quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Brasil e a cultura da corrupção


Por conta do chamado “jeitinho brasileiro”, da famosa “lei de Gerson”, outras maneiras de se driblar o que é correto e até mesmo a legislação, o Brasil está nas manchetes dos maiores jornais do mundo como protagonista do maior escândalo de corrupção da história.

De pequenas ações de esperteza, como por exemplo, não se devolver um troco recebido a mais por engano de um caixa, pela facilidade para que em qualquer estabelecimento comercial se aumente o valor de uma nota fiscal para prestação de contas a quem de direito, pelos cinco ou dez minutos de diferença no apontamento do horário de entrada ou saída do trabalho, na pequena propina que se oferece a um fiscal  para que feche os olhos para uma irregularidade, no “cafezinho” que se oferece ao agente de trânsito para que não registre a multa cabível em caso de irregularidade no veículo, na respectiva documentação ou mesmo com a carteira do condutor, pelos favores “naturais” que se exigem  dos políticos em época de eleições, sejam eles em qualquer esfera dos poderes constituídos, como pequenos presentes que vão de chinelos a dentaduras, favores pessoais, reformas de veículos a favores a instituições, como areia, pedra, cimento, telhados, valores para compra de terrenos, aluguel de ônibus, hospedagens em hotéis e muito mais.

Bem,  agora que a “bolha estourou” nos mensalões e petrolões investigados pela operação Lava Jato da Justiça Federal, a república está em ruínas, não sobra praticamente ninguém, todos estão apavorados. A cada vazamento de gravação de grampos telefônicos cai alguém ou alguns. É lamentável vermos ícones dos três poderes da república sendo citados, achincalhados, atemorizados e encurralados, é uma espécie de “efeito dominó” ou uma “queda em cascata”.

Em que pese nós brasileiros tenhamos o hábito de culpar os políticos por tudo que acontece, precisamos entender que eles são, nada mais nada menos, que um extrato da nossa sociedade.

Pelos pontos que citei acima, vemos que a corrupção é um vírus que não vem de cima para baixo, mas ao contrário, a base da pirâmide é que está contaminada. Salvo raras exceções, quem não pratica os grandes atos de corrupção é por pura falta de oportunidade, mas não perde qualquer pequena situação através da qual possa levar qualquer vantagem.

É uma questão de falta de princípio, de caráter, de ética, de moral, e no caso dos cristãos, de temor do Senhor. A pessoa se diz cristã, mas quando se trata das suas atitudes  sociais, cidadãs e econômicas, sai completamente fora dos princípios do evangelho.

O Brasil está sendo passado a limpo, e a Igreja tem que se posicionar, afinal fazemos parte desse contexto, mas para tanto temos que rever nossos conceitos, desde a formação espiritual do caráter do nosso povo, até mesmo na atuação de líderes que se envolvem de maneira fraudulenta, usando o nome de Deus em vão, e por isso se corrompem, entrando em situações temerárias que comprometem seus nomes e por fim a própria instituição que dirigem.

É lamentável presenciarmos a Igreja sofrendo o escárnio da participação de líderes religiosos em tramoias, com seus nomes estampados em jornais e veículos de rádio e TV, quando na verdade temos um Deus que é o nosso provedor em todas as eras da história. Mesmo que não sejamos parceiros ou submissos àqueles que assim procedem, todos sofremos a vergonha, pois em Cristo somos um só corpo e o próprio mundo nos associa; quando um sofre todos sofrem, quando um vence todos vencem.

Chegou a hora da Igreja tomar sua posição de “sal da terra e luz do mundo” e,  independente de denominação, ministério ou igreja local, fazermos  a oração de Neemias:

Estejam, pois, atentos os teus ouvidos e os teus olhos abertos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje faço perante ti, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, que temos cometido contra ti; também eu e a casa de meu pai temos pecado.  De todo nos corrompemos contra ti, e não guardamos os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos, que ordenaste a Moisés, teu servo.  Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Vós transgredireis, e eu vos espalharei entre os povos.  E vós vos convertereis a mim, e guardareis os meus mandamentos, e os cumprireis; então, ainda que os vossos rejeitados estejam na extremidade do céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome

É tempos de nos arrependermos e seguirmos os conselhos do Senhor ao povo de Israel, no livro das Crônicas 7:14

– “e se esse meu povo, que se chama pelo meu Nome, se humilhar, orar e buscar a minha face, e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e seus erros e curarei a sua terra.”

Precisamos nos posicionar diante da situação, Esse posicionamento não passa por manifestos, protestos, panelaços nem atos proféticos. A igreja não está sofrendo perseguição por causa da pregação do evangelho, mas por causa da participação de “gente da gente” em atitudes escusas, as quais contrariam os princípios a nós dados pelo Eterno, denigrem e mancham as nossas vestes diante do dEle e nossa imagem e testemunho diante dos homens.

Precisamos de um tratamento que passe pela oração, humilhação aos pés do Senhor, arrependimento, confissão e reversão em atitudes consideradas irrelevantes.

Deus tenha misericórdia do Brasil!

Pr. Carlos Roberto Silva

Este artigo foi publicado originalmente pela CPAD, na coluna "EM TEMPO" do Jornal "Mensageiro da Paz", edição do mês de Julho/2016. 

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