quarta-feira, 29 de abril de 2020

Telefônica VIVO encerra acordo com MVNO da Assembleia de Deus


Mais AD foi lançada em 2015 com meta de ser maior MVNO em número de assinantes do mundo. Chegou a 2020 com 9 mil chips vendidos e disputando R$ 17 milhões com a Telefônica.

A Telefônica Vivo e a operadora móvel virtual da Assembleia de Deus não são mais parceiras na oferta de serviços telefônicos móveis. A ruptura definitiva se deu em 5 de abril. Em seu site, a Vivo publicou comunicado informando que a Mais AD já não tem mais qualquer vínculo com a companhia.

A Vivo explica que os usuários que não migraram para planos da própria Vivo nem pediram portabilidade numérica tiveram os números desligados automaticamente. A base de clientes era toda pré-paga.

O contrato original tinha duração prevista de 5 anos, com renovação sucessiva. A expectativa dos fundadores, na ocasião do lançamento da MVNO, era uma colaboração de ao menos 10 anos. A parceria termina, portanto, na metade do tempo idealizado.

Pelo acordo, a Vivo seria a operadora de origem, e a Mais AD, a operadora credenciada. Neste modelo de negócio, a Vivo era responsável pela infraestrutura, cobrança (billing), atendimento, enquanto a MVNO se encarregava do marketing e vendas dos chips móveis.

VENDAS BAIXAS

Criada em 2015 pelo investidor Ricardo Knoepfelmacher (ex-Brasil Telecom) com o objetivo de se tornar "a maior operadora móvel virtual do mundo", a Mais AD não atingiu a meta. A Movttel, responsável pela operação, projetava forte apelo comercial e acreditava na demanda do público no segmento religioso. A Assembleia de Deus tem mais de 23 milhões de fiéis.

A estratégia, na época do lançamento, previa a venda de SIM cards em 45 templos. Os pastores apoiariam a divulgação, e a MVNO contaria ainda com "voluntários" para levar o chip a novas freguesias. Ao término da relação com a Vivo, porém, a Mais AD tinha 1,6 mil usuários ativos apenas, segundo a Vivo. Conforme a Mais AD, os clientes seriam 9 mil.

A Mais AD chegou a fechar acordo no final de 2019 com a enabler Dry Company, que assumiria a gestão dos clientes. A Dry tem acordo com a Surf Telecom e usa a infraestrutura dessa empresa para a oferta de serviços móveis virtuais de times de futebol. O site da Mais AD, no entanto, está fora do ar.

A cisão entre Vivo e Mais AD se deu por intermédio da Anatel. A Mais AD levou à Anatel reclamação de que não recebeu repasses da Vivo. A Vivo, por sua vez, alegou inadimplência da Mais AD quanto à taxa de implementação da MVNO já no começo da operação. A Vivo afirma que tem a receber R$ 2 milhões, enquanto a Mais AD diz que aguarda o pagamento de R$ 17 milhões. A disputa foi levada à Justiça pela Mais AD, e ainda será julgada.

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