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sábado, 23 de setembro de 2017

USP assina convênio com a Catedral Evangélica de São Paulo para cessão de órgão de tubos


No dia 16 de setembro, a USP e a Catedral Evangélica de São Paulo assinaram um convênio que possibilitará a instalação de um órgão de tubos, cedido pela Universidade, na sede da instituição religiosa, no bairro da Consolação, em São Paulo. O instrumento deverá ser instalado no local até o final do ano de 2018.
O estabelecimento do acordo foi aprovado pelo Conselho Universitário, na sessão realizada no dia 4 de julho deste ano, e tem como objetivos apoiar, incentivar, assistir, desenvolver e promover a cultura, a educação e tornar a música acessível para parcelas maiores e mais carentes da população.
O convênio prevê a montagem, instalação, utilização e manutenção do órgão e estabelece a elaboração e execução de projetos de incentivo à música e de educação musical. Além disso, a parceria com a Escola de Comunicações e Artes (ECA) permitirá o desenvolvimento de atividades didático-acadêmicas com alunos e docentes do Departamento de Música da Escola.
O órgão, fabricado pela empresa de origem alemã Gerhard Grenzing e adquirido pela USP em 2013, é composto por cinco corpos, 3.400 tubos de metal e 175 tubos de madeira. Inicialmente, o instrumento seria instalado no Centro de Convenções, no campus de São Paulo. Entretanto, por conta das restrições orçamentárias da Universidade e da suspensão das obras, o processo de construção do Centro foi interrompido. No final de 2015, o Conselho Universitário havia aprovado a instalação do órgão na Catedral Metropolitana de São Paulo, na Praça da Sé, o que não se efetivou por questões de ordem técnica.

Bem público

A cooperação com a ECA e o relacionamento da Universidade com a sociedade foram os pontos destacados pelo reitor da USP, Marco Antonio Zago, em seu discurso. "As catedrais sempre foram locais privilegiados para a prática musical e para a educação artística. Assim é, também, esta catedral: um ambiente que valoriza a arte. Nosso acordo beneficiará a população paulista, com a promoção de audições, concertos e festivais abertos ao público em geral e, principalmente, nossos estudantes, que poderão aperfeiçoar sua formação".

O pastor titular da Catedral, Valdinei Aparecido Ferreira, também comemorou a iniciativa. "Neste dia, estamos participando do nascimento de algo novo em nossa cidade e que une a vocação das instituições. Celebramos um convênio para abrigar, neste templo, um bem público e para zelar para que ele sirva à comunidade, sem qualquer distinção. Para que os alunos aprendam, mais do que notas musicais, a fazer soar os sons da igualdade, da cidadania, da fraternidade", afirmou.
Também estavam presentes ao evento o vice-presidente do Conselho da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, Ítalo Francisco Curcio, e o presidente do Conselho Curador da Fundação Mary Harriet Speers, Osni de Lima.
O encerramento da cerimônia foi marcado pela apresentação musical da Camerata de Cordas do Projeto Soarte, desenvolvido pela Fundação, e do Coro da Catedral, e contou com a participação dos professores do Departamento de Música da ECA, Luís Afonso Montanha e José Luís de Aquino.
Assista, a seguir, ao vídeo produzido pela equipe da Catedral a respeito da cessão do uso do órgão.


Fonte: Jornal da USP

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Pastor retira boneca afro em creche de Vitória: “Macumba”


Creche funciona em prédio que pertence a igreja, mas é alugado pela prefeitura.

O pastor João Brito, responsável pela Igreja Evangélica Batista de Vitória, na capital capixaba, se envolveu uma polêmica.
O líder pediu para que um painel de bonecas negras feito por crianças fosse removido de uma creche.
A creche em questão funciona num prédio que pertence a igreja, mas é alugado pela Prefeitura Municipal de Vitória. A decisão do líder se baseia na ideia de que a boneca é "símbolo de macumba por se originar de uma religião africana".
O local o qual a arte foi produzida foi o Centro Municipal de Ensino Infantil (Cmei) Professora Cida Barreto. O painel, segundo informações divulgadas pelo G1, retrata bonecas Abayomi, de origem africana, foi produzido com base em aulas sobre cultura africana e faz parte do programa institucional Diversidade.
Abayomi era um tipo de boneca produzida pelas mães africanas para seus filhos. O material era feito de suas saias e tinham, como objetivo, acalmar os filhos durante as viagens de barco em que pessoas escravizadas eram comercializadas entre o continente africano e o Brasil.
Pelo compartilhamento de espaço do Cmei e a igreja, o pastor João Brito decidiu intervir na obra escolar. "Aquilo era um quadro com entidade de macumba. Se colocar qualquer símbolo religioso que confronte a Bíblia eu tiro, eu tirarei e, se repetir, eu tiro de novo", disse ele.
"Quando foi feito o convênio com a prefeitura, ficou acordado que não iríamos intervir em nada. A escola é laica. Em contrapartida, a escola também não deveria fazer nada que contrariasse os princípios evangélicos. Pra quê essa boneca? Tanta coisa para ensinar. Por que ensinar isso?", questionou o líder religioso.
A representante da secretaria de educação de Vitória, Adriana Sperandio afirmou que será feita uma reunião com o pastor João Brito na próxima semana para tratar do caso em questão.
"A gente entende que, promovendo o diálogo, há perspectiva de avançarmos nesse sentido. Sempre reconhecendo que a escola tem um projeto pedagógico cuja ação é voltada para a formação para a cidadania e isso, sem dúvida, deve ser assegurado", afirmou.
João Brito explica os motivos em torno da retirada. "A gente retirou por ser símbolo de uma religião de cunho afro-brasileira. Não é pela cor da boneca. Nós não temos preconceito com cor, na igreja, inclusive, há muitas pessoas negras".
Fonte: Gospel Prime
MEU COMENTÁRIO:
Entendo perfeitamente a atitude do referido pastor, mas fica aí um alerta para as parcerias da Igreja com o Estado, e as polêmicas possíveis.
Tais parcerias são legais sim, no entanto, a partir de um convênio que aluga o espaço pertencente a uma Igreja, seja templo, salas ou qualquer outro patrimônio religioso, a área fica sob a égide e administração do poder público, e esse por sua natureza laica não se atentará para esse fato, a não ser que haja cláusula contratual que o obrigue a isso.
É lógico que nesse caso, mesmo sendo uma Igreja Evangélica, essa também ficaria restrita de colocar qualquer símbolo de seu interesse que representasse o cristianismo, em virtude daquele espaço estar sob controle do estado, por força de contrato e ou convênio de locação.
Vale a observação do que aconteceu no Estado do Espírito Santo, em especial na cidade de Vitória, para que todos fiquemos atentos.
Pode? Pode, mas é bom que se avalie o custo benefício, a conveniência da Igreja e suas possíveis consequências, como por exemplo a exposição num caso como o em tela.
A Bíblia diz:
"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas."  1o. Coríntios 6:12

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