Mostrando postagens com marcador Igreja anglicana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Igreja anglicana. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Progressista, primeira mulher a chefiar a Igreja Anglicana causa novo cisma



No começo do mês, a bispa Sarah Mullally, de 63 anos, foi eleita a primeira mulher a ocupar o cargo de arcebispa da Cantuária (Canterbury). Isso significa que agora ela é a líder espiritual da Igreja Anglicana, presente em 165 países e com cerca de 95 milhões de fiéis.


O anúncio deve acentuar a divisão na Igreja Anglicana, que já passava por um processo de cisão interna. A liderança anglicana na Nigéria, por exemplo, declarou independência espiritual da Igreja da Inglaterra, rejeitando a nomeação da bispa Sarah Mullally como nova arcebispa de Cantuária. Segundo o comunicado, seu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e sua ascensão como primeira mulher a ocupar o cargo representam um preocupante declínio moral na liderança da Comunhão Anglicana.


A escolha não surpreende quem acompanha a guinada progressista da denominação, mesmo em pautas que contrariam os ensinamentos evangélicos. A própria postura de Mullally é controversa por si, independentemente de ser ela mulher.


Por exemplo: em janeiro deste ano, após uma votação pelo Parlamento Inglês colocar fim à punição por aborto para a mãe (em qualquer estágio da gestação), a então bispa de Londres se referiu às "mulheres que enfrentam gestações indesejadas" como quem se vê "diante de decisões difíceis" e que, por isso, "não deveriam ser processadas".


Em vez de defender as leis que preservam a vida do bebê em qualquer estágio de gestação, ela destacou que a emenda aprovada "coloca em risco as salvaguardas e a aplicação dos limites legais existentes".  Segundo Mullally, as mudanças na legislação relacionadas ao aborto não deveriam ser realizadas "por meio de uma emenda a outro projeto de lei", mas sim por meio de "consulta pública e um processo parlamentar robusto".


Já em relação à união de pessoas do mesmo sexo, em 2023 ela apoiou a aprovação de bênção para as uniões por parte da Igreja da Inglaterra, embora a Igreja ainda mantenha a proibição de realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Mullally descreveu essa decisão como "um momento de esperança" para a igreja. Ela também afirmou que a igreja deve refletir sobre sua tradição e escritura para oferecer uma resposta inclusiva.


Enfermeira, casada e mãe de dois filhos


Sarah Mullally é casada com Eamonn Mullally desde 1987. Ele atua como arquiteto de TI e empresário, e o casal tem dois filhos adultos, Liam e Grace. Em 2010, Mullally concedeu uma entrevista à Church Times, na qual fala em primeira pessoa sobre sua trajetória. Ao explicar a decisão de se tornar enfermeira em vez de médica, ela afirmou que buscava oferecer um "cuidado holístico".


Formada pelo Saint Thomas’s Hospital e graduada no South Bank Polytechnic, Mullally iniciou uma carreira típica na enfermagem, mas rapidamente avançou em posições de liderança. Em 1999, tornou-se enfermeira sênior do governo, assessorando o então primeiro-ministro Tony Blair, ministros e altos funcionários sobre políticas nacionais de saúde. Ao comentar essa conquista, ela lembra que gerou polêmica por ser jovem para o cargo, mas atribui seu sucesso às "mudanças implementadas pelo governo trabalhista".


Posteriormente, Mullally deixou o serviço público para seguir o sacerdócio. "A decisão de deixar o Departamento de Saúde para ser ordenada foi a maior da minha vida, dificultada pelos comentários negativos que recebi", declarou.


Disléxica e leitora de "A Cabana"

 

Embora afirme ser disléxica e que "as palavras parecem escapar das páginas" ao ler, Mullally recomendou livros na entrevista à Church Times. "Recentemente, reli O Elefante e a Pulga, de Charles Handy, sobre liderança: grandes organizações são lentas, poderosas e resistentes; pulgas são ágeis, vulneráveis e irritantes. Vejo-me mais como uma pulga agora", comentou na ocasião.


O livro, que ela leu pelo menos duas vezes, trata de economia e gestão sob uma abordagem sociológica e comportamental, explorando como indivíduos, pequenas empresas e grandes organizações interagem no contexto econômico moderno.


"Leio muita teologia, que fundamenta minhas ações, e me inspiro em livros de Desmond Tutu e em A Cabana, de William P. Young, que desafiam ideias preconcebidas sobre Deus e a Igreja", confessou Mullally.


Desmond Tutu (1931–2021), ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984, foi arcebispo anglicano sul-africano e ativista dos direitos humanos, conhecido mundialmente por sua luta contra o apartheid. Ele também foi um dos primeiros líderes religiosos anglicanos a apoiar abertamente a pauta LGBT, incluindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo.


Já A Cabana é um romance espiritualista que mistura cristianismo e ficção, no qual o personagem principal dialoga com Deus Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo, todos apresentados em formas humanas. Deus Pai, por exemplo, é retratado como uma mulher negra no livro.


Outra pauta de esquerda em discussão na Igreja Anglicana é o uso de linguagem neutra para se referir a Deus. Desde 2023 espera-se uma definição da comissão formada para explorar os termos de gênero usados para se referir a Deus em sua liturgia autorizada. Apesar das mudanças provocarem divisões internas e críticas dos que defendem a preservação da tradição teológica, Mullally ainda não se pronunciou a respeito.


O cisma na Igreja Anglicana


O cisma que divide a Comunhão Anglicana vem se intensificando ao longo das últimas duas décadas. Como consequência, os anglicanos se fragmentaram em blocos teológicos e geográficos. Esses blocos, por sua vez, praticamente não reconhecem mais a autoridade do arcebispo da Cantuária, o que transforma a unidade institucional em algo quase simbólico.


O ponto de ruptura moderno remonta a 2003, quando a Igreja Episcopal dos EUA consagrou Gene Robinson, bispo assumidamente homossexual, provocando reação de províncias conservadoras na África, Ásia e América Latina. Como resposta, surgiu o movimento GAFCON (Global Anglican Future Conference), que busca manter a fidelidade à doutrina bíblica tradicional sobre sexualidade, casamento e autoridade das Escrituras.


Atualmente, a Comunhão Anglicana se organiza como uma federação informal de províncias autônomas, dividida entre o eixo liberal do Norte Global e o eixo mais conservador do Sul Global. Muitas dioceses africanas e latino-americanas, a exemplo da Nigéria, Uganda, Quênia e Ruanda, que se reorganizaram em novas jurisdições, no chamado "Realinhamento Anglicano", originando denominações como a Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA) e a Igreja Anglicana no Brasil (IAB).


"Papisa" não é o termo correto


Em quase cinco séculos de história, esta é a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo máximo da Igreja da Inglaterra. Desde o anúncio, parte da imprensa passou a chamá-la de "papisa", em referência à posição central do arcebispo da Cantuária dentro da Comunhão Anglicana. O termo, porém, é impreciso e não corresponde à estrutura teológica nem à organização institucional do anglicanismo.


Na Igreja Católica, o papa é o chefe supremo e visível de toda a Igreja, considerado sucessor de São Pedro e dotado de autoridade universal quando se pronuncia ex cathedra — ou seja, oficialmente — sobre questões de fé, moral e disciplina. Somado a disso, o papa exerce poder direto sobre bispos e dioceses, define doutrinas, nomeia cardeais e governa a Igreja de forma centralizada, a partir do Vaticano.


No caso da Igreja da Inglaterra, a lógica é completamente diferente. O arcebispo da Cantuária é o primaz da província inglesa e o líder espiritual simbólico da Comunhão Anglicana. Sua função é descrita como a de primeiro entre iguais (primus inter pares), expressão que indica primazia de honra, e não de autoridade. As províncias anglicanas, espalhadas pelo mundo, são autônomas em doutrina, disciplina e liturgia, e não estão subordinadas ao arcebispo da Cantuária.


Além disso, o cargo é de natureza institucional, não soberana. A escolha do arcebispo envolve um processo de consulta entre bispos e leigos e depende da aprovação formal do monarca britânico, que detém o título simbólico de "governador supremo" da Igreja da Inglaterra. Mullally, portanto, não recebeu autoridade universal sobre o anglicanismo.


A primeira mulher ordenada


Na Bíblia, há a referência a uma carta de São Paulo aos Coríntios em que o apóstolo escreve: As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas devem estar submissas, como também ordena a lei (1 Coríntios 14,34). Apesar dessa proibição expressa, a ordenação de mulheres na Igreja Anglicana teve início em 1944, quando um bispo de Hong Kong ordenou Florence Li Tim-Oi.


A carência de sacerdotes durante a Segunda Guerra Mundial levou à polêmica ordenação feminina. A reação contrária de líderes anglicanos fez com que ela renunciasse dois anos depois, em 1946. Com o tempo, no entanto, o gesto pioneiro acabou se consolidando: os Estados Unidos reconheceram oficialmente o sacerdócio feminino em 1976, seguidos pela Inglaterra em 1994. Já a consagração de bispas foi permitida apenas em 2015. Entre as beneficiadas está Sarah Mullally, ordenada em 2002 e nomeada bispa de Londres em 2018.


História da Igreja Anglicana


A Igreja na Inglaterra manteve-se unida a Roma durante seus primeiros séculos, mesmo com o isolamento geográfico e as dificuldades de comunicação. A evangelização dos anglos começou com a missão de Santo Agostinho de Cantuária, enviada por São Gregório Magno, que fundou a sé episcopal de Cantuária e consolidou o cristianismo na região. Desde cedo, porém, os reis ingleses tentaram submeter a Igreja ao poder real, o que gerou conflitos e martírios, como os de São Tomás Becket e Santo Anselmo, que defenderam a autonomia e os direitos do Papa frente ao absolutismo monárquico.


Com o enfraquecimento da autoridade papal a partir do século XIV e o crescimento das tensões políticas na Europa, a Inglaterra tornou-se terreno fértil para o cisma. O rompimento definitivo com Roma ocorreu no século XVI, sob o reinado de Henrique VIII. Desejando anular seu casamento com Catarina de Aragão, o rei teve seu pedido negado pelo Papa. Em represália, declarou-se "Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra", fundando uma nova religião nacional — o anglicanismo. O monarca ordenou a execução de opositores como São Tomás Morus e São João Fisher, e iniciou uma violenta perseguição contra os católicos fiéis a Roma.


A filha de Henrique, Maria Tudor, restabeleceu temporariamente a união com a Igreja Católica, mas sua morte levou ao trono sua meia-irmã Isabel I, filha de Ana Bolena. Protestante convicta, Isabel consolidou o cisma, restabeleceu o anglicanismo e perseguiu duramente os católicos, incluindo sua prima Maria Stuart, executada por ordem da rainha. Sob seu governo, a Inglaterra se tornou oficialmente protestante, rompendo de vez com Roma.


Fonte: Gazeta do Povo

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Arcebispo anglicano diz que “Pai Nosso” pode ser “problemático” por ser patriarcal



“O arcebispo de Iorque está dizendo que Jesus estava errado?", atacou um cônego tradicionalista.


O arcebispo anglicano de Iorque, no Reino Unido, considera que as palavras iniciais do Pai Nosso — a mais conhecida das orações cristãs — podem ser "problemáticas" por terem uma conotação patriarcal, noticia o jornal britânico The Guardian.

Retirada dos textos dos evangelhos segundo São Mateus e São Lucas, o Pai Nosso é desde as origens do Cristianismo a mais clássica oração cristã, recitada por praticamente todas as denominações, incluindo católicos, protestantes e ortodoxos.

Dentro do Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra, o órgão máximo daquela denominação no epicentro da Comunhão Anglicana (com origem na Reforma Anglicana, no século XVI, contexto da Reforma Protestante, no continente europeu), dividem-se as opiniões sobre a adequação da expressão patriarcal aos tempos modernos.

"Eu sei que a palavra 'pai' é problemática para aqueles cuja experiência de pais terrenos é destrutiva e abusiva, e para todos que têm enfrentado um controle opressivo e patriarcal na vida", disse recentemente o arcebispo de Iorque, Stephen Cottrell, durante uma reunião do Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra.

A Igreja de Inglaterra — que admite mulheres como presbíteras e, mais recentemente, bispas — tem sido palco de profundos debates, bastante divisivos, em torno de vários tópicos fraturantes no contexto do Cristianismo. Em fevereiro, o Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra aprovou a bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo e, de modo especialmente controverso, ponderou passar a usar pronomes neutros para se referir a Deus.

Apoio e críticas ao bispo

Christina Rees, uma presbítera que esteve envolvida na campanha pelo direito à ordenação episcopal das mulheres, defendeu a posição do arcebispo de Iorque, sublinhando que o prelado "pôs o dedo num assunto que é realmente um assunto vivo para os cristãos e tem sido desde há muitos anos".

"A grande questão é: acreditamos realmente que Deus acredita que os seres humanos masculinos testemunham a sua imagem de modo mais completo e rigoroso do que as mulheres? A resposta é que decididamente não", salientou Christina Rees.

Segundo o jornal The Guardian, o discurso do arcebispo Cottrell causou fortes divisões na assembleia. O conservador Chris Sugden, cónego que lidera a ala mais tradicionalista, questionou: "O arcebispo de Iorque está dizendo que Jesus estava errado? Ou que Jesus não tinha consciência pastoral? Parece emblemático da abordagem de alguns líderes eclesiásticos buscar inspiração na cultura em vez da escritura."


Fonte: Observador via Folha Gospel

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Resistência ao casamento gay - Anglicanos conservadores discutem saída da Igreja inglesa




O encontro de conservadores do Gafcon em Ruanda atrai 1.300 de 53 nações à medida que a irmandade anglicana do Sul Global se aproxima da fusão



Mil e trezentos anglicanos conservadores de 53 países receberão uma mensagem central, sob o tema: "A Comunhão Anglicana 'revivida, renovada e reordenada’", nesta quinta-feira (20). Eles se reuniram esta semana em Kigali, Ruanda para discutir a questão  "a quem devemos ir?".


A declaração final da 4ª Global Anglican Futures Conference (Gafcon) delineará uma resposta extremamente crítica da maioria conservadora da Comunhão Anglicana aos recentes movimentos dos bispos da Igreja inglesa para adotar orações para abençoar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.


Foley Beach, presidente do conselho de primatas da Gafcon, rede que acolheu a Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA) na família anglicana, pediu que as províncias liberais da Comunhão Anglicana se arrependessem.


O arcebispo Stephen Samuel Kaziimba Mugalu, líder da Igreja de Uganda de oito milhões de pessoas, disse que eles ficaram desapontados porque aqueles que trouxeram o evangelho para eles estavam se afastando. "Portanto, pedimos ao arcebispo Justin que se arrependa, e eles devem reverter sua decisão, que está destruindo a Comunhão Anglicana", declarou.


O bispo Keith Sinclair, da Inglaterra, terminou seu discurso plenário matinal em lágrimas. Ele detalhou o hábito da Igreja da Inglaterra de fazer declarações contraditórias. "Em vez de enfrentar esse desacordo fundamental e as implicações para companheirismo, missão, disciplina e assim por diante", disse ele, "as diferenças são simplesmente descritas como se ambos fossem possíveis em alguma esperança de que possamos nos manter juntos em uma instituição que tem alguma história compartilhada, mas nenhuma mente comum."


Este foi um discurso de um homem que se apegava à esperança de que os evangélicos pudessem manter um lugar na Igreja da Inglaterra. No entanto, ele expressou sentimento de tristeza, pois "a igreja que Deus usou para levar o evangelho a tantas partes do mundo por causa de sua fé naquela revelação bíblica agora parecia ter sucumbido ao próprio cativeiro cultural que apelou a tantos para renunciar".


Ruanda está sediando o Gafcon desta semana. Muitos membros da Gafcon têm um histórico de boicote às reuniões da Comunhão Anglicana em Kigali, e o grupo assumiu uma postura militante contra o movimento liberal na comunhão.


O evento conta com a participação do bispo aposentado de Cingapura, Rennis Ponniah, secretário-geral da Global South Fellowship of Anglican Churches (GSFA).


Até o momento, a GSFA manteve relações com províncias liberais como os Estados Unidos e o Canadá, servindo ao lado delas em órgãos de comunhão.


Com informações: Christianity Today (20.04.23) via CPAD News

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Igreja da Inglaterra considera usar gênero neutro em referências a Deus



A Igreja da Inglaterra, matriz da Comunidade Anglicana, anunciou que quer explorar o uso de palavras alternativas para descrever Deus, depois que alguns clérigos pediram para usar uma linguagem mais inclusiva nos cultos.

O domínio do gênero masculino para se referir a Deus é um tema que vem sendo discutido cada vez mais. A teóloga feminista Mary Daly escreveu: “Se Deus é homem, o homem é deus”.

Em outras palavras, falar sobre o Deus cristão em termos exclusivamente masculinos privilegia os homens na sociedade e sustenta o domínio masculino.

De acordo com um porta-voz da igreja, Deus não tem gênero para a doutrina cristã oficial. No entanto, “Ele” é descrito quase exclusivamente em termos masculinos. E como a Igreja continua a lutar com questões de igualdade de gênero, o projeto provavelmente tende a se estender.

Críticos veem a discussão como uma tentativa de desfazer a longa tradição cristã de chamar Deus de “Ele” e “Pai”. Mas a linguagem e as imagens femininas sempre fizeram parte da história da Igreja.

Hildegard de Bingen, uma respeitada abadessa (madre-superiora) da Idade Média imaginou e retratou o lado feminino de Deus em sua arte e em seus trabalhos escritos. E nos anos 1300, a mística Juliana de Norwich falou sobre o lado materno de Deus.

Estudiosas feministas modernas, como Mary Daly e Joan Engelsman, argumentavam que a ideia de Deus em forma feminina foi estrategicamente eliminada da história cristã.

Segundo relatos, o projeto da Igreja é explorar o uso da linguagem neutra para fazer referência a Deus. Usar a palavra “Parent”, ao invés de “Father” (pai), é uma das opções avaliadas - em inglês, a expressão é usada em alusão aos genitores de um indivíduo, sejam eles homens ou mulheres.

Mas há outras propostas recentes para usar pronomes femininos, como “She” ( "Ela” em português).

Quando Libby Lane foi nomeada a primeira bispa mulher da Igreja da Inglaterra em 2014, ela argumentou a favor da aceitação do uso de pronomes femininos para se referir a Deus.

Ao mesmo tempo, o presidente do Mulheres e a Igreja, um grupo que defende a igualdade de gênero na Inglaterra, afirmou que a introdução de bispas teria impacto na vida das mulheres na Igreja “somente se Deus for tanto ela quanto é ele – porque este é um aspecto muito formativo da vida da nossa Igreja e um verdadeiro bastião do sexismo”.

Rachel Treweek, consagrada bispa em 2015, juntou-se ao debate defendendo a eliminação de todos os pronomes de gênero para Deus.

Um ‘Deus’ sem gênero?

Em pesquisa com mulheres que fazem parte do clero, identifiquei indícios de que algumas delas podem não se sentir confortáveis com o fim da linguagem masculina tradicional.

Uma vigária chegou a afirmar que “o inferno explodiu” quando, durante uma sessão de estudos bíblicos, alguém sugeriu que a oração do Pai Nosso começasse com as palavras “Mãe Nossa”.

O uso da expressão “Parent” também preocupa o reverendo Ian Paul, teólogo associado à Igreja São Nicolau, em Nottingham, Londres. Segundo ele, as palavras “Father” e “Parent” não são intercambiáveis e têm significados diferentes.

A maneira como as palavras transmitem um gênero é, obviamente, parte do problema. A teóloga feminista Rosemary Radford Ruether argumenta que mesmo palavras que parecem neutras não são, pois “Deus” evoca imagens masculinas.

Para complicar ainda mais, palavras masculinas são às vezes forçadas a representar tanto o gênero masculino quanto o feminino.

Uma sacerdotisa, por exemplo, disse que vê “Father”, ou “Pai”, como a única forma de descrever Deus. Mas “pode ser que as ideias sobre a paternidade precisem mudar”, afirmou.

Outra entrevistada disse que vê o termo “Father” como masculino e feminino.

Essas complicações em torno da linguagem e do gênero sugerem que um projeto para usar linguagem neutra precisará refletir profundamente sobre o que significa e constitui o gênero “neutro”.

GETTY IMAGES

Legenda da foto,

O uso da linguagem neutra pode abrir as portas para outras mudanças mais progressistas na Igreja?

Explorando outros nomes para Deus

Embora minha pesquisa sugira que há um apego a palavras como “Pai” entre algumas mulheres do clero, várias entrevistadas me disseram que tentaram evitar usar qualquer linguagem que identifique o gênero para falar de Deus.

Alguns sugeriram o uso de “Goldself” para substituir os pronomes masculinos.

“Quando ouvi 'Godself' sendo usado, gostei bastante. Essa é uma sugestão. [Mas] dentro das paróquias acho que chamaria a atenção quando não necessariamente é nisso que queremos nos concentrar”, afirmou uma mulher.

Há ainda uma sensação de que algumas congregações podem não estar dispostas a adotar a mudança linguística, mesmo que haja o desejo entre o clero.

A discussão sobre o uso de linguagem neutra para descrever Deus é, no mínimo, um reconhecimento de que o domínio da linguagem masculina é um problema.

Muitos gostam da possibilidade de frequentar a Igreja sem ouvir as constantes referências a “Ele” e “Pai”, visto que Deus deve estar além do gênero.

Uma reforma da linguagem patriarcal pode abrir as portas para enfrentar outras injustiças sociais. Talvez estejamos testemunhando o começo de uma mudança radical na Igreja.

Mas nesse momento, a luta pela inclusão na Igreja está em frangalhos. Há problemas de racismo institucional, desigualdade de gênero no sacerdócio e, mesmo após anos de discussão, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não é reconhecido.

Dado o histórico da instituição, qualquer mudança radical resultante desse projeto seria um milagre.

* Sharon Jagger é professora de Religião da Universidade York St. John

Fonte: BBC

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Líder anglicano expressa preocupação com os cristãos na Terra Santa


arcebispo de Canterbury, Justin Welby, falou sobre sua preocupação com os cristãos na Terra Santa, depois que os líderes da igreja local alertaram sobre um aumento nos ataques ao clero e aos locais sagrados.

O alerta veio, na semana passada, dos patriarcas e líderes das igrejas locais em Jerusalém, que descreveram "uma tentativa sistemática" de grupos radicais marginais de expulsar o cristianismo da Terra Santa.

"Desde 2012, tem havido incontáveis ​​incidentes de agressões físicas e verbais contra padres e outros clérigos, ataques a igrejas cristãs, com locais sagrados regularmente vandalizados e profanados e intimidação contínua de cristãos locais que simplesmente procuram adorar livremente e viver suas vidas diárias", disseram em um comunicado conjunto.

Escrevendo no Sunday Times com o arcebispo anglicano em Jerusalém, Hosam Naoum, o arcebispo Justin Welby disse que os cristãos na Terra Santa eram "muitas vezes obscurecidos e até esquecidos sob as percepções concorrentes da geopolítica do Oriente Médio".

Sua situação, escreveram os arcebispos, está sendo agravada pela "tragédia histórica" ​​da presença cada vez menor de cristãos na Terra Santa, que viu sua parcela da população cair de 10% há um século para menos de 2% agora.

Os arcebispos disseram: "Os cristãos em Israel desfrutam de liberdades democráticas e religiosas que são um farol na região. Mas a escalada do abuso físico e verbal do clero cristão e o vandalismo de locais sagrados por grupos radicais marginais são uma tentativa concertada de intimidar e expulsá-los."

Eles disseram que uma ação é necessária para interromper o "fluxo constante" de cristãos palestinos que deixam a Terra Santa em busca de meios de subsistência em outro lugar.

Juntos, eles conclamaram os governos locais e as autoridades a se envolverem em coberturas práticas com os cristãos da região para salvaguardar a cultura e o patrimônio cristão.

"Durante o período do Advento, é tentador ser seduzido por visões aconchegantes da história do Natal – estrelas cintilantes, visitantes exóticos, o nascimento indolor de um bebê que não chora. A realidade teria sido muito diferente: esta é uma história de O abraço de Deus à humanidade em toda a sua bagunça", concluíram.

"O primeiro Natal nos fala de Deus entrando em nosso mundo entre vidas comuns de luta humana. Ele põe em primeiro plano uma família de refugiados, em um cenário de genocídio de crianças. Não há muito sobre canções de ninar e animais de fazenda fofinhos".

"Então vamos cair na real neste Natal. Quando cantarmos 'O Little Town of Bethlehem' ou 'Once in Royal David’s City', vamos ouvir a voz da igreja da Terra Santa – e agradecê-los por seu presente para todos nós. Oremos por seu florescimento e por seu futuro: um futuro entrelaçado com a prosperidade futura e o bem comum de todas as comunidades."

Folha Gospel com informações de The Christian Today

sexta-feira, 22 de junho de 2018

“Igrejas que apoiam casamento gay precisam se arrepender”, afirma evangelista britânico

Líder acredita que o discurso politicamente correto está se tornando uma espécie de "idolatria"

Durante a conferência do GAFCON em Jerusalém, o evangelista britânico Rico Tice deu um testemunho de grande impacto. Ex-membro de uma equipe que preparava uma grande campanha de evangelização no Reino Unido, sua opção foi se desligar quando soube que não poderia falar contra a homossexualidade.
Ordenado pela igreja anglicana, a maior do seu país, ele afirma que a postura do arcebispo Justin Welby, líder mundial da Igreja Episcopal Anglicana foi uma "profunda decepção". "Eu choro pelos líderes que deram as costas à autoridade das Escrituras", afirmou Tice. Advertiu ainda que "Deus irá retirar seu Espírito dessa instituição a menos que os anglicanos se arrependam de seus pecados".
    Segundo ele, durante um encontro mundial de líderes da denominação, um bispo nigeriano repreendeu os ingleses pelo seu pecado de apoiar que homossexuais ativos sejam aceitos como membros e também ordenados como sacerdotes na denominação. Para ele, esse foi um claro recado da parte de Deus.
    Tice revela que o discurso do politicamente correto está se tornando uma espécie de "idolatria", sobrepujando a autoridade da Palavra. "Se a comunhão anglicana não se submeter [às Escrituras], o Senhor nos abandonará. Eu acho que a mensagem do momento é 'escute, o Espírito se afastará da igreja anglicana tradicional, a menos que nos submetamos às Escrituras e nos arrependamos de nossos pecados e chamemos os membros para fazerem isso'", assegura.
    "Estou falando como um evangelista, alguém que passou os últimos 30 anos tentando ganhar os perdidos. Estou aqui porque sei que não há poder no evangelismo a menos que você esteja submisso às Escrituras", arrematou.
    Narrando o momento em que decidiu abandonar o Grupo de Trabalho de Evangelismo da cúpula anglicana, ele explica que debateu com o bispo Paul Bayes, que aprova as relações de pessoas do mesmo sexo.
    "Eu não poderia me submeter à liderança dele. Eu tive que deixar o comitê. O bispo e eu seguimos religiões diferentes quando se trata de falar sobre o ensino claro das Escrituras sobre a sexualidade humana. Eu acho uma grande maldade dizer às pessoas que estão no caminho da destruição que está tudo bem, ensinar que elas não enfrentarão a ira de Deus quando se sabe [que isso ocorrerá]", destacou.
    O evangelista diz que é preciso lembrar a diferença entre "tolerância" e "permissividade", algo que em muitas igrejas acabou se tornando sinônimo.
    Apesar de sua decepção, o evangelista diz que muitos dentro da igreja anglicana não abandonaram o evangelho de Jesus e, mesmo sendo minoria, estão dizendo ao seu povo "vamos manter o ensino das Escrituras".
    Divergências no Brasil
    No início deste mês, o Sínodo Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) aprovou mudanças em seus cânones, passando a permitir casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Foram 57 votos a favor e apenas 3 contrários.
    Porém, assim como outras denominações, existe uma ala tradicional e conservadora. Aqui ela se chama Igreja Anglicana no Brasil, cujo Bispo Primaz é Miguel Uchoa.
    Surgida em 2005, o motivo da divisão foi justamente a maneira de ver as relações homoafetivas. A denominação emitiu uma nota onde reforça sua posição sobre o casamento bíblico e lamenta a decisão dos demais grupos anglicanos.
    Com informações Premier Christianity via Gospel Prime
    Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...