sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Era igreja, virou “museu do ateísmo” e agora voltará a ser igreja


A catedral de São Isaque, na cidade de São Petesburgo, foi transformada em um “museu do ateísmo” durante o período soviético. Construída entre 1818 e 1858, o local abriga até 14 mil pessoas e foi um dos principais templos da Igreja Ortodoxa na Rússia.

Em 1924, o regime comunista mudou o nome de São Petesburgo, segunda maior cidade da Rússia, para Leningrado, numa homenagem a Lênin, líder da revolução. Poucos anos depois, todas as igrejas da cidade foram fechadas e a catedral passou a ser um museu que glorificava a “vitória” do ateísmo sobre a religiosidade.

Com o fim do comunismo no país, durante a década de 1990, o local foi transformado em museu, já que possuía um grande acervo, reunindo esculturas, ícones, afrescos e mosaicos.

Eventualmente o local é usado para apresentações musicais, já que possui boa acústica. Patrimônio Mundial da Unesco, o prédio é um dos cartões-postais da cidade. Foi visitada por cerca de 3,5 milhões de turistas no ano passado.

O governo decidiu no final de 2016 pelo retorno das atividades da Catedral de São Isaque. O prédio voltará a ser uma igreja ortodoxa, com missas realizadas regularmente a partir deste ano. A Igreja Ortodoxa Russa, que tem forte ligação com o governo do presidente Vladimir Putin, já havia pedido de volta o edifício em outras ocasiões, mas a ideia foi rejeitada pelas autoridades.

No entanto, a decisão anunciada nessa terça-feira (10) também incluiu o anúncio de que ela passará por uma restauração. O governo russo afirmou ainda que pretende restaurar e devolver todas as igrejas e mosteiros que foram expropriados durante o regime comunista, que impunha o ateísmo.

O outro Museu do Ateísmo da cidade, a antiga Catedral de Nossa Senhora de Kazan, voltou a ser um local de culto religioso em 2000.

O Patriarca Kirill, maior líder dos ortodoxos e amigo do presidente, afirmou que desde que Putin assumiu o poder, cerca de 5.000 igrejas foram construídas ou devolvidas pelo Estado, 122 mosteiros foram fundados e mais de 10.000 padres, formados.

Comunistas protestam

Insatisfeito com o anúncio, o partido Comunistas da Rússia anunciou que fará protestos em São Petersburgo e do lado de fora do Ministério da Cultura, em Moscou.

“Respeitamos os sentimentos dos fiéis, mas não podemos concordar com a perigosa tendência de entregar à igreja um número cada vez maior de monumentos de arquitetura, museus e propriedades”, reclamou o presidente do partido, Maksim Suraikin.

Com informações de Christian Today

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