sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

MELQUISEDEQUE ABENÇOA ABRAÃO - LB EBD/CPAD - 4o. Trim. - Lição 11 - Subsídio Teológico


Sem dúvida a história de Abraão é uma das maiores referências para nós no Antigo Testamento por que ele foi chamado “pai da fé” (Romanos 4.16) e “amigo de Deus” (Tiago 2.23).

No texto de Gênesis 12.1-3 Abrão ainda não tinha uma aliança com Deus, mas foi chamado pelo Senhor, que o estava preparando para um pacto eterno com Ele. Neste momento Deus lhe fala 3 coisas principais que deveria fazer:

- v.1 “sai da tua terra e da tua parentela – significa deixar tudo por amor a Deus (Marcos 10.29). Servir a Deus significa renúncia de tudo que temos e somos. Antes de fazer uma aliança com Deus, Abrão precisava se soltar de tudo que o prendia.

-v.3 “abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. Além de ser abençoado, Deus lhe prometeu proteção de que se alguém o amaldiçoasse, seria amaldiçoado pelo próprio Deus. Esta foi somente a preparação para fazer Aliança com Deus.

MELQUISEDEQUE

É um personagem bíblico do livro de Gênesis que interagiu com Abraão quando este retornou vitorioso da batalha de Sidim. É descrito como o rei de Salém e que não deixou descendência.

O nome é composto: meleq, “rei”, e tsedeq “retidão”, no sentido legal. Significa “rei da justiça”. Melquisedec (em hebraico מַלְכִּי־צֶדֶק / מַלְכִּי־צָדֶק, transl. Malkiy-Tzadeq, "meu rei é justiça") Não é uma préencarnação de Cristo. É uma figura histórica. É o primeiro homem chamado de sacerdote (qohen) na Bíblia. É “rei de Salém” (Shalem, “paz”) e “rei da justiça”. Salém era o nome antigo de Jerusalém (“cidade da paz”), talvez apenas uma fortificação, na época. Ele é rei da paz, rei da justiça e sacerdote do Deus Altíssimo, títulos de Jesus. Melquisedeque é um tipo de Jesus.

Em toda a Bíblia Hebraica existem somente duas passagens que mencionam a figura de Melquisedec: o interlúdio de Gn 14 e um único verso do Salmo 110. Gênesis descreve o inesperado e impactante encontro entre, até aquele momento, desconhecido perso-nagem de Melquisedec e o patriarca Abraão, quando o último dá o dízimo ao misterioso rei-sacerdote de Salem enquanto recebe sua bênção.

Apesar das raras referências a ele na Bíblia, o Livro Sagrado refere-se a Melquisedeque como um sábio rei de uma terra chamada Salém e "sacerdote do Deus Altíssimo." (Gênesis 14:18). No Novo Testamento, ele é comparado a Jesus, de que é dito ser "da ordem de Melquisedeque" (Epístola aos Hebreus).

Melquisedeque teria tido importância no direcionamento de Abraão - o primeiro registro bíblico da doação de dízimos decorre desta ocasião. Abraão e Melquisedeque seriam, portanto, contemporâneos, de acordo com as narrações bíblicas.

E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho (elementos do PPVCA, tipo do Corpo e Sangue de Cristo, tipificando a Ceia do Senhor); e este era sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo”; (Gn 14.18-20).

Melquisedeque era descendente direto de Cão, o maldito. Mas abençoou a Abraão descendente de Sem, o bendito! Abrão retirou a maldição da terra ao dizimar, e Melquisedeque ao receber o dízimo e abençoar a Abrão também foi abençoado. Melquisedeque era rei de Salém, capital da Canaã, (atual Jerusalém, capital de Israel).

O dízimo de Abraão

Após ser chamado por Deus, Abraão saiu de sua terra, Ur dos caldeus, e mudou-se para Harã, permanecendo lá até a morte de seu pai (Gn 11:31-12:5; At 7:2-4). Ao partir para a terra de Canaã, levou com ele a sua esposa Sara e o seu sobrinho Ló, que lhe era como um filho, uma vez que seu irmão falecera deixando Ló aos seus cuidados. Abraão levou, também, todos os bens que ele havia adquirido e as pessoas que lhe foram acrescentadas em Harã (Gn 12:5). Com o passar dos anos, tanto Abraão como Ló enriqueceram e possuíram grandes rebanhos, de modo que houve contenda entre os empregados de ambos. Por isso, decidiram pela separação (Gn 13:1-18). Abraão ficou em Canaã e Ló dirigiu-se para os limites da cidade de Sodoma (Gn 13:12).

Em razão de um conflito na região, cinco reis, cansados de servir por doze anos ao rei de Elão (Quedorlaomer), rebelaram-se. Quedorlaomer reagiu e convocou outros três reis para conter a rebelião. Esta guerra ficou conhecida como “A guerra de quatro reis contra cinco” (Gn 14:1-17) e resultou na vitória de Quedorlaomer sobre os rebeldes. Uma das cidades a rebelar-se foi Sodoma, onde habitava Ló, sobrinho de Abraão. Ló foi levado cativo juntamente com os demais habitantes de Sodoma e todos os bens da cidade foram tomados como despojo de guerra (Gn 14:12).

Ao saber que seu sobrinho havia sido preso, Abraão decidiu libertá-lo. Para isso, ele reuniu 318 homens, criados em sua casa, e contou, também, com a ajuda de três aliados, os irmãos Manre, Escol e Aner, governadores das planícies dos amorreus. Juntos perseguiram os invasores de Sodoma e recuperaram tudo o que havia sido levado, tanto os habitantes de Sodoma como os seus bens (Gn 14:16).

Ao retornar vitorioso dessa batalha, vieram ao seu encontro o sacerdote Melquisedeque, rei de Salém, e o rei de Sodoma. Nesse encontro, Melquisedeque ofereceu a Abraão pão e vinho, além de abençoá-lo e dar graças ao Senhor por aquela grande vitória. Por sua vez, Abraão deu-lhe o dízimo de tudo, ou seja, do despojo que vinha trazendo daquela peleja (Gn 14:18-20).

Fez isso por reconhecer que Deus o havia honrado naquela peleja, ou seja, fez isso por gratidão. Essa oferta de gratidão foi chamada de dízimo exatamente porque o percentual oferecido foi de 10%.

SEM PAI, SEM MÃE, SEM ORIGEM NEM ANTEPASSADOS, SEM PRINCÍPIO DE DIAS NEM FIM DE VIDA” – V. 3

Alguém pode ser filho sem pai, mas não sem mãe. Todo mundo tem uma mãe. “Sem origem nem antepassados, sem princípio de dias nem fim de vida” não é literal. Só Adão não teve antepassados. Isso significa que ele não precisou provar sua genealogia. Todo sacerdote precisava provar a sua. Caso contrário, não podia ser sacerdote (Ed 2.62). Tinha que provar que era descendente de Abraão. Melquisedeque não precisou provar nada. Era sacerdote sem ter que provar sua genealogia. Não se trata de uma cristofania, mas ele é um tipo de Cristo. Este não precisou provar nada. Era o que era. Jesus não teve princípio de dias e seus dias não terão fim. Como se encarnou precisou de uma mãe. Mas ele era desde o princípio (Jo 1.1-2).

A condição sacerdotal de Melquisedeque não estava vinculada com o sacerdócio de Israel, e, conforme as Escrituras salientam, era superior ao sacerdócio araônico. Um fator que indica isso é a deferência demonstrada a Melquisedeque por Abraão, antepassado de toda a nação de Israel, inclusive da tribo sacerdotal de Levi. Abraão, “amigo de Jeová”, que se tornou “pai de todos os que têm fé” (Tg 2:23; Ro 4:11), deu um décimo, ou “dízimo”, a este sacerdote do Deus Altíssimo.

O ENCONTRO ENTRE ABRAÃO E MELQUISEDEQUE

De acordo com Gênesis, capítulo 14, Melquisedeque entra em cena imediatamente após o grande conflito entre os reis babilônicos e palestínicos. Os confederados reis da Babilônia venceram a guerra, e prenderam a Ló, sobrinho de Abraão que, ao saber do ocorrido, logo interveio. O patriarca e seus aliados (Gn 14.13) surpreenderam os caldeus, e libertaram a Ló e os demais cativos. Após a vitória, Abraão encontrou-se com Melquideseque, sacerdote do Deus Altíssimo e rei de Salém (Gn 14.18). Ato contínuo, o patriarca entregou-lhe os dízimos, ou seja, “um décimo de tudo”, isto é, “dos principais despojos” que conseguira na sua guerra bem-sucedida contra os reis aliados.  (Gên 14:17-20; He 7:4), sendo por Melquisedeque abençoado (Gn 14.19, 20; Hb 7.6). O modo como este se apresenta na História Sagrada revela que ele era conhecido e não precisava ser apresentado.

Como vemos tal relato é um dos mais misteriosos do Antigo Testamento. A figura de um rei-sacerdote vindo de Salém, que nunca mais aparecerá na Sagrada Escritura, acende nossa curiosidade, e provoca o desejo de procurarmos saber melhor o pouco que podemos a respeito desse rei de Salém.

O primeiro dado que nos oferece o Gênesis, é ser Melquisedeque o rei de uma terra chamada Salém. A tradição judaica sempre identificou Salém com Jerusalém, como vemos no Salmo 76, 3, uma identificação de Salém com Sião, a qual é a antiga colina chamada Jerusalém.

Tipificado o Sacerdócio de Cristo.

Numa notável profecia messiânica, o juramento afiançado de Jeová ao “Senhor” de Davi é: “Tu és sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque!” (Sal 110:1, 4) Este salmo inspirado deu aos hebreus motivos para considerar o prometido Messias como aquele em quem se conjugariam os cargos de sacerdote e de rei. O apóstolo Paulo, na carta aos hebreus, eliminou qualquer dúvida a respeito da identidade de quem fora predito, falando de “Jesus, que se tornou sumo sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque”. — He 6:20; 5:10.

Designação direta.

Evidentemente, foi Jeová quem designou Melquisedeque para ser sacerdote. Ao considerar a condição de Jesus como o grande Sumo Sacerdote, Paulo mostrou que nenhum homem assume esta honra “por si mesmo, mas apenas quando é chamado por Deus, assim como também Arão foi”. Ele explicou também que “o Cristo não se glorificou a si mesmo por se tornar sumo sacerdote, mas foi glorificado por aquele que falou com referência a ele: ‘Tu és meu filho; hoje eu me tornei teu pai’”, e o apóstolo, a seguir, aplica as palavras proféticas do Salmo 110:4 a Jesus Cristo. — He 5:1, 4-6.

O nome Melquisedeque

Com relação ao nome Melquisedeque, se trata de um nome cananeu como o de Adonisedec, rei de Jerusalém nos tempos de Josué (Js 10,1). Melquisedeque, como era costume entre os cananeus, era ao mesmo tempo Sacerdote e Rei.
No texto bíblico é a primeira vez que aparece o nome Kohen, que quer dizer sacerdote. Melquisedeque, como corresponde a sua função sacerdotal, abençoa Abraão e dá graças a Deus por sua vitória. E Abraão em agradecimento e reconhecimento do sacerdócio de Melquisedeque, lhe oferece o dízimo.

É de se destacar um comentário feito por Colunga e Garcia Cordero, a propósito desse trecho do Gênesis: “Este reconhecimento do sacerdócio de Melquisedeque por Abraão, é uma prova a mais da antiguidade da tradição sobre o encontro entre eles, pois não se concebe que um judeu zeloso posteriormente tenha fingido... humilhando-se ante um sacerdote cananeu, reconhecendo-o como sacerdote e oferecendo-lhe o dízimo.”

Mas o que fazia um “Rei da Justiça” entre os cananeus, famosos por sua idolatria, sacrifício de crianças, homossexualismo legalizado e prostituição nos templos? Será que ele recebera um nome impróprio? Não. Segundo o autor de Gênesis, este rei atuava também como sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14.18). O título “altíssimo” era muitas vezes aplicado na antiguidade à divindade Cananéia mais importante. Eles estavam em Canaã, podemos supor então que Melquisedeque era um rei-sacerdote cananeu. Mas, Abraão ao identificar o “Deus Altíssimo” de Melquisedeque com o “Senhor” (Gn 14.22), deu testemunho do Deus único e verdadeiro, a quem Melquisedeque dizia ser servo.

A atitude de Abraão para com Melquisedeque comprova que este rei era digno de honrarias. Melquisedeque lhe veio ao encontro com uma saudação de paz. Abençoou Abraão e lhe ofereceu pão e vinho. Tudo foi aceito por Abraão.

A HUMILDADE DE ABRAÃO

Abrão era o detentor das promessas de Deus. Era em Abrão que todas as famílias da terra seriam abençoadas. Era Abrão que seria uma benção. Tudo isso Deus havia dito à Abrão. Mas diz o texto de Gênesis 14.18-19 “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo (El Elyon). E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo (El Elyon), o Possuidor dos céus e da terra”.

Qual seria a resposta de Abraão se ele fosse cheio de orgulho arrogância e altivez: “Um momento alteza! O nome correto para o Altíssimo é Yahweh e não El Elyon! Além disso, não posso aceitar uma benção oferecida sob esse nome cananeu El Elyon, visto que todo conceito cananeu deve estar tingido de noções pagãs como a idolatria. Além do mais, Javé me disse que Eu é que deverei ser uma benção e abençoar todas as famílias da terra, inclusive Vossa Majestade. Não está se achando presunçoso ao abençoar-me?”.

Mas não foi nada disso que aconteceu, a resposta de Abraão a benção de Melquisedeque foi lhe entregar os dízimos de tudo que havia tomado na guerra (Gn 14.20). Este ato de Abraão ao dar o dízimo a Melquisedeque deu lugar mais tarde a um extenso comentário do escritor da Epístola aos Hebreus, no Novo Testamento: Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão” (Hb 7.4-5).

Implicações teológicas.

Os judeus cristãos certamente ficaram surpresos ao serem informados, através da carta aos Hebreus, que Melquisedeque era superior ao patriarca. Para prová-lo, o autor destaca duas verdades. Em primeiro lugar, Abraão deu os dízimos a Melquisedeque (Gn 14.20; Hb 7.2-5). Este fato, por si só, prova que o sacerdócio de Melquisedeque é superior ao de Arão, pois até Levi, por meio de Abraão, “pagou dízimos” ao sacerdote e rei de Salém (Hb 7.6-10). Em segundo, porque Melquisedeque abençoou “o que tinha as promessas”. “Ora sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior” (Gn 14.19; Hb 7.6,7).

CRISTO, NOSSO SUMO SACERDOTE ETERNO

O Sacerdócio de Cristo é eterno. Heb.7:24-28 “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes (dizimamos a ele não porque ele necessita de algo mas em reconhecimento pelo que ele é, como o fez Abraão), de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre”./////

Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.Th.D.;D.Hu.)

Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina, é Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário, Diretor da Faculdade Teológica Manancial e Professor do Seminário Teológico Kerigma). 

Facebook: Adayl Manancial

BIBLIOGRAFIA
  • Adaylton de Almeida Conceição – Dispensações (Períodos Bíblicos)
  • Clarisse Ferreira da Silva - Melchizedek According to the Midrash Rabah
  • Carlos Andrade - Quem é o rei e sacerdote Melquisedeque?
  • Welfany Nolasco Rodrigues – Aliança de Deus com Abraão
  • Elisabeth Lorena Alves – Melquisedeque e Abraão – Benção Vinculada
  • J. Dias – Melquisedeque – Rei e Sacerdote

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