Fundador do PT defendeu reorganização da sigla para fazer frente à oposição
Em uma entrevista recente ao podcast Pod13, do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia, José Dirceu, um dos fundadores do PT e ex-ministro-chefe da Casa Civil entre 2003 e 2005, fez críticas contundentes às igrejas, especialmente às neopentecostais.
Dirceu destacou que houve uma transformação social e cultural significativa devido à ascensão das igrejas, o que ele chama na reportagem de "neopentecostalismo e do fundamentalismo religioso", assim como ao fortalecimento dos partidos de direita. Ele argumentou que a esquerda, incluindo o PT, recuou diante dessas mudanças, resultando em um cenário atualmente polarizado.
"Nesses anos, houve uma mudança social e cultural enorme pelo neopentecostal, do fundamentalismo religioso, devido à força dos partidos de direita. E nós recuamos, a esquerda como um todo", afirmou Dirceu.
O ex-ministro defendeu a necessidade de reorganização do PT como uma força política capaz de fazer frente à direita nesse cenário polarizado.
Contudo, José Dirceu não explicou que a própria polarização é provocada pelo PT e seus aliados de esquerda, que veem na divisão da sociedade um meio para se manterem relevantes.
Dirceu de fato está certo, pois as igrejas e os fieis têm sido mais vigilantes quanto ao assunto política, pois já não são massa de manobra da esquerda e nem da direita.
Em um momento em que o fechamento de templos voltou a ser uma pauta de debate, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF), o pastor Augustus Nicodemus Lopes, da Primeira Igreja Presbiteriana de Recife, lembra que o direito de culto é garantido pela Constituição.
O pastor e ex-chanceler da Universidade Mackenzie, de 66 anos, deu uma entrevista à Folha de S. Paulo, que foi publicada na terça-feira (6). Nela, ele abordou sobre lockdown, dízimo, política e a Teologia da Prosperidade, considerada por ele um falso ensino.
“Quando a gente briga para manter igreja aberta dentro das regras sanitárias, é pelo direito de culto garantido pela Constituição”, destacou o pastor, quando foi questionado sobre o fechamento de templos.
“A única maneira de revogá-lo é o estado de sítio, e só o presidente pode declarar um, o Congresso tem que aprovar. Do jeito que está não está bom, é uma coisa que está saindo da cabeça de governadores e prefeitos. Fechar de forma arbitrária é a Constituição sendo violada. O que vem depois?”, questionou.
Nicodemus também tem ressalvas a respeito da eficácia do lockdown como única medida para amenizar o impacto da pandemia.
“Minha igreja é de classe média. Quem tem sofrido muito é o pessoal de classes mais baixas”, explicou. “O lockdown fere muito o trabalhador, a diarista. O pessoal das classes média e alta não sentem tanto. Vão fazer como você e eu: home office.”
Ele sugeriu: “Lockdown's causaram o desastre na economia, não vejo como podem ser a cura dela. Talvez se tivéssemos usado desde o início lockdowns verticais e localizados, medidas sanitárias já comprovadas e educado a população para usá-las, quem sabe salvaríamos o mesmo número de pessoas sem destruir seus empregos e sanidade mental no processo”.
Bíblia e Dinheiro
O pastor, que recentemente lançou, pela editora Mundo Cristão, o livro “O Que a Bíblia Fala Sobre Dinheiro”, também abordou o tema do dízimo. Ele afirmou que, por conta dos excessos da Teologia da Prosperidade, a Igreja Presbiteriana acabou indo para o outro extremo, por causa do medo de falar sobre finanças — o que “também é errado”.
“A Bíblia fala mais de dinheiro do que de amor. Tem muita coisa sobre gestão financeira. Evangélicos dependem muitas vezes de recursos contadinhos para viver”, disse ele. “O dinheiro em si não é bom nem mau — depende da nossa atitude para com ele.”
“Não devemos fazer do dinheiro o deus da nossa vida. Jesus prega que a gente não viva ansioso com o que vai comer, beber, vestir. Deus cuida dos passarinhos, veste o lírio dos campos, não cai nenhum fio da nossa cabeça. Diz que os pagãos ficam ansiosos porque não têm um Pai. E é um alerta contra os mercadores da fé”, continuou.
Nicodemus também fez uma crítica a igrejas que querem manter o templo aberto não por preocupação cívica, mas “porque têm um sistema de arrecadação que depende do [culto] presencial”. “Para não serem estranguladas financeiramente, vão dizer o que for necessário para defender igrejas abertas”, observou.
Ele ainda usou as palavras do apóstolo Paulo, sobre os que “pensam que religião é uma forma de enriquecer”, para justificar o falso ensino sobre prosperidade. “Na Idade Média vendiam indulgências, relíquias, pedaços da cruz etc. Hoje, vendem objetos ungidos e oferecem bênçãos materiais em troca de ofertas e dízimos. Eles enriquecem, e os fiéis ficam pobres”, disse.
Por outro lado, o pastor também reforça o ensino correto sobre o dízimo: “Entendemos que contribuir faz parte da gratidão que prestamos a Deus. Sabemos que tem falsos profetas, mercenários, que utilizam da crendice do povo para arrancar até o último centavo. Mas não tem como igrejas sérias se manterem e ajudarem os pobres [sem as ofertas]. De onde vem esse dinheiro? O Estado é laico, a igreja não recebe nada do governo. Precisa de recursos para manter instalações funcionários, os pastores são assalariados.”
Ainda sobre o universo financeiro, Nicodemus também ponderou a respeito do chamado “coaching evangélico”. Em sua visão, os princípios desta filosofia são ótimos se aplicados no meio secular, mas não servem para o contexto da igreja.
“A Bíblia nos ensina a confiar em Deus, não viver ansiosos, não fazer da prosperidade a meta maior da vida. Fica difícil colocar isso dentro da equação do coaching”, comentou.
Maior igreja neopentecostal do Brasil, a Universal do Reino de Deus ganhou um concorrente que já foi apontado por Edir Macedo, o líder máximo da instituição, como o seu sucessor oficial.
O ex-bispo da igreja Romualdo Panceiro anunciou, em um vídeo nas redes sociais, a criação de sua própria denominação, a Igreja das Nações do Reino de Deus, de olho no público de seu antigo aliado.
O nome, quase idêntico, não é por acaso. Até deixar a igreja, há dois anos, Panceiro era o segundo na hierarquia da Universal. Apesar de não ser tão conhecido fora do mundo evangélico, é visto internamente como um líder com poder e prestígio suficientes para arrebanhar uma leva significativa de bispos, pastores e fiéis, além de ex-seguidores.
Ele é avaliado no momento num patamar acima de outros dissidentes da igreja, como, por exemplo, Valdemiro Santiago, da Mundial do Poder de Deus.
Cunhado de Edir Macedo e fundador da Universal, o missionário RR Soares, hoje à frente da Igreja Internacional da Graça, era o número dois quando saiu, em 1980, mas a instituição era pequena. Ainda dava os seus primeiros passos. A igreja de RR já tem 40 anos, e a de Valdemiro, 22 anos.
As maiores igrejas evangélicas brasileiras são a Assembleia de Deus (12,3 milhões de fiéis), a Igreja Batista (3,7 milhões) e a Congregação Cristã no Brasil (2,2 milhões). A Universal (1,87 milhão) é a quarta, e a maior entre as chamadas neopentecostais.
Essas igrejas surgiram na chamada "terceira onda" do pentecostalismo, no final dos anos 1970. Enfatizam a cura e o milagre e se identificam com a Teologia da Prosperidade, doutrina que considera a riqueza material uma benção de Deus.
A saída de Panceiro da Universal foi atribuída oficialmente a supostas "condutas inadequadas" do religioso. Mas o que pesou mais foi a desistência de Edir Macedo de alçá-lo ao posto de líder máximo da igreja no futuro.
Macedo passou a dar espaço e visibilidade ao bispo e genro Renato Cardoso, casado com a filha Cristiane, consolidado então como o herdeiro. O que estava em jogo era o império de Macedo – além da igreja, uma TV, banco e empresas – nas mãos da família ou de um terceiro. A ascensão de Cardoso desagradou profundamente Panceiro.
Na biografia O Bispo, escrita em parceria com o jornalista Douglas Tavolaro (ex-vice-presidente de jornalismo da TV Record e hoje CEO e sócio da CNN Brasil) e lançada em 2007 (Editora Larousse), Macedo apontou Panceiro como "o maior milagre da Igreja Universal". E foi taxativo: "Se eu morrer hoje, o Romualdo assume tudo. E tenho certeza de que os demais bispos irão respeitá-lo como me respeitam hoje. A Igreja Universal não é um trabalho pessoal, mas uma obra espiritual", garantiu.
Ex-responsável pela Universal no Brasil e em Portugal, Panceiro tem um histórico parecido com o de outros líderes da igreja. Ex-cortador de cana, foi viciado em drogas.
"Eu passava os finais de semana me drogando. Meu pai era louco. Eu não tinha o que comer. Não havia futuro para mim", contou o então aliado de Macedo, na obra O Bispo.
De mero frequentador da igreja, tornou-se evangelista, depois obreiro e pastor. Dirigiu uma igreja em Copacabana, no Rio. Chegou a bispo e acumulou poder na hierarquia.
Mas a relação entre ele e Macedo estremeceu. Houve um bate-boca entre os dois, em 2009, segundo ex-membros da igreja, na Califórnia, nos Estados Unidos. A igreja negou.
Após um acordo, foi decidida a permanência do então número dois no exterior. O rompimento definitivo ocorreu em 2018, quando Panceiro abandonou suas funções em Portugal, sem dar explicações sobre a saída.
Desde esse momento, havia expectativas sobre o futuro de Panceiro. Macedo temia que ele viesse a abrir a sua própria denominação, diziam ex-líderes da Universal. A nova igreja, enfim, será inaugurada em junho.
Panceiro deixa claro que o objetivo é atrair os fiéis de sua antiga casa. Além do nome parecido, o símbolo de sua igreja, segundo informações divulgadas nas redes sociais, será uma cruz com uma pomba branca, semelhante ao da Universal.
A sede da igreja – ainda em obras no momento -, será na avenida Celso Garcia, número 174, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, nas proximidades do monumental Templo de Salomão erguido por Edir Macedo.
Planos
Em um primeiro vídeo postado nas redes sociais, o bispo Panceiro disse que começará "do zero, do nada". Não há informações sobre quanto ele terá para custear o empreendimento, nem sobre eventuais investimentos em meios de comunicação para divulgar sua mensagem religiosa.
Desde que saiu da Universal, não deu entrevistas. Utilizou apenas o YouTube e o Instagram para enviar rápidas mensagens aos fiéis, sem esclarecer dúvidas sobre os seus próximos passos.
Agora, diz abrir o novo espaço para que as pessoas "através da fé, conheçam o poder de Deus e mude esta situação caótica em que estão vivendo".
Segundo ele, "não dá para ter ideia do número de pessoas sofridas que estão chorando, sem ter o que comer, largadas nas praças e desejando tirar a própria vida". Mas, "há uma saída", aponta.
Em um vídeo divulgado no YouTube, em 2018, Edir Macedo havia confirmado o desligamento de Panceiro da Universal e chamado o seu ex-aliado de Sambalá ? o personagem da Bíblia considerado traidor, que se opôs à obra de reconstrução do muro de Jerusalém.
Em outro momento, ele afirmou que o antigo amigo estava "no inferno". Em um culto no Rio de Janeiro, no ano passado, atacou novamente Panceiro e outro ex-bispo da igreja, João Leite. Disse que os dois eram "pastores apagados" e estavam "vivendo em pecado", "na rua da amargura".
Ao menos nove bispos deixaram a Igreja Universal nos últimos quatros anos. No ano passado, Rogério Formigoni, ex-apresentador do programa religioso "Nação dos 318" (ex-Congresso para o Sucesso), dirigido a empresários e transmitido pela TV Record, foi um dos afastados.
Outros bispos mais antigos e populares, com ascendência sobre os colegas e os pastores, foram deslocados estrategicamente para outros países. A ideia era deixar o terreno livre no Brasil para o crescimento do genro de Macedo, Renato Cardoso.
Ex-seguidores da Universal afirmam que vários bispos e pastores não aceitam a liderança de Cardoso, considerado por eles "inexperiente", alguém que "não ralou" e não teria contribuído para o crescimento da instituição.
Um outro ex-bispo da Universal, Alfredo Paulo, que também foi responsável pela Igreja em Portugal, disse, por meio de seus canais no YouTube e Telegram, ter dúvidas se Panceiro será realmente um concorrente de Macedo "e irá para a guerra" contra o antigo amigo.
No vídeo, o ex-bispo cogitou a possibilidade de Panceiro ter arquitetado um plano com Macedo e, assim, receber apoio para abrir a nova igreja. Segundo essa hipótese, acolheria fiéis descontentes com a Universal. Pareceriam rompidos, mas, na verdade, continuariam juntos.
Um evento organizado por uma igreja neopentecostal na Tanzânia resultou na morte de pelo menos 20 fiéis, que foram esmagados durante um tumulto ocorrido em um culto. Outras 16 pessoas foram feridas na tentativa de receber unção com óleo.
Os fiéis estavam no evento realizado no estádio municipal de Moshi, no começo da noite do último sábado, 01 de fevereiro. O incidente começou quando os organizadores convidaram os presentes para irem à frente do palco para serem ungidos com óleo.
A BBC informou que o comissário distrital de Moshi, Kippi Warioba, confirmou o relato sobre o momento em que a confusão se iniciou. A sucursal africana da emissora britânica relatou ainda que o presidente do país, John Magufuli, cobrou que as autoridades municipais exijam maior segurança em eventos desse porte.
Magufuli também enviou condolências aos familiares e amigos das vítimas do incidente. O principal responsável pelo evento, pastor Boniface Mwamposa – que se refere a si mesmo como "o apóstolo" – não se manifestou publicamente sobre a tragédia, mas a Polícia declarou tê-lo detido para colher depoimento.
Os sobreviventes disseram que o pastor Mwamposa incentivou as centenas de pessoas reunidas no evento a caminharem sobre uma área onde o "óleo abençoado" havia sido derramado no chão.
A multidão correu na direção da frente do palco para tentar pisar sobre o óleo na esperança de serem curados de doenças. Peter Kilewo, que compareceu ao culto, descreveu a cena como "horrível", destacando à agência de notícias AFP que as pessoas "foram pisoteadas sem piedade" e haviam fiéis "empurrando-se com cotovelos".
Kilewo descreveu a cena de pisoteamento da seguinte forma: "Era como se o pregador tivesse jogado pacotes de dólares".
Kippi Warioba afirmou que as autoridades estão investigando se mais vítimas foram levadas a outras clínicas, centros de saúde e hospitais: "O incidente ocorreu à noite e havia muitas pessoas, então existe a possibilidade de que mais vítimas possam surgir. Estamos avaliando a situação", disse à Reuters.
Comentar neste momento as questões que envolvem desvio doutrinário, idolatria, misticismo e falta de organização, não seria de bom alvitre, além de acrescentar dor a quem já está sofrendo, portanto oremos para que o Espírito Santo console os familiares dos que morreram, pela recuperação dos feridos, bem como pelos líderes que terão que responder diante das autoridades competentes pelos motivos que ocasionaram a tragédia.
Teólogo reformado pede que pastores se preparem para receber centenas de fieis pentecostais e neopentecostais que estão saindo de suas igrejas
O teólogo presbiteriano Reverendo Augustus Nicodemus Lopes publicou um post em seu perfil do twitter na tarde do último domingo (02) que gerou uma repercussão muito grande. A fala do pastor reformado foi sobre a saída de centenas de pentecostais e neopentecostais de suas igrejas para as igrejas de teologia reformada após estes conhecerem a teologia pregadas por estas últimas.
Nicodemus alerta os líderes reformados que se preparem para receber esses irmãos vindos do pentecostalismo e do neopentencostalismo, pois se preocupa com a possibilidade deles se decepcionarem caso não encontrem em seu destino uma comunidade preparada para lidar com seus anseios.
"Os reformados precisam se preparar para receber as centenas e centenas de irmãos pentecostais e neopentecostais que descobriram a fé reformada pela internet e estão vindo cheios de expectativa e esperança para as suas igrejas. Senão a desilusão deles será grande", escreveu Nicodemus.
O post do reverendo rapidamente gerou uma onda de comentários. Alguns de apoio ao seu alerta, outros de testemunhos desses membros que migraram das demais correntes teológicas para o reformismo e, por fim, de outros líderes e teólogos que não gostaram das palavras do líder presbiteriano.
Críticas
O pastor Robson Aguiar chamou de "prepotência" as palavras de Nicodemus. Para ele, ao assim se manifestar, o reverendo estaria fazendo "proselitismo calvinista."
"A decepção será grande. Essas pessoas saem do movimento pentecostal pensando em encontrar uma igreja perfeita, e não encontraram. E o motivo deles irem e por ouvir suas pregações, as do Hernandes e Héber Campos, mas nem todos os pastores possuem esse nível.", escreveu outro internauta.
Para outro fiel, o desejo do pastor deveria ser "que as igrejas pentecostais e neopentecostais que julga estarem em desacordo com a doutrina bíblica corrigissem seus erros, não que fossem esvaziadas."
Pentecostais comentam
Líderes pentecostais comentaram a fala de Nicodemus. O pastor e escritor José Gonçalves, teólogo, escritor assembleiano e Membro da Comissão de Apologética da CGADB, diz que o post traz "de forma subliminar a supremacia da teologia reformada e a 'problemática' da práxis pentecostal".
"Em que sentido os reformados precisam se “preparar” para receber pentecostais? Somente se enxergamos os pentecostais como um grupo inferior ao reformado ou ate mesmo subalterno. A imagem é de imigrantes, pessoas desorientadas, confusas e sem rumo em busca de asilo. Seriam os reformados, que se consideram o primeiro mundo da teologia protestante, o porto seguro dos pobres advindos do terceiro mundo, os pentecostais? Se este for o caso seria bom lembrar que a teologia protestante, da qual os reformados se acham os legítimos herdeiros e, por isso mesmo parecem querer patenteá-la, não é e nunca foi cem por cento pura. Nem mesmo cem por cento bíblica! Se há problemas dentro da comunidade pentecostal, da mesma forma dentro do arraial reformado", alertou Gonçalves. Confira o texto na íntegra (aqui)
Ele ainda mostra que mesmo com a polêmica provocada pelas palavras de Augustus Nicodemus, é necessário uma autocrítica pelos líderes pentecostais, pois tal "êxodo" não acontece por acaso.
"O texto demonstra consciência do arrefecimento da experiência pentecostal. Há um pentecostalismo sem pentecostes. Em muitos contextos pentecostais a experiência se sobrepõe a palavra de Deus e não apenas a teologia. A Bíblia é usada para justificar práticas bizarras. Muitos líderes são mestres em inventar modismos para prender os incautos."
Um alerta "profetizado"
O comentário de Augustus Nicodemus é o resultado de algo que já tem se notado nos últimos anos e preocupado alguns pastores de vertente pentecostal, pois realmente muitos fieis estão tomando conta da teologia reformada, principalmente pela internet, e com isso tendo um sentimento de que suas comunidades estão aquém no quesito da exposição e interpretação bíblica.
O teólogo assembleiano Gutierres Siqueiracomentou, ainda no início de novembro, sobre esse problema gerado por esse suposto "conhecimento" adquirido por estes fieis, o qual ele chamou de "novo gnosticismo".
"Fico incomodado quando vejo alguns jovens usando uma linguagem de conversão ao abraçarem a chamada Teologia Reformada. Alguns dizem: ‘Saí das trevas!' Outros dizem: 'Encontrei a luz!'. Ou ainda: 'Finalmente fui liberto!'": , alertou Siqueira.
Gutierres diz fez ainda outro alerta para estes que se dizem impactados ao tomarem conhecimento das doutrinas da graça ensinadas pela fé reformada.
Teólogo pentecostal Gutierres Siqueira alerta para “novo gnosticismo” provocado por alguns jovens que dizem que fé reformada ‘mudou suas vidas’. Foto: Reprodução
“É bem provável que esses jovens sejam hoje apenas pessoas que sabem explicar melhor a doutrina da justificação ou a doutrina da santificação, mas a salvação, vale destacar, não é um assentimento intelectual. Muitos ignorantes da doutrina da justificação serão justificados, outros conhecedores profundos dessa mesma doutrina nunca serão. Vamos tomar cuidado com esse novo gnosticismo que diz acreditar na suficiência de Cristo, mas no fundo se acredita justificado pela informação doutrinária que detém.", finalizou.
Os reformados precisam se preparar para receber as centenas e centenas de irmãos pentecostais e neopentecostais que descobriram a fé reformada pela internet e estão vindo cheios de expectativa e esperança para as suas igrejas. Senão a desilusão deles será grande.
Negócio milionário: CUT pode vender sede para Valdemiro por R$ 40 milhões
Em crise financeira, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) está negociando a venda de sua sede, no Brás, região central de São Paulo, para a Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo pastor Valdemiro Santiago.De acordo com a Folha a oferta é de R$ 40 milhões, sendo metade à vista e o restante em quatro parcelas.
A CUT não quis se manifestar sobre a negociação nem confirmar esses valores.
A Igreja Mundial do Poder de Deus funciona na mesma rua da CUT e já comprou propriedades ao redor da central, mantendo até mesmo dois restaurantes na região.
O prédio da CUT tem instalações modernas, como cabeamento de rede e sistema de refrigeração.
Essa é a segunda vez que a agremiação religiosa propõe a compra do edifício de sete andares com o intuito de instalar nele sua sede administrativa.
Um pastor neopentecostal vem acumulando riqueza e polêmicas no Malawi, república da África Ocidental. Afirmando ter poder para curar doenças infecciosas como o cancro, levitar e falar com anjos. Aos 35 anos, Shepherd Bushiri acumula uma fortuna avaliada em € 100 milhões, amealhada através de sessões privadas ao custo de € 300 cada.
A popularidade de Bushiri cresceu no Malawi e chamou atenção da imprensa internacional, que denunciou o estilo de vida nababesco do líder religioso, que alega ter sido visitado por Deus aos 10 anos de idade e atrai multidões por onde passa.
Em abril, Bushiri será um dos convidados de um evento religioso em Los Angeles, Califórnia (EUA), que está vendendo ingressos a US$ 620 (aproximadamente R$ 2050,00 na cotação desta sexta-feira, 23 de março). Segundo informações do portal português Correio da Manhã, o pastor se deslocará de seu país natal até os Estados Unidos em um dos três jatos particulares que possui.
O evento que receberá Shepherd Bushiri divulgou um cronograma anunciando que os fiéis "felizardos" que conseguirem ingressos "terão oportunidade de ver o africano a curar doentes de cancro, cegos, soropositivos e deficientes físicos, além de se comunicar com anjos que serão invocados pelo pastor durante a cerimonia religiosa e receber o dinheiro que ele fará aparecer milagrosamente".
Autodenominado "mensageiro de Deus", Shepherd Bushiri simplesmente ignora as acusações de fraude feitas a ele, dizendo que as polêmicas são suscitadas por "infiéis" impulsionados "por forças satânicas que os tornam racistas e impossibilitam de receber a mensagem de Deus nos seus corações".
Aos domingos, uma multidão de 40 mil pessoas se reúne para ouvi-lo discursar, e os relatos de quem foi ao local são de que todos ficam extasiados com os "milagres", e na comoção generalizada, fazem ofertas generosas e compram camisetas, calendários, pílulas curativas e óleos para unção.
O cenário de controvérsia em torno de Bushiri só aumenta quando se trata de sua vida pessoal: vive em uma cidade, ao lado dos dois filhos e da esposa, em um glamour comparável a redutos de milionários ao redor do mundo. No entanto, toda vizinhança vive em um nível próximo ao da miséria, e o pastor não demonstra se constranger.
Quando questionado, costuma responder que sua fortuna é fruto de seus negócios, que não devem ser confundidos com sua jornada religiosa.
Numa conferência apologética calvinista nos Estados Unidos na semana passada, Justin Peters declarou que "o islamismo não é uma ameaça espiritual à igreja." (A declaração dele, gravada em vídeo em inglês, está aqui:https://youtu.be/4bMs1_WW8gE)
Ele também defendeu diálogo ecumênico com líderes islâmicos.
A declaração dele chocou, porque ele é conhecido por atacar televangelistas neopentecostais, tachando o neopentecostalismo como uma ameaça espiritual à igreja.
Ele é totalmente hostil ao diálogo com televangelistas neopentecostais, porque ele acredita na teoria de que o Espírito Santo não concede hoje dons sobrenaturais como profecias, revelações, sonhos, etc. Na lógica dessa teoria, se não é Deus quem dá hoje esses dons, só pode ser o diabo. Então os televangelistas são meros indivíduos possessos.
Se os muçulmanos fossem igualmente possessos, Peters sem dúvida jamais defenderia "diálogo" com eles!
E se a iniciativa de pedir "diálogo" com líderes muçulmanos tivesse partido de um televangelista neopentecostal? Peters teria apoiado e aplaudido?
E se um televangelista neopentecostal tivesse declarado que "o islamismo não é uma ameaça espiritual à igreja"? Qual teria sido a reação dos apologetas calvinistas? Qual teria sido a reação de Peters?
Ainda mais sobrenatural é que Marilyn é mulher, pois as culturas islâmicas tratam as mulheres, na melhor das hipóteses, como seres humanos de segunda categoria, pouco melhores que animais de carga e prazer.
Mas muitos apologetas como Peters não veem o sobrenatural de Deus numa avó de 85 anos pregando para um milhão de muçulmanos. Eles veem apenas "heresias" pentecostais.
E se a vovó neopentecostal tivesse declarado que "o islamismo não é uma ameaça espiritual à igreja"?
E se em vez de pregar para um milhão de muçulmanos no poder do Espírito, a vovó neopentecostal tivesse proposto diálogo ecumênico com os líderes muçulmanos? Peters e os apologetas aplaudiriam ou condenariam?
O neopentecostalismo não é, como acredita Peters, uma ameaça espiritual à igreja. Mas certamente o islamismo é tal ameaça.
"As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus," disse Jesus. O caso dessa vovó é só um deles, mas Peters e seus colegas apologetas calvinistas vão continuar demonizando a vovó e o Espírito Santo que a usa, enquanto suas igrejas calvinistas europeias estão morrendo, e a igreja da vovó se enche de muçulmanos.
Justin Peters é conhecido nos EUA por participar de cruzadas do teólogo calvinista ultra-radical John MacArthur. O objetivo das cruzadas é apresentar o pentecostalismo como um movimento marcado por práticas demoníacas, principalmente com relação aos dons sobrenaturais. Para eles, não há dúvida: o pentecostalismo é do diabo.
Na visão de Peters, uma vovó de 85 anos não pode pregar para um milhão de muçulmanos, pois tal sobrenaturalidade é diabólica. Mas poderia, se tivesse forças humanas, pregar para esse um milhão de muçulmanos que o Espírito Santo não dá revelações hoje. Isso seria um grande desapontamento espiritual, pois muitos muçulmanos estão se convertendo a Jesus Cristo depois de terem sonhos sobrenaturais com Jesus.
Nem uma vovó neopentecostal nem muçulmanos que se convertem por meio de sonhos sobrenaturais têm lugar na teologia seca de Peters.
Com tal teologia, só lhe resta condenar o neopentecostalismo e defender "diálogo" com muçulmanos.
Todo rótulo generalizado traz suas implicações. Entre as igrejas tidas como "neopentecostais", não tenho dúvida que temos muitas bem ensinadas e equilibradas, com costumes diferentes das igrejas tradicionais e pentecostais clássicas, por esse motivo não vejo de bom alvitre qualquer ataque indiscriminado à grupos e ou igrejas, mas sim o contraponto, pontualmente falando, daquilo que é heresia e ou antibíblico.
Hà coisas que são heresias e devem serem combatidas biblicamente, ponto a ponto segundo a necessidade, mas já hà outras questões que são seus costumes, como fruto de igrejas que acabaram de nascer, mas o sucesso de tais igrejas influenciam as demais, e para essas, tais costumes não são benéficos, considerando sua tradição cultural e histórica.
Creio que entre pentecostais e reformados, no meu entender, mais complicado que a questão do Calvinismo & Arminianismo, está a questão do cessacionismo ou não, o que envolve a ação sobrenatural através dos dons do Espírito Santo na presente era.
O embate acima, bem como a generalização do que seria o pentecostalismo clássico ou o neopentecostalismo é que gera o radicalismo acima, algo nefasto para a Igreja do Senhor.
O mesmo remédio que cura, é o que mata, só depende da dose...