segunda-feira, 29 de maio de 2017

Pastor chama evento LGBT de “atividade diabólica” e pode ser processado

Líder de igreja presbiteriana afirma que Satanás "está usando diretamente a secretária" da cidade que é homossexual

No pequeno município de João Neiva, Espírito Santo, a declaração de um pastor evangélico contra um evento LGBT virou caso de polícia.
O líder da Igreja Presbiteriana da cidade, Carlos Alberto Cavalcante, disse em um áudio enviado para um grupo de Whatsapp de evangélicos, que a secretária de Cultura, Turismo e Juventude de, Bárbara Girelli, estava sendo "usada por Satanás" para promover o "1° Piquenique das Cores em João Neiva", a ser realizado hoje (28).
Na opinião de Cavalcante, essa é uma "atividade diabólica" e por isso a igreja deveria orar no sentido contrário. "Eu e os pastores da Associação de Pastores estamos tomando providências junto a Prefeitura, visto que ela está promovendo. Sabemos que tem ação direta de satanás nesse trabalho. O satanás está usando diretamente a secretária de Cultura (…) Satanás tem o propósito de destruir as famílias de João Neiva. Orem", explica o pastor no áudio que acabou sendo postado na internet.
Bárbara, que é homossexual assumida, procurou a Polícia para registrar um boletim de ocorrência contra o líder religioso. "Me senti ofendida. Passei mal ao ouvir as palavras do pastor afirmando que nossa ação era uma ação de Satanás, dando a entender que éramos enviados para destruir as famílias. Uma profunda falta de respeito comigo, com a equipe da secretaria e com toda a comunidade LGBT", reclama.
O evento programado por ela faz parte da II Quinzena Estadual de Combate à LGBTfobia e pretende discutir temas como diversidade e inclusão social.
"Não podemos deixar o ódio falar mais alto. Muitos gays fazem parte da equipe da secretaria e o preconceito não vai nos abalar. Procurei a polícia e dei início ao registro de ocorrência", afirma a secretária.

Ouça o áudio:
Em entrevista à Gazeta Online, o pastor Carlos Alberto afirma que não quis ofender a secretária. A frase "usada por satanás", garante, foi dita no sentido de que o evento LGBT agride a fé evangélica.
"Esse áudio foi interno da Igreja, exclusivamente para membros da Igreja, como um pai para seus filhos. Não tive a menor intenção de ofendê-la. Era uma mensagem interna e citando um episódio que envolve o papel dela como secretária, como gestora e não foi uma crítica pessoal", justificou.
O líder presbiteriano conta que foi pessoalmente até a Prefeitura para pedir desculpas ao prefeito e à secretária, mas que Bárbara não aceitou o pedido e se recusou a estender a mão.

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