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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Militares cristãos do Rio clamam por mudanças: ‘Só Deus pode curar o Brasil’



Militares cristãos que ofereceram tanto uma análise técnica da operação mais letal do Estado quanto uma reflexão espiritual.


Na última terça-feira (28), uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha levou o Rio de Janeiro a decretar estado de emergência. Após a reação da facção, que lançou bombas por meio de drones, o Rio se transformou em um cenário de guerra.

A Operação Contenção, que foi a mais letal da história do Estado, deixou 121 mortos, sendo 4 policiais (dois civis e dois militares do Bope).

As vias da cidade também sofreram um grande impacto, como a Avenida Brasil e a Linha Amarela. Escolas municipais e estaduais foram fechadas, unidades de saúde suspenderam o atendimento, igrejas cancelaram suas atividades e diversas linhas de ônibus tiveram seus trajetos desviados. 

Nas redes sociais, muitos chegaram a comparar as imagens das bombas com a guerra na Ucrânia e na Faixa de Gaza. 

Em meio à tensão que tomou conta do Rio de Janeiro, foram ouvidos militares da segurança pública que também compartilham da fé cristã, ressaltando a importância de unir fé e responsabilidade diante da crise.

Para um subtenente aposentado do BOPE, a operação foi "sangrenta, porém necessária". Ele avaliou que o cenário de violência é resultado de um "sistema corrompido e da falta de continuidade nas políticas públicas".

"É um momento de reflexão sobre o país que queremos deixar para nossos filhos. Isso exige fé em Deus, coragem e oração, mas também responsabilidade e ação", afirmou.

E continuou: "Homens são mais amantes de si mesmos do que de Deus e buscam associações para alcançar poder absoluto; com isso, pisam sobre a Constituição, sobre princípios e valores cristãos. Hoje não se vê o país com seus poderes Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando em harmonia; estão corrompidos".

"Hoje, talvez o remédio para o tratamento tenha que vir de fora. Porém, se o país se unir nas urnas, poderemos eleger novos políticos com capacidade de conter o avanço da corrupção nos poderes da União. É preciso, nós como cristãos, orar a Deus pelo nosso país", acrescentou.

Para outro subtenente da Polícia Militar, a megaoperação foi "extremamente necessária e positiva, uma vez que o Rio de Janeiro tem sido local de reuniões de traficantes de todo Brasil". 

"Positiva para que não haja um encorajamento dos novos jovens que pretendem entrar ou se deixam seduzir pelo crime", explicou ele.

Para o militar, a crise na segurança pública está ligada ao aparelhamento em todas as esferas do poder público. 

"No judiciário com vendas de sentença, e habeas corpus para criminosos. No legislativo, onde estão infiltrados para dar sustentação às ações criminosas através de influência e associação a outros órgãos do poder público. No executivo, que como administrador, não exerce o papel como deveria na área de segurança pública em prol do cidadão cumpridor das leis vigentes", disse ele.

No campo espiritual, ele destaca a importância da oração para resistir aos desafios e permanecer firme, citando a passagem bíblica de João 16:33: 

"'Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo. Jesus Cristo não aboliu a lei estabelecida. Como cristão devemos obedecer às autoridades constituídas e zelar pelo bem Espiritual e material do nosso próximo'".

Já um pastor, que atua como 3° sargento da Polícia Militar, declarou: "Com base no que disse o nosso Governador em Entrevista: 'A operação foi muito boa, apesar do ponto negativo de haver 04 dos nossos vindo a óbito'. Isso nos deixa muito tristes, apesar do resultado positivo".

E continuou: "Na minha visão, o cumprimento de promessas, a Bíblia está repleta de textos que falam da corrupção, Lucas 17 e Mateus 18. Temos as pedras do tropeço, que podem ser interpretadas como corrupção moral e espiritual. Creio que a corrupção, ligada ao 'ser amante de si mesmo', é algo tanto moral quanto espiritual, sendo o nosso maior problema".

 
Mais de 132 pessoas morreram na operação. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

Por fim, o pastor observou como acredita que a Igreja brasileira deve agir diante deste cenário:

"Orar seria a resposta mais comum, porém Jesus nos ensinou mais sobre comportamento do que sobre oração — isso deve nos dizer alguma coisa. Creio que a igreja precisa ser igreja: ser honesta sobre o dinheiro, desde a propina até a caneta não devolvida. A igreja não faz a diferença que poderia fazer porque a luz não brilha (Mt 5.16). O mundo precisa ver as boas obras; atos e ações devem falar por aqueles que representam. Vamos aos montes orar, participar de congressos de ativação espiritual em busca de algo extraordinário, mas isso deveria se refletir quando nos relacionamos com os outros — no ordinário do dia a dia. Não damos de comer, nem de beber, nem doamos agasalhos, nem visitamos presídios, etc. É necessário cuidar também dos elementos pessoais, e não apenas do coletivo".

"Precisamos ser igreja e dar lugar às ações ordinárias da vida, nas quais o Espírito Santo deseja nos conduzir", concluiu.

A megaoperação no Rio

Na manhã desta quarta-feira (29), a Praça da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, amanheceu com uma fila de corpos cobertos por lonas.

Segundo a CNN Brasil, mais de 60 corpos teriam sido retirados por moradores da área de mata do Complexo da Penha durante a madrugada.

No entanto, até o momento, os órgãos oficiais não confirmaram se esses corpos já estão incluídos no balanço final da operação.

 
Mesa com autoridades do Estado do Rio de Janeiro durante coletiva de imprensa sobre a Operação Contenção na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

A megaoperação foi uma ação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, que mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança, foi resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).

Conforme a Secretaria de Segurança Pública (SESP) e o Governo do Estado, a operação teve como principal objetivo conter a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes e líderes da facção.

Entre os alvos, 30 seriam criminosos vindos de outros estados — especialmente do Pará — que estariam escondidos nas comunidades alvo da ação.

Além das mortes registradas, a operação resultou na prisão de 81 pessoas, entre elas Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, apontado como operador financeiro do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha e braço direito do chefe da facção, Edgar Alves de Andrade, o "Doca" ou "Urso".

Os militares também apreenderam 93 fuzis, número que supera o total mensal de apreensões dessa arma em quase todos os meses do ano, aproximando-se de um recorde histórico.

Fonte: Guiame

quinta-feira, 11 de julho de 2024

“Narcomilícia evangélica”: teólogo diz que não dá para ser bandido e cristão



Gutierres Fernandes destaca que líderes e membros de comunidades evangélicas devem se posicionar e dizer com clareza que não há compatibilidade entre crime e fé



O jornalista e teólogo Gutierres Fernandes Siqueira, autor do livro "Quem tem medo dos evangélicos? Religião e democracia no Brasil de hoje", defende que líderes e membros de comunidades evangélicas devem se posicionar e afirmar com clareza que não existe compatibilidade entre crime e fé, pois não é possível ser cristão e ser bandido ao mesmo tempo, ou impor violência nas comunidades – inclusive a outros cultos religiosos – e se dizer servo do Senhor.

Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém, em São Paulo (SP), Gutierres Siqueira comenta que a ligação entre traficantes e religião é uma questão cultural da América Latina mas que, no Brasil, existe preconceito contra evangélicos, que são alvo de generalizações – o que contribui para o surgimento de termos como "narcomilícias evangélicas", dito recentemente pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista exclusiva a Comunhão, Gutierres Siqueira admitiu a relação entre alguns traficantes do Rio de Janeiro e igrejas evangélicas e apontou os perigos dessa situação. Confira a seguir.

Comunhão – As estimativas indicam que, daqui a alguns anos, os evangélicos serão maioria no país. Quais serão os principais reflexos disso para o Brasil?

É difícil falar como será exatamente o Brasil evangélico, ou de maioria evangélica, algo que deve começar a partir da década de 2030, mas eu apostaria que a tendência, depois disso, é um platô, é um crescimento baixíssimo ou até uma estagnação. E que a gente ficará com uma composição bem clara no Brasil, de pessoas sem religião – um número grande –, uma quantidade grande ainda de católicos e um grande número de evangélicos, sendo maioria. O Brasil vai continuar sendo um país de cultura católica, porque a formação dos últimos 500 anos foi católica. Isso não vai se desfazer de uma hora para outra. Esse processo levará muito tempo ainda. O Brasil evangélico tende, sim, a inserir alguns valores cristãos na sociedade, como já vem inserindo. Um exemplo disso é a visão empreendedora que os evangélicos têm e que até se reflete na economia. Apesar disso, a alma nacional não vai se tornar evangélica, pelo menos não ainda. Isso vai requerer um longo processo.

Hoje, na sua opinião, quais são as principais percepções errôneas em relação aos evangélicos?

Eu creio que o principal erro de percepção da elite cultural brasileira é ler os evangélicos apenas como um grupo político. Embora a política esteja permeando boa parte do discurso público dos evangélicos, o que move o crescimento da igreja evangélica, isso nas últimas décadas, é uma percepção de que ela oferece uma mensagem de conforto e apoio espiritual. As pessoas não estão indo à igreja por causa de política. Pelo contrário, a política pode até eventualmente afastá-las. As pessoas estão buscando o Evangelho como um meio de conforto que elas não encontram em outros lugares.

Por que ainda há tanto preconceito contra os evangélicos, mesmo em um cenário de grande ascensão?

O preconceito sempre nasce do desconhecido. A elite cultural brasileira ainda nutre preconceito contra os evangélicos porque no seu ciclo social não há muitos evangélicos. Eles não os conhecem. Os evangélicos não são parte do grupo de amigos, de parentes, de professores, de pessoas que frequentam os mesmos restaurantes que eles. São pessoas que não são do seu convívio social, só têm aquela relação burocrática. Não é uma relação de amizade, não é uma relação de integração. Por isso, eu posso falar que são dois mundos completamente diferentes, ainda que habitem lado a lado.

Deve-se a esse preconceito, na sua opinião, a questão levantada recentemente pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, sobre as narcomilícias evangélicas?

Eu acho que a fala do ministro Gilmar Mendes foi descuidada, generalizante. Ele colocou ali um problema bem localizado do Rio de Janeiro de uma forma que parece ser um problema maior do que ele desenhou. A narcomilícia, de fato, é um problema, e as igrejas deveriam protestar contra isso, mas não é um problema necessariamente religioso. É um problema da situação da segurança do Rio de Janeiro, em que diversos grupos vão se formando em torno da violência e vão buscando a sua própria identidade. É bom lembrar que, no Rio de Janeiro, há milícias e tráfico de drogas há muitos anos. São ligados a grupos como jogo de bicho, escolas de samba e outras organizações sociais. Então, não é um problema necessariamente religioso. É um problema da organização social da cidade do Rio de Janeiro.

Quais são os principais problemas em relação a essa nomenclatura/classificação? Por que é uma fala preconceituosa e injusta?

Eu tenho dificuldade com o termo narcomilícia evangélica, ou traficantes evangélicos, porque "traficante religioso" é algo muito cultural, é da cultura latina. Vemos na mídia traficantes mexicanos que veneram santos, traficantes colombianos que se dizem católicos fervorosos. A máfia italiana até ajudava a construir igrejas. Antigamente, no caso do Brasil mesmo, no Rio de Janeiro, a ligação maior dos traficantes era com o candomblé, com as religiões de matriz africana, onde eles iam buscar proteção, o "fechamento do corpo". Agora, eles estão buscando isso nas igrejas evangélicas, mas a ideia supersticiosa é exatamente a mesma. Então, isso é um problema, acima de tudo, cultural.

Quais os riscos dessa associação entre o tráfico e a religião evangélica no Rio de Janeiro? 

É claro que existem, sim, alguns traficantes que usam a linguagem evangélica, especialmente no Complexo de Israel, no Rio de Janeiro, o que é extremamente perigoso, porque usam, inclusive, o discurso de visões, sonhos, como o "escolhido de Deus" para uma determinada missão. Então, é claro que, embora isso não seja culpa diretamente dos evangélicos, o discurso evangélico, uma vez inserido em um contexto de poder e violência, é extremamente perigoso. E devemos ficar bastante atentos para que esse processo não saia, ou pelo menos não se expanda, além daquilo que já é, ou que já existe ali no Rio de Janeiro.

Como lideranças e instituições evangélicas devem responder à associação entre narcotráfico, milícias e fé?

Eu acho que a liderança evangélica, é claro, tem que se defender e mostrar que não é meramente um problema religioso a figura do "traficante evangélico", entre aspas, mas também não precisa ficar só na defensiva. É preciso reafirmar os valores do Evangelho na sociedade. É preciso afirmar, com muita clareza, que não existe compatibilidade entre crime e fé, que não existe modo de ser cristão e ser bandido, que não existe modo nenhum de impor violência, impor inclusive violência a outros cultos religiosos nas comunidades, e se dizer um servo do Senhor.

Qual é a principal mensagem que o senhor gostaria que os leitores levassem em relação ao tema narcotráfico e “milícias evangélicas”?

Sobre o tema da milícia evangélica, os leitores devem ter ciência de que o problema existe, ele é bem localizado, em um contexto do Rio de Janeiro, e que esse problema deve ser combatido junto com uma revolução na segurança pública do Estado. É inadmissível termos, ainda, bairros e comunidades inteiras sob o domínio de bandidos, sejam eles religiosos ou não, sejam eles ligados à escola de samba ou a milícias de policiais.

Como autoridades governamentais, lideranças religiosas e sociedade civil devem abordar essa questão?

A questão é que o Rio de Janeiro precisa urgentemente rever o seu papel de Estado e se fazer presente em todas as sociedades, em todas as comunidades. Enquanto isso não existir, veremos barbaridades e situações bizarras como essa, como aqueles que são bandidos, literalmente, mas que se identificam com outros grupos sociais.

Fonte: Comunhão via Folha Gospel

domingo, 7 de julho de 2024

Chefe de tráfico manda fechar igrejas católicas no Rio



Bandidos armados teriam ido até as paróquias comunicar a decisão do traficante.


Após uma ordem do chefão do tráfico de drogas do Complexo de Israel, Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, ao menos três igrejas católicas do Rio de Janeiro (RJ) suspenderam as atividades nesse sábado, 7.

Moradores relataram que bandidos armados foram até as paróquias comunicar a decisão do traficante. As informações são do jornal O Dia.

As paróquias Santa Edwiges, em Parada de Lucas, Nossa Senhora da Conceição e São Justino, e Santa Cecília, localizadas em Brás de Pina, publicaram comunicados em suas redes sociais sobre o cancelamentos de atividades.

A Paróquia Santa Cecília informou que todos os compromissos estariam temporariamente cancelados. Já a Santa Edwiges suspendeu uma festa julina que ocorreria neste fim de semana.

A Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São Justino pontuou que as missas, reuniões e demais atividades ficarão suspensas "até segunda ordem". Os motivo dos fechamentos não foram informados nas publicações.

Chefão do tráfico seria evangélico

O traficante Peixão é procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, suspeito de comandar a distribuição de drogas na região da Cidade Alta e Vigário Geral.

Segundo o portal G1, o traficante foi criado pela mãe, que é umbandista, mas atualmente é evangélico e tem promovido atos de intolerância religiosa nas regiões sob seu comando.

A informação acima é no mínimo controversa, uma vez que, em sendo o referido, um cristão evangélico verdadeiro, não condiz com a contraventora condição de "traficante" e nem a de praticar a "intolerância religiosa"

A Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) instaurou um inquérito para apurar se Peixão, chefe do tráfico de drogas do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, ordenou o fechamento das igrejas católicas.

No entanto, no início da tarde deste domingo (7/7), a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro enviou nota para o Portal Metrópoles afirmando que as paróquias Santa Edwiges e Santa Cecília estavam abertas e que a ação dos traficantes seria boato.


Com informações Portal Metrópoles via Folha Gospel

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Missionário confirma relato de Damares sobre tráfico de crianças: “Vi coisas terríveis”


A denúncia de crimes sexuais contra crianças foi confirmada por um missionário que atua no Amazonas.

Uma denúncia feita por Damares Alves, senadora eleita pelo Distrito Federal, tem provocado a reação da imprensa, de órgãos públicos e também de cristãos.

Em um culto na Igreja Assembleia de Deus Ministério Fama, em Goiânia, no sábado (8), Damares revelou que descobriu crimes horrendos contra crianças, quando estava à frente do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

“Quando abri as gavetas do ministério eu me apavorei. Estava sendo escondido de nós dados, como por exemplo, desaparecem no Brasil entre 9 e 11 mil crianças por ano. É espiritual, irmãos! Onde estão essas crianças?”, disse Damares.

A ex-ministra relatou que a Ilha do Marajó, no Pará, é foco principal da violência contra crianças e adolescentes. “Fomos para o Marajó, e lá nós descobrimos que nossas crianças estavam sendo traficadas por lá. Marajó faz fronteira com o mundo, Suriname, Guiana”, afirmou.

“Vou contar uma coisa para vocês, que agora eu posso falar. Nós temos imagens de nossas crianças brasileiras, de três, quatro anos, que quando cruzam as fronteiras sequestradas, os seus dentinhos são arrancados, para elas não morderem no sexo oral”, detalhou.

“Essa é a nação que ainda temos irmãos”, continuou. “Descobrimos que essas crianças comem comida pastosa para o intestino ficar livre na hora do sexo anal.”

O missionário Max Dacampo, diplomata humanitário internacional pela Jethro International, que realiza um trabalho com ribeirinhos, confirmou o relato da ex-ministra por meio de suas experiências no campo.

“Muitas pessoas vieram me perguntar sobre o vídeo da Damares, se aquilo era verdade. Eu estive na Turquia trabalhando com crianças refugiadas da guerra da Síria, eu vi e ouvi coisas terríveis, que nem vou falar aqui. Depois da Turquia eu fui para Brumadinho, depois do rompimento da barragem, onde fiquei três anos. Eu vi e ouvi histórias que nem podem passar pela cabeça de vocês.”

E revelou detalhes cruéis: “Eu vi e ouvi histórias sobre crianças do Amazonas terríveis. Histórias de crianças que fazem sexo oral por 5 reais.”

“Por que você nunca ouviu falar disso? Porque você não levanta a bunda da cadeira da sua igreja para saber o que está acontecendo lá fora”, disse Max. “O que mais me dói o coração é saber que tem muita gente que pode ajudar e fazer a diferença, mas não faz nada.”

A denúncia de Damares repercutiu pela imprensa pelo fato de ter sido apresentada “sem provas”. 

Nesta terça-feira (11), a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal do Pará (MPF), solicitou que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) informe todas as denúncias recebidas pela pasta, em trâmite ou não, nos últimos sete anos.

Em resposta, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) esclareceu que as declarações de Damares são fundamentadas em numerosos inquéritos instaurados para apurar fatos gravíssimos praticados contra crianças e adolescentes no país.

A nota diz que o programa Abrace o Marajó foi criado justamente como resposta à vulnerabilidade social, econômica e ambiental e que desde 2020 cerca de R$ 950 milhões foram investidos em iniciativas para o desenvolvimento econômico e social do arquipélago. 

“Esta pasta tem total ciência da gravidade do problema e age diuturnamente para combater essa e outras práticas criminosas”, afirma o MDH. 

Para o missionário Max Dacampo, o relato de Damares deve despertar a igreja para se unir e agir. “Sabe qual é o seu chamado? O que te causa indignação. Se isso não te causou indignação, se você não chorou vendo esse vídeo, você não ama ninguém”, disse ele. 

“Somos agentes de Cristo na terra, é nossa obrigação lutar contra as injustiças e ajustar o que está errado. Chegou a hora da gente se unir e apoiar os missionários que estão no campo, abandonados, trabalhando com as crianças”, finalizou.

Fonte: Guiame

quinta-feira, 31 de março de 2022

Traficantes de pessoas fingem ser pastores para raptar crianças na fronteira da Ucrânia


Redes de tráfico humano estão aproveitando o caos na fronteira para raptar mulheres e crianças.

Enquanto milhões de refugiados fogem da guerra na Ucrânia, redes de tráfico humano estão aproveitando o caos para raptar mulheres e crianças.

Natasha Boom, gerente da organização cristã "Orphan’s Promise" na Europa, relatou à CBN News que traficantes de pessoas fingiram ser pastores em uma tentativa de raptar crianças na fronteira da Polônia com a Ucrânia.

"Ouvimos relatos no terreno esta semana sobre traficantes fingindo ser pastores e aparecendo com micro-ônibus e ônibus", denunciou Natasha.

As artimanhas cruéis das redes de tráfico aumentam ainda mais a insegurança e o risco entre mulheres e crianças ucranianas que saem do país em busca de refúgio. Com um deslocamento em massa, as autoridades têm dificuldades em identificar os criminosos que aproveitam o caos para agir.

"Alguns dos guardas de fronteira disseram: 'Há traficantes aqui, mas como sabemos? Existem milhares de pessoas'", contou Natasha.

A trabalhadora humanitária pediu aos cristãos de todo o mundo que orem pela proteção dos refugiados e para que os golpes das redes criminais sejam descobertas e frustradas. "Esse é um dos meus maiores pedidos de oração, que esse mal possa ser exposto pelo que é, que as crianças sejam poupadas", disse.

A missionária da Orphan's Promise, que mantém uma equipe para ajudar os refugiados na fronteira, relatou que além dos ucranianos terem que lidar com o temor da guerra, também estão enfrentando o medo de serem traficados. Natasha deu o exemplo de uma mãe que amarrou suas filhas com uma corda para evitar que fossem sequestradas.

"Esta mãe tinha uma corda amarrada na cintura com quatro meninas enroladas, provavelmente com menos de cinco anos, porque há risco de traficantes e ela não queria dormir com seus filhos lá", afirmou.

"Os guardas de fronteira foram algumas das pessoas mais incríveis que conheci. Alguns deles não dormiram porque queriam ficar acordados para proteger as crianças".

Segunda Natasha, muitas crianças ficaram tão traumatizadas, que não conseguiam falar e outras gritavam. "Foi inacreditável. Tentei me preparar, mas não há nada que possa prepará-lo para ver tantas crianças tão traumatizadas. Em cerca de uma hora, vi milhares e milhares de crianças, bebês, muitas mães, e foi um caos puro", observou.

A ucraniana Buznitska, que decidiu permanecer no seu país para servir como trabalhadora humanitária, disse que, apesar da apreensão e incerteza, ela e os filhos continuam confiando em Deus.

"Nós apenas confiamos em Deus que Ele nos protegerá", declarou ela, testemunhando que a família já experimentou muitos milagres durante o conflito. "A presença de Deus está aqui. Algumas bombas [não explodem]. Depois desta guerra, vamos sentar juntos e passar muito tempo compartilhando muitos testemunhos incríveis. Quão grande é o nosso Deus".

Cristãos resgatando refugiados do tráfico humano

A missionária americana Yelena, que está servindo na Ucrânia durante a guerra, relatou ao ministério Intercessores pela América que os traficantes procuram mulheres e crianças que estão sozinhas e oferecem falsas caronas, a fim de sequestrá-las.

A equipe de Yelena presenciou um desses episódios e percebeu que se tratava de uma tentativa de tráfico. Os missionários conseguiram impedir o rapto e pelo menos cinco traficantes foram presos pelas autoridades.

Em outra ocasião, o ministério de Yelena salvou um grupo de 35 refugiados na Polônia. Os ucranianos haviam aceitado uma carona de ônibus para a Alemanha, porém há 30 minutos de chegar ao destino, uma das mulheres notou que o motorista havia mudado a rota.

O motorista, que na realidade era um traficante de pessoas, levou ela e o grupo para um antigo prédio abandonado, onde havia equipamentos de filmagem. A jovem ucraniana percebeu o que estava acontecendo e ligou para um dos missionários da equipe de Yelena, que havia dado seu contato quando a ajudou na fronteira da Ucrânia.

Então, o ministério avisou a polícia, que conseguiu localizar os traficantes e resgatar o grupo sequestrado.

Não é a primeira vez que cristãos na Ucrânia salvam refugiados de serem traficados. Anteriormente, uma matéria do Guiame relatou que o ministério evangelístico Awakening Europe também resgatou mulheres ucranianas que seriam traficadas.

De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM, na sigla em inglês), mulheres e crianças são os mais vulneráveis ao risco de tráfico humano e exploração sexual nas fronteiras da Ucrânia.

"Tal como todas as crianças que são retiradas das suas casas pela força da guerra ou de um conflito, as crianças ucranianas que chegam aos países vizinhos correm o risco de ficarem separadas das suas famílias, de sofrerem violência, exploração sexual e tráfico", alertou a UNICEF.

Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post via Folha Gospel

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