sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Frente de Evangélicos publica manifesto contra a candidatura de Bolsonaro - COMENTO A NOTÍCIA


Em nota, movimento diz que as ideias defendidas pelo candidato negam "valores básicos do Evangelho" e ameaçam a democracia

São Paulo – A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento criado em 2016 em resistência ao golpe parlamentar que levou Michel Temer ao poder, publicou nesta sexta-feira (28) um manifesto contrário ao discurso do candidato à Presidência da República nas eleições de 2018, Jair Bolsonaro(PSL).
No documento, os religiosos se posicionam contra o armamento da população, uma das bandeiras do presidenciável. "Armar a população é estimular a barbárie, atribuindo ao cidadão a responsabilidade por sua defesa pessoal".
O manifesto também faz duras críticas contra a incitação à violência, racismo, sexismo e autoritarismo evidenciados nas declarações do candidato, além de lembrar que o apoio à prática da tortura é crime de lesa humanidade.
"O Evangelho de Jesus Cristo defende a vida de todas as pessoas, especialmente a vida dos mais fracos, física, social, econômica, educacional, racial e moralmente. Foi entre essas pessoas que Jesus andou, tendo sido, ele mesmo, uma delas. Por isso, e por todos os brasileiros, reconhecemos que a candidatura de Bolsonaro é alimentada pelo ódio, sendo o oposto à proposta do Evangelho", assinala o documento.
Segundo Ariovaldo Ramos, que é um dos coordenadores nacional da Frente de Evangélicos, além de pastor da Comunidade Cristã Reformada, não é possível encontrar amparo, na cosmovisão cristã, para o apoio ao discurso do ex-capitão do Exército. "A pregação do candidato é uma pregação que retoma, no Brasil, máximas nazistas que são repudiadas por todo mundo moderno. O seu discurso representa uma cosmovisão que a humanidade rejeitou. Que é a cosmovisão nazista", opina. E acrescenta: "Não é possível porque o candidato possui uma postura excludente, classificando as pessoas como do bem ou outras do mal".
Ariovaldo explica que repudiar e denunciar o discurso não significa apoiar ou direcionar o voto a nenhuma outra candidatura e adverte que pastores não possuem a prerrogativa de determinar em quem os membros de suas igrejas devam votar. "Isso é uma apropriação indébita. Igreja não é partido político. Não tem candidato. A liderança não tem essa autoridade."
Ele observa também que é falsa a narrativa de que a maioria dos evangélicos sejam favoráveis à eleição do presidenciável de extrema direita. "Os resultados (das pesquisas) denunciam o que sempre soubemos. Essas lideranças não falam pela maioria dos evangélicos. Falam por interesses próprios e não confessados. Não queremos julgar quais interesses são esses porque as Escrituras não nos autorizam a isso."
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito reúne mais de 10 mil evangélicos de diferentes denominações, como Igreja Batista, Igreja Presbiteriana Independente e do Brasil, Assembleia de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, entre outras, em todo o país e no exterior.
Segundo a jornalista Nilza Valéria, que também está na coordenação nacional da Frente de Evangélicos, haverá mobilização de mulheres no movimento #elenão nas principais cidades do país. "Temos o grupo de mulheres organizado no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e em outros locais que temos presença. Não apenas as mulheres, mas todos da Frente estarão apoiando os atos amanhã". Em São Paulo o encontro será neste sábado(29), às 14h30, na Estação de Metrô Faria Lima, no Largo da Batata.
A jornalista lembrou da alta taxa de rejeição que Bolsonaro possui entre os evangélicos (41% dos evangélicos ouvidos na pesquisa Ibope do último dia 25 dizem que não votariam no candidato) e, em especial, entre as mulheres (54% de rejeição).
"As mulheres evangélicas estão rejeitando a candidatura do Bolsonaro. Não há aderência da candidatura dele dentro desse segmento, mesmo que alguns pastores e líderes peçam voto", afirma Nilza Valéria. Para ela, esse é um motivo de esperança e celebração. Uma boa-nova, que também é um dos significados para a palavra evangelho. 
Leia a íntegra do documento logo abaixo:
"Nota da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Pode um crente votar em Bolsonaro?
Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão" (Gálatas 5.1)
Nós, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, compomos um movimento formado crentes em Cristo Jesus. Fazemos parte das mais variadas igrejas e denominações e além da fé, possuímos a certeza de que a democracia é um sistema que permite a garantia de direitos e a construção da cidadania plena.
Assim – diante de tantas cartas e posições de líderes religiosos que reconhecem a candidatura de Bolsonaro como messiânica – nos manifestamos contra as suas posições, levantando nossa voz em nome da justiça, como fizeram os profetas, os primeiros cristãos e milhares de crentes ao longo da história.
Levantamos nossa voz contra a violência, contra o machismo, contra o racismo, contra o preconceito, contra o sexismo, contra o autoritarismo e contra a exclusão manifestadas por Bolsonaro no exercício na vida política, e em seu excludente programa de governo, divulgado como solução para a realidade brasileira.
Afirmamos que armar a população não é política de segurança pública, pelo contrário, é declarar-se incompetente para desenvolver segurança eficaz para todos. Armar a população é emular a barbárie, atribuindo ao cidadão a responsabilidade por sua defesa pessoal. Também não é política de segurança pública premiar policiais que mais matarem "bandidos". Isso é rito sumário e incitação à violência e ao assassinato.
Desacatar mulheres, sugerindo a sua inferioridade em relação ao homem, não é uma política de justiça e respeito, é misoginia, é assédio moral, é crime. Aludir a possibilidade de estupro em relação a alguém não é descuido verbal, é violência inominável e crime inafiançável.
Apoiar a prática da tortura é crime de lesa humanidade, elogiar torturadores, não é política de segurança nacional, é crime. Dizer que negros quilombolas não servem nem para reproduzir, não é grosseria, muito menos política de igualdade racial: é racismo e crime inafiançável. Deplorar seres humanos porque se entendem de modo diferente não é defesa da família, é desamor ao próximo.
Sabemos que o Evangelho de Jesus Cristo defende a vida de todas as pessoas, especialmente a vida dos mais fracos, física, social, econômica, educacional, racial e moralmente. Foi entre essas pessoas que Jesus andou, tendo sido, ele mesmo, uma delas. Por isso, e por todos os brasileiros, reconhecemos que a candidatura de Bolsonaro é alimentada pelo ódio, sendo o oposto à proposta do Evangelho, daquele que sendo Deus se fez humano e habitou entre nós.
Assim, convidamos o povo evangélico a repudiar as posições esboçadas por essa candidatura que propaga o ódio ao próximo e nega valores básicos do Evangelho, além de ameaçar o restabelecimento da democracia no Brasil. Afinal, como lembra e exorta o apóstolo, foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçamos firmes e não nos deixemos submeter novamente a um jugo de escravidão.
Deus abençoe o Brasil e nos dê sabedoria para votar com liberdade, jamais pelo medo ou ódio, mas somente movidos pelo amor e pela justiça.
28 de Setembro de 2018"
Fonte: RBA
MEU COMENTÁRIO

O bom da democracia é justamente isso, quem quer ser a favor que seja, quem entende que deve ser contrário que se manifeste, afinal todos tem o direito.

No meu ponto de vista, 10.000 evangélicos é uma parcela muito pequena dentro do contexto da totalidade, mas que exercem dignamente o seu direito democrático se manifestar.

Por outro lado, não vejo qualquer líder evangélico lutando para que seus liderados do ponto de vista da religião votem em Bolsonaro, vejo sim, posicionamentos pessoais e na maioria dos casos, o líder simplesmente consolidando um anseio que já vem das próprias bases e, se ele nada falar, ou falar contrariamente, nada mais vai mudar o que está acontecendo nesta campanha.

Jair Bolsonaro não tem dinheiro, relevância partidária, nem tempo de rádio e televisão, e surge como uma espécie "gigante" a ser derrubado por todos os outros juntos. Não será que o "status quo" da política vigente teria que repensar e analisar o que está acontecendo?

A análise de um extrato mais aprofundado das pesquisas publicadas, mostra claramente que não é questão de ser evangélico ou católico, pobre ou rico, sulista ou nortista, mas que a sociedade quer, precisa e está exigindo mudança no comportamento dos políticos. Ninguém está "fazendo a cabeça" da população, 

Se tem evangélico contra e evangélico a favor, isso é muito bom, mostra que não há predominância do chamado "curral eleitoral" e ou "voto de cabresto", sem entrar aqui no mérito de quem está certo ou errado.

Do ponto de vista espiritual não cabe o meu comentário neste post, agora, do ponto de vista eleitoral e da cidadania, o resultado do próximo domingo será o resultado da liberdade de expressão que ainda temos, graças a Deus, enfim, seja ele qual for, o da consolidação da nossa jovem democracia.

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