domingo, 24 de julho de 2016

A evangelização urbana e suas estratégias - EBD/CPAD - Lição 5 - Subsídio Teológico



INTRODUÇÃO

Jesus Cristo mandou pregar o evangelho a toda a criatura, em todo o mundo. Nenhum lugar pode ficar excluído e nenhuma pessoa deve ser considerada não evangelizável.

No Brasil, como em muitos países, 80% das pessoas vivem nas cidades, ao contrário do que havia há poucas décadas, quando a maior parte vivia nas áreas rurais.

Este é um grande desafio para as igrejas cristãs. As cidades têm grandes e graves problemas, próprios do crescimento urbano desordenado a que são submetidas, tais como concentração excessiva de pessoas, desigualdades sociais, problemas de habitação, favelas, falta de saneamento, de saúde, etc.

No que tange à evangelização, as cidades oferecem facilidades e dificuldades, como veremos adiante. As igrejas precisam ter estratégias de trabalho para alcançar as cidades. Há diferenças, entre evangelizar numa Metrópole e num lugar interiorano. Neste estudo, apenas damos uma pequena contribuição à reflexão sobre o assunto.

A igreja e a evangelização

Um dos fatores determinantes no processo de crescimento de uma igreja é o tipo de evangelização por ela realizado. Evangelização é o ato, é a ação de comunicar o evangelho.

A GRANDE COMISSÃO

"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até aos con-fins da terra." - Atos 1:8

Este texto é uma variação ou extensão da Grande Comissão (Mateus 28:19-20). O Espírito Santo seria dado à Igreja para revestir os crentes de poder a fim de capacitá-los para o testemunho "tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra".

Evangelismo Urbano

De todas as escolas, a melhor e infalível é a do mestre Jesus Cristo. O segredo do evangelismo urbano, assim como em outro contexto não se limita apenas a estratégias, mas a disposição dos “evangelistas”, do departamento evangelístico, da igreja e do pastor.

E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor. Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara. Mateus”. 9:35-38.

Muitos pensam que seria grande privilégio visitar os cenários da vida de Cristo na Terra, andar pelos lugares por Ele trilhados, contemplar o lago à margem do qual gostava de ensinar, as montanhas e vales em que Seus olhos tantas vezes pousaram. Mas não necessitamos ir a Nazaré, a Cafarnaum ou a Betânia para andar nos passos de Jesus. Encontraremos Suas pegadas junto ao leito dos doentes, nas choças da pobreza, nos apinhados becos das grandes cidades, e em qualquer lugar onde há corações humanos necessitados de consolação. Fazendo como Jesus fazia quando na Terra, andaremos em Seus passos.

Evangelismo é uma tarefa coletiva, inclui até os que não vão as ruas. Refiro-me aos que apoiam em oração, recepção, o apoio e incentivo aos participantes. Explica-se, algumas frases missionárias, criadas por quem teve as suas vidas dedicadas e envolvidas com evangelismo o tempo todo.

A evangelização na cidade

A cidade, com suas estruturas sociais, econômicas e políticas, é o palco onde a evangelização urbana acontece, sendo esta urdida e executada pelos múltiplos ministérios organizados nas denominações presentes em cada metrópole. Assim, a mensagem de CRISTO é levada aos homens desafiando-os, no presente, a uma tomada de decisão quanto ao seu destino eterno. Nesse contexto a cidade tornou-se uma atual e desafiadora fronteira missionária urbana demandando para sua conquista espiritual e consequente colheita de vidas uma emergente e plena compreensão, pela igreja, de suas realidades sociais e espirituais.

JESUS E AS CIDADES

No seu ministério terreno, Jesus desenvolveu a evangelização tanto na área rural como nas cidades. Andava de cidade em cidade (Lc 8.l);  Chegou á cidade, viu-a e chorou sobre ela (Lc 19.41); mandou pregar em qualquer cidade ou povoado Mat. 10.11). Seguindo o exemplo de Jesus, a igreja atual precisa enfrentar o desafio da evangelização ou das missões urbanas.

O DESAFIO DAS MISSÕES URBANAS

As cidades, com sua complexidade social, cultural, econômica, emocional e espiritual, constituem-se campo propício para atuação da igreja ou do inferno; dos cristãos ou dos feiticeiros; dos homens de bem ou dos assassinos. A cidade em que vivemos é campo de batalha entre Deus e o diabo; a cidade pertencerá aos céus ou ao inferno; depende de quem agir com mais eficiência e eficácia, com as forças dos céus ou do inimigo.

ESTRATÉGIAS PARA AS MISSÕES URBANAS

ORAÇÃO E JEJUM PELA CIDADE. O homem pecador se opõe a Deus (1 Co 2.14; Rm 8.7; Ef 2.1). O diabo força o homem a não buscar a Deus (Ef 2.2; 2 Co 4.4). Qualquer plano de evangelização por melhor que seja, com recursos, métodos, estratégias, fracassará, se NÃO tiver o PODER DE DEUS. Este só vem pela busca, pela Oração. Deus age. Fp 1.29; Ef 2.8; Jo 6.44. Os demônios infestam as cidades. Só são expulsos pelo poder da oração (Sl 122; Jr 29.7; Lc 19.41). A oração é a base.

PREPARO DAS PESSOAS PARA A EVANGELIZAÇÃO DAS CIDADES

Esse preparo refere-se ao estudo da Palavra de Deus. É o preparo na Palavra (2 Tm 2.15). As seitas preparam bem seus adeptos. As igrejas precisam gastar tempo e recursos no preparo dos que evangelizam.

PLANEJAMENTO DA EVANGELIZAÇÃO

O sucesso da evangelização depende do Espírito Santo. Só Ele convence o pecador (Jo 16.8). Entretanto, no que depende de nós, precisamos fazer o que está ao nosso alcance, a nossa parte.

a) Definir áreas a serem evangelizadas. (Bairro, quarteirão, ruas)
b) Definir os grupos de evangelização
c) Distribuir as áreas com os grupos (Rua tal com grupo tal; ou quarteirão tal com tal grupo, etc.
d) Estabelecer metas ou alvos (nº de decisões, pessoas batizadas, etc.).
e) Preparar os meios necessários: literatura, equipamentos, recursos financeiros, etc.
f) Mobilizar todos os setores da igreja para a execução do que for planejado: jovens, adolescentes, adultos, com a LIDERANÇA À FRENTE.

MEIOS PARA A EVANGELIZAÇÃO URBANA

1) Programas de rádio e de televisão;
2) Adesivos para veículos;
3) Revistas, e jornais para autoridades, consultórios médicos;
4) Apresentações de corais, bandas e conjuntos em público, em praças, em escolas, em bancos, em repartições;
5) Distribuição de Bíblias a autoridades;
6) Literatura (folhetos) bem selecionados;
7) Exposição de Bíblias e de literatura evangélica;
8) Artigos em jornais da cidade;
9) Telefone;
10) Cartas e cartões-postais; e muitos outros...

MÉTODOS DE EVANGELISMO PARA AS MISSÕES URBANAS

EVANGELISMO PESSOAL. E o mais tradicional e muito eficiente, principalmente nos bairros mais pobres. Inclui pessoa a pessoa; casa-em-casa; evangelização em aeroportos, em bares e restaurantes; em estações rodoviárias e ferroviárias; na entrada de estádios; em feiras-livres; em filas (INSS, bancos, ônibus, etc.); em hospitais, penitenciárias, em escolas (intervalos de aula);

EVANGELISMO EM GRUPO. Inclui evangelização de grupos de pessoas: grupos de alunos, de professores, de menores abandonados, de homossexuais, de prostitutas, e também os já conhecidos GRUPOS FAMILIARES, ou células de evangelização; reuniões especiais em restaurantes, chás, classes na Escola Dominical (foi criada para isso); evangelização com fitas cassete e de vídeo (reúne-se um grupo);

EVANGELISMO EM MASSA. Inclui cultos ao ar-livre, série de palestras ou conferências nas igrejas; cruzadas evangelísticas, campanhas. Só tem valor se houver uma preocupação séria com o DISCIPULADO. E melhor preparar, primeiro, as pessoas para fazer o discipulado antes de fazer a evangelização.

EVANGELIZAÇÃO URBANA NOS MOLDES DE JESUS

O cenário urbano registrado pelo evangelista João no capítulo 4, é um protótipo ou um modelo de evangelização urbana que funciona. Jesus havia deixado a Judéia, ao Sul, e seguido para a Galiléia, ao Norte, quando sentiu que era necessário passar por Samaria, cidade que ficava entre as duas regiões, v. 4. Ao meio-dia, junto ao poço de Jacó, na cidade de Sicar, travou um longo diálogo com uma mulher samaritana que viera buscar água. E como resultado de sua estada nesse lugar, muitas pessoas foram ter com ele, para ouvir a palavra de Deus, v. 30.

O evangelismo pessoal aplicado por Jesus foi dinâmico e transformador. A pecadora de Samaria ficou convencida de seus pecados e tornou-se uma testemunha de Jesus. Dentre os diversos aspectos bíblico-dogmáticos vistos neste texto na atitude evangelizadora nos moldes de Jesus, destacaremos alguns deles.

Práxis da necessidade, v. 4

O texto diz que “era-lhe necessário passar por Samaria”. Está evidente que ele foi movido por uma intuição própria. Quer dizer: ninguém lhe disse nada, mas a página da história de uma mulher seria escrita a partir do momento em que ele pressentiu que era necessário fazer essa trajetória, ainda que a rota normal dos judeus fosse dar a volta, seguindo o vale do Rio Jordão para o Norte, até a Galiléia.

Podemos chamar este fato de práxis da necessidade ou da compaixão. Mas o que é práxis?  Seria a “ação criativa e transformadora do povo de Deus na história, acompanhada de um processo profético e da reflexão crítica que objetiva tornar a obediência cristã ainda mais efetiva”. Em outras palavras, é ação da igreja em atenção à necessidade alheia – especialmente do pecador.

A Bíblia ensina que Jesus andou na práxis da compaixão e do amor. Ele sentia a necessidade do povo. A história de muita gente foi escrita por suas atitudes criativas e práticas. Certa ocasião ele olhou para uma multidão e sentiu grande compaixão por ela: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos”, Mt 14: 14. Se a igreja quer que sua evangelização urbana seja autêntica e transformadora, Jesus dá a receita: “Tenho compaixão desta gente”, Mt 15: 32. Sim, não há como evangelizar sem sentir que é necessário passar pelas samarias atuais. Este pré-requisito leva a igreja a perceber que a história de milhares de pessoas que vivem sem Jesus precisa ser mudada.

MISSÕES URBANAS NA IGREJA APOSTÓLICA

A Igreja Apostólica foi obediente à ordem dada pelo Senhor Jesus. Iniciou os seus trabalhos justamente fazendo "missões urbanas", ou seja, evangelizando a cidade de Jerusalém. Houve grande e estrondoso crescimento. Os relatos estão especialmente nos capítulos 01 a 07 do Livro de Atos dos Apóstolos. Veja, por exemplo, os seguintes textos: -
"Então, voltaram para Jerusalém..."; "Quando alí entraram, subiram para o cenáculo..."; "Todos estes perseveravam unânimes em oração..." - Atos 1:1-3.

"Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar..."; "afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade..."; "Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém..."; "Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas." - Atos 2:1, 6,14, 40,41.

"Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso lhes acrescentava o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos." - Atos 2:46-47.

A Igreja Apostólica era a célula mater. Ela representava toda as Igrejas que viriam a ser plantadas. Desta forma, o comissionamento feito pelo Senhor Jesus em Mateus 28:19-20 e Atos 1:8 é também para nós.

A igreja recebeu um mandato divino e deve cumpri-lo para não ser achada em falta. Evangelizar não é uma alternativa ou opção para a igreja. É uma ordem dada pelo Senhor da Igreja.

CONCLUSÃO

A igreja precisa sentir o desejo de orar pelos ainda não convertidos. Interceder significa literalmente "interpor-se", "colocar-se entre". O maior exemplo de intercessão é o de Jesus: "pelos transgressores intercedeu" (Is 53:12).

Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)
Assembleia de Deus Ministério do Belém em Santos  - São Paulo.

Facebook: adayl manancial

O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição, foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina; é Licenciado, Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Professor do Seminário Kerigma em Santos-SP e Diretor da Faculdade Teológica Manancial

BIBLIOGRAFIA

  • Juan Carlos Miranda - Manual de Crescimento da Igreja 
  • Elinaldo Renovato de Lima - Missões Urbanas - O preparo
  • Émerson Garcia Dutra  - Evangelização urbana nos moldes de Jesus
  • Raimundo M. Montenegro Neto - Missão e evangelização urbana.

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