quinta-feira, 7 de julho de 2016

Justiça manda R.R. Soares entregar passaporte diplomático - COMENTO A NOTÍCIA

A Justiça Federal em São Paulo determinou liminarmente a suspensão dos passaportes diplomáticos concedidos ao pastor R. R. Soares e a sua mulher Maria Magdalena Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, concedidos pelo ministro das Relações Exteriores José Serra (PSDB) na quarta-feira da semana passada, 29 de junho. A decisão liminar acata o pedido em  ação popular movida pelo advogado Ricardo Amin Abrahão Nacle questionando a concessão do benefício aos pastores.
Na decisão, o juiz da 7ª Vara Federal Cível Tiago Bologna Dias dá cinco dias para os pastores entregarem o documento à Justiça e aponta que  a concessão do benefício aos religiosos representa uma “confusão entre Estado e religião incabível”.
“Na Ordem Constitucional vigente o Estado é laico, há separação plena entre Igreja e Estado, de forma que é efetivamente incompatível com a Constituição que líder religioso, nesta condição e no interesse de sua instituição religiosa, seja representante dos interesses estatais brasileiros no exterior”, assinala o magistrado.
Tiago Bologna Dias contesta o argumento do Ministério das Relações Exteriores de que a concessão do benefício aos pastores atende ao “interesse do País”, uma das justificativas previstas na legislação sobre o tema.
Para o magistrado, ainda que a legislação deixe em aberto algumas possibilidades para a concessão do benefício, “Isso não quer dizer arbitrariedade, vale dizer, a opção de conveniência e oportunidade deverá respeitar os parâmetros constitucionais, legais e regulamentares incidentes e sua conformidade com os fins do instituto”. Além disso, o juiz apontou que, além do alegado interesse do País, o Ministério deve explicar os motivos de forma mais detalhada para autorizar os passaportes, o que não foi feito na portaria envolvendo R. R Soares e sua mulher.
Na prática, o passaporte diplomático permite a R. R Soares e sua mulher entrarem e saírem de alguns países com relação diplomática com o Brasil sem a necessidade de visto ou qualquer outra burocracia. O passaporte, contudo, não dá imunidade diplomática a eles.
Religiões.
Não é a primeira vez que o governo federal concede o benefício a líderes religiosos. Em 2013, durante o governo Dilma Rousseff, o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago de Oliveira, e a mulher dele, Franciléia de Castro Gomes de Oliveira também receberam o benefício. Outros líderes de igrejas também já receberam o documento, que dá direito ao uso de uma fila especial nos aeroportos, mas não dá imunidade diplomática.
Com menos de uma semana no cargo, em maio deste ano, José Serra concedeu o mesmo benefício para o pastor Samuel Ferreira e a mulher Keila, também pastora, da Assembleia de Deus. Ferreira é investigado na Lava Jato suspeito de lavar dinheiro de propina para Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por meio da igreja em Campinas.
Apesar da repercussão negativa do caso, a Justiça de São Paulo negou o pedido liminar para a suspensão dos passaportes diplomáticos de ambos, também solicitado em uma Ação Popular de Ricardo Nacle. Foi a primeira vez, desde o começo da Lava Jato, que um investigado sem prerrogativa de foro recebeu o benefício dado a autoridades.
Fonte: Estadão
MEU COMENTÁRIO
A propósito dessa liminar baseada na laicidade do estado, que a priori não deve ser discutida, a não ser pelas vias legas do direito, mas cumprida na íntegra, não seria o caso de se fazer justiça de verdade, cancelando todos os demais passaportes diplomáticos concedidos a religiosos, de qualquer credo, inclusive aqueles dos líderes católicos que foram os primeiros a receber?
Por outro lado é necessário regularizar tal legislação, definindo a possibilidade ou não da concessão desse tipo de passaporte a religiosos.
Agora, considerando a justificativa da laicidade do estado, entendo também que está no momento de uma definição desta nossa laicidade; seria ela absoluta, parcial ou relativa?
Um país que se diz laico, com vários feriados religiosos em nível municipal e nacional, uma padroeira nacional com direito a feriado e tudo mais, um país onde todos os parlamentos, iniciam suas sessões "em nome de Deus", um pais onde ruas, avenidas, hospitais, escolas, etc.... são "batizados" com nomes de ídolos católicos e até de entidades das religiões afros.
E aí, durma-se com um barulho desses.....
Laicidade do estado, ora laicidade...

2 comentários:

Izaldil Tavares de Castro disse...

Parabéns pelo comentário, pastor Carlos Roberto! Essa "laicidade" unilateral chega a ser vergonhosa. É Indispensável a revisão.

Izaldil Tavares de Castro disse...

Parabéns pelo comentário, pastor Carlos Roberto! Essa "laicidade" unilateral chega a ser vergonhosa. É Indispensável a revisão.

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