quinta-feira, 27 de julho de 2023

Índia cria apresentadores de notícias com IA e acende alerta nos profissionais da área




Empresas afirmam que IA não deve substituir o trabalho de jornalistas, mas treinam a tecnologia para uma melhor interação com humanos e a fim de mediar debates


Muito se questiona se a inteligência artificial vai efetivamente ocupar o lugar de profissionais humanos. Na Índia, uma novidade tem apimentado esse debate: âncoras geradas por inteligência artificial (IA) apresentam programas de notícias em empresas de comunicação locais.

A primeira vez que isso aconteceu no país foi em abril deste ano, no canal de notícias “Aaj Tak“, do grupo “India Today”, uma das maiores empresas de mídia da Índia, segundo informou o portal “South China Morning Post (SCMP)”. Na ocasião, um chabot nomeado Sana leu os destaques do noticiário.

No leste da Índia, a estação de televisão “Odisha TV” seguiu o exemplo e utilizou uma apresentadora chamada Lisa, gerada por IA, para ler as manchetes em Odia, o idioma local. A imagem usa um sari e tem olhos e cabelos escuros, e apresentará as notícias para a televisão e plataformas digitais da empresa.

Para telespectadores desatentos, Lisa pode ser confundida com uma apresentadora humana. Mas uma inspeção mais detalhada revela um movimento lento do piscar de olhos e poucos gestos com a mão.

Além disso, o chatbot tem uma voz de tom robótico e monótono, falhando em marcar a fala ao longo da apresentação, como fazem os jornalistas humanos.

O chatbot também figura no perfil de Twitter da “Odisha TV”. Em algumas publicações, ela dispensa o uso do sari e também usa os cabelos soltos.

Apesar das limitações claras na comunicação de um chatbot, o “SCMP” sugere que, por falarem mais de uma língua, Sana e Lisa poderiam facilitar o consumo de notícias na Índia, que conta com mais de 20 idiomas oficiais diferentes. Enquanto Lisa fala apenas em inglês e Odia, Sana é capaz de se comunicar em 75 idiomas distintos.

Os jornalistas humanos podem ficar tranquilos, asseguram o “India Today” e a “Odisha TV”. Segundo as empresas, os chatbots apenas complementam os apresentadores e jornalistas reais, e não os substituem.

De fato, após ler as manchetes, é comum que Sana e Lisa entreguem a palavra aos apresentadores, que mediam o debate com os convidados.

Embora tenham afirmado que os chatbots não substituem o jornalista, ambos os grupos indianos estão treinando as tecnologias para interagirem melhor com os humanos, e o “India Today” deseja que Sana faça também a mediação entre os debates na TV. A ideia é se manter surfando na onda das novidades tecnológicas e aproveitando tudo o que a IA tem para oferecer.

Para as empresas, o benefício está em aumentar a eficiência da equipe, garantir cobertura 24 horas e diversificar a linguagem falada, dispensando tarefas banais e repetitivas ou de análise de dados, permitindo que os jornalistas humanos foquem em novos ângulos e em um trabalho mais criativo.

Do outro lado, pode ficar uma insatisfação com a falta de nuance nas histórias transmitidas e a ausência de um elemento humano, além da preocupação com a segurança em relação ao emprego.

Sana e Lisa se juntam à legião de outros chatbots empregados na comunicação, inclusive também como apresentadores de notícias e previsões do tempo ao redor do mundo.

Fonte: CNN

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Pastor Carlos Roberto Silva
Point Rhema

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