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sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

AS ASSEMBLEIAS DE DEUS E O DESAFIO DE COMUNICAR TEOLOGIA COM EFICÁCIA À NAÇÃO BRASILEIRA




AS ASSEMBLEIAS DE DEUS E O DESAFIO DE COMUNICAR TEOLOGIA COM EFICÁCIA À NAÇÃO BRASILEIRA



INTRODUÇÃO

   Achei interessante dar início a introdução deste artigo, parafraseando duas frases interessantes de dois teólogos europeus: Soren Kierkegaard e Blaise Pascal. 

Soren Kierkegaard quando diz:

"O teólogo, apesar de todo o seu repertório religioso, está obstinado (e condenado) a conviver com a incerteza e fragilidade de sua própria fé, já que quem quiser 'ter certeza da certeza' não deve buscá-la na religião." 

No mesmo sentido, Blaise Pascal também diz:

 "'Na dúvida, é melhor ter fé'; pois que, a incredulidade proclamada pelo iluminismo se ajoelha diante da hipótese de que a dúvida favorece a fé quando se diz: 'talvez seja verdade, ou, e se for verdade?'"

Possa ser que alguém se escandalize com estas duas paráfrases por imaginar que a Teologia seja tão inspirada quanto as Escrituras e, por conta disso, achar que ela é perfeita. Infelizmente isso não é verdade, pois a Teologia enquanto ciência que estuda as coisas concernentes a Deus, tenha seus méritos e seja extremamente importante para explicar pontos difíceis da palavra de Deus, ela não é a palavra de Deus. Ou seja, enquanto a revelação de Deus descrita nas Escrituras surgiu do alto para baixo; a Teologia busca desvendar certos mistérios que aparentam discrepâncias em alguns textos, mas faz isso sob o prisma da mente humana, ou seja, surge de baixo para o alto. A Teologia procura traduzir nas Escrituras, tudo aquilo que está ligado a palavra de Deus e se relaciona com sua vontade, com seu propósito para a humanidade.

As AD's podem e devem transmitir Teologia com excelência a todos

   Com relação a necessidade da eficácia na comunicação da Teologia  por parte da igreja matriz do pentecostalismo, o que se quer dizer a respeito é que ela tem o dever de fazer que a Teologia seja conhecida não apenas por seus membros, mas pelo povo que está ao seu redor, desse modo, deve-se reconhecer que o tema é de não pouca sensibilidade, portanto, necessário se faz começar o tema por meio de uma pergunta:                                        
"Por que as AD's do Brasil têm tanta dificuldade de comunicar Teologia fora de seus intramuros, com a sociedade a qual pertence?"

Antes de responder a esta pergunta é preciso fazer saber que, do ponto de vista filosófico, não se deve deixar passar despercebida a importância da linguagem, já que a linguagem é o principal meio de dominação. As palavras surgem com um grande conteúdo moral, quem cria as palavras é quem domina, pois a linguagem é produto de relações de poder e dominação. De igual modo, é por meio da linguagem que se forma um conceito e a partir do conceito formado se forma uma visão de mundo.

     Dito isto, voltemos ao tema dentro do aspecto teológico que é o que nos interessa. Para tanto, é preciso antes de tudo, saber que a resposta à pergunta não pode ser simples, muito menos simplista. Em primeira mão, é impossível não detectar que a forma de se pronunciar é uma das causas reais de dificuldade de comunicação de muitos pregadores e ensinadores pentecostais. E aqui não me refiro a dicção, mas sim, a falta de clareza dos assunto expostos. Logo, é de suma importância reconhecer que a comunicação por meio da linguagem é sem dúvida um dos desafios da igreja matriz pentecostal no que diz respeito a comunicar Teologia com eficácia. Com efeito, nossas terminologias pentecostais são estranhas à pessoas comuns e até a alguns cristãos que não pertencem ao "convívio pentecostal", e não somente a nossa, mas também a de algumas denominações históricas, principalmente as calvinistas que, apresentam uma Teologia muito bem fundamentada, todavia, fora de tempo. Ou seja, a forma de comunicação deste tipo de Teologia é de certo modo estranha ao contexto da nossa sociedade atual e está aprisionada a uma bolha, tornando-a avessa a conhecer e enfrentar a realidade de nossos dias, por insistir em permanecer aos moldes teológicos do período Patrístico, ignorando as condições de vida difícil de mais de 8% da população brasileira que reside em favelas. Só a Palavra de Deus é imutável!

     Sendo assim, não se pode esconder que o enfraquecimento da Teologia Cristã no Brasil por parte das igrejas evangélicas de modo geral, tem se tornado cada vez mais visível aos olhos de qualquer observador cristão que lida com a Teologia no sentido macro, quando se trata de comunica-la fora dos intramuros da igreja evangélica brasileira. É nesse ponto que incluo as AD's de nossa nação, posto que as mesmas embora sejam fortíssimas em seus sermões pragmáticos pregados nos púlpitos, ainda não conseguiram encontrar o caminho tão desejado para transmitir Teologia com a mesma eficácia de seus sermões às pessoas comuns. Diferente do que se prega nos púlpitos das igrejas assembleianas e se ensina aos domingos pela manhã nas suas EBDs espalhadas por nosso país continental, há uma clara demonstração de superficialidade ao tentar transmitir Teologia fora dos círculos assembleianos. Fato é que a Teologia, seja ela pentecostal ou não, precisa ser comunicada a todo custo, no entanto, em se tratando da fé pentecostal é preciso que haja na Igreja Pentecostal matriz, demonstração de fé suficiente para que as pessoas sintam interesse pela Teologia comunicada. Uma vez que  ela, as ADs, seja uma autêntica representante do Evangelho de Cristo na terra.

A timidez da Teologia Pública nos ambientes públicos diversos

     Teologia pública é uma repartição do ramo da Teologia que analisa as relações entre as diversas religiões dentro do aspecto público, seja ele cultural, social ou político. A bem da verdade, não se pode furtar em concordar que com o crescimento do interesse pela política secular por parte do povo evangélico pentecostal e neopentecostal, em especial nas ADs, a Teologia como um todo tende a se  enfraquecer ainda mais, caindo no risco de provocar perda de interesse e se recolher até encontrar seu lugar no marasmo e até no desuso. Em outras palavras, a cada envolvimento e investimento na política secular pela maior igreja pentecostal do Brasil, no que tange a apoio aos pleitos, a Teologia perde sua voz e se limita apenas a servir a departamentos e repartições das igrejas locais, tornando-se uma espécie de patrimônio protegido cuja divulgação ao público comum é proibida. Nesse sentido, aumenta a cada dia o desinteresse por aquilo que deveria ser primordial aos cristãos pentecostais atuais, ou seja, a consciência de que sua missão é alcançar os perdidos com os ensinamentos de Jesus, dos apóstolos e do testemunho da Igreja durante estes dois mil anos de história. E isso só é possível se as ADs entender que deve comunicar Teologia ao povo brasileiro de modo geral, e não somente a sua membresia em particular.

     Uma prova incontestável de que ainda estamos muito aquém com relação ao tema exposto, é que embora já haja uma quantidade razoável de cristãos nas diversas instituições públicas e privadas espalhadas em nossa nação, a Teologia ainda não tem voz no congresso, no judiciário, no planalto, nas escolas de ensino fundamental, nos campus universitários e, porque não dizer, nem mesmo na maioria dos colégios cristãos confessionais, numa clara constatação de fracasso de sua missão por parte da igreja pentecostal brasileira. E dizer que o país por ser laico, impede que cristãos exponham a Teologia não convence. Repiso que a causa pela qual a Teologia vem perdendo força e interesse de ser conhecida por aqueles que não fazem parte da igreja local e por boa parte dos que fazem parte dela é o desinteresse dos cristãos. E isso com velocidade que deveria nos advertir. A nível de comparação com a Bíblia basta recuarmos no tempo até a primeira geração de discípulos para vermos o quanto a partir de dois discursos de Filipe e Paulo, a sua eficácia foi superior à nossa.

Filipe comunica Teologia aos samaritanos (At. 8.5-8).
"E, descende Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saíam de muitos que o tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade." (At. 8.5-8).

Paulo comunica Teologia em Atenas (At. 17.16-34).
"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens." (At. 17.24).

  No areópago o apóstolo dos gentios expõe a palavra de Deus, ele começa reconhecendo a religiosidade dos atenienses (At. 17.22), depois o apóstolo dos gentios identifica um deus desconhecido dentre as divindades e pega um gancho para apresentar a Cristo como: Criador; Senhor de tudo e de todos; Doador da vida etc. (At. 17.24-31).

     À luz do texto, não é difícil notar que Filipe e Paulo estavam muito além das confusões idolátricas dos atenienses e judaico-samaritanas, isso os ajudou a romper barreiras raciais, religiosas e ideológicas sem necessitar que recebesse uma visão do céu ou ouvisse profecias, eles entenderam claramente que precisavam comunicar o Evangelho (Teologia) a todos quantos encontrasse pelo caminho, e o fizeram com eficácia e excelência tanto de linguagem quanto de testemunho de fé e amor, posto que os que os ouviam entendiam perfeitamente o que eles diziam, e criam no Cristo que eles proclamavam. Isso indica que a Teologia de ambos era clara e simples, com explícito poder de Deus.

  Seguindo o princípio dos dois pregadores neotestamentários, a Igreja mãe do Pentecostalismo no Brasil deve estar atenta à natureza de sua vocação e entender que a comunicação da Teologia é o cerne dessa missão. Os cristãos não foram salvos para viverem isolados em estado de inércia ou para viverem como santos postos em altares e/ou transportados em andor; nem também para viverem debatendo questões internas aos olhos e ouvidos de incrédulos (Mt. 7.6), eles foram salvos para continuar a falar e se relacionar com pessoas, para trocar informações, fazer bom uso das ocasiões e contar experiências acerca de sua fé com o intuito de apresentar o Evangelho. Tomando proveito dessa relação de comunicação, os crentes devem falar de Teologia no trabalho, na escola e nos lugares públicos em geral, quando isso ocorre naturalmente eles comunicam Teologia às pessoas fora da igreja como instituição. Todavia, tudo isso deve ser feito com demonstração de testemunho de fé e amor.

  Penso ser importante dizer que, do mesmo modo que Filipe alcançou muitos em sua pregação, nós crentes pentecostais destes dias, movidos pelo Espírito Santo também podemos alcançar. Todavia, o preparo teológico é necessário e é também de maior importância que os cristãos sejam eles membros comuns, obreiros ou ministros, NUNCA se esquivem de viver a práxis da Teologia Ortodoxa e estejam dispostos a rever sua teologia sempre que ela confrontar valores bíblicos. Para isso reproduzo uma das muitas sábias citações sobre o tema quando diz: "TEOLOGIA SE FAZ A LÁPIS",  ou seja, a teologia pode mudar, se transformar adequando-se a épocas e tempos, sempre sendo corrigida quando se fizer necessário, diferente da Palavra de Deus que é imutável.

   Para além disso, é preciso primeiramente fazer distinção entre adesão à religião evangélica e conversão a Cristo, esta depende totalmente da ação do Espírito Santo no coração do pecador para convencê-lo de seu pecado levando-o ao arrependimento genuíno; aquela não necessita de transformação, basta apenas decidir-se por estar em uma igreja evangélica local e confessar que quer ser um de seus membros. Depois, é preciso restaurar o culto a Deus tanto na sua simetria quanto na sua espiritualidade e dinâmica, adequando-o à realidade atual sem se distanciar das Escrituras e da Ortodoxia.                                                                                                                     
Conclusão

   As AD's não devem se especializar em ensinar o cristão a viver teorias secularizadas, mas sim, Teologia Ortodoxa na prática, dentro da realidade desse tempo. Para tanto, ela precisa usar os meios litúrgicos devendo entender que o culto é unicamente para Deus, e o culto a Deus deve ser inteiramente voltado para agradá-Lo conforme à sua maneira, não a nossa. Nesse sentido, a única forma com que teremos certeza de que estamos agradando ao Senhor é oferecendo a Ele um culto baseado apenas na sua Palavra, de tal modo que os participantes do culto mesmo não sendo cristãos, possam entender perfeitamente a mensagem que lhes chega aos ouvidos, isso precisamente significa que o louvor e a pregação devem ser cristocêntricos no sentido mais lato do termo. É isso que penso e é assim que creio.

SOLI DEO GLÓRIA! 

  • Pastor José Verneques Santos
  • Presidente da AD – Ministério Paulista SP
  • 1º Secretário da COMADESPE
  • Graduado em Teologia IBAD/FABAD
  • Pós-graduado em Ciências da Religião FATEMIG/IBEMI
  • Autor dos livros:
  • Jornada Ministerial;
  • A Suficiência do Evangelho de Cristo Para Sua Igreja;
  • Igreja e Política, Caminhos Paralelos Para Alvos Diferentes;
  • Por Um Discipulado Segundo Jesus Cristo;
  • O Deus Homem, a Incomparável História de Jesus Cristo.  


domingo, 14 de julho de 2024

AS LINGUAGENS ALTERADAS DA RELIGIÃO NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL

Imagem de rawpixel.com no Freepik



AS LINGUAGENS ALTERADAS DA RELIGIÃO NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL


por Eder William dos Santos 


RESUMO:

Este artigo apresenta a historiografia das Assembleias de Deus no Brasil (AD's), quando em seus primórdios um de seus temas mais destacados era a pregação com a divisa “Jesus batiza com Espírito Santo”. Na teologia assembleiana esse mote traduzido em forma de mensagem religiosa incentivava os leigos pela busca da experiência mística da glossolalia. Portanto, o objetivo desta análise propõe investigar a glossolalia nas primeiras duas décadas das AD's no país. Assim, mencionaremos a epistemologia assembleiana para a glossolalia, a partir da perspectiva teológica de Antonio Gilberto e Estêvam Ângelo de Souza. Finalmente, faremos uma comparação entre a glossolalia assembleiana e os pressupostos de Michel de Certeau, Rosileny Santos e B. Bittencourt, para a análise das linguagens alteradas da religião.

Palavras-chave: Assembleias de Deus no Brasil. Glossolalia. Pentecostalismo. Batismo no Espírito Santo. Linguagens Alteradas da Religião. 

ABSTRACT:
This article presents the historiography of the Assemblies of God in Brazil (ADs), when in its beginnings one of its most prominent themes was preaching with the motto "Jesus baptizes with the Holy Spirit". In the Assembly's theology, this motto, translated into the form of a religious message, encouraged the laity to seek the mystical experience of glossolalia. Therefore, the objective of this analysis is to investigate glossolalia in the first two decades of AD in the country. Thus, we will mention the Assembly epistemology for glossolalia, from the theological perspective of Antonio Gilberto and Estevam Ângelo de Souza. Finally, we will make a comparison between the glossolalia assembleiana and the assumptions of Michel de Certeau, Rosileny Santos and B. Bittencourt, for the analysis of the altered languages of religion.

Keywords: Assemblies of God in Brazil. Glossolalia. Pentecostalism. Baptism in the Holy Spirit. Altered Languages of Religion.

OS PRIMÓRDIOS DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS: A SUA RELEVÂNCIA HISTÓRICA NO CONTEXTO BRASILEIRO (1911-1930)


Na data em que se comemora o Dia da Bandeira do Brasil, 19 de novembro,  os missionários suecos, Gunnar Vingren e Daniel Berg, oriundos da igreja Batista dos Estados Unidos da América (EUA), chegaram em Belém, capital do Pará.  A razão da vinda deles para o Brasil no estado do Pará, é defendida pela instituição assembleiana, porque existia nos EUA, um crente batizado no Espírito Santo, por nome de Adolfo Ulldin, que narrou à Vingren e à Berg, através de palavras proféticas, em que os dois amigos eram personagens e, lhes aparecera o seguinte nome: "Pará". Então, no dia seguinte, ambos foram à biblioteca consultar os mapas e descobriram que o nome, Pará, se referia a um dos estados da região Norte do Brasil, por conseguinte, os dois amigos entenderam que Deus os chamavam para a obra missionária e, os direcionavam para aquele lugar. No contraponto, da argumentação da instituição assembleiana, há suspeitas que Vingren e Berg aparecem no cenário brasileiro justamente quando o ciclo da borracha estava em pleno desenvolvimento, seria mera coincidência?

Numa breve síntese sobre os dois fundadores das AD's no Brasil, Vingren, era o líder do movimento pentecostal assembleiano. Ele nasceu em 8 de agosto de 1879, em Ostra Husby, Ostergötland, Suécia.  Em 1903, viaja para os EUA, onde se forma em teologia no Seminário Teológico Batista Sueco de Chicago. Nos idos de 1909, ele inicia o ministério pastoral na igreja da mesma cidade onde se formou. Por vinte e dois anos viveu no Brasil (1910-1932), pastoreou a igreja-mãe em Belém do Pará e, igualmente liderou a igreja do Rio de Janeiro, por nove anos. Gunnar era casado com Frida Vingren, com quem teve seis filhos.  Ele veio a falecer na Suécia, em 29 de junho de 1933.

Daniel Berg nasceu em 19 de abril de 1884, em Vargön, Suécia. Berg era da Igreja Batista e de família pobre, vindo a se batizar aos quinze anos de idade. Ele viajou da Suécia para a Inglaterra e de lá para os EUA, quando tinha dezoito anos de idade. Chegou no Brasil com vinte e seis anos, onde viveu por cinquenta e dois anos. No Brasil, ele trabalhava na Companhia Port of Pará, como caldeireiro e fundidor, ganhando 12 mil réis por dia,  para o sustento do seu amigo Vingren. Enquanto aquele trabalhava, Vingren estudava a língua portuguesa para pregar no idioma de seus ouvintes. Berg não ocupou cargos eclesiásticos de destaque na denominação assembleiana, mas ele se desempenhava uma atividade religiosa por pura paixão singular - a colportagem.  Em julho de 1920, Berg se casa com Sara, na Suécia e, retorna ao Brasil. Quando havia algum problema, ele verbalizava um bordão que se tornou sua marca registrada: "Jesus é bom".  No epílogo de sua vida, ele volta à Suécia, vindo a falecer em Estocolmo, nos idos de 1963.

Na chegada ao Brasil, os amigos suecos, Berg e Vingren, procuraram o pastor metodista Justo Nelson, diretor do jornal da cidade de Belém do Pará. Justo era conhecido de Vingren, nos EUA.  Justo encaminhou-os aos irmãos batistas, sendo eles recebidos pelo missionário sueco Erik Nelson. O pastor Erik era o líder da Primeira Igreja Batista de Belém, ele convidou os dois missionários para cooperarem nas atividades eclesiásticas, enquanto ele exercia serviços itinerantes de evangelização e pastorado em outros estados do Norte e Nordeste. Erik, também, ofereceu-lhes o porão da igreja para moradia, cujo endereço ficava na rua João Balby, 406. Tão logo, o pastor batista se ausentou dos cultos em Belém, Vingren e Berg pregavam e ensinavam nas reuniões sobre a experiência do batismo no Espírito Santo e a cura divina. É de se destacar que as orações realizadas pelos dois missionários eram longas e em voz alta.

No retorno do pastor Erik Nelson à Belém, a sua igreja tinha crescido em número de visitantes. Erik, imediatamente escreve um folheto alertando à igreja sobre as "falsas doutrinas" disseminadas pelos missionários. O pastor batista rejeitava categoricamente o batismo no Espírito Santo, acusando Vingren e Berg de separatistas. Portanto, Erik rompe com os missionários, expulsando-os. O rompimento entre a Igreja Batista e os dois missionários suecos, influenciou dezenove pessoas, todos eram membros da mesma igreja e, os tais acompanharam Vingren e Berg.  O diácono Henrique Albuquerque colocou a sala de sua residência à disposição para a celebração dos cultos e, também ofereceu a sua casa para a moradia dos missionários, no endereço da Rua Siqueira Mendes, 79, . Todavia, Pepeliascov  e Cabral  mencionam que o número da casa era 67. No entanto, há entre os historiadores unanimidade no que tange ao bairro, Cidade Velha. Depois a igreja foi transferida para Av. São Jerônimo, 224 (atual Av. Governador José Malcher) e por fim, para a Travessa 9 de janeiro, 75 (atual nº 639), em 8 de novembro de 1914.

Eram os primórdios dos crentes pentecostais assembleianos que inicialmente colocaram o nome da denominação religiosa de Missão da Fé Apostólica (MFA), em 18 de junho de 1911. Mas nos idos de 11 de janeiro de 1918, o nome da igreja foi mudado para Assembleia de Deus.  É importante destacar que já existiam igrejas com o nome Assembleia de Deus nos EUA desde 1914, na Guatemala em 1916, e no México em 1917.  A razão da mudança do nome "Missão da Fé Apostólica" para "Assembleia de Deus", segundo Alencar  é porque a MFA era a igreja dos negros pentecostais norte-americanos e, as AD's eram as igrejas dos brancos pentecostais, logo, existiam entre as duas denominações pentecostais barreiras étnico-raciais e socioeconômicas. As AD's nos EUA cultivavam a segregação racial.

Nas suas primeiras décadas as AD's cresceram exponencialmente nos estados do Norte no Brasil.  Já nos estados do Nordeste com destaque para Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e outros. Além de Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O recorte historiográfico deste estudo sobre a presente denominação pentecostal no Brasil tem a sua delimitação em quase duas décadas (1911-1930), ou seja, desde a sua fundação (18/06/1911), até a década de 1930, quando os missionários suecos lideravam a igreja assembleiana em solo brasileiro e, transferiram-na para os pastores brasileiros, em 1930.

Outro fator relevante para o recorte da análise foi à realização da primeira Convenção Geral das AD's, em Natal/RN, entre os dias 5 e 10 de setembro de 1930.  Antes da Convenção Geral de 1930, as ADs eram caracterizadas por uma liderança carismática, isto é, a igreja era dirigida por visão/revelação, os seus obreiros eram voluntários, em vista disso, eles não eram assalariados pela igreja assembleiana.  Com a Convenção Geral de 1930, se dá a formalização das AD's como personalidade jurídica. Então, a partir desse "divisor de águas" surgem diversos ministérios das AD's por todo o território nacional. Bem assim, a consolidação de igrejas-sede, mormente nas capitais brasileiras.  Também, ocorre a decisão convencional de retirar de circulação os jornais Boa Semente e O Som Alegre e, decidem pela criação de um novo jornal - Mensageiro da Paz.

Na próxima seção analisaremos como se desenvolveu a visão de mundo das AD's no Brasil, a partir do fenômeno da glossolalia, em sentido específico, nos seus dezenove anos iniciais (1911-1930).

O FENÔMENO DA GLOSSOLALIA NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL


As AD's são caracterizadas como igreja pentecostal, porque acredita na atualidade dos dons do Espírito Santo e na sua contemporaneidade.  Um dos dons carismáticos que mais é exaltado na comunidade assembleiana sem dúvida alguma é a glossolalia, isto é, falar e/ou cantar em línguas, conforme assinalam Estêvam Ângelo de Souza  e Antonio Gilberto:

"Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" - (ATOS 2.1-4).

Isto posto, a investigação sobre o fenômeno da glossolalia sobre Vingren e Berg, passa obrigatoriamente pelo avivamento ocorrido em Chicago (EUA). Assim sendo, foi nesse contexto de grande avivamento norte-americano que estes dois missionários suecos foram batizados no Espírito Santo, isto é, falaram em línguas pela primeira vez, em 1909, segundo corrobora Joanyr de Oliveira  e o próprio Gunnar Vingren:

"No verão de 1909, Deus me encheu de uma grande sede de receber o batismo com o Espírito Santo e com fogo. Em novembro do mesmo ano, pedi licença à minha igreja para visitar uma conferência batista que deveria ser realizada na Primeira Igreja Batista Sueca em Chicago. Fui à Conferência com o firme propósito de buscar o batismo com o Espírito Santo. E, louvado seja Deus, depois de cinco dias de espera, o Senhor Jesus me batizou com o Espírito Santo e com fogo. Quando recebi o Espírito Santo, falei em línguas, justamente como está escrito que aconteceu com os discípulos no dia de Pentecostes: At 2. É impossível descrever a alegria que encheu o meu coração. Eternamente o louvarei, pois me batizou com o seu Espírito Santo e com fogo [...] Foi em novembro de 1909, em Chicago, quando eu estava buscando o batismo com o Espírito Santo, que conheci Daniel Berg".  

Após terem recebido o batismo com o Espírito Santo, Vingren e Berg, já em terras brasileiras pregavam com veemência a mensagem pentecostal a partir de quatro temas, a saber: a) Jesus salva; b) Jesus cura; c) Jesus batiza no Espírito Santo; d) Jesus breve voltará.

Sobre a questão do batismo com o Espírito Santo, a instituição religiosa em destaque através de um dos seus órgãos oficiais, a Casa Publicada das Assembleias de Deus (CPAD), diz que a primeira pessoa a ser batizada no Espírito Santo nas ADs no Brasil, foi Celina Albuquerque, em 8 de junho de 1911 e, no dia seguinte a sua Maria de Nazaré também recebeu a capacidade para "falar em línguas desconhecidas".

De Belém do Pará para o Rio de Janeiro, mencionamos um jovem que nasceu no dia 17 de setembro de 1903, em Santana do Livramento/RS e, que aceitara a pertença assembleiana, em 05 de abril de 1924.  Era Paulo Leivas Macalão, ele se tornou o primeiro secretário da AD no Rio de Janeiro, o segundo crente assembleiano a constar no rol de membros da igreja fluminense, o pastor fundador-presidente da AD Ministério de Madureira e o responsável pela autoria e tradução de diversas músicas e letras do hinário oficial das AD's - Harpa Cristã.  Paulo Macalão foi batizado nas águas por Vingren, na praia do Caju e a sua experiência sobre o batismo no Espírito Santo aconteceu em 3 de novembro de 1924, segundo Jeferson Magno Costa:

"Não demorou muito e o Espírito Santo veio sobre ele (Paulo Leivas Macalão) e o batizou com fogo, revestindo-o de poder, e dando-lhe sabedoria e autoridade para testemunhar de Jesus em qualquer lugar para onde o Mestre o mandasse."
 
Mas, a despeito dos exemplos citados sobre a glossolalia no contexto das AD's no Brasil, indagamos: Por que o batismo no Espírito Santo foi o mote da propaganda assembleiana, desde os primórdios de sua existência? Como se construiu a cosmovisão assembleiana no que tange ao "falar em línguas"? Como o pastor transmite essa visão de mundo aos leigos?

Antonio Gilberto talvez nos ajude a buscar as respostas para as perguntas elencadas. Gilberto falecido em 2018, era quase uma unanimidade nas AD's do país. Gilberto, foi pastor, professor, consultor doutrinário e teológico da CPAD, formado em psicologia, pedagogia, letras e, com mestrado em teologia. Ele foi também autor de vários livros de cunho pentecostal e comentarista da revista Lições Bíblicas para as aulas de Escola Dominical. Gilberto, fez apologia sobre a glossolalia afirmando que Martinho Lutero (1483-1546) falava em línguas, citando o depoimento de Jack Deer, professor do Seminário Teológico de Dallas e, as obras: História da Igreja Alemã, de Souer (Vol. 3, p. 406) e, Pentecostes para Todos de Emílio Conde, fazendo menção da página 88 do referido livro, para corroborar seu argumento sobre a experiência de Lutero com a glossolalia. O falar em línguas estranhas como resultado do batismo com o Espírito Santo é definido por Gilberto assim:

"É um revestimento e derramamento de poder do Alto, com a evidência física inicial de línguas estranhas, conforme o Espírito Santo concede, pela instrumentalidade do Senhor Jesus, para o ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiente serviço para Deus" (LUCAS 24.49; ATOS 1.8; 10.46; 1 CORÍNTIOS 14.15,26 - grifo nosso). 

Além de Antonio Gilberto, outro teólogo assembleiano que difundiu através da teologia a cosmovisão da AD sobre a glossolalia foi Estêvam Ângelo de Souza (1922-1996). Souza foi pastor da AD maranhense por quase quatro décadas, comentarista da revista Lições Bíblicas para as aulas de Escola Dominical, da CPAD, autor de vários artigos e livros sobre o "falar em línguas estranhas". Ele define o batismo com o Espírito Santo dizendo: 

"É nossa convicção que o recebimento do Espírito, através do batismo de poder, é provado pelo fato de que o crente batizado com o Espírito Santo fala em línguas desconhecidas, pelo poder sobrenatural de Deus."

Outro periódico oficial das AD's é a Seara, a Revista Evangélica, nela há um artigo de Marcelo Barros , com o título - Essas Crianças Não São Brincadeiras -, no texto Barros explicita vários exemplos de crianças assembleianas no exercício da práxis mística pentecostal: falando em línguas, pregando e cantando com eloquência, exorcizando demônios, entre outras experiências pentecostais.

Outrossim, a pregadora norte-americana Kathryn Kuhlman (1907-1976), foi e continua sendo referência para muitas mulheres assembleianas que desejam "falar em línguas" e trabalhar na igreja local ou como itinerantes, com o anelo de serem reconhecidas por suas atividades eclesiásticas. Kuhlman  afirmava que o falar em línguas desconhecidas é o batismo no Espírito Santo que é dado ao crente, para o propósito de trabalhar na obra de Deus com "poder". Este "poder" é comumente chamado pelos assembleianos de "poder pentecostal."

AS LINGUAGENS ALTERADAS DA RELIGIÃO SEGUNDO CERTEAU, ROSILENY E BITTENCOURT


Outro teórico que contribuiu para o estudo é B. P. Bittencourt, a partir da análise separando o caso do dia de Pentecostes relatado em Atos dos Apóstolos e as línguas estranhas faladas e o louvor em êxtase da comunidade cristã mencionada pelo apóstolo Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios, capítulos 12 e 14. Bittencourt assevera que o ocorrido no Pentecostes foi realmente um milagre divino, pois os galileus simples falavam línguas e dialetos das nações presentes em Jerusalém. Ele afirma que a experiência vivenciada em Atos 2 é comparada hoje, por exemplo, como um simples brasileiro operário de fábrica, que ao pregar o evangelho às pessoas estrangeiras, esse operário falasse em inglês, francês, japonês sem nunca ter aprendido tais idiomas.  Antonio Gilberto concorda com Bittencourt sobre o episódio de Pentecostes ter sido um milagre divino, afirmando que o batismo no Espírito Santo ocorreu pela primeira vez, quando os discípulos falaram os diversos dialetos e línguas em Atos 2.

Em contrapartida, Bittencourt tomando como base 1 Coríntios 12 e 14, assevera que “as línguas estranhas são sons articulados que ninguém entende na congregação e que não possuem estrutura gramatical, são resultados do êxtase espiritual que não conhece regras nem limites”.  Por isso, ele diz que as variedades de línguas citadas em 1 Coríntios 12.10 significam outras espécies de línguas, isto é, grego, hebraico, aramaico etc. O mesmo autor também afirma que as línguas estranhas mencionadas em 1 Coríntios 14, não é um dom do Espírito Santo.

Outro referencial teórico para o entendimento da problemática é a análise feita por Rosileny Alves dos Santos. A autora trabalha com o objeto - razão e êxtase: experiência religiosa e estados alterados de consciência. Ela diz que a glossolalia vem acompanhada do êxtase religioso, por conseguinte, a mesma é chamada de êxtase intermitente porque o fiel experimenta “uma mistura de momentos de reflexão e momentos de êxtase, quando os momentos de êxtase são experimentados ao mesmo tempo”.  Rosileny assevera que o êxtase aparece nos cultos pentecostais a partir dos seguintes elementos concretos: músicas, orações, sermões, contemplações, liderança e conteúdo teológico.

O testemunho historiográfico das AD's corrobora a hipótese de Rosileny, uma vez que as línguas estranhas surgem nos cultos assembleianos, conforme se processam os elementos elencados pela pesquisadora, como por exemplo, os cânticos espirituais.  Se o pressuposto do êxtase religioso é a chave para a compreensão da glossolalia, então, vejamos como a autora define o estado alterado de consciência e êxtase emocional verdadeiro:

"Como se pode afirmar que determinado êxtase religioso seja falso? Quando se percebe evidenciar a vontade humana. Quando não se podem expressar os desejos e evidenciar a vontade dos indivíduos e mesmo assim aparecem momentos extáticos, podemos chamar tais espaços de êxtase verdadeiros". 

Além de Bittencourt e Rosileny, o historiador francês Michel de Certeau (1925-1986) foi um dos teóricos mais precisos para o entendimento das linguagens alteradas da religião. No seu livro A escrita da história, ele explicita que as linguagens alteradas da religião aparecem geralmente em casos de micro-grupos.  Do mesmo modo, no caso assembleiano, a glossolalia aparece misticamente com um "punhadinho de crentes", conforme expressão cunhada por Joanyr de Oliveira.  Certeau analisou o caso clássico sobre La Possession de Loudun (1610-1630), por isso, o caso da possessão explicitado pelo historiador serve de referência para a compreensão da glossolalia. Segundo a compreensão assembleianos a glossolalia só ocorre porque o Espírito Santo "possui" o crente.
  
Segundo Certeau as possessões também ocorrem onde existe homogeneidade social. Quando Gedeon Freire de Alencar chama de "a síndrome marginal"  referindo-se aos assembleianos, então, ele concorda sobre o pressuposto dos meios homogêneos, pois a glossolalia aconteceu nos primórdios das AD's justamente quando a sua membresia era formada por pessoas socialmente pobres, confirmando o que Vingren disse sobre a classe social dos brasileiros: "o povo [...] era de um nível social muito simples."

As linguagens alteradas da religião ocorrem na possessão, porque segundo Certeau  a possessão é uma teatralização manifesta quando, por exemplo, as mulheres possuídas podem "representar uma relação entre o masculino do discurso e o feminino da sua alteração". Da mesma forma, ocorre rotineiramente na glossolalia pentecostal-assembleiana uma cena, no lugar que se apresenta uma mulher-crente que fala em línguas e, concomitantemente ela profetiza em nome de "Deus Pai", Gilberto chama essa prática mística de "dons de manifestação do Espírito".  Portanto, tanto na possessão de Loudun como na glossolalia há uma reclassificação das representações sociais, logo, elas são fenômenos sociais.
 
Bem assim, Certeau  trabalha com o pressuposto de "um discurso do outro?" Ou seja, na possessão o discurso das possuídas era falado por um outro, e, no caso da glossolalia alguma outra coisa fala no crente, quando este recebe o batismo no Espírito Santo, então, essa experiencia religiosa é chamada por Souza de "variedade de línguas".  Se no caso das possuídas citado por Certeau, não se sabe quem fala ou do que fala, porém, no caso da glossolalia, Souza assevera que quando se sabe quem fala e do que fala, é porque o fenômeno das línguas ocorreu concomitantemente com a interpretação da mesma.

Certeau, define transgredir como sendo atravessar, ou seja, a alteração acontece no discurso religioso porque existe "a figura móvel, evanescente e ressurgente, da transgressão do discurso".  A travessia da alteridade das linguagens da religião, igualmente, ocorre no caso da glossolalia assembleiana provocando um dito dentro do sistema doutrinário das AD's, visto que o discurso teológico assembleiano é totalmente construído com base nas experiências pentecostais, especialmente o falar em línguas.  Certeau assevera que estar possuído é uma situação relacionada especificamente com a oralidade.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, a glossolalia assembleiana é realmente um fenômeno exclusivo da oralidade, haja vista, que não se sabe se há na historiografia das ADs no Brasil, casos sobre algum crente que fale em línguas estranhas e, que tenha escrito no mesmo tempo em que falava em línguas. É relevante um outro pressuposto levantado por Certeau que diz “Eu é um outro” , ou seja, o autor entende que a brecha aberta pela pessoa possuída é a local onde se processa a linguagem alterada. Por isso, há um discurso nas ADs proferido pelo líder para que os leigos orem com o “coração aberto” (brecha aberta com bem disse Certeau), no objetivo de receberem o "poder pentecostal" de falar em outras línguas.

Assim, o fenômeno místico da glossolalia no contexto pentecostal, sobretudo nas AD's é realmente uma prova sobre a existência das linguagens alteradas da religião. E, obtemos a ajuda de Certeau e de outros referencias teóricos para o entendimento do caso da glossolalia assembleiana, que se não compreendemos plenamente o mesmo, pelo menos não devemos emitir juízo de valor precipitado e, principalmente aprendemos a respeitar o outro, o diferente, o inefável.



NOTAS
1.
Eder William dos Santos, Doutor e Mestre em Ciências da Religião pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião e Educação pela FABAD, em Pindamonhangaba/SP. Professor do Programa de Graduação em Administração (Gestão) pela UNIFACEAR, em Fazenda Rio Grande/PR. Membro do Grupo de Estudos Protestantismo e Pentecostalismo (GEPP) pela PUC-SP. Email: prederwilliam@gmail.com.

2. CABRAL, David, Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: Betel, 1998, p. 59.
3. VINGREN, Ivar. Gunnar Vingren: o diário do pioneiro. Rio de Janeiro: CPAD, 1982, p. 10.
4. OLIVEIRA, Joanyr. As Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 1997, p. 34.
5. ALENCAR, Gedeon Freire de. Todo poder aos pastores, todo trabalho ao povo, todo louvor a Deus: Assembleia de Deus - origem, implantação e militância nas quatro primeiras décadas - 1911-1946. São Bernardo do Campo: Umesp, 2000, p. 67-69.
6. VINGREN, 1982, p. 17.
7. Ibid., p. 234.
8. ALENCAR, 2000, p. 51-53.
9. PEPELIASCOV, Antonio. História da Assembleia de Deus Santo André. Santo André: AP, 1997, p. 51.
10. OLIVEIRA, 1997, p. 51.
11. PEPELIASCOV, 1997, p. 50.
12. OLIVEIRA, 1997, p. 36-41.
13. Ibid., p. 50.
14. Ibid., p. 51.
15. PEPELIASCOV, 1997, p. 56.
16. CABRAL, 1998, p. 63.
17. Ibid., p. 64.
18. ALENCAR, 2000, p. 59.
19. Ibid., p. 60-61.
20. SYNAN, Vinson. O século do Espírito Santo: 100 anos do avivamento pentecostal e carismático. São Paulo: Vida, 2009, p. 145-146.
21. VINGREN, Ivar. Despertamento apostólico no Brasil: resumo da missão pentecostal sueca no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 1987, p. 15.
22. OLIVEIRA, 1997, p. 128.
23. ALENCAR, 2000, p. 100.
24. GILBERTO, Antônio. Verdades Pentecostais: como obter e manter um genuíno avivamento pentecostal nos dias de hoje. 1. ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 12.
25. SOUZA, Estêvam Ângelo de. Nos domínios do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 1987, p. 89.
26. GILBERTO, 2006, p. 43-46.
27. BÍBLIA. Almeida, João Ferreira de. Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Versão Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
28. OLIVEIRA, 1997, p. 33, 34.
29. VINGREN, 1982, p. 23, 24, 26.
30. OLIVEIRA, 1997, p. 54.
31. COSTA, Jeferson Magno. Paulo Macalão: a chamada que Deus confirmou. Rio de Janeiro: CPAD, 1983, p. 26.
32. ALENCAR, 2000, p. 120-122.
33. COSTA, 1983, p. 31.
34. GILBERTO, 2006, p. 57.
35. SOUZA, 1987, p. 89.
36.  BARROS, Marcelo. Essas crianças não são brincadeiras. A Seara: revista evangélica. Rio de Janeiro, CPAD, ano 41, nº 12, p. 22-26, nov., 1997.
37. KUHLMAN, Kathryn; BUCKINGHAM, Jamie. O melhor de Kathryn Kuhlman: o que pensava, o que cria, o que dizia. São Paulo: The Way Books, 2006, p. 41.
38. BITTENCOURT, B. P. Ensaios Teológicos: papéis e notas. Piracicaba: Editora Unimep, 2001, p. 137.
39. GILBERTO, 2006, p. 58-60.
40. BITTENCOURT, 2001, p. 138.
41. Ibid., p. 139.
42. SANTOS, Rosileny Alves dos. Entre a razão e o êxtase: experiência religiosa e estados alterados de consciência. São Paulo: Edições Loyola, 2004, p. 182.
43. SANTOS, 2004, p. 184-192.
44. VINGREN, 1987, p. 117.
45. SANTOS, 2004, p. 161.
46. CERTEAU, Michel de. A escrita da história. 1. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1982, p. 243.
47. OLIVEIRA, 1997, p. 51.
48. GILBERTO, 2006, p. 63.
49. ALENCAR, 2000, p. 129, 130.
50. CERTEAU, 1982, p. 25.
51. Ibid., p. 244.
52. GILBERTO, 2006, p. 70-73.
53. CERTEAU, 1982, p. 245.
54. SOUZA, 1987, p. 215-227.
55. Ibid., p. 227-233.
56. CERTEAU, 1982, p. 247, 248.
57. GILBERTO, 2006, p. 12.
58. CERTEAU, 1982, p. 252.
59. Ibid., p. 253.
60. VINGREN, 1982, p. 194, 195.

REFERÊNCIAS 
ALENCAR, Gedeon Freire de. Todo poder aos pastores, todo trabalho ao povo, todo louvor a Deus: Assembleia de Deus - origem, implantação e militância nas quatro primeiras décadas - 1911-1946. Dissertação de Mestrado pela Umesp, São Bernardo do Campo, 2000. 
BARROS, Marcelo. Essas crianças não são brincadeiras. A Seara: revista evangélica. Rio de Janeiro, CPAD, ano 41, nº 12, pp. 22-26, nov., 1997. 
BÍBLIA. Almeida, João Ferreira de. Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Versão Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
BITTENCOURT, B. P. Ensaios Teológicos: papéis e notas. Piracicaba: Editora Unimep, 2001, pp. 137-140.
CABRAL, David. Assembleias de Deus: a outra face da história. 2 ed., Rio de Janeiro: Betel, 1998.
CERTEAU, Michel de. A escrita da história. 1. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1982.
COSTA, Jeferson Magno. Paulo Macalão: a chamada que Deus confirmou. Rio de Janeiro: CPAD, 1983. 
GILBERTO, Antônio. Verdades Pentecostais: como obter e manter um genuíno avivamento pentecostal nos dias de hoje. 1. ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
KUHLMAN, Kathryn; BUCKINGHAM, Jamie. O melhor de Kathryn Kuhlman: o que pensava, o que cria, o que dizia. São Paulo: The Way Books, 2006.
OLIVEIRA, Joanyr de. As Assembleias de Deus no Brasil: sumário histórico ilustrado. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
PEPELIASCOV, Antônio. História da Igreja Assembleia de Deus em Santo André. Santo André: Mensagem Para Todos, 1997.
SANTOS, Rosileny Alves dos. Entre a razão e o êxtase: experiência religiosa e estados alterados de consciência. São Paulo: Edições Loyola, 2004.
SOUZA, Estêvam Ângelo de. Nos domínios do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.
SYNAN, Vinson. O século do Espírito Santo: 100 anos do avivamento pentecostal e carismático. São Paulo: Vida, 2009.
VINGREN, Ivar. Gunnar Vingren: o diário do pioneiro. 2. ed., Rio de Janeiro: CPAD, 1982.
____________. Despertamento apostólico no Brasil: resumo da missão pentecostal sueca no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.

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