segunda-feira, 2 de março de 2015

Não Furtarás - Lições Bíblicas EBD/ CPAD - Lição 10 - Subsídio Teológico


NÃO FURTARÁS - Prof. Adaylton de Almeida Conceição


O OITAVO MANDAMENTO

Não roubarás (Ex 20,15; Cf Dt 5,19). Não roubarás (Mt 19,18). O oitavo mandamento proíbe tomar ou reter injustamente os bens do próximo ou lesá-lo, de qualquer modo, nos mesmos bens.

No começo, Deus confiou a terra e seus recursos à administração comum da humanidade, para que cuidasse dela, a dominasse por seu trabalho e dela desfrutasse. Os bens da criação são destinados a todo o gênero humano. A terra está, contudo, repartida entre os homens para garantir a segurança de sua vida, exposta à penúria e ameaçada pela violência. A apropriação dos bens é legítima para garantir a liberdade e a dignidade das pessoas, para ajudar cada um a prover suas necessidades fundamentais e as daqueles de quem está encarregado.

O RESPEITO AOS BENS DO OUTRO 

O oitavo mandamento proíbe o roubo, isto é, a usurpação do bem de outro contra a vontade razoável do proprietário.

Toda maneira de tomar e de reter injustamente o bem do outro, mesmo que não contrarie as disposições da lei civil, é contrária ao oitavo mandamento. Assim, também, reter deliberadamente os bens emprestados ou objetos perdidos, defraudar no comércio, pagar salários injustos, elevar os preços especulando sobre a ignorância ou a miséria alheia.

O  MANDAMENTO DIVINO PARA A VIDA.

"Não furtarás", é o alicerce do nosso sistema econômico, pois reconhece o direito de cada um – um direito dado por Deus – de trabalhar, ganhar e possuir. Tirar de alguém um valor que é seu por direito é contrário aos padrões de Deus.

O oitavo mandamento faz parte dos preceitos necessários para ter a vida eterna. Lemos no Evangelho de Mateus: "Se queres entrar na vida, observa os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti”. O mandamento de não roubar é baseada em um princípio que vai para baixo nas profundezas: "Não cobiçarás a casa do teu próximo ... nem qualquer dos seus bens" (Ex. 20:17). É uma lei espiritual, que busca a alma, a fonte dos pensamentos e intenções.  (Mt 19,17-19).

O MANDAMENTO DIVINO E A ATUAL CONJUNTURA

A maior crise da sociedade atual é a crise de integridade. A honestidade está se tornando uma virtude em extinção. Em todas as instituições, sejam políticas, comerciais, religiosas ou civis, a roubalheira, a corrupção e a desonestidade têm crescido de forma vertiginosa. 

Prevalece a chamada Lei de Gerson. As pessoas querem levar vantagem em tudo. Elas não apenas deixam de repartir o que têm com generosidade, como também roubam o que pertence aos outros com ganância insaciável. É exatamente neste contexto que o oitavo mandamento da lei de Deus é tão relevante e necessário para nortear as ações em nossa sociedade.

Deus, conhecendo o corrupto coração do homem, proíbe a cobiça e a apropriação indébita. 

Deus garante em sua palavra o direito à propriedade privada, e isso não deve ser violado por indivíduos, instituições, partidos, nem ideologias políticas. A integridade no trato com o dinheiro é absolutamente vital.

UMA ADVERTENCIA GERAL.

Comentando o 8º Mandamento, “Não furtarás”, Calvino admite que “há muitas espécies de ladrões”; contudo,  não quer se deter em demasia “fazendo listas das diferentes classes de furtos e roubos”. Resume então: “.... todos os meios utilizados pelos homens para enriquecimento com prejuízo de outros, afastando-se da sinceridade cristã, que deve ser mantida com carinho, e agindo com fingimento e astúcia, enganando e prejudicando o próximo  –  os que assim procedem devem ser considerados ladrões. Embora os que agem desse modo  muitas vezes ganhem na defesa da sua causa diante do juiz, Deus não os considerará como outra coisa senão ladrões”.

ÊXODO 20.15.

O oitavo mandamento fala basicamente de tomar alguma coisa que não me pertence.

É surpreendente, mas usamos uma centena de sinônimos para descrever o ato de roubar. As pessoas roubam, furtam, surrupiam, afanam, abafam etc. Acho que isso significa que aprendemos a praticar esse ato de várias maneiras.

O roubo pode ocorrer em grande ou pequena escala. Ele se aplica do mesmo modo a um banco e ao troco centavos a mais.

POR QUE AS PESSOAS ROUBAM?  

1. Por desejarem “felicidade instantânea”.

Deus compreende esta motivação, da mesma forma que compreende todas as armadilhas de Satanás. O Enganador me convence de que ter certa coisa AGORA me dará satisfação imediata. Encherá um vazio em minha vida e reduzirá esse descontentamento que sinto (que só pode ser preenchido pelo Senhor).

Se você não acredita que o roubo tem um alto preço, pergunte a Acã no livro de Josué.

Desgraça foi exatamente o que ocorreu quando Acã deliberadamente violou o claro mandamento. O que ele fez? Ouça de seus próprios lábios: Josué 7.20, 21. 

Em vez de esperar que Deus suprisse o que desejava, Acã tomou o que não lhe pertencia e isso acarretou uma grande derrota para o exército de Israel. Em vez de entrar vitorioso na Terra Prometida, o exército do Senhor tropeçou por causa do pecado de um homem.

Isso trouxe também a morte para Acã e sua família. Quando os israelitas se afastaram do monte de pedras que se tornou o túmulo da família, deram ao lugar o nome de Vale de Acor ou Vale da Perturbação. Tudo isto por causa de um único roubo!

2. Por desejarem segurança.

As pessoas acham que há segurança nas riquezas e “coisas”. Salomão disse o seguinte a esse respeito: Provérbios 23:4, 5. Deus sabe que, exatamente aquilo que você pensava que iria dar segurança à sua vida e seu futuro, vai falhar. Uma doença prolongada pode acabar facilmente com as economias de uma vida. Uma casa cheia de bens pode desaparecer numa enchente, ou ser varrida por uma auditoria desfavorável da Receita Federal.

3. Por esquecerem de Deus e de Suas promessas.

Sabe o que Deus está sempre nos dizendo? “Quero prover para você. Amo você. Trabalhe duro, cumpra suas obrigações e faça tudo que precisa, mas não se esqueça de que o seu futuro está sob Meus cuidados e Eu proverei para você.

O USO DA PALAVRA NO VELHO TESTAMENTO.

Ao considerarmos o uso da palavra hebraica ‘ganav’, traduzida por furtar, percebemos que o oitavo mandamento não proíbe apenas o furto. Na verdade, a expressão envolve muito mais do que apenas o furto e o roubo de objetos pessoais.

O alvo mais comum do furto são objetos materiais, como a prata e o ouro (Gn 44.8), e animais, como bois, ovelhas etc (Ex 22.1). Também se fala de dinheiro e outros objetos (Ex. 22.7, 12).

A primeira vez que a palavra ganav aparece no Antigo Testamento é no acordo entre Jacó e Labão sobre as ovelhas salpicadas e negras (Gn 30.33). Mas além desse uso comum, o Antigo Testamento usa a expressão hebraica em vários outros contextos. Em Gênesis 31, o verbo ganav é usado várias vezes e com significados diferentes. Ao sair de casa, Raquel "furtou os ídolos do lar que pertenciam a seu pai" (Gn 31.19, 30, 31). Esses objetos tinham valor não apenas pelo aspecto sagrado, mas representavam também a transmissão da herança. Ao tomar posse desses ídolos, Raquel estava praticamente garantindo o seu direito à herança. 

Nos versículos 20, 26 e 27 deste capítulo, a palavra ganav é usada com outro sentido. A Edição Revista e Atualizada (RA) a traduz por lograr e a Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH), por enganar. A expressão literal é "furtar o coração". O versículo diz: "E Jacó logrou a Labão  (furtou o coração de Labão), o arameu, não lhe dando a saber que fugia" (Gn 31.20). Portanto, furtar o coração é enganar. Este é também, sem dúvida, o sentido de furtar neste versículo: "Não furtareis (não enganareis), nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo" (Lv 19.11).

Outra ocorrência do verbo ganav na Bíblia está relacionada à história de José. José foi vendido por seus irmãos a mercadores midianitas a caminho do Egito (Gn 37.27, 28). 

Quando preso no Egito, ele diz ao seu companheiro de cela que havia sido "roubado da terra dos hebreus..." (Gn 40.15). Aqui o que se quer dizer é que José havia sido raptado. 

Aliás, é exatamente isso que está expresso neste versículo: "O que raptar ( furtar) alguém e o vender, ou for achado na sua mão, será morto" (Êx 21.16). Pela Lei Mosaica (posterior a José), os irmãos de José seriam merecedores de morte por terem-no raptado e vendido. 

Esse é também o sentido da palavra usada em 2 Reis 11.2, quando Jeoseba sequestra Joás, filho de Acazias. Então, a mesma palavra furtar, do oitavo mandamento, é usada para se referir ao roubo de pessoas, isto é, seqüestro e rapto.

Assim, a palavra traduzida por "furtar" (ganav) tem, no Antigo Testamento, o sentido de:

1) furto de objetos inanimados (prata, ouro, dinheiro) e animados (boi, ovelha, etc);

2) engano;

3) rapto de pessoas.

A questão é: qual ou quais desses sentidos deve ser aplicado ao oitavo mandamento? Ou, em outros termos: o que exatamente está sendo proibido no oitavo mandamento? 

O furto e o roubo

No Código Penal Brasileiro, Art. 155, define-se furto como: “Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel.” Deus condena qualquer tipo de furto, seja pegando sorrateiramente algum objeto de local privado, subtraindo produtos no mercado, fazendo uma “gambiarra” para subtrair a internet do vizinho, até um assalto a uma joalheria durante a noite. Um exemplo de furto na época de Moisés era o sujeito que furtava o boi, jumento (animal para locomoção) ou ovelha dos outros habitantes (Êx 22.1).

Roubando a Deus e a salvação do próximo

Isto acontece quando tomamos a Deus o que é dele? Quando não usamos os dons espirituais que Ele nos providenciou, enterrando os talentos. A Bíblia é clara quando nos diz que quando somos salvos, recebemos alguns presentes do Pai Celestial - (1 Coríntios. 12:7-27). E quando deixamos de exercer nossos dons e talentos dados por Deus, ou quando deixamos de preencher o nosso lugar em seu corpo, quando não atribuímos nosso tempo e vida ao reino de Deus, mas somente neste mundo, somos culpados de roubar o Senhor. Há também a questão do senhorio de Deus em nosso coração. Quando tentamos exercer controle sobre nossa própria vida, ao invés de dar-lhe o lugar de supremacia, então somos culpados de roubar do Senhor. Nossa vida é um presente e deve ser investida para a glória de Deus.

O OITAVO MANDAMENTO E A HONESTIDADE CRISTÃ.

Por que eu devo ser honesto?

1) - Porque eu sou visto e olhado pelos incrédulos, pelos crentes, por Deus e pelo diabo.Hebreus 12:1: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.”

Tira o peso, tira o pecado! Então, eu tenho que ser honesto porque eu tenho Deus me olhando, o diabo me olhando, a sociedade me olhando, os irmãos me olhando.

2) - Devo ser honesto, porque  tudo que eu semear, eu colho. - Gálatas 6:7 “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”.”

3) - Devo ser honesto porque desonestidade destrói o meu caráter. - 1ª Coríntios 15:33 “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.”"

Nós estamos ensinando os bons costumes e vai um indivíduo trabalhar do teu lado, numa empresa e diz: Vamos tirar! Arranje um atestado de saúde, não vamos trabalhar esta semana! Vamos para a praia! Isto é furtar! Isto é corromper os bons costumes! 

Normalmente, tu não vês uma pessoa sozinha matar, ela anda sempre em grupo. Não vês uma pessoa fraudar sozinha, anda sempre com outras pessoas. Porque é o que o diabo faz: arrasta com a cauda um montão de gente.

Provérbios 11:1 e 3 "Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer. Em vindo a soberba, sobrevém a desonra, mas com os humildes está a sabedoria. A integridade dos retos os guia; mas, aos pérfidos, a sua mesma falsidade os destrói.”"

Balança enganosa! Uma vez eu vi no jornal: Foram medir o papel higiênico e disseram que tinha 15 metros, mas na realidade só tinha 10 metros. Foram pesar um arroz disseram que tinha 1 quilo, mas só tinha 900 gramas! 

4) - Eu devo ser honesto porque Deus recompensa a minha honestidade. Provérbios 11:27 diz: “Quem procura o bem alcança favor, mas ao que corre atrás do mal, este lhe sobrevirá".”

Então, por que nós temos, como cristão, sempre dificuldade de viver com o falso e o mentiroso? Porque são destruidores.

Muitas pessoas, aí fora, furtam porque acham que ninguém vê: Ninguém viu, ninguém vê! Deus sabe e vê! Pode ser assaz profunda, o indivíduo cavar um buraco no fundo do poço, mas Deus viu. Nada pode ser escondido de Deus. Nada! O Pai vê tudo. Ele não é Pai das trevas, ele é Pai das luzes. Então, a pessoa pode enganar pessoas, pode enganar governo, mas não pode enganar a Deus.

Por que é importante dizer isto para mim e para ti? Porque a bíblia diz que um dia todos nós compareceremos ao tribunal de Deus, de Cristo e lá seremos julgados, não mais a respeito do nosso passado, nossos pecados passados, presentes ou futuros, mas segundo o bem e o mal que fizemos através do nosso corpo. 

O que Deus diz?

Que o Espírito Santo de Deus se entristece quando a pessoa quebra os mandamentos. Provérbios 21:8 “Tortuoso é o caminho do homem carregado de culpa, mas reto, o proceder do honesto”.”

A culpa foi que bateu no coração de Zaqueu, ele já tinha e queria possuir mais e mais e houve um dia, ele era um eleito, filho de Abraão, até um dia que ele disse: Pára! Eu quero ter paz, eu quero dormir, eu quero tirar o calmante da minha vida, as anfetaminas, eu quero tirar tudo porque eu quero ter paz, eu quero dormir, eu quero ser feliz, eu quero poder andar na rua e ser uma pessoa normal e Jesus disse: Ok! Hoje, chegou a salvação! 

Jesus abençoa Zaqueu por causa de seu compromisso: "Se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo" (Lc 19,8). Aqueles que, de maneira direta ou indireta, se apossaram de um bem alheio têm obrigação de o restituir ou de devolver o equivalente em natureza ou em espécie, se a coisa desapareceu, bem como os frutos e lucros que seu proprietário legitimamente teria auferido.

O MANDAMENTO E A POBREZA

A pobreza e a necessidade não justificam o furto. O ladrão é culpado mesmo quando “rouba para matar a fome” (v. 30, NVI). Embora o ladrão que estiver passando fome não deva ser desprezado, ainda assim precisa restituir sete vezes mais o que roubou; isso mostra que nem mesmo sua situação de desespero justifica o pecado. Por outro lado, a Bíblia insiste que é nosso dever satisfazer as necessidades dos pobres, de forma que eles não se sintam compelidos a roubar para sobreviver (Dt 15:7, 8).

CONCLUSÃO

O oitavo mandamento deve orientar todas as relações possíveis que tivermos com bens, direitos e propriedades. Precisamos ampliar a nossa visão deste mandamento tão importante para a vida em sociedade e enquanto comunidade cristã. Que todas as proibições e exigências do oitavo mandamento nos conduzam para mais perto da graça do nosso Deus, pois ele “... em tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento.”  - (1Tm 6.17b)

Prof.  Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (TH.B.Th.M.Th.D.)

Facebook: Adayl Manancial

Revdº. Dr. Adaylton de A. Conceição, é Bacharel, Licenciado, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário 


BIBLIOGRAFIA

Comentarista do trimestre: Rev. Dr. Esequias Soares 
BIÉLER, A. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 442
Catecismo Maior e Breve de Westminster (1647-1648) e Catecismo de Heidelberg (1563).
José Carlos Costa - NÃO FURTARÁS
Pr. Mario Pacheco Neto - Não furtarás 
Rev. William L. Lane,- Não furtarás
REIFLER, H. A Ética dos Dez Mandamentos: um modelo de ética para os nossos dias. São Paulo: Vida Nova, 2009, p.187-188.

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