terça-feira, 12 de julho de 2016

Igreja evangélica em Maceió pode ser excluída por batizar gays



A Convenção Batista Brasileira (CBB), que é responsável por centenas de igrejas Batistas no Brasil e também pela organização de vários seminários teológicos e de adoração, pretende excluir a Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, do rol de filiadas.

O motivo é a decisão tomada pela congregação de Maceió, em assembleia extraordinária, no início do ano, de integrar homossexuais à igreja, por meio de batismo.

“Todo o processo de exclusão é doloroso e não desejamos ser excluídos da Convenção. Surpreendentemente, estamos em processo de exclusão por desejarmos ser includentes”, diz um trecho da carta da Igreja Batista do bairro do Pinheiro, enviada à Convenção Batista Brasileira (CBB), nessa terça-feira (05).

No próximo sábado (09) irá ocorrer na cidade de Vitória, no Espírito Santo, uma assembleia extraordinária organizada pela presidência nacional da CBB para decidir sobre a possível exclusão da igreja filiada.

Em contato com a reportagem do TNH1, o presidente da Igreja Batista do Pinheiro, pastor Wellington Santos, explicou que foi convocado para integrar a reunião, mas que não participará.

“Não iremos viajar. Lá haverá um espaço para defesa, mas não há o que defender. Acredito que não há o que esclarecer”, diz.

Ainda de acordo com o pastor Wellington Santos, caso a exclusão seja confirmada, a Igreja Batista do Pinheiro tem autonomia para continuar a receber os fiéis. “Nós somos totalmente independentes e livres. A Convenção não tem poder para interferir em nada”, ressalta.

Perguntado sobre a expectativa para a decisão de sábado, ele preferiu não externar nenhuma posição.

A carta aberta cita diversos versículos da bíblia, momentos históricos no Brasil e até o Nobel da Paz, do ano de 1964, Martin Luther King - pastor símbolo na luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Abaixo, leia trechos do documento enviado à Convenção Batista: 

A Igreja Batista do Pinheiro, reunida em Assembleia extraordinária no dia 28 de fevereiro do ano em curso, como é de conhecimento de irmãos e irmãs, aprovou por maioria absoluta de votos que qualquer pessoa que confesse Jesus Cristo como Senhor único e Salvador de sua vida, independente de sua condição social, econômica e sexual será recebida formalmente no rol de membros da igreja. A decisão apenas reitera o que consta nos estatutos da Igreja. Isso porque, na prática, e na consciência de todos e todas presentes, a deliberação garantia finalmente, a aceitação por batismo, carta de transferência e aclamação, de pessoas homoafetivas, concluindo um demorado processo de dez anos, provocado por um irmão que confessou publicamente a sua condição de homossexual e manifestou o desejo de ser batizado, talvez sem imaginar o rebuliço que causaria.Desse modo, ficamos perplexos com chistes inconvenientes, acusações infundadas, desrespeitosas, ameaças descontroladas vindas de irmãos e irmãs de fora, inclusive de pastores e líderes eclesiásticos, que atingem a igreja como um todo, mas de modo mais contundente a família pastoral. Mas mais perplexos ainda ficamos com a notícia de que a Convenção Batista Brasileira se preparava para instaurar um processo disciplinar, cujo objetivo era excluir sumariamente a Igreja Batista do Pinheiro de seu rol de igrejas filiadas.

Repercussão

A carta enviada à CBB também foi postada nas redes sociais da Igreja, gerando diversos compartilhamentos e comentários em apoio à congregação do bairro do Pinheiro.

Eu nunca quis ir à igreja na vida, mas depois dessa carta acho que tá na hora de repensar isso. Obrigada por existir, Batista do Pinheiro”, comentou um internauta.

Parabéns Igreja Batista do Pinheiro. Se um dia voltar às Igrejas cristãs seria pra uma em que (sic) eu acreditasse. E em vcs (sic), tenho fé. Praticar o bem e acomodar todo e qualquer cristão q (sic) decida entrar por suas portas e fazer parte dessa comunidade. Parabéns”, escreveu outro internauta.

"Recebam meu afeto e apoio. Agradeço a coragem, vcs (sic) me inspiram a ser melhor em Cristo", disse mais um internauta.

Em março deste ano, logo após a decisão, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) também prestou solidariedade através de nota pública à comunidade da Igreja Batista do Pinheiro.

Publicado em TNH1

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