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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Venezuela: Nicolas Maduro se aproxima dos pentecostais em meio à ameaça dos EUA



Venezuela - Avanço pentecostal no país é visto por especialistas como parte da estratégia chavista para ampliar influência religiosa.


Enquanto lideranças cristãs nos Estados Unidos têm chamado atenção para a perseguição religiosa na Nigéria, uma declaração recente de Nicolás Maduro passou praticamente despercebida por esse mesmo grupo. Na semana passada, o presidente venezuelano afirmou que Jesus é "dono e senhor" da Venezuela, além de declarar que o palácio presidencial se tornará "um altar para glorificar a Deus".

A ausência de reação levantou questionamentos sobre o motivo de os evangélicos norte-americanos terem evitado comentar os gestos do líder socialista, que enfrenta crescente pressão internacional.

Crescimento evangélico na Venezuela

Dados recentes mostram que o crescimento das igrejas evangélicas na Venezuela foi muito mais rápido do que no Brasil. Enquanto os evangélicos brasileiros levaram cinco décadas para chegar de 6% a 26,9% da população, o país vizinho saltou de 2,1% em 2010 para 30,9% em pouco mais de uma década.

Analistas destacam que o avanço está diretamente ligado a decisões políticas. Quando Hugo Chávez assumiu o governo, em 1999, líderes pentecostais passaram a receber espaço e benefícios antes exclusivos da Igreja Católica, incluindo influência no ensino religioso das escolas públicas.

O governo adotou uma estratégia clara: aproximar-se das igrejas pentecostais e manter maior distância das denominações historicamente mais críticas, como os batistas.

Movimento aliado ao chavismo cresce e reúne 17 mil igrejas

Desde 2017, o Movimento Cristão Evangélico pela Venezuela (Mocev) atua como elo entre o chavismo e líderes pentecostais. O grupo afirma reunir atualmente 17 mil igrejas, além de cerca de 5 mil pastores associados em todos os estados venezuelanos.

Nos últimos anos, Maduro ampliou incentivos ao segmento. Entre os programas criados, estão:

  • Minha Igreja Bem Equipada, que financia reformas e estrutura para templos;
  • Bônus do Bom Pastor, que transfere recursos diretamente a líderes religiosos;
  • Redução de impostos para organizações religiosas;
  • Instituição do Dia do Pastor, celebrado em 15 de janeiro.

Denominações internacionais, como a brasileira Igreja Universal do Reino de Deus, também apoiam iniciativas ligadas ao governo venezuelano.

Acenos religiosos em meio à tensão com os EUA

Em meio à presença recente de navios americanos próximos ao território venezuelano, Maduro intensificou discursos voltados ao público cristão, inclusive nos Estados Unidos. No início do mês, pediu que "os cristãos dos Estados Unidos" o ajudassem a "carreguemos a bandeira da paz, da harmonia, do perdão e da grande misericórdia do Senhor".

Apesar dos apelos, a relação segue tensa. No sábado (29), Donald Trump alertou companhias aéreas de que o espaço aéreo venezuelano estava fechado, indicando que a escalada diplomática continua.

Laboratório político para a esquerda latino-americana

A Venezuela tem sido observada como um caso de aproximação inédita entre um governo de esquerda e o pentecostalismo, algo que contrasta com o distanciamento tradicional desse segmento em países como Chile, Argentina e Brasil.

Especialistas avaliam que o pentecostalismo, por muito tempo considerado um "primo pobre" no campo religioso, abriu novas possibilidades para movimentos de esquerda que buscam alianças fora das estruturas tradicionais da Igreja Católica — especialmente setores que evitam debates mais acalorados sobre costumes.

O grande ponto de interrogação é o futuro: se outros governos progressistas da região buscarão estratégias semelhantes ou manterão distância das igrejas e da crescente influência evangélica.

Fonte: Folha Gospelbaseado no texto "Maduro entrega Venezuela a Jesus diante de ameaça dos EUA" da coluna de Juliano Spyer, da Folha de S.Paulo.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

VENEZUELA - Crescimento de Evangélicos e o oportunismo de Maduro




Com apoio de Maduro e boom de fiéis, igrejas evangélicas com atuação no Brasil crescem na Venezuela



O ditador Nicolás Maduro explora a religiosidade e até o misticismo para se manter no poder. Ele já disse que um passarinho lhe transmitiu mensagem do falecido líder Hugo Chavéz. E nunca retira do dedo mindinho seu anel de esmeralda verde, que teria sido um presente de um guru indiano.

Já nos últimos anos, vem se aproximando cada vez mais dos evangélicos que crescem de forma exponencial no país, angariando o apoio inclusive da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo brasileiro Edir Macedo.

Críticos veem na movimentação oportunismo: seria uma forma de conter a perda da popularidade após anos de abuso dos direitos humanos, crises políticas e econômicas, além de eleições apontadas como fraudulentas. E o setor visado é estratégico - a cada ano, os evangélicos se multiplicam na Venezuela como em poucos países.

Pesquisa do instituto Latinobarómetro mostra que 2,1% dos venezuelanos se diziam evangélicos em 2010. Em 2023, o número já representava quase um terço da população: 30,9%. Abocanharam, sobretudo, fatia da Igreja Católica, que vem perdendo fiéis.

Em níveis percentuais, os evangélicos na Venezuela superam a média dos 17 países analisados da América Latina, de 23%, de acordo com o mesmo instituto. "Em um país com tanta incerteza, com uma crise humanitária como a que se vê, as pessoas recorrem à fé. Quando não resta mais nada, agarram-se à fé", afirma a venezuelana Dhayana Fernández, professora da Universidad Central da Venezuela e da Universidad Simón Bolívar, na Colômbia.

A aproximação de políticos com grupos evangélicos não é um movimento inédito na Venezuela. Nunca, porém, a religião havia sido tão instrumentalizada como no regime de Maduro, diz Fernández, que pesquisa sobre direitos humanos.

Inclusive igrejas brasileiras ganham espaço no país. No ano passado, o bispo Ronaldo Santos, representante da Universal na Venezuela, foi orador de um culto que teve a presença de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Em um espanhol macarrônico, fez acenos ao regime.

"Podemos, meu Deus, ter sanções e bloqueios de todas as partes do mundo, mas não do céu. O céu está aberto sobre esta nação, sobre este país", afirmou Santos. "Então, meu Pai, eu te peço: faça cair os bloqueios, as sanções e tudo o que tem impedido este país de avançar, de ir adiante."

Chama a atenção o posicionamento diferente do manifestado pela Universal no Brasil. Em 2022, o bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, publicou texto em que listava cinco argumentos para sustentar que não é possível uma pessoa ser, ao mesmo tempo, cristã e de esquerda, a vertente política da qual Maduro diz pertencer.

Luciano Gomes dos Santos, doutor em teologia e que faz pesquisas na área, acredita que o objetivo da Universal seja obter uma concessão de TV na Venezuela. A organização, diz, adere a um conceito conhecido como igrejas eletrônicas, nas quais instituições utilizam a mídia para expandir o alcance e a influência.

Esse movimento ganhou força a partir da década de 1970 com a teologia da prosperidade, uma corrente teológica segundo a qual a fé em Deus leva à riqueza material e à saúde física. Trata-se de uma contraposição à teologia da libertação, popular entre católicos latino-americanos e que foca as desigualdades sociais, afirma Santos, também professor de ciências sociais no Centro Universitário Arnaldo Janssen, em Belo Horizonte.

Questionada pela reportagem sobre o evento de Ronaldo Santos com Maduro, a Universal disse que a igreja de cada país dispõe de total autonomia administrativa. Em nota divulgada após o ato do pastor, com o título "Pregação do Evangelho não é ato político e partidário", também falou em distorção de fatos. "A solenidade religiosa pelo Dia Nacional do Pastor foi completamente deformada por alguns jornalistas, como se fosse um ato político e partidário."

Próximo dos evangélicos, Maduro tem implementado programas que beneficiam as igrejas. Em 2023, o regime lançou o "Minha Igreja Bem Equipada", que faz reformas e oferece mobiliários aos templos. No ano seguinte, foi criado o "Bônus do Bom Pastor", que oferece ajuda financeira mensal a cerca de 20 mil líderes. Também em 2024, o ditador anunciou plano para diminuir impostos de organizações religiosas.

E as diretrizes da legenda de Maduro, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), para o setor são acompanhadas de perto por familiares do líder. Em 2022, Nicolás Ernesto Guerra, filho do ditador, foi nomeado para a vice-presidência de assuntos religiosos da sigla.

Pastores também estão diretamente envolvidos com a política. É o caso do deputado suplente Moisés García, do PSUV e que também é presidente do Movimento Cristão Evangélico pela Venezuela (Mocev), organização que diz ter 5.000 integrantes e é considerada um braço do chavismo na comunidade evangélica. Em suas redes sociais, aparecem com destaque fotos suas ao lado do ditador.

Ainda que o regime transmita uma ideia de união, não são todos os pastores evangélicos que apoiam a aliança com Maduro. Mas, de acordo com a ONG Portas Abertas, que monitora cristãos perseguidos pelo mundo, as autoridades venezuelanas não toleram qualquer oposição ou crítica ao regime, e existem riscos de represálias.

"Os cristãos não devem denunciar corrupção, falta de práticas democráticas e violações dos direitos humanos, demonstrar apoio aos líderes da oposição ou se envolver em trabalho humanitário. Caso ‘desobedeçam’, enfrentam ameaças, ataques a igrejas, difamação, prisões arbitrárias, vigilância, censura, acesso restrito a serviços públicos e negação de itens básicos, como alimentos e remédios", diz a ONG.

Em ranking elaborado pela Portas Abertas de países que mais perseguem cristãos, a Venezuela aparece atualmente na 71ª posição. No ano passado, quando Maduro foi declarado vencedor em pleito apontado como fraudulento, o país estava no 53º lugar.

No Brasil, o número de evangélicos também cresce, e eles representavam 26,9% da população, o segundo maior bloco religioso, atrás dos 56,7% que disseram professar a fé católica, de acordo com dados do IBGE divulgados em junho.

A Assembleia de Deus, outra igreja evangélica com atuação no Brasil, também tem presença na Venezuela, estando principalmente na região amazônica do país, segundo o pesquisador Luciano Gomes dos Santos.

Raimundo Barreto, professor do departamento de história no seminário teológico de Princeton, nos Estados Unidos, aponta como um dos motivos para a expansão dos evangélicos no continente a maior flexibilidade em relação à ordenação ao pastorado.

Na Venezuela, esse contexto é amplificado pelas sucessivas crises. "Em um momento em que você não tem para onde correr, a grande esperança se torna uma intervenção divina", afirma.

Fonte: Jornal de Brasília

sábado, 23 de março de 2024

Igreja Universal apoia Nicolás Maduro na Venezuela



Trecho de texto publicado no site oficial da Igreja Universal diz que “um cristão de verdade não pode nem deve compactuar com ideias esquerdistas”.


A Igreja Universal do Reino de Deus declarou apoio ao presidente da Venezuela e defendeu o fim do bloqueio e sanções ao país. Representante da igreja no país, o bispo da Universal Ronaldo Santos discursou ao lado de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em um evento com líderes evangélicos de 23 estados venezuelanos, há 15 dias.

"Hoje temos aqui não apenas pastores, mas também a Igreja, que veio até a aqui orar pela Venezuela, clamar a Deus pela sua vida e por toda sua família, e por toda a responsabilidade que o senhor tem sobre essa nação", disse Santos no evento com cerca de 17 mil pessoas em Carabobo, no interior do país.

"Meu Deus, podemos ter sanções, bloqueios, de todas as partes do mundo, mas não do céu. O céu está aberto sobre esta nação, sobre este país. Então meu Pai, eu te peço: derruba os bloqueios, as sanções, todo o meu Deus que tem impedido este país de se manter à tona, de avançar", seguiu Santos.

"Presidente, quando o senhor toma a decisão de apoiar as igrejas e o Evangelho, o senhor está servindo a Deus", ele continua, dizendo falar em nome de outras igrejas. Quando ele resolve rezar, a política se mistura à bíblia: "Muito se fala em ingerência, bloqueios, sanções — mas há uma coisa que nunca podemos nos esquecer nunca: podem nos bloquear de todos os lados, mas os céus não estão bloqueados", conclui o pastor brasileiro em portunhol. Ao fim, ele abraçou o ditador venezuelano.

Tudo foi transmitido pela emissora oficial venezuelana, que reina absoluta diante do fechamento dos demais canais de televisão pelo regime chavista, como ocorreu com quase todos os veículos de comunicação que ele via como ameaça.

Maduro criou uma comissão liderada pela Comissão Nacional de Telecomunicações e pelo Movimento Evangélico Cristão da Venezuela, para permitir à comunidade cristã o acesso à radiodifusão, "sem burocracia e sem demora".

As informações foram reveladas pelo The Intercept Brasil e são confirmadas pelos sites oficiais da Venezuela. Segundo o Intercept, por trás do inusitado apoio de Edir Macedo à Nicolás Maduro está a obtenção de concessão de TV na Venezuela.

O site lembrou que, no governo de Hugo Chávez (de 1999 até sua morte em 2013), a Universal teve dificuldades em expandir suas atividades no país. Chávez chegou a confiscar um terreno da igreja destinado à construção de um imenso templo.

Maduro quer apoio dos evangélicos para ampliar seu poder

Agora, para angariar apoio dos evangélicos em seu projeto de perpetuação no poder, Maduro, que foi incumbido por Chávez para dar prosseguimento à chamada Revolução Bolivariana, prometeu reduzir impostos para as igrejas. Além disso, lançou no ano passado o programa "Minha Igreja Bem Equipada", que oferece mobiliário para os templos cristãos, com bônus de US$ 10 para os pastores. Também instituiu o "Dia do Pastor", celebrado em 15 de janeiro, data da morte de Martin Luther King.

Após pressão internacional, inclusive de aliados, como Lula, Maduro marcou eleição presidencial para 28 de julho. Mas, como os pleitos anteriores realizados durante o regime chavista, este também já está sob suspeita, com denúncias de perseguições a adversários.

Uma ofensiva judicial contra a já inabilitada María Corina Machado complica ainda mais o cenário eleitoral para a oposição venezuelana, pois o período de registro de candidaturas começou na última quinta-feira (21) e termina na segunda-feira (25). Na quarta-feira (20), o Ministério Público venezuelano a vinculou a "ações desestabilizadoras", mas sem apresentar acusações contra ela. Sete colaboradores dela foram detidos e outros sete têm mandado de prisão, incluindo sua principal auxiliar, Magalli Meda, que era mencionada como possível substituta. Machado chamou as ações de "repressão brutal".

Conforme levantamento do governo venezuelano, 88% da população do país é cristã, principalmente católica romana (71%), e os 17% restantes são protestantes, principalmente evangélicos. Cerca de 8% dos venezuelanos dizem não seguir religião alguma, sendo 2% de ateus e 6% de agnósticos ou indiferentes. Quase 3% da população segue outra religião.

Os evangélicos venezuelanos dividem-se principalmente entre batistas e pentecostais. Enquanto os primeiros, juntamente com a Conferência Episcopal da Igreja Católica, se opõem a Maduro, os segundos têm apoiado o governo, ressaltou o The Intercept Brasil para ilustrar o interesse do ditador do país na aproximação com a Universal e outras igrejas mediante concessões.

Maduro segue Chávez, que buscou o apoio dos pentecostais para contrabalançar a influência das igrejas batista e católica. Em 2019, o chavismo criou o Movimento Cristão Evangélico pela Venezuela (Mocev), coordenado por Moisés Garcia, um pastor e deputado pelo partido de Maduro, o PSUV.

A Universal e o apoio a direita no Brasil

Trecho de texto publicado no site oficial da Igreja Universal do Reino de Deus diz que “um cristão de verdade não pode nem deve compactuar com ideias esquerdistas”. O conteúdo, de 23 de janeiro de 2022, visa deixar claro a posição da denominação religiosa brasileira para os seguidores sobre a política. Ele elenca "5 motivos que mostram que é impossível ser cristão e ser de esquerda". 

Naquele ano de eleição presidencial no Brasil, Edir Macedo e seus bispos usaram os microfones dos templos e os veículos da dominação brasileira para atacar o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pedir votos a Jair Bolsonaro (PL) – que já haviam apoiado em 2018; eleito, Bolsonaro foi abençoado por Edir Macedo perante 10 mil fiéis e o líder da Universal ganhou destaque em desfile de 7 de Setembro. Os pastores não pouparam críticas a regimes como os da China, Cuba e Venezuela.

Fonte: O Tempo via Folha Gospel

quinta-feira, 30 de março de 2023

Os evangélicos estão com Maduro?



 

É vergonhoso o que alguns chegaram fazer para receberem esmolas do governo, como o ofensivo "Bônus do Bom Pastor" para pastores, ou o prato de lentilhas chamado "Minha igreja bem equipada".



Meu respeitado e apreciado Fílos, agradeço a Deus por esta nova oportunidade de escrever-lhe, mesmo que às vezes os temas não sejam tão agradáveis nem edificantes.

Você tem toda razão, o que saiu do infeliz encontro entre Maduro e um grupo de ministros e líderes cristãos, no dia 19 de janeiro, se espalha e se estende; razão pela qual decidi responder à sua pergunta, e sei que é a pergunta de muitas, pessoas dentro e fora da Venezuela, sobre "se os evangélicos estão com Maduro".

Em primeiro lugar, deixe-me deixar claro que aqueles que se encontraram com Maduro e as reuniões subseqüentes realizadas por seu filho, Nicolás Ernesto, com líderes e organizações cristãs, representam um pequeno número de cristãos no país; e não têm o apoio majoritário de seus membresia, que guardam silêncio de desagrado, pois eles e suas famílias também são vítimas do salário de fome que recebem, além de sofrerem com o mau estado das escolas, hospitais e outras instituições públicas.

Em segundo lugar, caro Fílos, a realidade do povo evangélico não é muito diferente da do resto da população venezuelana. Refiro-me à rejeição esmagadora de Maduro e sua gestão abismal do povo venezuelano, que chega a 90%; quase na mesma proporção em que está a rejeição dos evangélicos em relação a um governo que não fez outra coisa senão pisoteá-los, empobrecê-los, roubá-los, desmembrar suas famílias - não se esqueça que uma vez eu lhe disse que a maioria dos filhos dos pastores deixaram a Venezuela -, e a lista dos males é longa.

Em terceiro lugar, desde que Maduro assumiu o governo, após roubar as eleições há 10 anos, uma das instituições nacionais que mais tem sofrido é principalmente a Igreja de Cristo.

Graças a Maduro, o trabalho missionário parou, bem como também pararam a construção de igrejas. Muitos dos filhos dos pastores tiveram que emigrar porque não puderam pagar as contas em casa, dezenas de estações de rádio cristãs foram injustamente fechadas - e até agora a promessa de reabri-las se revelou mais uma zombaria de Maduro -, o empobrecimento dos membros reduziu consideravelmente a renda das igrejas e muitas obras sociais foram interrompidas e ou reduzidas, etc.

Embora os ministros que cerraram fileiras com Maduro sejam uma pequena representação da totalidade da Igreja do Senhor, é vergonhoso o que eles chegaram a fazer para obterem a miserável esmola do governo, tanto o opróbrio "Bônus do Bom Pastor" para pastores, como o prato de lentilha chamado "Minha igreja bem equipada", que oferece a algumas congregações miserável ajuda em materiais de construção, cadeiras ou equipamentos; parece mais uma zombaria do que uma verdadeira ajuda.

E eu chamo isso de vergonhoso, irmão Fílos, porque para isso os obrigaram a preencher um censo onde entregaram os dados de sua membresia, pactuando tacitamente com Maduro e sua comitiva de gângsters.

Como ousaram barganhar a expensas da "noiva do Cordeiro", a Igreja que custou a Jesus seu sangue na cruz? Quem disse a esses pastores que o povo do Senhor lhes pertence para trocá-los por regalias manchadas pelas mãos corruptas e narcotraficantes de Nicolás Maduro? O Senhor deixou de prover o necessário para sustentar sua Igreja para que essas "nuvens sem água" possam se vender a este licitante comunista?

Imagine o quanto este concubinato entre alguns ministros cristãos e Maduro afetou a obra do Senhor na Venezuela; agora seu filho, que alguns chamam de "irmão em Cristo", o representa em toda atividade cristã massiva que ocorre em qualquer parte do país, desde as grandes cidades até as aldeias mais remotas; o que já está acontecendo desde o ano passado.

Um desses eventos de massa que permaneciam totalmente consagrados ao Senhor, como é o caso da "Marcha para Jesus" que foi celebrada massivamente a nível nacional, em 12 de outubro do ano passado, cometeu a torpeza de terem colocado "Nicolasito" no palco e lhe deram uma Bíblia, o que imediatamente desencadeou alarmes a nível nacional, especialmente quando há algumas semanas Maduro declarou seu apoio público - inclusive financeiro - para a realização da Marcha para Jesus em 2023, através da missão oficial "Coração Cristão". Não posso nem mesmo dizer-lhe, amado Fílos, as reações de repúdio que isto provocou.

O grave erro cometido pela Fundação Marcha por Jesus da Venezuela, que, a propósito, não é proprietária da Marcha, senão pertencente ao povo do Senhor em geral, tem sido como uma bola de neve descendo uma montanha, a ponto de muitos pastores e líderes já terem dito que, nem eles nem suas igrejas participarão se não houver um esclarecimento convincente do anúncio de Maduro. Se fosse eu, por vergonha dos cristãos e, para honrar o Senhor da Igreja, renunciaria à Diretoria da Fundação Marcha por Jesus, era o mínimo que eles poderiam fazer para evitar mais danos.

Todos esses novos mercadores do evangelho têm enganado Maduro, assegurando-lhe um apoio massivo, quando na realidade suas ovelhas não os acompanham em seus acordos e negociações com o regime.

A maioria dos cristãos venezuelanos não votarão em Maduro nas eleições de 2024, nem votarão em nenhum candidato Chavista caso ele morra devido à grave doença que sofre; já que os evangélicos não estão com Maduro, senão alguns que os pastoreiam, os tais darão contas ao Senhor pelo seu desvio de conduta.

Há muito mais a dizer sobre o assunto, caro Fílos, mas não quero te cansar com este deprimente assunto.

Saudações à sua amada esposa, aos seus filhos e à sua congregação, Maranatha!


Por Juan Bautista Guerra
na Coluna Epístola de Isacar
Site Evangélico Digital
Venezuela
Tradução Point Rhema




quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

“Bolsa-igreja”: Ditador da Venezuela divide evangélicos com projeto astuto; entenda



Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (camisa azul, centro) se encontra com os pastores evangélicos do MOCEV em 19 de janeiro de 2023, Dia oficial dos pastores evangélicos. / Foto via Evangélico Digital.


O Presidente da República da Venezuela , Nicolás Maduro, anunciou em 19 de janeiro um novo plano "Minha Igreja Bem Equipada", um uma espécie de bolsa-família para igrejas reformarem prédios de seus templos.

O anúncio foi feito em um encontro entre Maduro e um grupo de pastores evangélicos integrantes do Movimento Cristão Evangélico da Venezuela (MOCEV) durante o Dia oficial dos Pastores Cristãos Evangélicos , instituído em 2019 pelo governo.

O nome do grupo evangélico presente no encontro com o presidente pode indicar que representa todos os evangélicos venezuelanos. Mas não é assim, dizem os pastores do país, já que amplos setores evangélicos na Venezuela estão se distanciando ou se opõem claramente ao governo de Nicolás Maduro.

Licenças de radiodifusão e dinheiro para projetos sociais


Maduro disse aos pastores no evento que eles teriam espaços na televisão e no rádio venezuelanos .

Outras iniciativas apresentadas pelo chefe do regime venezuelano são um novo projeto de "Igreja Social" que deve servir de meio para os mais necessitados por meio de programas de alimentação em igrejas evangélicas.

Em determinado momento da reunião, vários pastores evangélicos impuseram as mãos sobre o presidente Maduro para abençoá-lo.

Conselho Evangélico diz que não

Entre os que não compareceram ao evento com o presidente Maduro estavam os membros do Conselho Evangélico da Venezuela (CEV), organização integrante da Aliança Evangélica Mundial.

Para evitar confusões, eles emitiram um comunicado esclarecendo que "a CEV não fez e não fará nenhum pedido de recursos administrados por órgãos governamentais para cobrir despesas com a construção de templos, organização de eventos religiosos ou aquisição de igrejas suprimentos, pois esta é responsabilidade dos membros da igreja e seus doadores, e assumimos que isso deve valer para qualquer outra instituição religiosa".

"Opomo-nos a que as atividades de culto sejam colocadas ao serviço da visibilidade de funcionários ou representantes públicos", acrescentou, sobretudo em "circunstâncias pré-eleitorais ou quaisquer outras que prejudiquem de alguma forma a boa fé do público".

A CEV vê uma "forte componente político-partidária nos anúncios feitos na quinta-feira, 19". "Somos coerentes com o princípio da separação entre Igreja e Estado e, nesse sentido, acreditamos que não devem ser disponibilizados fundos públicos para a promoção de determinados credos religiosos ou ideológicos".

"A politização da fé nunca será um símbolo de força"

"Os evangélicos não têm um líder supremo ou porta-voz oficial, pelo que ninguém pode falar por todos os evangélicos", disse a CEV, e "muito menos aqueles que vêm a ser impostos por entidades externas às próprias comunidades evangélicas".

"Uma fé politizada é desleal" e também "tola e desastrosa para a Igreja" , conclui o comunicado da CEV. "A politização da fé nunca será símbolo de força, mas de fraqueza. A alma evangélica não está à venda, já foi comprada por um preço infinito".

Com Evangelical Focus via JM Notícia

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Maioria é contra intervenção brasileira para derrubar Maduro - Saiba mais aqui



Pesquisa RealTime Big Data aponta que 67% da população não teme guerra contra o país vizinho e 46% aprova modo como Bolsonaro conduz a situação


A maioria dos brasileiros (61%) afirma ser contra uma intervenção militar brasileira na tentativa de derrubar Nicolás Maduro do comando da Venezuela, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (1º) pelo instituto RealTime Big Data.

O levantamento leva em conta a atual crise vivida pela Venezuela diante das manifestações convocadas pelo líder da oposição e presidente da Assembleia Legislativa, Juan Guaidó, na tentativa de tirar Maduro do poder do país vizinho.

Autoproclamado presidente interino do país, Guaidó afirmou na última terça-feira (30) ter o apoio das Forças Armadas e convocou a ida da população venezuelana às ruas.

Divulgação/RealTime Big Data
O estudo aponta ainda que 67% da população diz não ter medo de que o Brasil entre em uma guerra contra a Venezuela. Outros 28% manifestam temor pela possibilidade e 5% disseram não saber ou preferiram não opinar sobre a questão.

Divulgação/RealTime Big Data
De acordo com a pesquisa, a condução do presidente Jair Bolsonaro em relação à situação da Venezuela é aprovada por 46% dos brasileiros e desaprovada por 42%. Há ainda 12% dos entrevistados que não souberam o preferiram não responder à pergunta.

Encomendada pela Record TV, a pesquisa entrevistou 1.000 brasileiros nesta quarta-feira (1º), tem margem de erro de 4% e nível de confiança de 95%.

Fonte: R7

domingo, 10 de março de 2019

Após protestos, Maduro diz: “Aqui ninguém irá se render”

Presidente da Venezuela também voltou a dizer que apagões no país foram causados por ataques cibernéticos

Neste domingo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, utilizou suas redes sociais para comentar as manifestações ocorridas em Caracas, capital do país, neste sábado (9). Ontem, milhares de pessoas realizaram protestos contra e a favor de Maduro.
O povo revolucionário cheio de dignidade, nobreza e coragem encheu as ruas de Caracas para ratificar seu firme compromisso de lutar contra as agressões imperiais. Com amor e resistência, superaremos a interferência; Nosso único destino é a vitória. Aqui ninguém se rende – escreveu no Twitter.
Em outra publicação, Maduro também disse que deu ordens para “o início das ações necessárias para garantir a distribuição de produtos básicos através do #CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção), o fornecimento de água potável e os suprimentos necessários para a cidade e hospitais do país”.

Nos últimos dias, a Venezuela passou por um apagão que deixou grande parte do país sem luz. De acordo com a Agência France Press, pelo menos 17 pacientes com problemas renais que não conseguiram fazer hemodiálise morreram por causa da falta de energia. Maduro voltou a falar sobre o blecaute em suas redes sociais.
O sistema de eletricidade nacional tem sido objeto de múltiplos ataques cibernéticos que causaram sua queda e estão impedindo as tentativas de reconexão nacional. No entanto, estamos fazendo grandes esforços para, nas próximas horas, restaurar o fornecimento de forma estável e definitiva – explicou.
Fonte: Pleno News

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

“Vocês verão a libertação do Senhor”, diz Pence em mensagem aos venezuelanos


Mike Pence anunciou novas sanções aos aliados do regime de Nicolás Maduro em discurso na Colômbia.


O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (25) novas sanções aos aliados do regime de Nicolás Maduro e reforçou apoio financeiro ao seu oponente, Juan Guaidó, em um esforço para entregar ajuda humanitária à Venezuela.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, chegou em Bogotá, na Colômbia, para discutir a crise da Venezuela com o Grupo de Lima, composto por 14 nações latino-americanas, incluindo o Canadá, que se uniu para pressionar Maduro e buscar soluções para o país.

Em seu discurso, Pence reafirmou o compromisso do governo Trump com a liberdade no hemisfério Sul. "Venezuelanos que amam a liberdade: saibam que vocês não estão sozinhos. Vocês estão com o apoio e as orações do povo americano e das nações aqui reunidas", destacou.

"Enquanto vocês defendem a liberdade, vocês também estão indo junto com a graça do Autor da Liberdade, que disse: 'Coragem! Não tenham medo!' E vocês verão a libertação que o Senhor irá trazer. Onde o Espírito de Deus está, há liberdade", acrescentou.

Pence pediu aos parceiros regionais que congelem os ativos de petróleo controlados por Maduro, transfiram os lucros para Guaidó e restrinjam os vistos para o círculo interno do líder socialista.


Repetindo a frase do presidente Donald Trump, Pence disse que "todas as opções estão na mesa" — uma expressão adotada também por Guaidó, insinuando o uso da força militar.

Pence deixou ainda uma mensagem aos integrantes das Forças Armadas da Venezuela, que se mantêm fiéis ao regime de Maduro: "Vocês podem escolher aceitar a generosa oferta de anistia do presidente interino Guaidó, mas se vocês escolherem outro caminho, serão responsabilizados. Não vão encontrar nenhuma saída fácil, nenhuma escapatória. Vão perder tudo".

O vice negou que os EUA ou Guaidó adotem medidas com caráter de vingança. "O presidente Guaidó não busca a vingança, os Estados Unidos, também não. Se vocês [militares venezuelanos] assumirem a bandeira da democracia, o presidente Guaidó e os governo dos Estados Unidos vão acolher e garantir que serão liberados das sanções impostas."

Em mensagem direcionada à população, Pence afirmou: "Está chegando o dia em que o longo pesadelo da Venezuela irá acabar, e a Venezuela será livre. O seu povo verá o renascimento da liberdade".

Fonte: Guiame

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Nicolás Maduro se compara a Jesus Cristo


"Eu sou um trabalhador como Jesus Cristo, o Salvador, e sou um cristão devotado — do coração de um cristão ao nosso Deus", disse Nicolás Maduro neste domingo (3).
Referindo-se aos militares da Venezuela como "soldados da pátria mãe para garantir a unidade e soberania do país", Maduro citou William Shakespeare e afirmou que o futuro do País está em risco.
Segundo o Sputnik, Maduro indagou:
"Ser ou não ser, disse o grande Shakespeare. Ser ou não ser — esse é o dilema de hoje. Ser uma pátria ou ser colônia. Ser uma Venezuela ou ser nada. Ser um povo unido e umas forças armadas ou desintegração, ser um futuro ou um desaparecimento de um sonho de mais 200 anos de idade."
Nicolás Maduro alertou para as supostas tentativas internacionais de promover uma guerra civil em seu país, destacando que haverá "paz, e não intervenção militar".
Também neste domingo (3), o presidente norte-americano, Donald Trump, disse à CBS que uma intervenção militar dos Estados Unidos na atual crise política da Venezuela é “uma das opções”, conforme noticiou a RENOVA.
Fonte: RENOVA
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