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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

A "teologia coaching" e seus perigos



De tempos em tempos surge no mundo secular alguma nova técnica, metodologia ou fórmula com a promessa de proporcionar ao ser humano desenvolvimento, motivação e sucesso pessoal e profissional. Talvez você se lembre do movimento da autoajuda, a programação neurolinguística ou "o segredo" do "poder da atração", que ficaram conhecidos por meio de especialistas e gurus que prometiam como alcançar realização e felicidade plena, enquanto eles mesmos enriqueciam com a venda de livros e métodos supostamente infalíveis.

Considerando que não há nada de novo debaixo do sol segundo Salomão (Ec. 1.9), nos últimos anos a bola da vez no mundo do desenvolvimento pessoal é o chamado coaching.

Segundo seus proponentes, o coaching é um processo, ou um conjunto de competência e habilidades, para que as pessoas consigam atingir objetivos na vida pessoal, profissional e financeira[i]. A metodologia consiste em um instrutor (coach), que ajuda e orienta seu aprendiz (coachee) a alcançar os resultados perseguidos, valendo-se de ferramentas de gestão e técnicas psicológicas.

No ambiente cristão, da mesma forma que ocorreu com o movimento da autoajuda, o coaching também encontrou espaço em muitos púlpitos das igrejas cristãs.

Na sequência da onda da teologia da prosperidade e do triunfalismo materialista, que acarretaram (e seguem acarretando) danos à verdadeira espiritualidade bíblica, em nome das bênçãos terrenas, infelizmente vimos surgir e proliferar, como erva daninha, uma onda de pregações envenenadas de linguagem antropocêntrica e de técnicas coachingImpulsionada principalmente pelas redes sociais, essa teologia coaching, como tem sido nomeada, segue encantando a muitos, por meio de uma mensagem superficial, autorreferente e baseada em um espiritualidade pós-moderna hedonista.

Com sabedoria bíblica, é claro, precisamos discernir as coisas. Criado à imagem de Deus (Gn 1.26), sabemos que o homem possui valor e dignidade. Essa a razão pela qual existe no ser humano um senso de estima e cuidado pessoal.

Paulo expressou isso ao dizer: "Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e cuida, como também o Senhor à Igreja" (Ef.5.29). Isso significa que não é bíblico desprezar o valor da pessoa humana, muito menos alimentar um sentimento de desconsideração por si mesmo. Mas observe que esse comportamento humano é algo natural, que advém da sua posição de honra na criação divina (Hb 2.7). Eis o motivo pelo qual Jesus afirmou: "Ame a seu próximo como si mesmo" (Mt 23.39). Pelos textos bíblicos, percebemos que nem o Mestre Jesus e nem o apóstolo Paulo estão mandando que amemos a nós mesmos. Eles partem desse pressuposto essencial da natureza humana, para usar como diretriz a fim de que amemos ao próximo; isso sim um mandamento. Em razão da propensão à corrupção, o desejo carnal do homem é sempre buscar os seus interesses individuais.

Ao mesmo tempo, é válido reconhecer os aspectos positivos da busca pelo crescimento intelectual e espiritual, pelo empenho e prática de hábitos que levem ao desenvolvimento sadio do indivíduo.

A sabedoria bíblica nos apresenta conselhos e diretrizes para uma vida de êxito, destacando a importância de fazermos as coisas com empenho (Ex 9.10), e tudo para a glória de Deus (1 Co 10.31). Somos instruídos sobre a necessidade do bom planejamento (Lc 14.28-30) e do uso adequado do tempo (Ef. 5.15).

O exercício prático dessas virtudes, com vistas à maturidade, contudo, nem sempre é algo fácil. Por isso encontramos ao longo das Escrituras exemplos de grandes homens de Deus que foram instruídos e aconselhados por outros. Josué cresceu sob a liderança de Moisés; Eliseu foi orientado por Elias; Ezequias ouvia os conselhos do profeta Isaías, e Paulo instruiu o jovem Timóteo. Portanto, é necessário reconhecer a importância da instrução, do conselho e da orientação de pessoas mais experientes, que servem de exemplo de vida (Pv 4.10-24), afinal, somos seres limitados e imperfeitos.

Ocorre que a chamada teologia coaching está longe disso, pois contém em seu interior um conjunto de pressupostos, discursos e estratégias que destoam completamente da legítima mensagem do Evangelho, e por isso oferece diversos perigos para a ortodoxia e piedade cristãs.

Em primeiro lugar, há o perigo da imitação do mundo. Em uma de suas advertências características, A. W. Tozer escreveu que o primeiro ritual que tem dominado o cristianismo contemporâneo é a imitação daquilo que se vê do lado de fora da igreja, sem considerar as consequências[ii]. Infelizmente, essa triste realidade é percebida quando cristãos insistem em transportar para o ambiente eclesiástico modismos advindos do mundo secular, pelo simples fato de ser uma tendência ou inovação do momento. 

teologia coaching nada mais é do que a psicologia humanista envernizada, empacotada e vendida para o consumidor cristão incauto. Devemos lembrar da advertência divina ao seu povo sobre o perigo em imitar os povos pagãos idólatras (Dt 12.30).

Em segundo lugar, a teologia coaching é nociva à ortodoxia e à espiritualidade genuína em razão do seu fundamento e conteúdo antropocêntrico, que se volta basicamente para a satisfação dos desejos, sonhos e objetivos humanos. É a antiga cilada da serpente para que o homem persiga o seu interesse e não a vontade de Deus (Gn 3.1-5). Trata-se de uma versão atualizada do Evangelho da Autoajuda, a qual se vale de fórmulas psicoterápicas para a exaltação do ego e conduz os homens a serem amantes de si mesmos (2Tm 3.1).

Mais grave ainda, cuida-se de uma renovação da antiga heresia gnóstica, que, dentre outras coisas, busca a perfeição através do autoconhecimento. Contra o ensino do gnosticismo no meio da igreja, vale lembrar, o apóstolo Pedro escreveu a sua segunda carta, enfatizando que os falsos mestres introduziriam encobertamente heresias de perdição, fazendo seguidores e lucrando com palavras fingidas (2Pe 2.1-3). Não é exatamente este cenário que também percebemos atualmente? Pedro contrapõe a mensagem antropocêntrica com o verdadeiro ensino do Evangelho, ao destacar que as bênçãos que dizem respeito à vida e piedade são alcançadas pelo conhecimento de Deus (1 Pe 1.2-4), não pelo autoconhecimento.

Em terceiro lugar, a teologia coaching é perigosa porque os pregadores que nela se baseiam não pregam todo o conselho de Deus (At. 20.27). Os pregadores e pastores coaching confundem suas pregações com palestras motivacionais e sessões de desenvolvimento humano, extraindo de passagens bíblicas isoladas receitas de sucesso ou dicas para o êxito pessoal e profissional. Embora as palavras de inspiração tenham importância na vida cristã, quando devidamente embasadas e aplicadas, a verdadeira pregação bíblica ocorre por meio da exposição das Escrituras, que serve para ensinar, para redarguir, para corrigir e para instruir em justiça (2Tm 3.16).

Por fim, a superficialidade dos discursos retóricos coaching enfraquecem a fé e transformam a espiritualidade em mera satisfação e bem-estar emocional, ao tempo em que esquecem de temas como santificação, renúncia pessoal e, principalmente, a cruz de Cristo. Existem diferentes dons e diferentes ministérios, em razão da multiforme graça de Deus (1 Pe 4.10). Mas toda teologia e toda pregação devem conduzir a Cristo, e este crucificado (1 Co 2.2).

Pr. Valmir Nascimento

*Artigo publicado no Mensageiro da Paz, Novembro/2021, edição n.º 1638, p. 16.

Valmir Nascimento é jurista e teólogo. Possui mestrado em teologia, pós-graduação em Estado Constitucional e Liberdade Religiosa pela Universidade Mackenzie, Universidade de Coimbra e Oxford University. Professor universitário de Direito religioso, Ética e Teologia. Editor da Revista acadêmica Enfoque Teológico (FEICS). Membro e Diretor de Assuntos Acadêmicos da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure). Analista Jurídico da Justiça Eleitoral. Escritor e palestrante. Comentarista de Lições Bíblicas de Jovens da CPAD. Autor dos livros "O Cristão e a Universidade", "Seguidores de Cristo" e "Entre a Fé e a Política", títulos da CPAD. Ministro do Evangelho em Cuiabá/MT.

Fonte: CPAD News 

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Deus é soberano, diz pastor ao rebater “heresia” de Victor Azevedo

Uma nova polêmica envolvendo o coach e pastor Victor Azevedo, envolvendo uma declaração que teria colocado em xeque a soberania de Deus, foi comentada pelo pastor e teólogo Renato Vargens em um artigo recente.
Vargens destaca que a popularidade de Victor Azevedo é recente e toda alicerçada na difusão da chamada "teologia do coaching": "Victor tem protagonizado informações absolutamente antagônicas às doutrinas básicas do cristianismo como por exemplo de que o crente é um pequeno deus ou mesmo que a Bíblia não é a Palavra de Deus", recapitulou o pastor reformado.
"Se não bastasse isso, o rapaz publicou que Deus não está no controle de todas as coisas. […] Além de demonstrar desconhecimento das doutrinas fundamentais das Escrituras, parece comungar com as heresias defendidas pelo teísmo aberto que nega o controle e soberania de Deus sobre todas as coisas", lamentou. 
Renato Vargens deixa claro em seu texto que é importante destacar que esse tipo de doutrina se opõe ao que a Palavra de Deus diz sobre quem Ele é: "A afirmação que Deus não está no controle de tudo é um acinte ao Deus revelado pelas Escrituras. Eu não acredito num Deus inepto, impotente e limitado".
"Eu não acredito no evangelho dos coaches que humanizaram Deus deificando o homem. Eu não acredito em um Deus que seja surpreendido por imprevistos, nem tampouco por acontecimentos que fujam aos propósitos eternos do Criador. Nosso Deus reina e tem controle sobre todas as coisas, e absolutamente nada foge aos seus desígnios", explicou. 
O pastor observou ainda que as "Escrituras afirmam que o governo está em suas mãos e que Ele possui domínio sobre tudo aquilo que acontece no céu e na terra". 
"O Deus Todo-Poderoso governa o mundo, Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Altíssimo Deus. A Ele pertence todo poder e toda autoridade para fazer o que lhe agrade. O mundo e tudo que nele há é o seu mundo e toda criatura que nele vive é controlada por Sua soberana vontade e poder", reiterou Vargens, expondo a doutrina cristã que tem atravessado milênios. 
Essas doutrinas que diminuem ou negam a soberania de Deus ganham força de tempos em tempos diante de tragédias ou calamidade, como no caso da pandemia de Covid-19. Seus defensores apontam que tais situações evidenciam que Deus, em Seu amor, não permitiria ou determinaria uma peste ou desastres naturais que causasse perdas de vidas humanas.
"Afirmo sem titubeios que as tragédias da vida, bem como os passos dos homens não fogem ao controle e domínio do Criador. Os acontecimentos ocorridos à vida de cada um dos homens não podem em hipótese alguma surpreender ao Todo-Poderoso. Como Senhor, Ele rege os acontecimentos, cumprindo sua vontade de forma inequívoca, mostrando a toda humanidade de que Ele está no controle de tudo e de todos. Portanto, à luz da Palavra de Deus, tenho plena convicção de que o meu Redentor governa sobre tudo e todos, mesmo porque, as Escrituras nos revelam um Deus que sustenta e governa o universo SOBERANAMENTE e que nada foge ao seu controle", escreveu o pastor.
Ao final, Vargens sublinhou sua oposição à doutrina que nega a soberania divina, descrita por ele como "uma das mais escabrosas heresias, que é limitar o grande e majestoso Deus a seres finitos, ineptos e impotentes".
Fonte: Gospel+
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