domingo, 5 de junho de 2016

Escola retira oração de suas cerimônias de formatura e gera polêmica nos EUA


Uma escola pública da Pensilvânia (EUA) aboliu a sua tradicional oração de formatura, após uma denúncia ter sido apresentada contra a cerimônia do ano passado.
A escola de ensino médio Pottsgrove decidiu no ano passado, acabar com a tradicional oração e bênção em suas cerimônias de graduação, porque foi levantada preocupação de que essa tradição era "muito fortemente centrada na fé cristã".
Embora a decisão tenha sido tomada no ano passado, o jornal 'The Mercury' relatou que a medida com relação à oração não havia tornado amplamente conhecida até que um debate acalorado no Facebook surgiu na última quinta-feira (2).
Os administradores da escola decidiram acabar com a tradição de oração depois que uma denúncia foi apresentada contra um orador da turma, que invocou o nome de Jesus Cristo durante seus comentários na cerimônia de formatura do ano passado.
"No ano passado [a formatura] foi muito mais especificamente religiosa que qualquer coisa que eu tenha ouvido falar que já aconteceu na Pottsgrove", disse a superintendente Shellie Feola ao jornal 'The Mercury'. "Eu fiquei realmente surpresa com a oração".
"Aparentemente, isso incomodou alguém que estava na cerimônia e foi-me relatado que houve uma queixa", disse ela.
Feola explicou que, embora ela houvesse a preocupação de que a tradição da oração da escola pode ter sido uma violação da lei referente a direitos da Primeira Emenda dos estudantes em funções da escola pública, os administradores continuaram a permitir a oração na graduação da escola até que uma denúncia foi feita.
"Para ser honesta, eu sempre pensei que a Pottsgrove fosse a única que ainda tivesse a oração em cerimônias públicas de graduação e que não muitas outras escolas em Montgomery County ainda o fizessem", disse Feola.
Após a queixa ter sido apresentada sobre a 'invocação' do ano passado, Feola consultou o advogado do distrito escolar, Marc Davis.
Davis aconselhou que uma decisão de 2000, na Califórnia, determina que a tradição da oração nas escolas é ilegal, uma vez que a graduação é um evento patrocinado pelo governo e que não pode tolerar uma atividade religiosa específica.
"Depois que pesquisei, eu informei o conselho em agosto que já não podíamos permitir que houvesse a oração e a bênção. Houve alguma discussão interna e eu pensei que aquilo seria o fim de tudo", disse Feola. "O conselho certamente tinha a opção de discutir isso em público ou de se dirigir à administração, escrever uma política que poderia ser adotada, mas isso não aconteceu".
Inspiração
O debate no Facebook mencionado anteriormente acabou chamando a atenção pública para a decisão da escola de acabar com a oração nas graduações e gerou muitos comentários, principalmente entre os membros atuais e antigos do conselho escolar.
"Isto é muito decepcionante para mim", escreveu o membro do conselho, Bill Parker. "Enquanto o distrito, devido à jurisprudência, não pode obrigar que haja uma oração como parte da cerimônia, nós também não podemos violar a liberdade de expressão".
Já o Presidente do Conselho da Escola, Rick Rabinowitz respondeu, argumentando que "os pais e alunos de outras religiões não vão à cerimônia de graduação para assistir a um culto religioso cristão".
"Eles estão lá para celebrar as realizações de seus alunos", escreveu Rabinowitz. "A questão é que eles se sentem intimidados em falar contra esta prática e que eles não podem ter a mesma oportunidade. A questão é que eles se sentem desconfortáveis, ou realmente ofendidos em um dos dias mais especiais de suas vidas. A liberdade de expressão, como se sabe, tem limites".
Justin Valentine, ex-presidente do conselho escolar, que também é ministro na igreja 'Kingdom Life', começou a discussão no Facebook quando ele publicou em um espaço de debates da página da escola Pottsgrove no Facebook, o link de uma notícia sobre um orador oficial de Ohio, que desafiou um grupo ateu, recitando a oração do 'Pai Nosso' durante o seu discurso de formatura, na escola East Liverpool.
Posteriormente, Valetine foi removido da página por Rabinowitz, que afirmou que o post teve a intenção de "inspirar os estudantes cristãos da Pottsgrove a também fazerem uma oração na formatura". Valentine, em seguida, acusou Rabinowitz de tentar censurar a discussão.
"Eu tenho pessoas que pensam assim como eu, mas que têm medo de falar. Funcionários e membros da comunidade", escreveu Valentine.
Rabinowitz confirmou à emissora local de notícias, Fox 29, que a pessoa que se queixou ano passado foi um pai de aluno e não um estudante.
"A lei não permite que a escola promova uma oração programada em cerimônias relacionadas da escola", afirmou Rabinowitz.

Fonte: CPAD News

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