05.2025

PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA A FAMÍLIA - Eu e minha casa serviremos ao Senhor


Hinos da Harpa Cristã sugeridos: 243 – 432 – 124

LEITURA BÍBLICA  e TEXTO ÁUREO
"¹⁵ Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor". - Josué 24:14,15

VERDADE PRÁTICA
Instrução, honra e obediência, renúncia, arrependimento e perdão, são requisitos fundamentais para uma família que serve ao Senhor.

RESUMO
1. O dever dos pais em instruir seus filhos - Deuteronômio 6:4-7; Provérbios 22:6

2. O dever dos filhos: Honra e obediência aos pais é mandamento, não opção - Êxodo 20:12, Mateus 19:19, Efésios 6:1-3

3. A correção é bíblica - Provérbios 13:24, Provérbios 29:15, Hebreus 12:9-11

4. A Correção deve ser com prudência e equilíbrio - Efésios 6:1-4

5. Acerca das consequência aos filhos desobedientes - Deuteronômio 21:18-21, Êxodo 20:5,6, Êxodo 34:5-7

6. Perdão e Arrependimento – Antídotos para as consequências - João 3:36

7. A Manifestação da Graça aos que se arrependem (Filho Pródigo) - Lc. 15.17,18

8. Somente Jesus e os princípios por Ele estabelecidos estão acima dos afetos familiares - Mateus 10:33-39, Mateus 19:29, Lucas 14:25-27

9. Os deveres domésticos no Casamento: Sujeição, renúncia e cuidados mútuos - Efésios 5:22-33, 1 Pedro 3:6,7

10. Arrependimento, Renúncia e Perdão – A Vitória da Família

11. Aplicação Prática – Jesus Exemplo para toda a família.

1 - O dever dos pais em instruir seus filhos

"⁴ Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. ⁵ Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder. ⁶ E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; ⁷ e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te". - Deuteronômio 6:4-7

"⁶ Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele". - Provérbios 22:6

2 - O dever dos filhos: Honra e obediência aos pais é mandamento, não opção

Moisés estabeleceu na Lei
"12 Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá". – Êxodo 20:12

Jesus manteve na graça
"¹⁹ honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo".- Mateus 19:19

Paulo reiterou nas epístolas
"¹ Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. ² Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, ³ para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra". - Efésios 6:1-3

3 - A correção é bíblica

"²⁴ O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, a seu tempo, o castiga". - Provérbios 13:24

"¹⁵ A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe".  - Provérbios 29:15

"⁹ Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? ¹⁰ Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. ¹¹ E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela". - Hebreus 12:9-11

4 - A correção deve ser com prudência e equilíbrio

"⁴ E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor". - Efésios 6:1-4

5 - Acerca das consequência aos filhos desobedientes

"¹⁸ Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos, ¹⁹ então, seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade e à porta do seu lugar, ²⁰ e dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é um comilão e beberrão. ²¹ Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão com pedras, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, para que todo o Israel o ouça e tema". - Deuteronômio 21:18-21

"⁵ Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem ⁶ e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos". - Êxodo 20:5,6

"⁵ E o Senhor desceu numa nuvem e se pôs ali junto a ele; e ele apregoou o nome do Senhor. ⁶ Passando, pois, o Senhor perante a sua face, clamou: Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; ⁷ que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração". - Êxodo 34:5-7

6 - Perdão e Arrependimento – Antídotos para as consequências

"³⁶ Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece". - João 3:36

É importante ressaltar que o arrependimento e a fé em Deus são fundamentais para que a graça e misericórdia de Deus se manifeste na vida das pessoas, independentemente da geração a que pertençam.

A ideia de que Deus "visita a iniquidade dos pais nos filhos" não deve ser interpretada como um castigo direto, mas sim como a manifestação das consequências do pecado em gerações futuras. No entanto, a Bíblia também enfatiza a misericórdia de Deus, que se estende por mil gerações, e a importância do arrependimento e da fé para que a misericórdia de Deus se manifeste na vida das pessoas.

Deve-se fazer diferença entre punição direta de Deus e sua não interferência nas leis da hereditariedade. O conteúdo de Êxodo 20:5 deve ser entendido no sentido de que Deus não interfere nessas leis. Ou seja, filhos de pais viciados, promíscuos ou de má conduta podem nascer prejudicados moral e fisicamente, devido às tendências herdadas dos pais.

Não se pode escapar por completo das consequências da intemperança, enfermidade, libertinagem, do mau proceder, da ignorância e dos maus hábitos transmitidos por gerações anteriores. Os descendentes de idólatras degradados e os filhos de pessoas más, em geral, iniciam a vida com as limitações provocadas por pecados de ordem física e moral, e colhem o fruto da semente plantada por seus pais. A delinquência juvenil, via de regra, é consequência de famílias desajustadas. O ambiente também tem efeito decisivo sobre cada geração. Mas, visto que Deus é justo e misericordioso, podemos confiar que ele tratará cada pessoa com justiça, levando em conta as desvantagens do nascimento, as predisposições herdadas e a influência do ambiente sobre o caráter […]. Deus 'visita' ou 'aponta' os resultados da iniquidade, não de forma negativa, mas para ensinar os pecadores que uma conduta errada inevitavelmente traz resultados infelizes.

Para conforto dos que lutam com consequências herdadas, temos a promessa divina de que "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Romanos 5:20). Ou seja, a graça de Cristo é mais que suficiente para nos ajudar na luta contra as más tendências que herdamos, e assim não podemos alegar más tendências herdadas nem um ambiente ruim como desculpas para pecar.

Outra boa notícia é que Deus "visita a iniquidade dos pais nos filhos" somente até a "terceira e quarta geração" daqueles que o aborrecem (Êxodo 20:5), mas trata com "misericórdia até mil gerações" daqueles que o amam e guardam seus mandamentos (20:6).

Êxodo 20:5 e 6 é um chamado a cada pai e mãe no sentido de procurar desenvolver um bom estilo de vida, de acordo com as instruções divinas contidas na Bíblia, para que seus filhos herdem boas tendências, para que sejam uma bênção à sua família, à comunidade e, por extensão, ao mundo.

7 - A Manifestação da Graça após que se arrependem (Filho Pródigo)

No contexto bíblico Neotestamentário, era comum a transmissão dos bens dos genitores aos herdeiros por meio de Testamento, de forma que tal herança só poderia ser repartida após o falecimento de seu autor, portanto o filho pródigo cometeu dois erros graves, primeiro desobedecer opai a ponto de querer sair de casa, segundo de querer a herança antes da morte do pai. A Carta aos Hebreus diz: "Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?" (Hb. 9.16,17)

"E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente." (Lc. 15.13).

Como visto, era natural que após a morte dos genitores seus filhos recebessem a herança, no entanto, um filho exigi-la antes que o pai morresse era algo inusitado e causa de espanto e escândalo. Não há na lei mosaica textos que obriguem os genitores de repartir a herança estando ainda vivos, mas a atitude daquele filho obrigou o pai a dar a parte dos dois filhos antes do tempo. Contudo, o pai não o obrigou a deixar o seu lar mesmo já tendo dado a sua parte da herança, o que demonstra longanimidade e amor por parte do genitor, mas foi o filho mesmo quem tomou essa atitude por conta própria. Se considerarmos que a atitude daquele filho se enquadra na lei de Moisés como rebeldia, chegaremos a conclusão de que aquele moço era digno de morte:

"Quando alguém tiver um filho obstinado e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos, então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar; E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e obstinado, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá." (Dt. 21.18-21)

O pai porém, não fez o que lhe era de direito, ele renunciou uma prerrogativa legítima dada pela lei para dar ao filho o direito de decidir sobre sua própria vida ainda que tal atitude lhe causasse dor e ferida na alma. O texto de Lc. 15.14-16 relata a triste situação daquele moço como consequência da sua rebeldia. Todo a narrativa bíblica desenvolvida até aqui indica um final trágico para aquele jovem recalcitrante, mas a partir do próximo versículo o curso da história começa a se desenvolver para outro caminho e, a partir da atitude do "pródigo", os movimentos da graça de Deus começam a agir na vida daquele moço: "E, tornando em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti" (Lc. 15.17,18).

O arrependimento: "E, tornando em si...

O reconhecimento de sua miséria: "Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!"

A atitude: "Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai...

8 - Somente Jesus e os princípios por Ele estabelecidos estão acima dos afetos familiares

"³⁴ Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; ³⁵ porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra. ³⁶ E, assim, os inimigos do homem serão os seus familiares. ³⁷ Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. ³⁸ E quem não toma a sua cruze não segue após mim não é digno de mim. ³⁹ Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á”- Mateus 10:33-39
“²⁹ E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna". - Mateus 19:29

"²⁵ disse-lhe: ²⁶ Se alguém vier a mime não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. ²⁷ E qualquer que não levar a sua cruze não vier após mim não pode ser meu discípulo" - Lucas 14:25-27

9 - Os deveres domésticos no Casamento: Sujeição, renúncia e cuidados mútuos

"²² Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; ²³ porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. ²⁴ De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido. ²⁵ Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, ²⁶ para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, ²⁷ para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. ²⁸ Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. ²⁹ Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes, a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; ³⁰ porque somos membros do seu corpo. ³¹ Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne.³² Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.³³ Assim também vós, cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido". - Efésios 5:22-33

"⁶ como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós sois filhas, fazendo o bem e não temendo nenhum espanto. ⁷ Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações".1 Pedro 3:6,7

10 - Arrependimento, Renúncia e Perdão – A Vitória da Família

Pais, filhos, marido e mulher, todos, precisamos exercitar o arrependimento, a renúncia e a prática do perdão, isso significa obediência à Palavra de Deus e o temor ao Senhor. Sem a prática desses mandamentos bíblicos, as bençãos ficam impedidas da parte do Senhor.


11 - APLICAÇÃO PRÁTICA: JESUS – MODELO PARA TODA A FAMÍLIA

Jesus é o nosso maior exemplo e referência. Ele é o modelo perfeito a ser seguido por toda a família cristã — sendo inspiração para o esposo, a esposa e os filhos.

11.1 - Jesus como exemplo para o esposo — Amor e Entrega

O apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios, nos lembra que conhecemos a graça de Cristo porque, mesmo sendo rico, Ele se fez pobre por amor, para que, por meio da Sua pobreza, fôssemos enriquecidos: "Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos."  2 Coríntios 8:9

Aos gálatas, Paulo reforça essa entrega como um ato de amor sacrificial e voluntário: "... que se entregou a si mesmo por nossos pecados, a fim de nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade de nosso Deus e Pai..."  Gálatas 1:4

O esposo é chamado a amar com entrega, como Cristo amou a Igreja — com renúncia, sacrifício e dedicação.

11.2 - Jesus como exemplo para a esposa — Submissão

A vida de Jesus revela uma atitude constante de submissão à vontade do Pai:
Em Mateus 3:13-15, Jesus se submete ao batismo de João Batista, mesmo sendo perfeito e sem pecado: "Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça."
Em Mateus 17:27, Ele respeita as leis civis e evita escândalos, orientando Pedro a pagar o imposto: "Mas, para que não os escandalizemos... encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti."
Em Mateus 26:39, no Getsêmani, Sua oração mostra total rendição: "Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres."

Jesus nos ensina que submissão não é fraqueza, mas uma decisão consciente de honra e obediência, sendo um exemplo de humildade e confiança.

11.3 - Jesus como exemplo para os filhos — Obediência

A obediência de Jesus é apresentada como o contraste à desobediência de Adão: "Porque, como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um só muitos serão feitos justos."  Romanos 5:19

Ele obedeceu para nos salvar — e ao mesmo tempo, para nos ensinar a obedecer. O princípio da obediência é tão valioso que Deus o liga a uma promessa: "Honra (obedeça) a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá."  Êxodo 20:12

Jesus, como Filho obediente, é modelo para todos os filhos. A obediência abre portas para bênçãos, longevidade e favor diante de Deus.


Esboço de Mensagem ministrada no Dia "D" da Família na AD Cubatão SP - Templo Sede e Sede Setoriais em 01.05.2025




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