Após roubar pertences de dois líderes da Igreja Congregação Cristã, o assaltante perguntou se eles eram pastores, em Hortolândia.
Um ladrão desistiu de um assalto após saber que as vítimas eram cristãos, em Hortolândia (SP), na noite da última terça-feira (7).
Dois líderes da Igreja Congregação Cristã, um ancião e um cooperador de jovens, foram abordados pelo assaltante no bairro Jardim Amanda, enquanto eles chegavam na casa de uma família da igreja.
O criminoso subiu na calçada de moto e anunciou o assalto, recolhendo objetos dos cristãos, incluindo celular, relógio e aliança.
Em seguida, o ladrão pergunta aos líderes: "Você é pastor? Ele é pastor?". E um dos cristãos responde: "Somos servos de Deus".
Ao ouvir isso, o assaltante mudou totalmente de atitude e devolveu os pertences dos cristãos. Logo depois, ele cumprimentou os dois líderes com um aperto de mão e foi embora.
A câmera de segurança de um vizinho registrou a ação e o vídeo se espalhou entre os fieis da região e nas redes sociais, gerando comoção. O testemunho foi relatado também durante um culto da igreja dos dois líderes.
Nos comentários de uma postagem que mostra o vídeo, usuários ressaltaram o poder que há no nome do Senhor.
"Achei lindo a parte que ele fala 'Somos servos de Deus'. Isso mostrou muito sobre ele, e sobre o quão poderoso é o nome do nosso Deus! Porque Ele vive", disse uma internauta.
Outra mulher escreveu: "Isso não é sobre religião, é sobre intimidade com Deus! A presença de Deus constrange até quem não crê nele. Toda honra e glória para Ele".
E uma usuária refletiu: "Quem vive uma vida reta com Senhor, até o inimigo teme e respeita. Autoridade dada por Deus. Que sejamos pessoas que dê bons testemunhos e não envergonhamos o nome do Senhor Jesus!".
A denominação (CCB) disse não apoiar o envolvimento do nome da igreja em "chocarrices e chacotas"
A igreja Congregação Cristã no Brasil se pronunciou neste domingo (29) contra a participação de dois jovens da denominação no reality Rancho do Carlinhos Maia. Os músicos Pedro Vicente e Nicolas Valesi são conhecidos nas redes sociais como "meninos do jump" ou "locutores da Congregação" e foram convidados por Carlinhos Maia para participarem do reality.
A comunidade da denominação reprovou a ida deles para a festa do influenciador por conta das festas regadas a bebida e a mãe de um dos jovens chegou a pedir que eles fossem eliminados, temendo a rejeição deles após o programa.
Pedro e Nicolas foram informados sobre o pedido da família, mas resolveram ficar no programa que teve duração de 10 dias, sendo realizado entre 10 e 20 de dezembro.
Com a repercussão da história, a igreja, com sede no Brás, em São Paulo, se manifestou e pediu zelo à doutrina.
– Esclarecemos à irmandade que, a Igreja Congregação Cristã no Brasil, em virtude da ampla repercussão gerada pela participação de dois jovens em um programa de entretenimento veiculado nas redes sociais e na mídia, sente-se no direito de esclarecer que não apoia essa ocorrência e que repudia este ato envolvendo o nome da Congregação Cristã no Brasil em chocarrices e chacotas perante o público – diz o comunicado lido.
E continua:
– O zelo e preservação da doutrina de Cristo, bem como o nome da instituição, nos leva a manifestar total reprovação aos atos por eles praticados, tendo sido chamados de aconselhados, foram recomendados a que procurem dedicar-se ao temor de Deus e fidelidade ao Evangelho de Cristo, afastando-se das contaminações pelas obras das trevas.
Não tenho ideia do jeito que está minha perna, só um milagre de Deus na minha vida", disse a vítima.
Um homem foi baleado por um policial militar dentro da igreja evangélica Congregação Cristã no Brasil (CCB) de Goiânia, na última quarta-feira (31), dias após desavenças políticas ocorridas entre o pastor e o irmão da vítima, segundo a família.
O bacharel em direito e assessor empresarial Davi Augusto de Souza, 40, foi atingido por um projétil que atravessou suas duas pernas e passou por uma cirurgia de seis horas para reconstruí-las. Ele está com muita dor, mas fora de perigo, contou à Folha seu irmão Daniel Augusto, 45.
O agressor é Vitor da Silva Lopes, 37, que estava de folga naquela noite e se apresentou espontaneamente à delegacia, onde o crime foi registrado como agressão por arma de fogo e lesão corporal culposa (não intencional), diz o boletim da ocorrência.
A reportagem ligou e mandou mensagem para o seu celular, mas não obteve resposta até o momento. Também tentou entrar em contato com a Congregação Cristã no Brasil desde sexta (2) e com o ancião responsável pela igreja em Goiás, sem sucesso.
Daniel diz que já conversou com o policial e não pretende cobrar uma punição. "Ele está muito arrependido, desesperado, dizendo que vai ajudar no que for preciso, que não sabe como aconteceu aquilo, que nunca passou pela cabeça dele, ainda mais dentro da igreja", conta.
Ele afirma que as discordâncias com o pastor da unidade, Djalma Pereira Faustino, que é amigo do PM, começaram cerca de duas semanas antes porque o líder estava falando de política nos cultos. Seu irmão não estava envolvido, mas acabou sendo afetado.
Segundo ele, Davi foi tomar água no corredor da igreja e cumprimentou sem resposta o policial, que é primo de sua cunhada e seu colega de infância. A vítima perguntou "o que eu te fiz?", sendo então xingada e atingida com o copo de água na cabeça.
Ainda de acordo com o irmão, que viu a cena, começou uma confusão e, enquanto outras pessoas chegaram para segurar o policial, Davi saiu andando de costas, atordoado. Foi quando o agente sacou a arma e deu um tiro em direção às suas pernas.
Para Daniel, não havia outra motivação para a agressão a não ser a política. "Eu não culpo ele, não guardo aquela mágoa. A culpa que eu coloco é mais nos pastores que ficam incentivando ódio dentro da igreja", afirma ele, que frequenta a CCB desde que nasceu.
Dias antes, ele havia denunciado o pastor a um conselho da congregação por pregação política, exigindo uma retratação. Após o caso ser publicado por um jornal local, a igreja enviou um líder para fazer essa retratação na última quarta-feira, quando Davi foi baleado.
A primeira desavença entre Daniel e o pastor ocorreu cerca de duas semanas antes. "Ele falou no culto: 'está chegando a eleição e esse povo que vota na bandeirinha vermelha, olha, o diabo está fazendo a festa', então eu levantei a mão e falei: 'irmão, não vamos falar de política'. Ele me mandou calar a boca", afirma.
Ele diz que o pastor se referiu a ele como demônio, e a partir de então sua família começou a ser ameaçada e parou de ser cumprimentada por parte dos fiéis, tendo ele inclusive tomado empurrões dentro da igreja.
Daniel conta ainda que gravou um vídeo criticando o uso da política nos cultos que viralizou dias antes de seu irmão ser baleado. "No dia do fato ninguém falou sobre política, mas estavam falando do vídeo e do assunto nos grupos de WhatsApp."
Em 11 de agosto, o site da Congregação publicou uma circular em seu site que diz: "Não devemos votar em candidatos ou partidos políticos cujo programa de governo seja contrário aos valores e princípios cristãos ou proponham a desconstrução das famílias no modelo instruído na palavra de Deus, isto é, casamento entre homem e mulher".
Bacharel em direito como o irmão, ele afirma que é de uma família tradicional e bastante conhecida na igreja, por isso todos sabem que ele sempre defendeu pautas da esquerda, foi sindicalista e coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
Depois do ocorrido, Daniel fez um vídeo mostrando que o culto continuou mesmo com Davi sendo socorrido no corredor. A família diz que não foi procurada pela igreja nem pela polícia até o momento.
No boletim de ocorrência, os policiais que atenderam a ocorrência relatam que houve uma discussão e dois indivíduos "tentaram entrar em luta corporal com o PM, que para desvencilhar-se de um deles efetuou disparo". O irmão nega que eles tenham reagido.
Nesta sexta, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás informou apenas que "os fatos narrados por ambas as partes já estão sendo devidamente investigados". Questionada neste sábado sobre por que as testemunhas ainda não foram ouvidas, a pasta não respondeu.
Já a Polícia Militar escreveu que "determinou a instauração de procedimento administrativo disciplinar para apurar as circunstâncias do fato" e que "o policial militar se apresentou de forma espontânea na delegacia para os procedimentos cabíveis".
O caso remete a outro ocorrido em Foz do Iguaçu (PR) em 9 de julho, quando o policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho invadiu uma festa de aniversário e matou a tiros o guarda municipal e militante petista Marcelo Aloizio de Arruda.
'Coisa do demônio'
O assessor empresarial Davi Augusto de Souza, 40, diz que ainda não entende os motivos que levaram o seu amigo Vitor da Silva Lopes, policial militar, a atirar contra ele durante um culto realizado na sexta-feira (2). A discussão que motivou a reação do PM teria sido motivada por questões políticas.
Em entrevista ao UOL neste domingo (4), Davi disse que não se lembra de quantos tiros levou do policial. Mas sabe que as duas pernas foram transpassadas por balas. Em uma delas, o projétil acabou danificando a artéria femoral, prolongamento da artéria aorta, e ele já teve que enfrentar duas cirurgias. Nos próximos dias, terá de ser submetido a uma terceira intervenção.
"Minha perna está aberta, inchada. Dói muito, queima como se tivesse fogo. A outra está melhor. Mas os médicos não dizem quais são os prognósticos. Só por Deus mesmo", declarou. "Eu já nem lembro mais quantos tiros ele deu. Mas acertou minhas duas pernas. Foi coisa do demônio a reação dele, ele estava sob efeito de algum mal, só tem essa explicação".
Davi diz que está em choque com a situação. E que está preocupado também, porque tem três filhos para criar e não sabe o que poderia acontecer se tivesse que parar de trabalhar. Ele estava começando a estruturar uma confecção para produção de uniformes e camisetas, mas agora não sabe mais como será o seu futuro.
"Não tenho ideia do jeito que está minha perna, só um milagre de Deus na minha vida", afirmou Davi. "Meu irmão, Daniel, está muito abalado com tudo o que aconteceu. Minha família também. Minha esposa e minha ex estão cuidando das crianças".
O assessor empresarial, que é pós-graduado em direito civil e processo, diz que, apesar da dor aguda e da tristeza, por conta da reação do amigo de tantos anos, ele não sente rancor de Vitor.
"Ele não me procurou depois do que aconteceu, nem passou mensagem para perguntar como eu estava. Mas já soube por um amigo em comum que ele está arrependido do que fez", disse. "Deus nos dará condição de superar, não quero confiança e nem nada, só paz e que Deus abençoe a ele à família dele. Se ele tiver algo contra mim, que eu não saiba, que ele me perdoe".
O UOL tentou entrar em contato com o policial Vitor da Silva Lopes, mas até o momento ele não havia sido localizado. Segundo informou a Polícia Militar, ele teria se apresentado, após o incidente, de forma espontânea à Polícia Civil para os procedimentos cabíveis. Ele também responderá a procedimento administrativo disciplinar aberto pela PM para apurar as circunstâncias do fato.
10 anos depois de ter processado a Congregação Cristã, ancião volta e é aceito em comunhão
O ancião Samuel Trevisan, voltou a entrar em comunhão com a Congregação Cristã. O Conselho dos Anciães Mais Antigos do Brasil, entidade que administra a Congregação Cristã no Brasil, publicou uma nota em que esclarece que Trevisan e João Marcos de Oliveira, outro ex-membro, da denominação, dirigiram-se ao Conselho Ministerial e, com manifesto de arrependimento, pediram perdão pelo afastamento informando que voltarão a congregar, restabelecendo comunhão com a Igreja. Na nota o Conselho ainda esclarece que eles devem ser recebidos com amor pela membresia.
Trevisan e Oliveira, saíram da Congregação Cristã a 10 anos atrás para fundar a Congregação Cristã Apostólica (CCA). Na época, a saída da dupla causou um alvoroço na CCB, que começou a criticá-los duramente acusando-os de terem copiado a liturgia do culto da sua antiga denominação.
Para evitar inclusive que membros da CCB entrassem na CCA por engano, eles pintaram os templos da nova denominação de uma cor diferente do tradicional cinza que figura na padronização dos templos da CCB. Samuel e João Marcos, processaram a Congregação Cristã em maio de 2012, porém em 2014 eles perderam o processo na justiça e foram condenados a indenizar a CCB em mais de 15 mil reais.
No vídeo em que confirma seu retorno a CCB, Trevisan e Oliveira afirmam que o trabalho realizado na CCA não foi em vão e que os irmãos que permaneceram na denominação devem continuar lutando pois essa igreja será muito abençoada.
Os membros da CCB não enxergaram com bons olhos o retorno de Trevisan. Boa parte dos comentários nas redes sociais se mostraram contra ao retorno dele com as funções de ancião. “Voltar não tem problema, todos tem o direito de se arrepender do seu erro, agora ter de novo o ministério de ancião, aí já é outra conversa”, comentou um usuário no Youtube.