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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Frequência aos cultos presenciais está aumentando, mostra pesquisa



Três anos depois que as restrições do governo em resposta à pandemia do COVID-19 forçaram muitas igrejas a fechar e oferecer apenas serviços online, um novo relatório revela o estado do atendimento presencial nos EUA.

Felizmente para os pastores, a parcela de americanos que voltou aos cultos presenciais continua a aumentar, enquanto uma proporção considerável de fiéis continua a adotar a opção virtual.

A American Bible Society (Sociedade Bíblica Americana) divulgou o segundo capítulo de seu relatório "Estado da Bíblia EUA 2023" na quinta-feira, que examinou as tendências de frequência à igreja agora que três anos se passaram desde que o auge da pandemia do COVID-19 levou os governos estaduais e municipais a decidir estender restrições de culto que impediram muitas congregações de se reunirem pessoalmente, algumas por mais de um ano e meio, enquanto lojas de bebidas e clubes de strip foram autorizados a permanecer abertos.

As descobertas do relatório, divulgadas no mesmo dia em que a Emergência de Saúde Pública do COVID-19 terminou, são baseadas nas respostas de 2.761 adultos nos 50 estados a uma pesquisa realizada entre 5 e 30 de janeiro.

Os resultados da pesquisa revelam que a parcela de americanos que frequentam os cultos da igreja principalmente pessoalmente aumentou pelo terceiro ano consecutivo. Em 2021, quando a pandemia de coronavírus se tornou grande na mente dos americanos, mesmo depois que as restrições mais rígidas expiraram, 38% dos entrevistados que participaram do estudo Estado da Bíblia disseram que frequentavam a igreja pessoalmente. Esse número subiu para 56% em 2022 e 67% em 2023.

Ao mesmo tempo, a parcela de americanos que prefere assistir aos cultos on-line diminuiu consistentemente nos últimos três anos. Enquanto quase metade (45%) dos americanos frequentou os cultos da igreja principalmente online em 2021, esse número caiu para 30% em 2022 e diminuiu ainda mais para 21% em 2023.

Como a porcentagem de americanos que preferem principalmente um método de culto em detrimento de outro sofreu grandes flutuações nos últimos três anos, a parcela de entrevistados que dizem ter escolhido os dois métodos igualmente permaneceu relativamente estável. Medido em 17% em 2021, esse número caiu para 14% em 2022 e 12% em 2023.

Quando perguntados por que preferem assistir aos cultos da igreja online, 9% dos entrevistados caracterizaram os cultos virtuais como "mais convenientes para minha agenda". Sete por cento apontaram "preocupações com a exposição a doenças" como a razão pela qual preferem os cultos online, sugerindo um efeito prolongado da pandemia do COVID-19.

Razões adicionais listadas para favorecer os cultos online da igreja incluem apreciar a "liberdade e conforto de casa" (7%), menos distrações (5%), incapacidade de comparecer fisicamente aos cultos presenciais (3%), acreditar que os cultos online a "uma maneira mais eficaz de se conectar com Deus" (3%) e ao fato de que sua "igreja ou templo online é muito distante para frequentar pessoalmente" (3%).

Dividido por geração, o aumento na frequência pessoal à igreja de 2022 a 2023 foi mais pronunciado entre a Geração Z. Em 2022, a maioria dos nascidos depois de 1997 (52%) frequentou os cultos pessoalmente. Esse número disparou para 72% em 2023. Uma queda acentuada na participação da Geração Z que frequenta a igreja online, de 40% em 2022 para 16% em 2023, acompanhou o grande aumento na frequência presencial à igreja.

Por outro lado, apenas 60% dos anciãos disseram que compareceram pessoalmente aos cultos da igreja em 2023, tornando-os a faixa etária menos provável de fazê-lo pelo segundo ano consecutivo. No ano passado, 53% dos nascidos antes de 1946 frequentaram os cultos presenciais, número que subiu para 60% em 2023.

Os anciãos também foram os mais propensos a preferir cultos online em 2023, com 25% a favor da opção virtual. Os 38% dos nascidos antes de 1946 que disseram o mesmo no ano passado foram ligeiramente menores do que a porcentagem do grupo mais jovem de entrevistados que frequentou principalmente os cultos online da igreja (40%).  

A parcela de millennials, baby boomers e membros da Geração X que frequentaram serviços presenciais este ano foi medida em 61%, 68% e 73%, respectivamente. No ano passado, maiorias menores de millennials (56%), baby boomers (58%) e membros da Geração X (55%) preferiram o culto pessoal. A pesquisa define millennials como aqueles nascidos de 1981 a 1996, baby boomers como aqueles nascidos entre 1946 e 1964 e geração X como entrevistados nascidos entre 1965 e 1980.

No ano passado, a parcela da geração do milênio que favorece os cultos online da igreja caiu de 29% para 23%. A porcentagem de membros da Geração X que preferem os cultos online da igreja diminuiu de 31% em 2022 para 18% em 2023, enquanto a parcela de baby boomers que adotaram a opção virtual mal passou de 25% em 2022 para 24% em 2023.

A Sociedade Bíblica Americana lançará um capítulo adicional de seu relatório "Estado da Bíblia EUA 2023" em cada um dos meses restantes deste ano. O nono e último capítulo está previsto para ser lançado em dezembro.

Folha Gospel com informações de The Christian Post

terça-feira, 28 de março de 2023

Migração de evangélicos faz aumentar o número de igrejas em Portugal



Pastor batista afirma que, graça a Deus, tem aumentado a presença evangélica em solo português, principalmente pela influência dos brasileiros


Milhares de brasileiros que, nos últimos anos, migraram para Portugal, têm procurado abrigo nas igrejas evangélicas. Segundo o advogado Fernando Soares Loja, vice-presidente da Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), quatro em cada 10 cidadãos oriundos do Brasil que vivem em Portugal são evangélicos.

Há quem assegure que essa proporção é maior, dada a coincidência do forte crescimento da comunidade brasileira em território luso com o aumento expressivo das pessoas que seguem a religião evangélica.

Entre 2011 e 2021, a população de brasileiros legais em Portugal passou de 111,4 mil para 204,7 mil. No mesmo período, o total de evangélicos saltou de 75 mil para 186 mil, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

"Na minha avaliação, não dá para fazer o cruzamento desses dados com precisão. É verdade que o incremento no número de evangélicos em Portugal tem muito a ver com a migração de brasileiros, mas também houve aumento entre cidadãos dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Alemanha, da Dinamarca e da Suécia, que são, tradicionalmente, protestantes e entram nas mesmas estatísticas", explica Soares Loja. Para ele, os dados colhidos pelo INE também refletem a maior confiança das pessoas em explicitar sua opção religiosa. Até 30 anos atrás, num país majoritariamente católico, as minorias se sentiam intimidadas. "Isso mudou ao longo dos anos. Hoje, a liberdade religiosa é uma realidade em Portugal", assegura.

A presença maior de evangélicos em Portugal é reforçada por outro dado colhido pela CLR: das 50 igrejas abertas de Norte a Sul do país nos últimos quatro anos, 90% são evangélicas. "É uma informação surpreendente", reconhece a professora Luísa Godinho, mestre e doutora pela Universidade de Genebra, na Suíça. Proporcionalmente, contudo, os evangélicos ainda são menos de 3% da população portuguesa, mas a tendência é de que esse grupo continue crescendo.

No entender da professora, trata-se de um movimento natural, uma vez que Portugal se abriu para os imigrantes. Mas ela faz uma ressalva: "O importante é que os novos grupos religiosos não tragam consigo o conservadorismo exacerbado, o fundamentalismo. Portugal, assim como Espanha e Itália, são países mais atrasados que o restante da Europa justamente porque a Igreja Católica e o Estado quase sempre foram uma coisa só", explica.

Portas Abertas

Líder da Associação Adonai Church, em Almada, cidade separada de Lisboa pelo rio Tejo, o pastor Fabrizio Santos, 44, descarta rótulos. "Estamos com as portas abertas para todos. A nossa missão é acolher, e isso independe se a pessoa veio da umbanda, do espiritismo, do catolicismo ou de qualquer outra religião", ressalta.

Ele diz que a procura pela igreja por brasileiros tem sido cada vez maior, pois muita gente está vendo frustrados os planos de mudança para Portugal. "Outro dia, um dos nossos fiéis encontrou um casal, com uma criança, dormindo em uma estação de trem porque não tinha mais dinheiro para nada. Além de moradia por quase 15 dias, conseguimos arrumar emprego para eles", relata.

Para o pastor, é importante assinalar que, mesmo 80% da população com mais de 15 anos de Portugal se dizer católica, a liberdade para cultos de outras religiões é grande. Ele lembra que, durante o auge da pandemia do novo coronavírus, as autoridades portuguesas permitiram que as igrejas ficassem abertas para o caso de alguém procurar ajuda. "Isso foi muito importante." Em meio a essa liberdade, também há problemas. "Em algumas localidades, há denúncias de moradores à polícia contra as igrejas. Eles reclamam do barulho. Mas nada grave", ressalta. "Temos de lembrar que estamos num país com cultura diferente. Respeitamos."

A realidade espiritual de Portugal

Há quatro anos, o pastor João Luiz Melo está em Portugal com a família. Nos dois primeiros anos, ele ajudou na revitalização de uma igreja portuguesa. Agora, pouco mais de um ano e meio, o líder religioso deu início à plantação da Igreja Batista Local, no Porto, que a princípio contou com apenas 13 pessoas.

Atualmente, aos domingos, nos cultos, há uma frequência de 100 pessoas. "Já estamos com três pequenos grupos na região do Porto, que envolve cerca de 60 pessoas, e já vamos formar o quatro". A perspectiva é alcançar também o interior do país.

O pastor batista afirma que, graça a Deus, tem aumentado a presença evangélica em solo português, principalmente pela influência dos brasileiros. "Temos trabalhado muito, para que seja um crescimento de qualidade", pontua e emenda: "Um desafio é quebrar o paradigma de que a prática evangélica representa uma religião de imigrantes".

Em contrapartida, João Luiz ressalta que a realidade espiritual de Portugal não é tão conhecida no Brasil. Isto porque as pessoas acham que é um país apenas católico. No entanto, "cerca de 10% da população está envolvida com bruxaria. Há uma muita gente que procura os bruxos, os místicos".

A outra realidade portuguesa, segundo o líder batista, é a idolatria. "Mais de 200 mil pessoas passam por dia no Santuário de Fátima". Dentro desse contexto, ele considera Portugal um país ainda não alcançado pelo Evangelho. Por outro lado, na visão do pastor João Luiz, a partir dessa nova configuração, o país pode ser apontado como a porta de entrada das Boas Novas de Jesus para a Europa, que vive um período pós-cristão ou, conforme alguns estudiosos, pré-avivamento.

"Igrejas estranhas, para estrangeiros"

Levantamento da Aliança Evangélica Portuguesa, realizado em 2020, ano em que quase 35 mil brasileiros receberam autorização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para se estabelecerem em Portugal, o número médio de frequentadores por igreja evangélica passou para 73, ante 49 de quatro anos antes. A percepção, no entanto, é de que, atualmente, esse número é bem maior. A mesma entidade assinala que esse aumento tem a ver com o crescimento da imigração. Isso, inclusive, faz com que muitos portugueses vejam essas igrejas como "estranhas, para estrangeiros, deles para eles". Pouco mais de 70% desses templos são comandados por pastores brasileiros.

Na opinião do vice-presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, Fernando Soares Loja, o estranhamento dos portugueses em relação aos evangélicos não pode ser visto como preconceito. Ele diz que, a despeito de as pesquisas apontarem que 80% dos cidadãos de Portugal se dizem católicos, boa parte deles não é praticante. Também não se pode dizer que a sociedade portuguesa é conservadora em excesso. "Para comprovar isso, basta ver a representação na Assembleia da República, que aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a eutanásia", detalha. "Temos uma sociedade mais pulverizada."

A professora Luísa Godinho torce para que a pluralidade de pensamento prevaleça em Portugal e acredita que o número de pessoas que dizem não seguir nenhuma religião vai crescer. Hoje, eles já são mais de 10% da população, a maioria, jovens. Com isso, frisa ela, poderá se corrigir o atraso de Portugal, um dos poucos países europeus a não enfrentar uma reforma protestante, que confrontou o poder da Igreja Católica. "As sociedades que passaram por essa revolução aprenderam a ler mais cedo e têm uma relação mais livre com Deus", conclui.

Com informações de Correio Braziliense e Comunhão via Folha Gospel

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