Pastor Wanderley Tribeck Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Wanderley Tribeck morreu aos 73 anos nesta terça-feira
Wanderley Tribeck, o primeiro intérprete do palhaço Bozo no Brasil, que morreu aos 73 anos na noite desta terça-feira (18), era pastor evangélico desde 2011 e atualmente estava na Assembleia de Deus Criciúma, em Santa Catarina.
Em 2020, o nome do ex-comediante voltou aos holofotes após ele gravar um vídeo em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem era apoiador.
Na época, Bolsonaro era constantemente chamado pela esquerda de “Bozo”, como uma forma de seus opositores associarem o nome do palhaço ao do então presidente. Em entrevista exclusiva ao portal Pleno.News na ocasião, Tribeck disse, porém, que o apelido teria justamente o efeito contrário, já que o personagem era “bom” e incentivava as crianças “a serem boas criaturas”.
– Eles [esquerda] estavam chamando o presidente de Bozo tentando denegrir sua imagem. Eles estavam completamente errados, porque o Bozo foi um personagem bom, educou as crianças, incentivou as crianças a serem boas criaturas, ensinou as famílias. O Bozo era a continuação do lar das pessoas, ele era um personagem muito bom – disse Tribeck, em 2020.
Em suas redes sociais, Tribeck costumava publicar momentos de sua atuação como pastor e também fazia questão de ressaltar que já tinha sido o intérprete do palhaço Bozo. No último dia 5 de junho, por exemplo, ele postou uma imagem em seu Instagram que dizia: “Agenda com o primeiro palhaço Bozo do Brasil. Pr. Wanderley Tribeck”.
Wanderley Tribeck em postagem com referência ao palhaço Bozo Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Já em sua última postagem, feita na segunda-feira (17), um dia antes de morrer, o pastor compartilhou que oito pessoas se converteram após uma pregação que fez na Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), em São José, também no estado de Santa Catarina.
– Oito almas preciosas aceitando Jesus Cristo como único salvador na IEQ em São José SC, obrigado pastor Alex por me convidar para pregar na sua igreja – escreveu.
Última postagem de Wanderley Tribeck Foto: Reprodução/Instagram Wanderley TribeckSegundo a família do líder religioso, Tribeck teria morrido em decorrência de um infarto. O pastor faleceu no Hospital Municipal Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú (SC), por volta das 23h desta terça. Wanderley também ficou conhecido artisticamente como Wandeko Pipoca.Fonte: Pleno News
"Queria falar de Jesus na TV e não deixaram", revela Arlindo Barreto, que irá mostrar sua história no filme "Bingo - O rei das manhãs", com lançamento previsto para 2017
Um dos intérpretes do Bozo nos anos 1980, Arlindo Barreto tinha a missão de entreter as crianças com as características exageradas de um palhaço no SBT. Enquanto isso, os bastidores de sua vida eram marcados pelo excesso de trabalho, o abuso de drogas e álcool — até que sua conversão mudou o rumo de sua carreira.
Sua história será mostrada no filme "Bingo - O rei das manhãs", dirigido por Daniel Rezende e estrelado por Vladimir Brichta, com lançamento previsto para 2017.
“Passei um tempo com o Vladimir, um ator excelente. Fiz uma espécie de coach e ele conseguiu pegar cada detalhe. Também acompanhei as filmagens. Quando o trailer foi divulgado, um dos meus filhos disse: 'Pai, ele está igualzinho a você'. Me emociono quando falo sobre isso”, disse Arlindo à colunista Patrícia Kogut.
O longa, que, por questões de direitos autorais, apresentará o palhaço como Bingo, mostra cenas de Arlindo usando drogas antes de entrar no palco. No entanto, ele nega. “Isso é ficção. Não acontecia. Por dia, eram quatro palcos com participantes de excursões de quatro escolas. Um calor insuportável. Não teria como fazer o programa drogado”, conta ele, que atua no filme como o homem que evangelizou o protagonista.
Hoje pastor, Arlindo teve como exigência para a realização do filme mostrar sua conversão. Ele se rendeu a Jesus Cristo depois de um grave acidente de carro, quando ainda interpretava Bozo.
“Se o longa ficasse folia por folia não teria propósito. Queria mostrar o poder que Deus tem. Antes, acreditava que, se chegasse ao topo do sucesso, conquistaria a paz que tanto sonhava. Mas caí numa roda viva que foi justamente o contrário. Quanto mais trabalhava, mais distante eu ficava da minha família. Minha primeira mulher saiu de casa com meu filho. Desci toda a escada da fama, fiquei deprimido. Usei cocaína e entrei no buraco negro. Tentei ajuda em várias terapias e não encontrei. Quando me recuperei do acidente, me vi sem família, sem nada”, ele lembra.
“Fui para a igreja e reencontrei o pastor que havia me ajudado no hospital. Ouvi a Palavra de Deus, que tem uma força espetacular. Não senti mais vontade de beber, fumar maconha ou usar cocaína. Isso modificou a minha vida. Queria falar de Jesus na TV e não deixaram. Então, eu disse tchau”, afirma Arlindo, que hoje tem 63 anos.
O ex-Bozo diz que sente apenas saudades do trabalho quando se lembra daquele tempo, mas não se orgulha da vida glamourosa regada a festas e mulheres. Atualmente, faz turnês com seu espetáculo de comédia religiosa "Mr. Clown".
“É um trabalho social. Não cobro ingressos, mas alimentos e roupas. Estou à espera de um convite para voltar à TV. Sou ator, já atuei em novelas e gostaria de fazer dramaturgia. Não reeditaria o Bozo porque acho que não vingaria. As crianças de hoje mudaram”, ele conta.