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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

PM que baleou fiel em igreja após briga política está arrependido; vítima diz que foi ‘coisa do demônio’


Não tenho ideia do jeito que está minha perna, só um milagre de Deus na minha vida", disse a vítima.

Um homem foi baleado por um policial militar dentro da igreja evangélica Congregação Cristã no Brasil (CCB) de Goiânia, na última quarta-feira (31), dias após desavenças políticas ocorridas entre o pastor e o irmão da vítima, segundo a família.

O bacharel em direito e assessor empresarial Davi Augusto de Souza, 40, foi atingido por um projétil que atravessou suas duas pernas e passou por uma cirurgia de seis horas para reconstruí-las. Ele está com muita dor, mas fora de perigo, contou à Folha seu irmão Daniel Augusto, 45.

O agressor é Vitor da Silva Lopes, 37, que estava de folga naquela noite e se apresentou espontaneamente à delegacia, onde o crime foi registrado como agressão por arma de fogo e lesão corporal culposa (não intencional), diz o boletim da ocorrência.

A reportagem ligou e mandou mensagem para o seu celular, mas não obteve resposta até o momento. Também tentou entrar em contato com a Congregação Cristã no Brasil desde sexta (2) e com o ancião responsável pela igreja em Goiás, sem sucesso.

Daniel diz que já conversou com o policial e não pretende cobrar uma punição. "Ele está muito arrependido, desesperado, dizendo que vai ajudar no que for preciso, que não sabe como aconteceu aquilo, que nunca passou pela cabeça dele, ainda mais dentro da igreja", conta.

Ele afirma que as discordâncias com o pastor da unidade, Djalma Pereira Faustino, que é amigo do PM, começaram cerca de duas semanas antes porque o líder estava falando de política nos cultos. Seu irmão não estava envolvido, mas acabou sendo afetado.

Segundo ele, Davi foi tomar água no corredor da igreja e cumprimentou sem resposta o policial, que é primo de sua cunhada e seu colega de infância. A vítima perguntou "o que eu te fiz?", sendo então xingada e atingida com o copo de água na cabeça.

Ainda de acordo com o irmão, que viu a cena, começou uma confusão e, enquanto outras pessoas chegaram para segurar o policial, Davi saiu andando de costas, atordoado. Foi quando o agente sacou a arma e deu um tiro em direção às suas pernas.

Para Daniel, não havia outra motivação para a agressão a não ser a política. "Eu não culpo ele, não guardo aquela mágoa. A culpa que eu coloco é mais nos pastores que ficam incentivando ódio dentro da igreja", afirma ele, que frequenta a CCB desde que nasceu.

Dias antes, ele havia denunciado o pastor a um conselho da congregação por pregação política, exigindo uma retratação. Após o caso ser publicado por um jornal local, a igreja enviou um líder para fazer essa retratação na última quarta-feira, quando Davi foi baleado.

A primeira desavença entre Daniel e o pastor ocorreu cerca de duas semanas antes. "Ele falou no culto: 'está chegando a eleição e esse povo que vota na bandeirinha vermelha, olha, o diabo está fazendo a festa', então eu levantei a mão e falei: 'irmão, não vamos falar de política'. Ele me mandou calar a boca", afirma.

Ele diz que o pastor se referiu a ele como demônio, e a partir de então sua família começou a ser ameaçada e parou de ser cumprimentada por parte dos fiéis, tendo ele inclusive tomado empurrões dentro da igreja.

Daniel conta ainda que gravou um vídeo criticando o uso da política nos cultos que viralizou dias antes de seu irmão ser baleado. "No dia do fato ninguém falou sobre política, mas estavam falando do vídeo e do assunto nos grupos de WhatsApp."

Em 11 de agosto, o site da Congregação publicou uma circular em seu site que diz: "Não devemos votar em candidatos ou partidos políticos cujo programa de governo seja contrário aos valores e princípios cristãos ou proponham a desconstrução das famílias no modelo instruído na palavra de Deus, isto é, casamento entre homem e mulher".

Bacharel em direito como o irmão, ele afirma que é de uma família tradicional e bastante conhecida na igreja, por isso todos sabem que ele sempre defendeu pautas da esquerda, foi sindicalista e coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Depois do ocorrido, Daniel fez um vídeo mostrando que o culto continuou mesmo com Davi sendo socorrido no corredor. A família diz que não foi procurada pela igreja nem pela polícia até o momento.

No boletim de ocorrência, os policiais que atenderam a ocorrência relatam que houve uma discussão e dois indivíduos "tentaram entrar em luta corporal com o PM, que para desvencilhar-se de um deles efetuou disparo". O irmão nega que eles tenham reagido.

Nesta sexta, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás informou apenas que "os fatos narrados por ambas as partes já estão sendo devidamente investigados". Questionada neste sábado sobre por que as testemunhas ainda não foram ouvidas, a pasta não respondeu.

Já a Polícia Militar escreveu que "determinou a instauração de procedimento administrativo disciplinar para apurar as circunstâncias do fato" e que "o policial militar se apresentou de forma espontânea na delegacia para os procedimentos cabíveis".

O caso remete a outro ocorrido em Foz do Iguaçu (PR) em 9 de julho, quando o policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho invadiu uma festa de aniversário e matou a tiros o guarda municipal e militante petista Marcelo Aloizio de Arruda.


'Coisa do demônio'

O assessor empresarial Davi Augusto de Souza, 40, diz que ainda não entende os motivos que levaram o seu amigo Vitor da Silva Lopes, policial militar, a atirar contra ele durante um culto realizado na sexta-feira (2). A discussão que motivou a reação do PM teria sido motivada por questões políticas.

Em entrevista ao UOL neste domingo (4), Davi disse que não se lembra de quantos tiros levou do policial. Mas sabe que as duas pernas foram transpassadas por balas. Em uma delas, o projétil acabou danificando a artéria femoral, prolongamento da artéria aorta, e ele já teve que enfrentar duas cirurgias. Nos próximos dias, terá de ser submetido a uma terceira intervenção.

"Minha perna está aberta, inchada. Dói muito, queima como se tivesse fogo. A outra está melhor. Mas os médicos não dizem quais são os prognósticos. Só por Deus mesmo", declarou. "Eu já nem lembro mais quantos tiros ele deu. Mas acertou minhas duas pernas. Foi coisa do demônio a reação dele, ele estava sob efeito de algum mal, só tem essa explicação".

Davi diz que está em choque com a situação. E que está preocupado também, porque tem três filhos para criar e não sabe o que poderia acontecer se tivesse que parar de trabalhar. Ele estava começando a estruturar uma confecção para produção de uniformes e camisetas, mas agora não sabe mais como será o seu futuro.

"Não tenho ideia do jeito que está minha perna, só um milagre de Deus na minha vida", afirmou Davi. "Meu irmão, Daniel, está muito abalado com tudo o que aconteceu. Minha família também. Minha esposa e minha ex estão cuidando das crianças".

O assessor empresarial, que é pós-graduado em direito civil e processo, diz que, apesar da dor aguda e da tristeza, por conta da reação do amigo de tantos anos, ele não sente rancor de Vitor.

"Ele não me procurou depois do que aconteceu, nem passou mensagem para perguntar como eu estava. Mas já soube por um amigo em comum que ele está arrependido do que fez", disse. "Deus nos dará condição de superar, não quero confiança e nem nada, só paz e que Deus abençoe a ele à família dele. Se ele tiver algo contra mim, que eu não saiba, que ele me perdoe".

O UOL tentou entrar em contato com o policial Vitor da Silva Lopes, mas até o momento ele não havia sido localizado. Segundo informou a Polícia Militar, ele teria se apresentado, após o incidente, de forma espontânea à Polícia Civil para os procedimentos cabíveis. Ele também responderá a procedimento administrativo disciplinar aberto pela PM para apurar as circunstâncias do fato.

Fonte: @FOLHAGOSPEL

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

PM atira em fiel dentro de igreja após discussão sôbre política



Um policial militar de 37 anos atirou em um homem dentro de uma igreja evangélica, em Goiânia, na noite de quinta-feira (1º).

Ambos, que são frequentadores do templo, teriam começado a discutir após um ancião pregar contra partidos e políticos de esquerda.

O cabo da Polícia Militar Vitor da Silva Lopes atirou na perna do “irmão” Davi Augusto de Souza, 40 anos, que foi levado para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

Ele precisou passar por cirurgia, mas não corre risco de morte. Já o atirador se apresentou em uma delegacia e foi liberado após prestar depoimento.

A confusão ocorreu no templo da Congregação Cristã no Brasil, no Setor Finsocial, bairro da região noroeste da capital goiana.

Boletim de ocorrência só tem a versão de PM's que atenderam o chamado

A Polícia Civil investiga o caso. A ocorrência, registrada como agressão por arma de fogo e lesão corporal culposa (sem intenção de machucar a pessoa agredida), tem apenas as versões dos policiais militares que atenderam o chamado na igreja, de onde a vítima saiu em uma maca do Samu.

"No local, segundo informações, houve uma discussão entre dois indivíduos e o cabo Vitor da Silva Lopes. Os indivíduos tentaram entrar em luta corporal com o policial, que para se desvencilhar de um deles efetuou um disparo que alvejou a perna do envolvido", diz o documento.

A Polícia Militar de Goiás limitou-se a informar que instaurou um procedimento de apuração e que o cabo estava de folga no dia em que fez o disparo. 

"Assim que a Polícia Militar tomou conhecimento do caso, determinou a instauração de procedimento administrativo disciplinar para apurar as circunstâncias do fato. Informamos ainda, que o policial militar apresentou de forma espontânea na delegacia de polícia civil para os procedimentos cabíveis", diz nota da PM goiana.

Igreja emitiu circular contra partidos políticos

Fiéis da Congregação Cristã do Brasil em Goiânia têm relatado que os líderes do templo usam o microfone para atacar legendas de esquerda como o PT, PDT, PSOL PCdoB.

A direção nacional da congregação, inclusive, publicou uma circular, no começo de agosto, com teor político.

Conforme Tópico de Ensinamento publicado na última RGE, em abril de 2022, alertamos o Ministério e a irmandade sobre a orientação ali contida, referente às eleições, onde diz o texto: Não devemos votar em candidatos ou partidos políticos cujo programa de governo seja contrário aos valores e princípios cristãos ou proponham a desconstrução das famílias no modelo instruído na palavra de Deus, isto é, casamento entre homem e mulher”, destaca o texto.

A circular foi lida pelos líderes da igreja durante as suas pregações.


Com informações: O Tempo

sábado, 30 de maio de 2015

Padre capelão é preso em SP suspeito de desviar dízimo


O capelão reformado da Polícia Militar (PM) e tenente-coronel Osvaldo Palópito foi preso na segunda-feira (25) por suspeita de desviar o dízimo dos fiéis. Ele também deve receber a excomunhão da Igreja Católica, segundo informou o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (27) durante evento na Zona Norte de São Paulo.
Aposentado desde janeiro deste ano, quando foi para a reserva, o capelão era responsável pela Paróquia de Santo Expedito, na Luz, Centro da capital, local onde funcionava a Capelania Militar.
A PM diz que ele é acusado de crimes militares de abandono de serviço, prevaricação e peculato, além de improbidade administrativa. “Esse capelão praticou vários crimes, mas não em relação ao dinheiro público. O dinheiro que ele subtraída era da igreja, era o dinheiro dos fieis, era o dízimo que ele subtraía para ele", disse o secretário após participar de cerimônia de formatura de soldados da PM no Sambódromo do Anhembi.
A conduta do capelão é contrária ao regimento da Polícia Militar, segundo Alexandre de Moraes. A prisão foi determinada pela Justiça Militar e ocorreu após pedido do corregedor da PM, o coronel Levi Anastácio Félix, responsável pelo inquérito que investiga o caso, aberto em 2014.
“O inquérito policial militar está sendo concluído para que imediatamente ao processo administrativo possa ser julgado e ele seja expulso, ou seja, como ele é da reserva ele será expulso e terá a aposentadoria cassada”, afirmou.De acordo com o secretário de Segurança Pública, o capelão reformado deve ser expulso da corporação e deixar de receber a aposentadoria. O policial reformado foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, no Tremembé, na Zona Norte da capital paulista.
Moraes também informou que pediu a excomunhão do padre à Igreja. “Além disso, houve a comunicação para a Igreja Católica para que dê início um processo de expulsão dele como padre, para que ele seja excomungado”, ressaltou.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública não soube informar o valor que foi apropriado indevidamente pelo capelão. No entanto, reportagem divulgada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em fevereiro, Palópito era investigado pelo desvio de R$ 2 milhões da Capelania Militar.
O cargo de capelão da Polícia Militar foi extinto no início deste ano após Palópito se aposentar. A decisão foi tomada pelo comandando da PM Ricardo Gambaroni em conjunto com o secretário de Segurança. “Nós conversamos sobre a desnecessidade desse cargo de capelão da polícia até em virtude da pluralidade religiosa”, disse Moraes.
FONTE: G1
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